O que o leilão dos bens de Sérgio Cabral e sua trupe revelam

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Como tudo no Brasil acaba sendo esquecido, as ações cometidas pelo (ex) governador Sérgio Cabral e seus (des) secretários estão sendo lentamente jogadas na vala comum onde são depositados todos os escândalos cometidos contra o bem público.

Mas como Sérgio Cabral ainda é um cadáver insepulto, ele e seu grupo continuam a nos dar provas vivas do tamanho das estripulias que cometeram enquanto ocupavam cargos públicos. Uma prova disso é o anúncio do leilão público dos bens de Sérgio Cabral et caterva que mostro abaixo.

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O troféu maior desta lista de bens é certamente a mansão que Sérgio Cabral possuía no PortoBello Resort em Mangaratiba, mas os outros itens também desvelam o tipo de luxo que cercava esse pessoal em direto contraste com a realidade em que estão imersos milhões de cidadãos fluminenses.

O mais curioso é que o leilão destes bens certamente poderá acalmar os ânimos dos mais ingênuos, mas dificilmente deixará Sérgio Cabral e seus assessores na condição de pessoas sem posses. É que pelo que já transpirou das investigações realizadas pela Polícia Federal, tudo que irá a leilão ainda é café pequeno em comparação aos valores que supostamente foram apropriados nas múltiplas transações ilegais que ocorreram nos anos em que Sérgio Cabral comandou o Rio de Janeiro com as bênçãos acumpliciadas das elites e da mídia corporativa (o que em alguns casos se confundem).

Luiz Fernando Pezão e seu papo “de deixar legado diferente” só convence quem quer ser convencido

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O jornal Folha da Manhã publicou neste domingo (24/09) uma entrevista com o ainda (des) governador Luiz Fernando Pezão com o sugestivo título “Pezão: Vou deixar um legado diferente”. 

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A entrevista é como um todo um amontoado de “nonsense” onde destaco o inverossímil empréstimo (na verdade postergação de pagamento de dívidas) de R$ 63 bilhões e chegando à construção de um suposto legado “diferente” daquilo da qual participou diretamente nos anos em que Sérgio Cabral segurava o timão no Palácio Guanabara.

Na parte mais substantiva do que o (des) governador Pezão tentou esboçar como seu “legado diferente” aparecem dois pecados capitais.  O primeiro é a insistência de indicar que as principais dificuldades que seu (des) governo Pezão tem uma relação causal com o encurtamento com as rendas dos royalties do petróleo, coisa que já é sabido não ser verdadeiro.  Mas mais do que apontar o dedo para a causa errada, o (des) governador Pezão sinaliza uma insistência irreal na possibilidade de se reverter a diminuição das rendas dos royalties. Esse tipo de insistência somada à ilusão de que há qualquer perspectiva de renascimento econômico a partir da pílula amarga batizada sob o enganoso nome de chamado “Regime de Recuperação Fiscal”. É que já tentei demonstrar neste blog que de recuperação este regime não tem nada. Aliás, o mais provável é que piore o que já está péssimo.

O segundo pecado capital é não apenas se esquivar das próprias responsabilidades sobre o que ocorreu nos tempos de Sérgio Cabral, mas como sinalizar uma pouquíssimo crível posição de que as eventuais contaminações do período anterior sobre seu próprio (des) governo estão sendo sanadas.  Aqui a coisa é simples: a equipe de Pezão é majoritariamente formada por indivíduos que estavam umbilicalmente ligados a Sérgio Cabral, e da equipe anterior só não está sendo aproveitado quem está preso.

A pitada de “vivo no mundo da lua” nas respostas do (des) governador Pezão aparece naquela onde ele afirma que “quem errou está pagando”, mas se esquecendo de mencionar não apenas diretamente o seu padrinho político Sérgio Cabral, mas como seu grande amigo e ex-secretário de várias pastas, Hudson Braga, ambos presos por causa de acusações de grossas corrupções enquanto estiveram no executivo fluminense.

Mas, convenhamos esperar o que mais de um (des) governador cuja inapetência para cumprir os altos desígnios do cargo para o qual foi eleito só faz à disposição demonstrada em se hospedar em resorts de luxo enquanto a maioria da população sofre os graves efeitos de seu desastroso (des) governo.

E que ninguém caia na conversa mole de que o Rio de Janeiro está saindo da crise. A dura verdade é que a crise causada por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão ainda está no seu limiar. Piores tempos ainda virão por aí para a maioria pobre da população fluminense.

