Quotidiano: Após proibição da Prumo, animais morrem de sede no 5º distrito

Os animais estariam morrendo de sede devido a não permissão da empresa para que se adentre nas propriedades com máquinas, visando à limpeza e o aprofundamento dos tanques.

Após proibição da Prumo, animais morrem de sede no 5º distritoCrédito: Blog do Pedlowski

Por Victor Azevedo, victor.azevedo@quotidiano.com.br

Se não bastasse a seca que assola o município, produtores rurais do 5º distrito que possuem gado e que estão nas terras desapropriadas estão sofrendo com proibições da Prumo. Os animais estariam morrendo de sede devido a não permissão da empresa para que se adentre nas propriedades com máquinas, visando à limpeza e o aprofundamento dos tanques. A denúncia é dos agricultores. O vereador Franquis Arêas (PR) criticou a atitude da empresa.

“Os produtores não estão podendo limpar os bebedouros, máquinas não podem entrar nas propriedades, a situação está complicada. Na última sexta-feira, quatro produtores que entraram para socorrer o gado, foram levados à delegacia sob acusação de invasão de propriedade. Com a retirada das cercas que dividiam propriedades, ficou uma área imensa e o gado sai andando e depois não consegue encontrar água”, ressaltou.

Em seu blog, o professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Marcos Pedlowski criticou a ação da Prumo.

“Acho que a Prumo Logística Global, especialmente seus responsáveis pela parte ambiental estão devendo uma explicação sobre o descompasso entre discurso e prática que os agricultores do 5º Distrito estão denunciando”, disse. 

O Jornal Quotidiano entrou em contato com a Prumo, mas até agora não obteve resposta. 

FONTE: http://www.quotidiano.com.br/noticia-1952/apos-proibicao-da-prumo,-animais-morrem-de-sede-no-50-distrito

Salinização de água e solos preocupa comunidades no entorno do Porto do Açu. Afinal, quem é “o pai da criança feia”?

Apesar de até hoje os responsáveis pelo Porto do Açu (no passado o Grupo EBX e atualmente a Prumo Logística) e os técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) afirmarem publicamente que monitoram a situação da qualidade da água que é consumida para diferentes finalidades pelos moradores do V Distrito de São João da Barra, e que seus estudos não vem encontrando quaisquer alterações após o derrame de água salgada que ocorreu em Novembro de 2013 por causa de um erro de engenharia na construção do aterro hidráulico do Porto do Açu,  há uma inquietação crescente na população sobre a condição real da qualidade das águas.

Hoje recebi a narrativa feita por um morador do V Distrito que esteve numa reunião que teria sido organizada pela empresa Ferroport para, aparentemente, discutir o mineroduto Minas-Rio, mas que acabou sendo apropriada pelos agricultores presentes para apurar quem são responsáveis pelo processo de salinização que estaria em curso em diversas comunidades, afetando o desenvolvimento das culturas agrícolas.

Em função das informações que estão presentes na mensagem que me foi enviada, agora vamos ver o que dizem tanto os representantes da Ferroport como os da Prumo Logística que, aliás, é sócio da mineradora Anglo American na Ferroport!

Uma coisa que está me intrigando é o porquê da presença do  secretário de Trabalho e renda do município de São João da Barra numa reunião organizada pela empresa Ferroport. Com certeza, ele foi lá para dar o devido apoio aos agricultores!

Finalmente, o que essa narrativa mostra é quando a criança é “feia”, ninguém quer ser pai ou mãe!

Reunião na Praia do Açu e a preocupação com o problema da salinização de águas e solos no V Distrito de São João da Barra

Professor Marcos,

Na sexta feira (30/01/2015) foi realizada uma reunião na Praia do Açu supostamente proposta pela empresa FerroPort, que contou com a presença de um biólogo ligada a essa empresa, duas representantes da empresa Ecológus, do secretário de Trabalho e Renda do município de São João da Barra, e aproximadamente sete pessoas da comunidade.

O objetivo da reunião não ficou bem explícito, já que na mesma foi discutido o trajeto do mineroduto Minas-Rio, e também sobre alguns projetos sociais e ambientais realizados pela empresa.

