ASPRIM terá audiência no MPF para tratar das mazelas causadas pelo Porto do Açu

Como antecipado neste blog, a Associação de Produtores Rurais e Imóveis de São João da Barra (ASPRIM) esteve ontem na sede do Ministério Público Federal para se informar do andamento dos diferentes inquéritos existentes em relação aos problemas sociais e ambientais causados pela construção e funcionamento do chamado Complexo Industrial e Portuário do Açu (CPIA).

Uma das consequências dessa visita foi a marcação de uma audiência com o procurador da república Guilherme Garcia Virgílio que agora responde pelos processos relacionados ao CPIA no Ministério Público Federal em Campos dos Goytacazes. Esta audiência deverá ocorrer no dia 16 de Março de 2017.

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Segundo o que me informou o vice-presidente da ASPRIM, Rodrigo Santos, há um forte sentimento de indignação entre os agricultores do V Distrito em relação ao processo de desapropriação comandado pelo ex (des) governador Sérgio Cabral em benefício do Grupo EBX do ex-bilionário Eike Batista,  e que aumentou bastante após as revelações trazidas à luz pela mídia corporativa nas últimas semanas.

E o aumento da indignação entre os agricultores do V Distrito de São João da Barra certamente ainda trará novos desdobramentos nas ações que deverão ser realizadas pela ASPRIM. É que nas palavras de um dos associados da ASPRIM com quem eu conversei recentemente, o sentimento que está mais forte do que nunca é de que os agricultores do V Distrito foram simplesmente roubados pelo (des) governo Cabral para benefício do Grupo EBX. E quem pode condená-los por se sentirem assim?

ASPRIM vai ao MP em São João da Barra para pedir informações sobre processos relativos às desapropriações no Porto do Açu

Como informado neste blog, o vice-presidente, Rodrigo Santos, acompanhado de associados da Associação de Proprietários Rurais Imóveis de São João da Barra (ASPRIM), esteve hoje na sede do Ministério Público Estadual de São João da Barra para protocolar um pedido de audiência com o promotor Marcelo Lessa para tratar do Procedimento de Investigação Criminal (PIC) que foi instaurado para apurar os impactos de processo de salinização de águas e solos que foi causado pelo aterro hidráulico do Porto do Açu.

Uma descoberta interessante que decorreu desta visita foi o fato de que dois processos instaurados pela ASPRIM em 2012 e 2014 relativos aos abusos cometidos durante as desapropriações contra idosos e crianças foram transferidos para a 2ª PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE TUTELA COLETIVA em Campos dos Goytacazes  (Processos 2012.00145968 e 2014.00102463).

Essa informação é uma novidade que a ASPRIM irá apurar “in loco” brevemente, visto que amanhã uma visita semelhante será realizada no Ministério Público Federal em Campos dos Goytacazes, o que permitirá uma ida à Promotoria de Tutela Coletiva.

É interessante notar que os fatos apurados pela Polícia Federal em relação a possíveis crines cometidos por Sérgio Cabral e Eike Batista no processo de desapropriação de terras para a implantação do natimorto “Distrito Industrial de São João da Barra” (DISJB) vão ao encontro de várias das denúncias feitas pela ASPRIM desde 2011. Vamos ver agora o que têm a dizer os procuradores dos MPs estadual e federal.  A ver!

Nova modalidade da privataria do (des) governo Pezão: privatização relâmpago da CEDAE

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Os jornais da mídia corporativa estão noticiando que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) irá tentar aprovar a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) num procedimento relâmpago que incluirá uma diferença de apenas uma hora entre o início da reunião do chamado Colegiado de Líderes e a colocação do projeto para aprovação no plenário (Aqui! e Aqui!).

Essa pressa toda não se deve a nenhuma urgência para pagar os salários e direitos atrasados dos servidores públicos, mas para impedir uma discussão mais ampla sobre o preço para de lá irrisório que se pretende vender a CEDAE (querem vender por  R$ 3,5 bilhões uma empresa que vale algo em torno de R$ 20 bilhões!).

O interessante é que nem a motivação de vender a CEDAE para garantir um empréstimo bancário existe mais, pois esta manobra foi impedida a partir de um decisão monocrática do ministro Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal.