Para quem desejar ler a entrevista completa do (des) governador Pezão, basta clicar no link que segue ao fim desta postagem [1].


[1] http://www.folha1.com.br/_conteudo/2017/09/politica/1225120-pezao–vou-deixar-um-legado-diferente.html

 

Com Anthony Garotinho não basta prender, há que se esmagar a imagem e calar a sua voz

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Há quem estranhe o meu estranhamento com as condições em que está se dando a prisão domiciliar do ex-governador Anthony Garotinho. Quem estranha isso é porque não me conhece bem. É que nunca fui de me juntar às turbas que aproveitam de determinados momentos para tentarem linchar quem está caído no chão.  E por achar que é isto que vem acontecendo, não posso me furtar a expressar minha oposição não apenas à prisão domiciliar, mas como também à tentativa de esmagar a imagem pública de Anthony Garotinho. E, pior, de calá-lo.

A questão aqui é preciso que se diga não se refere a apoiar a forma de praticar política que o ex-governador Anthony Garotinho optou por exercer ao longo de sua trajetória.  Mas como não se trata de aderir ou concordar, não vejo qualquer problema em apontar para as três facetas que apontei acima.  E o que preocupa mais é o fato de que se é possível fazer o que está sendo feito contra Anthony Garotinho, não posso deixar de apontar para os efeitos ainda mais deletérios que podem recair contra milhões de brasileiros que não possuem nem a capacidade de articulação política ou os recursos que o ex-governador possui para se defender.  Em outras palavras é pelo menos afortunados que me vejo obrigado recusar a apoiar decisões judiciais peculiares ou me juntar à turba de linchadores travestidos de portadores de opiniões, fatos ou versões dos mesmos.

Por outro lado, me pergunto quais são os objetivos de se tirar Anthony Garotinho de circulação deste momento, impedindo-o de continuar exercendo suas funções profissionais como radialista. Aliás, nem deveria me perguntar. É que no meio do silêncio sepulcral que cerca a atual situação política e econômica do Rio de Janeiro, Garotinho vinha sendo uma voz expressiva na denúncia dos golpes cometidos contra o erário público por membros dos três poderes fosse no âmbito estadual ou nacional, especialmente nos muitos crimes cometidos pelo grupo do ex- (des) governador Sérgio Cabral  Assim, ao impedi-lo de trabalhar e oferecer sua visão acerca da conjuntura em que estamos metidos existe um claro favorecimento dos que têm interesse em que determinados fatos não sejam revelados a uma faixa da população que normalmente não é informada.

Também acho interessante apontar para o inevitável fato de que Anthony Garotinho, em que pesem os anúncios precoces de sua morte política, é a personalidade política mais importante que o município de Campos dos Goytacazes possui. Todos os outros políticos perto dele são expressões menores, a maioria sem qualquer capacidade de fazer frente a ele e sua conhecida capacidade de ação política.  E neste contexto é normal que os eventuais substitutos tentem se aproveitar da fragilidade causada pela decretação da prisão para dar o chamado golpe final.  Já cuidar da cidade que é bom, muito pouco ou quase nada se vê sendo feito.  E pelas ruas se seguem os assaltos, as centenas de pessoas tentando se virar nos sinais, a piora da condição do trânsito, e, sim, o aprofundamento da condição caótica em que estão as unidades municipais de saúde e de educação.

Curiosamente, a combinação dessa situação de inexistência de substitutos à altura e a demonstração objetiva de que a gestão do prefeito Rafael Diniz beira o caos são uma demonstração inequívoca de que Anthony Garotinho não será tão facilmente apagado da cena política municipal. E continuará pairando sobre o mundo político campista como um espectro amedrontador por ser inderrotável. Para desespero de seus inimigos e viúvas políticas.

JB: Que a rapidez na prisão de Garotinho sirva de exemplo

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O país se estarrece diante da rapidez da justiça de Campos dos Goytacazes em prender o ex-governador Anthony Garotinho. A diligente velocidade do Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Ralph Manhães, da 100º Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes, em cumprimento da lei em função da suposta irregularidade na Operação Chequinho, é um exemplo a uma pequena parte da magistratura que não tem a mesma agilidade em prender delinquentes em operações de checões. Fundamentalmente contra os supostos delinquentes que o ex-governador Garotinho vinha denunciando em seu programa na Rádio Tupi.