Uma coisa ficou pouco clara para os representantes da comunidade é que foi dito várias “FerroPort e AngloAmerican são responsáveis por um empreendimento, e a Prumo por outro, e as empresas não tem ligação”.

Alguns moradores levantaram um assunto que supostamente não deveria ser um dos temas abordados na reunião: “a salinização do solo e da água” em áreas próximas ao Porto do Açu. O biólogo contratado pela empresa Ferroport respondeu o questionamento dos moradores dizendo que “até que provem o contrário não posso afirmar se a empresa FerroPort é responsável ou não pelo problema“. Questionado também sobre a suposta responsabilidade da Prumo com o problema citado acima, o biólogo respondeu só podemos responder perguntas referentes à nossa empresa, a Prumo é responsável por outro empreendimento“.

Uma coisa que posso dizer é que não houve divulgação, e a reunião ficou basicamente nisso.

Em relação ao problema da salinização de águas e solos, a informação circulando entre os moradores do V Distrito é que um total de  seis comunidades estão sendo afetadas por este problema: Alto do Cordeiro, Quixaba, Açu, Folha Larga, Água Preta e Mato Escuro.

É importante que se diga que os agricultores pensar estarem sendo afetados pelo processo de salinização por causa do baixo desenvolvimento de seus cultivos agrícolas, como é mostrado nas imagens abaixo!

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Área de pimentão com perda quase total – 02/02/2015

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Área de plantio de alface com perda em parte da parcela – 02/02/2015

Onde estão as prometidas soluções para a erosão na Praia do Açu?

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A volta das águas do mar às ruas que circundam a Praia do Açu me fizeram lembrar que no início de Dezembro passado (no dia 8 para ser mais preciso), a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São João da Barra circulou uma nota sobre o problema da erosão costeira (Aqui!) que continha a seguinte informação:

O prefeito José Amaro de Souza Neco se reúne na próxima quarta-feira, 10, com o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) para discutir a realização de um novo projeto que será financiado pela Prumo Logística com o objetivo de identificar a causa e conter o avanço do mar na praia do Açu. O projeto deverá ser elaborado pelo INPH e a secretaria de Estado do Ambiente (SEA), através do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam).”

Bom, mais de 30 dias depois da liberação desta nota e de contínuas manifestações de que o problema da erosão não desapareceu num passe de mágica, cabe perguntar à Prefeitura de São João da Barra a quantas andam as negociações com o INPH para a realização de tal projeto. Já para a Prumo Logística caberia nos informar o montante que a empresa já alocou para para financiar a realização deste projeto. Quanto ao INEA, deixa para lá!

Futuros cientistas sociais da UENF fazem trabalho de campo na Praia do Açu e vêem o avanço da erosão

Estive hoje na Praia do Açu com um grupo de estudantes de Ciências Sociais da UENF como parte de um trabalho de campo da disciplina Geografia I que sempre ministro no segundo semestre letivo. Tradicionalmente o final do percurso que se inicia na localidade de Barcelos e termina no Pontal de Atafona, hoje terminou nas areias da Praia do Açu, pois decidi mostrar a evolução do processo de erosão que hoje consome uma área considerável da parte central da faixa de areia.

Numa das etapas da visita, os estudantes ouviram relatos de um morador da Barra do Açu que lhes narrou as crescentes dificuldades sendo vivenciadas na localidade em função das mudanças causadas pela construção do Porto do Açu. Em uma explanação rápida, o morador traçou um panorama da situação que os pouco mais de 2.000 habitantes da Barra do Açu vivem atualmente, onde as promessas de futuro dourado estão sendo substituídas por um panorama de estagnação social e degradação ambiental.

Essa exposição à realidade fora das paredes e muros da UENF é sempre uma coisa que me motiva, pois acredito que todo o conhecimento teórico que é ministrado fica fora de contexto se os nossos estudantes não virem as repercussões objetivas de, por exemplo, políticas macroeconômicas sobre a realidade do cidadão comum.