A verdade é que essa privatização relâmpago é apenas mais uma face obscena da privataria que foi instalado por Sérgio Cabral e está sendo continuada por Luiz Fernando Pezão no Rio de Janeiro.

E adivinhe quem vai ficar com a parte mais salgada desta conta? Se pensou nos mais pobres, acertou.

ASPRIM faz assembleia e decide acionar o Ministério Público para anular decretos de desapropriação e exigir compensações por danos ambientais

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A Associção de Proprietários Rurais e  de Imóveis de São João da Barra (ASPRIM) tem sido o principal instrumento de resistência dos agricultores que tiveram suas terras expropriadas pelo (des) governo de Sérgio Cabral que as entregou para o ex-bilionário Eike Batista.

Neste domingo, a ASPRIM reuniu seus associados para discutir as medidas que irão ser adotadas para anular os decretos de desapropriação promulgados pelo (des) governo Cabral e para obter compensações financeiras pelos danos ambientais causados pela implantação e operação do chamado Porto do Açu.

Após uma reunião bastante animada, os associados da ASPRIM decidiram que irão acionar imediatamente o Ministério Público Estadual (MPE)  em São João da Barra para que sejam iniciadas ações para anular os decretos de desapropriação em vista das relações que as desapropriações tiveram como motivação as relações privadas entre Sérgio Cabral e Eike Batista e não a alegada criação de um distrito industrial municipal que nunca saiu do papel. Neste caso, uma representação da ASPRIM deverá comparecer à sede sanjoanense do MPE já na próxima 3a  feira (21/02).

Em relação ao Ministério Público Federal (MPF), a ASPRIM deverá reiterar a demanda de que sejam suspensas as atividades de construção na área industrial do Porto do Açu até que sejam estipulados valores para compensar os moradores do V Distrito de São João da Barra pelos prejuízos causados pela erosão costeira e pela salinização de águas e solos que decorrerão dessas obras. Da mesma forma que fará com o MPE, a ASPRIM apresentará também ao MPF a demanda de que os decretos de desapropriação sejam considerados nulos em função das evidências cercando os atos do (des) governo Cabral, os quais anulam qualquer alegação de que foram feitos em nome do interesse público. No caso do MPF, a visita da ASPRIM ocorrerá na próxima 4a. feira (22/02).

Considero essas decisões como sendo não apenas corretas, mas como totalmente apoiadas em evidências que corroboram a demanda de que os decretos sejam anuladose a terra devolvida pela ausência de um interesse público real em torno dessas desapropriações.

E a minha expectativa é de que finalmente a justiça seja feita. Afinal, evidências para que isso seja feito não faltam. A ver!

Programa de Fernando Gabeira que trata das estranhas relações entre Eike Batista e Sérgio Cabral no Porto do Açu

A revelação de que as desapropriações realizadas pelo governo do Rio de Janeiro no V Distrito de São João da Barra fizeram parte de um acordo privado preconizado por Sérgio Cabral para beneficiar Eike Batista em troca de uma gorda propina acabou propiciando a vinda de várias equipes de reportagem para visitar a região afetada.

Entre os visitantes o mais conhecido até agora foi Fernando Gabeira que esteve aqui e produziu uma matéria jornalística de bastante fôlego e que foi ao ar inicialmente no último domingo.

Como a reportagem tem atraído muita atenção e nem todos puderam assistí-la, estou disponibilizando o vídeo abaixo que encontrei no Youtube.

Nova delação contra Sérgio Cabral (que também inclui Sérgio Cortês e Regis Fitchner) sugere pagamento de R$ 1 bilhão em propinas

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O site UOL repercutiu uma matéria produzida pelo “ESTADÃO” que aponta que mais uma delação envolvendo o ex (des) governador Sérgio Cabral sugere que pagamentos de propinas envolvendo desvios na área da Saúde sugerem o pagamento do astronômico valor de R$ 1 bilhão (Aqui!).

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O denunciante é o doleiro brasileiro Vinicius Claret que operava no Uruguai e possui o sugestivo apelido de “Juca Bala”.  A curiosidade nessa delação é que “Juca Bala” teria entrado no circuito operado por Sérgio Cabral quando outros dois doleiros, os irmãos Renato e Marcelo Chebar não conseguiram dar vazão ao montante sendo lavado e resolveram pedir uma ajuda no Uruguai.

