Os impactos da operação Delaware no RioPrevidência: de superávit milionário a déficit bilionário em apenas 4 anos

Como professor de Metodologia da Pesquisa por quase 18 anos sempre tento mostrar a quem está nas minhas aulas o poder de síntese de figuras e tabelas, o que pode salvar muitas árvores nas florestas e ainda pro cima esclarecer muito mais ao leitor do que páginas incontáveis de texto mal escrito.

Pois bem, a figura abaixo foi retirada de uma matéria do jornal O DIA publicada na última 6a. feira e quem a confeccionou aprendeu isso em algum lugar, pois a mesma é belo exemplo de síntese de informações complexas, relações causais, e personagens envolvidos. 

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Uma observação rápida da figura mostra que o RioPrevidência saiu de R$ 38 milhões de superávit em 2012 para um déficit estratosférico de R$ 18,5 bilhões graças à Operação Delaware centrada no chamado Rio Oil Finance Trust. Além disso, vemos confirmadas as participações dos senhores Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Gustavo Barbosa (atual secretário estadual de Fazenda)  e Reges Moisés dos Santos (atual diretor-presidente do RioPrevidência) na concretização desta operação desastrosa para os cofres fluminenses e, principalmente, para os servidores públicos estaduais.

E o que fazer após se conhecer o conteúdo dessa figura? Em minha opinião, cobrar uma ação rápida do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público (Estadual e Federal) para que se apurem as responsabilidades e se estabeleçam processos para recuperar o dinheiro que foi obtido com a Operação Delaware.

E, sim, que até que se faça isso, qualquer tentativa de se aumentar o recolhimento previdenciário dos servidores públicos seja duramente combatido nas ruas e nos tribunais.

RioPrevidência: R$ 18,5 bilhões é o tamanho do rombo causado pela Operação Delaware

Os leitores deste blog já foram informados pela nebulosa operação de captação de recursos realizada no paraíso fiscal corporativo de Delaware em múltiplas postagens deste blog. E não é segredo que sempre considerei essa operação como estando emaranhada num monte de questões esquisitas, principalmente no tocante ao chamado Rio Oil Finance Trust cujos proprietários são desconhecidos até hoje, mas que abocanhou uma fortuna a partir da comercialização de bonds (espécie de nota promissória) nas bolsas internacionais.

Pois bem,  a partir do informa a nota publicada pela Assessoria de Comunicação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que segue abaixo, agora sabemos o tamanho do rombo criado nas contas do RioPrevidência por essa operação e o preço é salgado: R$ 18,5 bilhões.

A construção deste valor é cuidadosamente explicada na nota do TCE, bem como os agentes públicos responsáveis pela sua execução:   ex- (des) governador Sérgio Cabral e de seu sucessor, o (des) governador Luiz Fernando Pezão, assim como do ex-diretor-presidente do Rioprevidência e atual secretário de Estado de Fazenda, Gustavo Barbosa, e de Reges Moisés dos Santos, atual diretor-presidente do RioPrevidência.

E mais, na avaliação feita pelos técnicos do TCE, persistindo a condição atual não há como garantir o pagamento futuro de pensões e aposentadorias, pois o RioPrevidência tem tudo para entrar em um inapelável processo de falência.  Tal revelação apenas reforça a afirmação que tenho feito neste blog de que os valores sendo hoje recolhidos dos salários dos servidores para o RioPrevidência estão beneficiando apenas os fundos abutres que possuem os bonds e debêntures gerados pela Operação Delaware.

Todas essas revelações tornam ainda mais imprescindível que antes de qualquer discussão sobre elevação dos percentuais recolhidos para o RioPrevidência haja uma verdadeira e completa devassa na situação financeira do fundo próprio de previdência dos servidores públicos estaduais do Rio de Janeiro. E que, de preferência, os culpados por essa situação escabrosa sejam devidamente punidos pela lei.

Finalmente, sugiro a todos que leiam com atenção a nota do TCE que vai logo abaixo, pois a mesma é muito, mas muito, esclarecedora. 

TCE-RJ constata dívida bilionária do Rioprevidência

Operações de antecipação de receitas comprometem royalties até 2020

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) constatou uma dívida de R$ 18,5 bilhões no Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) referente a operações financeiras realizadas no Brasil e no exterior para antecipação de receitas. O resultado, de acordo com relatório do conselheiro José Gomes Graciosa aprovado pelo plenário nesta quinta-feira, é fruto, entre outros fatores, da ausência de repasse de recursos devidos pelo Governo do Estado ao órgão, que  descapitalizou a autarquia. A diferença entre a entrada de receita e a dívida resulta num déficit de R$ 10,5 bilhões. Em seu voto, o relator determina a notificação do ex-governador Sérgio Cabral e de seu sucessor, Luiz Fernando Pezão, assim como do ex-diretor-presidente do Rioprevidência Gustavo Barbosa (atual secretário de Estado de Fazenda) e de Reges Moisés dos Santos, hoje à frente da autarquia.