Em relação à Praia do Açu, a situação me pareceu estabilizada em relação à minha última visita dentro de um quadro claro de encurtamento da faixa de areia. Agora vamos ver o que acontece nas próximas semanas para ver aquela área terá algum uso turístico no verão que se inicia.

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Alerj: Açu pode virar uma ‘nova Macaé’

Alerta é de comissão que votou relatório propondo melhorias em infraestrutura para evitar crescimento desordenado

O DIA

Rio – Impactos sociais e ambientais causados pelo Complexo Logístico do Porto do Açu ameaçam o desenvolvimento das regiões Norte e Noroeste Fluminense. É o que aponta o relatório final da Comissão Especial da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), criada para analisar o processo de instalação do megaempreendimento no município de São João da Barra. Aprovado nesta quarta por unanimidade, o documento aponta deficiências no projeto e traz diversas melhorias a serem implantadas na região.

Para o presidente da comissão, deputado estadual Roberto Henriques (PSD), apesar do potencial de alavancar a economia regional, com reflexos positivos para todo o estado e o país, o porto traz grandes riscos à região. “Nosso principal objetivo é evitar que aconteça o que ocorreu em Macaé e em Duque de Caxias, e o que está acontecendo com Itaboraí, com a instalação do Comperj. Em Macaé, pegaram um elefante branco, a Petrobras, e jogaram em cima de uma formiga, a cidade. Isso trouxe diversos efeitos colaterais negativos”, disse. 

Documento aponta que empreendimento em São João da Barra emprega apenas 30% de mão de obra local

Foto:  Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

O relatório propõe sugestões aos governos federal e estadual para tentar minimizar os problemas que podem ser causados, especialmente à logística de transporte, energia, saneamento, urbanização, habitação, educação, segurança e capacitação profissional. O Ministério do Trabalho também será acionado para atuar na fiscalização das empresas que operam no porto e inibir a violação de direitos dos trabalhadores. O documento será enviado ainda à Prumo Logística, que opera o porto, e às prefeituras da região. 

No relatório, foram listadas obras necessárias para garantir o pleno desenvolvimento da região, como a duplicação da rodovia BR-101; a criação da estrada Translitorânea — que vai ligar os municípios do Norte Fluminense à cidade de Presidente Kennedy, no Espírito Santo — e dois novos hospitais, com estruturas que vão beneficiar não só os trabalhadores, mas também os moradores de toda a região. 

Outro ponto abordado na audiência foi a urgente qualificação da mão de obra local, já que, segundo levantamento do Sindicato da Construção Civil da região, dos 11 mil trabalhadores atuantes no porto, apenas 30% são locais — 70% são de outros estados e até de fora do país

FONTE: http://odia.ig.com.br/odiaestado/2014-12-17/alerj-acu-pode-virar-uma-nova-macae.html

Plano Diretor de São João da Barra: audiência de Barcelos criou mais dúvidas do que soluções. Mas enfrentamento entre Neco e Carla Machado deu o tom do evento

Acabo de conversar com uma testemunha ocular da audiência pública realizada na noite de ontem na localidade de Barcelos para discutir o novo plano diretor do município de São João da Barra.  Essa testemunha me deu conta que, talvez por conta da grande desorganização do evento, muitos participantes ficaram sem entender as mudanças anunciadas para o uso do solo em Água Preta e Mato Escuro que terão faixas de terras cujo zoneamento passará de rural para urbano. De quebra, como alguns participantes também estiveram na audiência realizada no dia anterior que ocorreu na localidade de Mato Escuro, alguns ajustes anunciados pelo prefeito Neco em Barcelos pareceram estar em desacordo com o que foi apresentado na audiência do dia anterior.

Segundo essa fonte, até parece que o novo plano diretor está sendo feito de tão maleável que suas justificativas mudam em menos de 24 horas, o que contribui para um aumento das incertezas sobre as reais dos ajustes propostos.