A rapidez estarrece ainda mais diante das corrupções de bilhões que atingem mais de 20 milhões de desempregados, atingem a saúde pública, a segurança e a tranquilidade do pais. Deveria ser feita uma verificação na evolução patrimonial de determinados políticos com a mesma rapidez com que o senhor juiz Ralph Manhães agiu. Políticos que, em menos de 20 anos, transformaram suas certidões de renda de alguns mil reais para alguns milhões de reais. Seria facílimo. Mais fácil ainda contra esses envolvidos nessas corrupções que vêm sendo denunciados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

Esse senhor preso hoje, se cometeu tantos delitos como é acusado, por outro lado não ostenta nenhum tipo de enriquecimento. Seus filhos atuam em empregos modestos, os apartamentos são de comprovada categoria de classe média e não se conhece coleção de joias de sua mulher, nem viagens ao exterior permanentes.

Mas nossa obrigação é acreditar na justiça.

Todos nós torcemos. O país inteiro, fundamentalmente o que sofre, inclusive mais ainda os que foram atingidos por esse tufão não só da facção do ex-governador Sérgio Cabral, como os de corruptos e corruptores. 

Estamos falando daqueles que já estão envolvidos e presos, mas nos envergonhamos quando vimos muitos dessas facções soltos, indo morar em Portugal, outros indo para São Paulo criar redutos de corrupção, que com certeza não vingarão.

Não se entende também porque uma delinquência, tão importante para ser punida com prisão, mereça a domiciliar. Não se discute a sentença, só se aconselha ao Doutor juiz a acompanhar esta prisão domiciliar para que não aconteça o que vem acontecendo com os outros que roubaram bilhões – diferente deste “chequinho” – e que ainda vão para suas luxuosas residências saborear charutos Cohiba cuja unidade, dependendo do calibre, não custa menos R$ 100. Ou ainda alugam apartamentos magníficos em São Paulo, que possuem casas no exterior, mas que só deverão ser presos realmente quando atuarem em “operações chequinhos”.

Que este Excelentíssimo Doutor Juiz também não permita que Garotinho mande comprar drinques em restaurantes sofisticados das suas redondezas, como acontece com delinquentes que, apesar dos bens bloqueados, misteriosamente ainda conseguem manter altíssimo padrão de vida.

Sabe-se que a facção de Sérgio Cabral está comemorando muito a prisão de Garotinho. Afinal, terão paz durante o tempo em que esse senhor estiver fora de seu programa na Rádio Tupi, onde fazia graves denúncias contra este grupo.

FONTE: http://m.jb.com.br/opiniao/noticias/2017/09/13/que-a-rapidez-na-prisao-de-garotinho-sirva-de-exemplo

Bolsa de”reforço escolar” para ex-esposa de Sérgio Cabral mostra que a crise fluminense é altamente seletiva

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Graças a um colega que também é docente na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), fiquei sabendo que a ex-esposa, e primo do senador tucano Aécio Neves, Susana Neves Cabral foi agraciada, em tempo recorde, com a concessão de uma bolsa de “reforço escolar” pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro onde atua como assessora no gabinete da presidência [1]

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Como fiquei curioso com tamanha velocidade e o valor da “bolsa”, resolvi verificar se havia mesmo uma publicação no Diário Oficial da Alerj sobre tal concessão, e eis que a mesma realmente foi realmente publicada no dia de hoje (31/08).

susana cabral

Em princípio há que se mencionar que Susana Neves Cabral e realizou um pedido a um benefício que parece ter pleno direito enquanto servidora comissionada da Alerj. Entretanto, não só a velocidade da tramitação como o valor do benefício tornam explicito o fato de que a crise que está ocorrendo no Rio de Janeiro possui traços de alta seletividade. E bota seletividade nisso!

Só para que se tenha uma comparação, diversos docentes da Uenf tiveram seu processo de enquadramento funcional concluído ainda em 2016, mas tudo foi paralisado pela Secretaria de Fazenda e Planejamento que exigiu o estabelecimento de critérios mais rigorosos para que os mesmos fazem jus aos ganhos que já provaram ser merecedores. Parece contraditório, mas é só é  tratamento seletivo.