Mas a grande novidade nessa delação é o envolvimento de dois ex (des) secretários de Sérgo Cabral, Sérgio Cortês e Régis Fitchner, que até então estavam razoavelmente livres de citações diretas nas delações já conhecidas. Além disso, como pelo menos parte desses valores teriam sido obtidos com negociatas em licitações na área da Saúde,  Sérgio Cortês deverá entrar num inevitável processo de tensionamento nas próximas semanas.

Não custa nada lembrar que tanto Sérgio Cortês como Régis Fitchner estavam presentes nas festividades promovidas por Sérgio Cabral em Paris no caso que ficou celebrizado como a “Gangue dos Guardanapos”. 

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A pergunta que já ficou até banal diante de tantas delações: quanto terá sido o valor total da pilhagem cometida pélo esquema comandado por Sérgio Cabral? Pelo que se vê apenas por esta delação, na casa dos bilhões.  

E mesmo assim ainda tem gente que quer culpar os servidores estaduais pelo estado calamitoso em que o Rio de Janeiro se encontra?  Por favor!

 

A saga de luta dos agricultores do V Distrito e as meias verdades que persistem

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A imagem abaixo é da matéria assinada pela jornalista Juliana Castro para edição impressa de hoje de “O GLOBO” e que possui uma versão mais longa no seu portal online (Aqui!).

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Essa é uma matéria típica do estilo de dar o direito de todos os atores envolvidos se pronunciarem, o que acaba sendo criando uma desvantagem para os que não possuem o poder de comprar seus próprios espaços de mídia, como é o caso dos agricultores que tiveram suas terras tomadas pelo (des) governo Cabral que as entregou de mãos beijadas para o ex-bilionário Eike Batista que, por sua vez, as repassou de mãos ainda mais beijadas para o fundo de “private equity” EIG Global Partners que hoje detém o controle do Porto do Açu. E, assim, é muito fácil ter lucro, não é?

Aliás, a EIG Global Partners, por meio de sua fachada nacional, a Prumo Logística Global, repete neste matéria a mesma cantilena de que o problema das desapropriações é com o (des) governo do Rio de Janeiro e com a justiça, esquecendo que as terras estão sob seu controle e que parte delas já lhe rende lucros milionários.

Mas eu quero ressaltar, coisa que a matéria do “O GLOBO” acaba não fazendo, é a capacidade de resistência dos agricultores do V Distrito  como o Sr. Reinaldo Toledo que enfrentaram e enfrentam forças extremamente poderosas e continuam resistindo para permanecer na terra para ali produzir alimentos que irão matar a fome de muita gente.

Como a jornalista Juliana Castro citou em sua matéria um fato que o Sr. Reinaldo Toledo repete à exaustão, e que é realmente verdade, aproveito e coloco abaixo uma pequena entrevista que gravei com ele em 2012 sobre o tal “papelzinho” que um técnico entregou a ele no dia em que sua propriedade foi desapropriada.

 

Privataria fluminense: o preço irrisório da privatização da CEDAE

O (des) governo Pezão está querendo aprovar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o projeto Lei 2345/2017 que visa privatizar a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) por R$ 3,5 bilhões de reais para viabilizar um empréstimo bancário que supostamente seria utilizado (não há qualquer garantia de que isso vai realmente ocorrer) para pagar os salários atrasados dos servidores públicos estaduais.

Mas além dos inevitáveis custos sociais que esta privatização trará, especialmente para os setores mais pobres da população fluminense, há uma forte controvérsia sobre qual seria o valor real da CEDAE, já que esse processo de privatização está sendo feito a toque de caixa, e sem que uma estimativa prévia do valor da empresa tenha sido feita por auditores independentes.

Aí é que temos especialistas que colocam o valor da CEDAE como sendo de quase R$ 14 bilhões, aproximadamente cinco vezes mais do valor pela qual o (des) governo Pezão pretende doá-la à iniciativa privada. Um desses especialistas, o economista Gilberto Braga, ofereceu explicações claras sobre esse valor ao jornalista Fernando Molica em seu programa na CBN Rio (Aqui!).

Se os números que Gilberto Braga estão corretas, o que temos para acontecer com a eventual aprovação do projeto de Lei 2345/2017 é um ataque ao patrimônio público que foi amealhado pelo povo do Rio de Janeiro. E, pior, em troca desse “presentão”, ao que tudo indica para futuros de investimentos internacionais como o canadense Brookfield Asset Management,  o que teremos será um encarecimento nas contas de água da maioria da população, justamente num período de recessão forte e alto nível de desemprego.