Para mim uma coisa parece óbvia. As mudanças no zoneamento de Água Preta e Mato Escuro que terão faixas de terras zoneadas como urbanas a partir deste novo PDM não visam apenas aumentar o recolhimento do Imposto Territorial Urbano (IPTU) em São João da Barra. A intenção para mim é muito mais abrir novas áreas para expansão imobiliária, enquanto se diminui o espaço para a produção agrícola. Um problema ainda não explicitado é sobre como a expansão dos condomínios fechados se dará sobre áreas agrícolas em Água Preta e Mato Escuro que ficaram de fora dos decretos de desapropriação já promulgados pelo (des) governo do Rio de Janeiro.

Mas deixando os aspectos técnicos da audiência, um embate que literalmente chacoalhou o ambiente foi o enfrentamento entre o prefeito Neco e a ex-prefeita Carla Machado que se encontraram pela primeira vez para debater o cisma que se instalou entre eles. Segundo o que a minha fonte apontou, Carla Machado conseguiu algo inédito em audiências públicas ao instalar o completo silêncio em sua primeira fala. Segundo a narrativa que me foi dada, era possível ouvir o bater de asas dos pernilongos que perturbavam quem estava na audiência.

E o prefeito Neco parece ter sentido o golpe e isso ficou claro em pelo menos duas ocasiões. Na primeira quando afirmou que aquela audiência não “era um debate”.  Depois não contente com uma declaração tão esquisita, Neco teria tentado encerrar intempestivamente a audiência, mas foi salvo pelo secretário de Planejamento, Sidney Salgado, que lembrou a ele que ainda havia um bom número de questões levantadas pela platéia presente na audiência. O peculiar aqui é a negação do debate numa audiência pública. Se este tipo de reunião não destina ao debate democrático de ideias, qual seria então o objetivo da PMSJB ao realizá-las?

A impressão que ficou em ouvir esse relato é que afora os acalorados embates entre ex-aliados políticos, o conteúdo do novo plano diretor de São João da Barra ainda carece de maiores esclarecimentos, pois parece haver ainda mais caroços por debaixo do angu. 

Quem ganha com o Plano Diretor São João da Barra: olhem para o mapa!

A prefeitura de São João da Barra anunciou que realizará duas audiências públicas para discutir sua nova proposta de revisão para o Plano Diretor Municipal. Muitos habitantes do V Distrito já estão até sentindo calafrios com a ameaça da repetição do que aconteceu em 2008 quando o atual plano diretor foi aprovado no dia 31 de dezembro.  E não se pode culpar ninguém que desconfie das boas intenções da administração do prefeito Neco, pois tiveram o ano todo para discutir o novo PDM e não fizeram.

Como fiz uma tese de doutorado centrada nos impactos de uma zoneamento estadual, o do estado de Rondônia, tendo a concordar com quem está preocupado. É que é muita pressa num assunto que deveria ser efetivamente transparente e democrático, e está se encaminhando para repetir velhas práticas para agradar novos e velhos interesses.

Aos que viram e não entenderam muito o pano de fundo das transformações que poderão ocorrer em São João da Barra a partir da aprovação deste novo PDM, eu sugiro uma olhada no mapa do zoneamento. É ali que moram todas as explicações sobre os interesses que serão atendidos ou não. Eu pessoalmente indicaria aos moradores de Água Preta, Mato Escuro e Barra do Açu para fazerem perguntas bem específicas aos formuladores da proposta. E que compareçam às audiências para perguntar aos representantes do executivo municipal, o que de fato vai acontecer em termos de ritos de aprovação deste plano.

Vejamos o mapa do zoneamento, pois é nele que estão pautados os interesses econômicos que aparentemente norteiam essa revisão.

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Eu particularmente achei intrigante que toda a área em torno de Água Preta esteja designada para ser uma Zona de Ocupação Controlada (ZOCC), enquanto Mato Escuro está designada como Zona de Interesse Ambiental (ZIA). Já para a Barra do Açu, a designação multifuncional das principais vias de acesso me fazem lembrar a máxima do que aquilo que é de todos, não é de ninguém. Como abundam os boatos de que a Prumo Logística pleiteou o fechamento dessa via, a sua multifuncionalidade pode ser a via de se garantir isso.