[1] http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/alerj-concede-bolsa-ex-mulher-de-cabral.html

Rio de propinas: Sérgio Cabral finalmente apontou seu dedo acusador para Pezão

pezao dedo

Demorou, mas o momento finalmente chegou. Ontem em depoimento ao juiz Marcelo Bretas da 7a. Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, o ex (des) governador Sérgio Cabral lembrou ao ser questionado sobre a cobrança propinas nas obras públicas realizadas no seu (des) governo que o então secretário estadual de obras era o atual (des) governador, o seu protégée político Luiz Fernando Pezão [Aqui!].

cabral pezão propina

Embora a informação de que Luiz Fernando Pezão era o secretário estadual de Obras quando alguns dos casos mais cabeludos de superfaturamento de obras ocorreram esteja disponível até no Wikipedia [Aqui!], até o momento o atual (des) governador estava passando basicamente impune pelo rio de lama que varreu o executivo fluminense após a prisão de Sérgio Cabral e vários de seus (des) secretários.

No more” diria o gringo. É que apesar de Pezão já ter mandado dizer que não comentará as confissões de Sérgio Cabral, o gato foi colocado para fora do saco, como diriam os mais antigos. Este desdobramento cria embaraços não apenas para Pezão, mas para membros do legislativo e do judiciário que já deveriam ter, de alguma forma, se movido para apurar o possível envolvimento do (des) governador Pezão nas tratativas nada republicanas que ocorreram quando ele ocupava o duplo papel de vice  (des) governador e secretário estadual de obras. 

Por outro lado, usando um termo que marcava as tratativas feitas entre empresários corruptores e políticos corruptos, o fogo que cerca Pezão neste momento ainda tem muito oxigênio para queimar. Talvez isto explique o sorriso nervoso que aparece na face do ainda (des) governador em certas ocasiões. É que ele deve saber que cedo ou tarde (aliás, já tardou) explicações terão que ser oferecidas, e que elas terão que ser melhores do que aquelas que Sérgio Cabral achou que teria que prestar para se livrar de muitos anos de cadeia.

Conflito agrário no Porto do Açu: até hoje faltavam os presos políticos, agora não mais

A criação deste blog em meados de 2011 foi bastante motivada pelo escabroso processo de desapropriações promulgadas pelo (des) governo de Sérgio Cabral em prol do conglomerado de empresas pré-operacionais do ex-bilionário Eike Batista.  Durante o auge daquele rumoroso processo não faltaram cenas de agricultores sendo submetidos a situação constrangedoras nas mãos de policiais militares que davam apoioao aos oficiais de justiça encarregados de cumprir os mandados de imissão de posse (ver imagem abaixo de um desses casos).

PRISÃO AÇU

Entretanto, as situações constrangedoras e prisões que ocorreram no período que marcou o auge das desapropriações não tiveram a mesma envergadura que marca a prisão dos agricultores Vilson  e Vitor Almeida e do militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), David Wigg Mendonça. É que diferente do período, os três foram mantidos presos, mesmo após a finalização da reintegração de posse decidida pelo juiz Paulo Maurício Simão Filho da 1a. Vara Cível de São João da Barra.

Esseas prisões têm uma clara conotação política no sentido de intimidar e conter a revolta existente no V Distrito de São João da Barra contra os abusos cometidos contra centenas de famílias de agricultors pobres. Nesse sentido,  temos a primeira instância de prisões políticas no âmbito desse processo inconcluso de tomada de terras para fins até agora meramente especulativos.

Chamo a atenção em particular para o caso do Sr. Vilson Almeida (imagem abaixo) que é o real proprietário da área que foi reintegrada no dia de ontem sob a força de numerosa guarnição militar e com a presença ostensiva de seguranças privados de empresa contratada pela atual controladora do Porto do Açu, a Prumo Logística Global. É que o Sr. Vilson Almeida é uma pessoa bastante respeitada pela comunidade, e sua prisão certamente aumentará o grau de inconformismo já existente em relação às desapropriações promovidas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin) para beneficiar inicialmente Eike Batista e agora o fundo de “private equity” EIG Global Partners.

VILSON

Estas prisões foram tão emblemáticas que estão alcançando uma repercussão em nível nacional, o que não deixa de ser mais um ineditismo no conflito agrário que vem marcando a implantação do Porto do Açu [Aqui!,  Aqui!Aqui! e Aqui!].

Uma coisa que sempre me intriga é sobre como reagiriam empresas multinacionais, cujos sistema de governança corporativa vedam a interação com empreendimentos marcados pelo tipo de conflito social ocorrendo no Porto do Açu, se fossem convidados a vir investir neste empreendimento. Pelo pouco que sei dessa seara, simplesmente não viriam. Se isto for mesmo o caso, é provável que estas prisões políticas acabem se transformando num imenso tiro pela culatra por parte de quem as idealizou. A ver!