E ainda por cima temos que o (des) governo que pretende fazer isso está claramente desprovido de um mínimo de legitimidade para conduzir este negócio.  Assim, não é preciso ser vidente que esta venda da CEDAE, pelo preço e nas condições políticas em que está sendo conduzida, poderá ser o estopim do mesmo tipo de revolta social que ocorreu na Bolívia em 2000 quando houve a privatização dos serviços de água em Cochamba (Aqui! e Aqui!). 

Pelo jeito,  o (des) governo Pezão e sua base política dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro estão contando com a mansidão da população para levar esse negócio a cabo. O problema é que o isolamento dentro de palácios nunca foi bom conselheiro. Que o diga a familia Romanov da Rússia. 

Sérgio Cabral é indiciado pela 4a. vez e é imputado em número recorde de crimes de lavagem de dinheiro

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Os veículos da mídia corporativa e alternativa estão divulgando que o ex (des) governador do Rio de Janeiro acaba de ter acatada uma quarta denúncia produzida pelo Ministério Público Federal, uma em que lhes é imputado o número impressionante de 184 crimes de lavagem de dinheiro (Aqui!,Aqui!,Aqui! e Aqui!).

O fato de Sérgio Cabral estar completamente encrencado com a justiça por causa de múltiplos casos atribuídos a ele de envolvimento em diferentes tipos de modelos de crimes de corrupção não é nenhuma novidade. A novidade aqui é que, além dele, outras 10 pessoas foram indiciadas, incluindo sua esposa, Adriana Ancelmo, e velhos companheiros dentro e fora do executivo fluminense.

Agora o que surpreende é o fato de que em meio a essa avalanche de denúncias, o ainda (des) governador Luiz Fernando Pezão esteja insistindo em impor ao estado do Rio de Janeiro uma série de medidas draconianas (a começar pela escandalosa tentativa de privatizar a CEDAE) que visam basicamente cobrir suas próprias responsabilidades no rombo que a forma muito peculiar de gerir a coisa pública criada por Sérgio Cabral. E que não custa lembrar que Pezão não apenas foi o vice (des) governador nos dois mandatos de Sérgio Cabral, como também ocupou a estratégica secretária estadual de Obras entre 2007 e 2010.

Assim não adianta o (des) governador vir agora dizer que nunca percebeu o lado, digamos, pouco republicano das práticas aplicadas por Sérgio Cabral a partir do Palácio Guanabara. É que nem o mais ingênuo dos habitantes do Rio de Janeiro acredita nessa versão. Aliás, será que o pobre Pezão acha que alguém acredita? 

Finalmente, há que se fazer uma ressalva à manchete do site BRASIL 247 que anuncia que Sérgio Cabral pegará prisão perpétua, uma pena que não é prevista na legislação brasileira, e que só atinge na prática os pobres que não possuem advogados para defendê-los. 

Juiz que prendeu Sérgio Cabral e Eike Batista se precave e pede escolta e carro blindado

O juiz Marcelo da Costa Bretas, da 7a. Vara Federal Criminal do Rio,  que colocou na prisão o ex (des) governador Sérgio Cabral e o ex-bilionário Eike Batista, decidiu se precaver e solicitou escolta e carro blindado para circular pelas ruas do Rio de Janeiro. Pelo menos é isso o que informa a jornalista Mariana Sallowicz do “ESTADÃO” (Aqui!).

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Segundo o que informou Mariana Sallowicz, o juiz Marcelo Bretas decidiu requisitar essas medidas básicas de segurança após detectar a ocorrência de “situações suspeitas”.

Como no Rio de Janeiro já tivemos o caso do assassinato da juíza Patrícia Acioli em 2011 por causa de sua atuação no julgamento de policiais militares no município de São Gonçalo (Aqui!), não há como condenar os pedidos do juiz Marcelo Bretas. Mesmo porque ele está tratando de casos que estão bem acima na cadeia trófica nas relações de poder e corrupção.

Agora que esse caso é mais uma prova cabal que vivemos tempos bem estranhos no Rio de Janeiro, isto ninguém pode negar.