Uma coisa que parece óbvia, mas é preciso dizer. Este mapeamento consagra o controle sobre terras que foram desapropriadas, mas cujos proprietários continuam sem receber as devidas compensações previstas na Constituição Estadual. E é mais do que isso. Ao sacramentar uma área imensa como área de expansão do desenvolvimento econômico, o que os formuladores desta proposta fazem é legitimar o controle da Prumo Logística sobre o que supostamente seria o Distrito Industrial de São João da Barra. E apesar de nada estar construído por lá e termos efetivamente um latifúndio improdutivo, o valor das terras subirá e com elas os aluguéis que a Prumo Logística poderá cobrar. 

Finalmente, uma coisa importante a se lembrar: o jogo só termina quando o juiz apita.

Quotidiano: audiências públicas nos dias 15 e 16 para discutir novo plano diretor de SJB.

A pergunta que muitos moradores do V Distrito se fazem neste momento é sobre quando será a votação na Câmara Municipal. Há quem aposte que será no dia 31/12!

O site jornalística sanjoanense Quotidiano informa (veja nota abaixo) que a prefeitura municipal de São João da Barra promoverá duas audiências públicas nos dias 15 e 16 de dezembro nas localidades de Mato Escuro e Barcelos para discutir mudanças no Plano Diretor Municipal.

Em que pese a estranheza das datas, creio que essas audiências poderão ser momentos privilegiados para que a população que será afetada pelas mudanças sendo propostas possam cobrar explicações para algumas questões que estão sendo suscitadas na mídia. Uma que deveria interessar aos moradores de diversas localidades (Água Preta, Mato Escuro e Barra do Açu) é a suposta proposta de fechar as estradas da Figueira e do Galinheiro para supostamente atender demandas da Prumo Logística Global.

Afora o grave problema de circulação viária que seria imposto aos moradores da Barra do Açu, muitos hoje se perguntam o que ocorrerá com agricultores cujas propriedades estão localizadas na margem direita da Estrada da Figueira. É que muitos agricultores hoje se perguntam se também terão suas terras desapropriadas como os que viviam na margem esquerda daquela via de acesso à Barra do Açu.  E se existir tal proposta de desapropriação sendo gestada, qual será a finalidade pretendida?

Além disso, o que realmente muitas pessoas tem me ligado é sobre quando o prefeito Neco e seu secretário de planejamento, o Sr. Sidney Salgado, pretendem enviar o projeto para ser votado para pela Câmara Municipal. É que hoje tem muita gente preocupada com a eventual repetição do que aconteceu na votação do Plano Diretor em vigência, quando o atual prefeito, então presidente da Câmara de Vereadores, realizou uma sessão na noite do dia 31 de Dezembro para passar uma lei que, depois, abriu caminho para as desastrosas desapropriações que prejudicaram centenas de famílias humildes no V Distrito de São João da Barra.

Assim, como não existe essa coisa de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, eu tenho recebido indicações de que muitos moradores estão se preparando para acompanhar essas audiências, mas especialmente a que ocorrerá em Mato Escuro, com ouvidos e olhos de Lince. A ver!

Novas audiências para apresentação da revisão do Plano Diretor

A primeira audiência foi realizada no início do mês, no auditório da Prefeitura.

 
Assessoria/ jornalismo@quotidiano.com.br

A prefeitura de São João da Barra irá realizar mais duas audiências públicas para apresentação da revisão do Plano Diretor do Município. No dia 15 de dezembro, o encontro será realizado em Mato Escuro, a partir das 18h, no Salão localizado atrás do restaurante do Sr. Luís.  Já no dia 16, será a vez do distrito de Barcelos receber a segunda audiência da semana, também às 18h, no prédio da Assistência Social, próximo à Praça Nossa Senhora da Conceição.  A primeira audiência foi realizada no início do mês, no auditório da Prefeitura.

Durante as audiências, serão divulgadas as mudanças – com base em sugestões da população – em relação ao projeto original elaborado pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner. O Plano Diretor, de acordo com o secretário de Planejamento, Sidney Salgado, visa garantir um crescimento ordenado e sustentável, com a máxima qualidade de vida para a população. A revisão, segundo ele, segue em consonância ao crescimento populacional de São João da Barra, que já é uma realidade em decorrência da implantação do Porto do Açu.

 “Existe a preocupação em evitar a favelização e a marginalização da sociedade. Mostramos o projeto inicial que passou pelo crivo da população, porém com novas sugestões. Esta é a nossa forma de trabalho, sempre consultando a população”, ressaltou Sidney.

FONTE: http://www.quotidiano.com.br/noticia-1752/novas-audiencias-para-apresentacao-da-revisao-do-plano-diretor

Roberto Moraes faz importante alerta sobre tentativa de aprovar novo plano diretor de SJB nos estertores de 2014

Abaixo reproduzo uma postagem que tirei do blog do Prof. Roberto Moraes cujo conteúdo considero importante de ser disseminado o mais amplamente possível, afim de que se preserve os interesses da população de São João da Barra, e especialmente da população do V Distrito de São João da Barra que já vem sendo impactada pela implantação do Porto do Açu, sem que haja qualquer tipo de medida mitigatória para problemas graves como os causados pelas desapropriações, pela salinização de águas e solos, e pela erosão costeira que consome hoje a Praia do Açu.

É que se o conteúdo desta postagem for confirmado, o que teremos é uma repetição da estratégia que permitiu a aprovação da versão atual do Plano Diretor Municipal de São João da Barra na noite do dia 31 de Dezembro de 2008, apenas para possibilitar a emissão dos decretos de desapropriação pelo (des) governo Pezão/Cabral em 2009. Há que se lembrar que o presidente da Câmara de Vereadores de São João da Barra era o atual prefeito Neco. Em suma, dada a experiência prévia na forma de aprovar planos diretores do Sr. Neco, toda atenção será pouca.

Desta forma, de modo a se evitar a tentação de se repetir essa manobra que atenta contra o direito da população que seria afetada pela exclusividade que se poderá dar à Prumo Logística para duas importantes vias de circulação no V Distrito, é que julgo importante que se esclareça logo essa situação. Do contrário, temo que o pior ainda esteja por vir para os moradores do V Distrito e, por extensão, de todo o município de São João da Barra. Afinal, um controle tão estrito do território de São João da Barra por uma corporação estrangeira não vai ser nada bom. E não é preciso ser geógrafo para entender a natureza e a extensão desse problema.

E antes que eu me esqueça: o arquiteto Jaime Lerner vai voltar à São João da Barra para nos relembrar da sua proposta de tornar a cidade uma “Veneza brasileira” ou a coisa vai ser só mesmo para fechar estradas e abrir novas áreas para especulação imobiliária como nos adianta a postagem do Prof. Roberto Moraes?

Prefeitura de SJB retoma interesse em aprovar novo Plano Diretor ainda em 2014

O blog foi informado que a empresa que controla do Porto do Açu, a Prumo Logística Global esteve, nessa última semana, com os vereadores na Câmara Municipal e também com o prefeito defendendo mudanças no Plano Diretor do município.

Segundo essas mesmas informações, a Prumo entre outras coisas defendeu que seja feito o fechamento das estradas de acesso aos terminais do Porto do Açu.

Uma seria da estrada quem vem pelo Cajueiro (“Estrada do Galinheiro”). A outra, é a estrada da Figueira que liga a localidade de Mato Escuro ao Açu, margeando a áreas e os empreendimentos do Terminal 2, defendendo que ambas ficassem apenas para o seu uso.

O fato caso aprovado faria com que o balneário do Açu e a comunidade de mais de 2 mil moradores, ficassem ainda mais isolados e com menos acesso à sede do município e também em relação à Campos.

Não se sabe o que está sendo negociado. Há estranheza que a proposta do Plano Diretor que foi apresentada no início de 2013, e que ficou adormecida por tanto tempo, agora se queira aprovar com tanta pressa como parece ser o caso.

Fala-se ainda na retomada de uma proposta de “estrada parque” por dentro da Unidade de Conservação (RPPN Caruara) ligando Iquipari e Grussaí.

Também se diz que o interesse pelo novo plano parte de imobiliárias que estariam com investimentos na região que precisam ser do conhecimento de todos, antes da aprovação do novo Plano Diretor.

Para tentar cumprir as obrigações mínimas, mesmo que pouco se conheça de sua nova proposta, se diz que uma audiência pública seria tentada para ser realizada proximamente em Mato Escuro, junto de anúncios de melhorias para aquelas localidades que incluiriam construção de casas populares e alguma urbanização, para reduzir resistências e tentar atrair apoios para a aprovação do novo Plano Diretor.

Considerando tudo que temos visto em termos de impactos com a instalação do Porto do Açu para a comunidade, e ainda a necessidade de se prever com cuidado e participação da população, a análise dessas alterações em relação ao que hoje existe em termos de autorização do município – que é quem regula o uso do solo e por isso tem poder que não pode ser substituído por instâncias superiores – é que não se pode aceitar que nada seja feito assim de afogadilho depois da proposta inicial ter adormecido por cerca de um ano e meio junto aos poderes do município.
 
Veja aqui neste link uma postagem do blog sobre a proposta do Plano Diretor de SJB, em março de 2013.

O desenvolvimento econômico com os “sonhados e desejados empregos”, mesmo que em proporção sempre muito menores que os “previstos e anunciados” não podem continuar a servir único argumento, para a autorização da ocupação espacial e uso do solo, de forma permissiva para os que possuem poder econômico, em nome do discurso de “freio” sobre a ocupação irregular pelos trabalhadores e pela comunidade.

É importante que a população acompanhe tudo de perto depois de tudo que já se tem visto nesses sete anos em que o empreendimento começou a ser construído em outubro de 2007.

É indispensável que conheça o que está sendo proposto e eventualmente aprovado. Se houver supressão de informações e direitos a nova legislação será passível de ser questionada judicialmente, a começar pelo Ministério Público Estadual.

Se o objetivo é dar conhecimento e permitir que todos saibam o que será discutido e aprovado, o blog, como sempre fez e continua a fazer, abre espaço para que a proposta possa ser apresentada e defendida aqui em todas as suas repercussões. A conferir!

PS.: Abaixo o mapa da proposta do macrozoneamento que foi apresentado em março de 2013 como parte do novo Plano Diretor de SJB.

+FONTE: http://www.robertomoraes.com.br/2014/12/prefeitura-de-sjb-retoma-interesse-em.html?m=1

Uma esquisitice a mais na história do Porto do Açu: mercado de terras desapropriadas está superaquecido

Tenho recebido vários contatos de agricultores no V Distrito de São João da Barra que me dizem estar sendo pressionados a vender suas terras desapropriadas para uma empresa não identificada.  Se isso não fosse esquisito o suficiente, os proponentes deste tipo de interesse de compra por um ente não identificado estão atuando de forma pouco ética em relação aos advogados que representam os agricultores desapropriados.  Mas as esquisitices em torno desse aquecimento do mercado de terras desapropriadas não param por ai, segundo o que aparece de forma repetida nos relatos que eu recebi nos últimos dias.  

Aliás,  toda essa história das desapropriações realizadas pelo (des) governo Pezão/Cabral é marcada por coisas para lá de peculiares, como aliás já comentei em diversos momentos aqui neste blog ao longo dos últimos cinco anos.

Agora, que tenha gente querendo comprar terra desapropriada em nome de empresa anônima beira o cúmulo do absurdo,  especialmente porque a maioria dos agricultores desapropriados até hoje continua a ver navios, que não aqueles poucos que já atracaram no Porto do Açu.

Para relembrar um caso especialmente esquisito, posto novamente o depoimento do Sr. Reinaldo Toledo em que ele narra como recebeu uma folha de um servidor da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) atestando o valor que seria pago pela expropriação de suas terras, fato esse que se consumou sem que houvesse ocorrido qualquer pagamento.  Pelo jeito, o ciclo de desrespeito aos agricultores do V Distrito de São João da Barra ainda nos reservará muitas e desagradáveis surpresas.