O TCE-RJ constatou nas contas de governo do exercício de 2015, analisadas em  2016,  diversas situações que ocasionaram um  resultado negativo na gestão do  Rioprevidência. Em 2013, ocorreram as primeiras operações financeiras para captação de recursos, que ofereciam como garantia a cessão de royalties e participações especiais que compõem parte do fundo previdenciário. As transações iniciais foram feitas com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, respectivamente, nos valores de R$ 2,3 bilhões e R$ 1 bilhão. Em junho e outubro de 2014, para fechar a conta sem aportes do Tesouro Estadual, o fundo de previdência precisava de R$ 5 bilhões  em receitas extraordinárias. Desta forma, recorreu à nova cessão de receita futura, estruturando uma operação financeira internacional de securitização, por meio de três transações para captar mais recursos.

Para realizar as novas operações, foram emitidos US$ 2 bilhões em bonds (espécie de nota promissória) e R$ 2,4  bilhões em debêntures (títulos de dívida) no mercado externo. Para viabilizar as transações, o governo estadual, com autorização da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj),criou as empresas Rio Oil Finance Trust (ROFT) e Rio Petróleo S/A.  A primeira é uma sociedade de propósitos específicos, fundada com o objetivo de realizar a compra de todos os direitos sobre as receitas de royalties e participação especial do Rioprevidência, por meio da venda de bonds. A ROFT possui sede em Delaware, nos EUA, e tem como seu representante legal o National Wilmington Trust. Já a Rio Petróleo S/A tem como  objetivo  vender debêntures para amortizar o saldo devedor gerado pelas negociações anteriores, com a Caixa e o Banco do Brasil. A empresa possui como representantes a Planner Trustee  Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda.

Tendo sempre como garantia os royalties futuros, o conjunto das transações iniciais gerou uma entrada de R$ 6,6 bilhões, sendo R$ 3,3 bilhões resultantes das operações internacionais, somados aos R$ 3,3 bilhões da Caixa e do Banco do Brasil, com o pagamento de obrigações do Rioprevidência previstas da ordem de R$ 12,6 bilhões até 2024. O TCE não identificou até o momento e quer saber quais foram os critérios técnicos, legais e isonômicos adotados na seleção dos representantes das empresas criadas pelo Governo. Também não há informações sobre quem seriam os responsáveis pela contratação do  National Wilmington Trust.

Para fazer frente aos compromissos assumidos, mais uma operação foi realizada no mercado externo. Dessa vez, foram emitidos títulos com valor de face de US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 2,8 bilhões na época). Uma parte destes recursos, R$ 979 milhões, foi utilizada para amortizar o saldo devedor das debêntures da operação anterior. Mediante as novas negociações, as entradas totais passaram a ser de R$ 8,226 bilhões, com saídas previstas de R$ 15,666 bilhões para pagamento até 2027.

Quebras de contrato

Em setembro de 2015, houve a quebra de cláusulas contratuais com os investidores estrangeiros e foram realizadas negociações visando a não-execução das penalidades, que, caso ocorressem, impediriam a emissão de novos títulos e antecipação de pagamentos. Além disso, ocorreu o acréscimo de juros de 2%, o que gerou uma necessidade de pagamento maior no valor de R$ 1,94 bilhão. A ação resultou na proposta de waiver, uma espécie de renegociação que evita a declaração de inadimplência no mercado.

Entre as cláusulas não cumpridas, está o chamado  Índice de Cobertura (IC), que protege o investidor no caso de queda expressiva no valor dos royalties. De acordo com esta regra, não bastava o simples pagamento da parcela. Era necessário haver no caixa do Rioprevidência, R$ 2,5 para cada R$ 1 devido (IC=2,5). No caso de não alcançar este índice, o fundo era proibido de emitir novos títulos.  Na hipótese do caixa apresentar R$ 2 para cada R$ 1 devido ( IC =2), estava prevista a retenção de 60% das receitas de royaties e participações especiais. Na ocorrência do IC=1,5 haveria a aceleração da dívida principal com retenção de 60% da receita dos royalties e participações especiais e aumento de juros de todas as operações em 2% (R$ 2 bilhões). Caso o IC fosse inferior a 1,5, ocorreria a inadimplência contratual, mesmo com o débito pago.

Em 20 de outubro de 2015, o governo aceitou as condições e assinou um acordo de emenda entre representantes do Estado e investidores, antecipando temporariamente a amortização dos contratos. A renegociação no primeiro waiver não suspendeu o pagamento de mais 2% de juros, equivalente a R$ 2 bilhões, e ainda gerou um juro adicional de 1%, estimado em R$ 912 milhões, o que manteve a possibilidade de emissão de novas debêntures, ou seja, do aumento da dívida. Nesta ocasião, o IC mínimo de 1,5 foi para 1,75, tornando o cumprimento dos contratos ainda mais difícil para o Rioprevidência. Nestes valores estão inseridos R$ 16 milhões destinados ao comissionamento de advogados, ainda não identificados pelo TCE-RJ, que participaram da negociação.

Para perdoar o pagamento dos recursos excedentes de R$ 912 milhões, os investidores externos exigiram:

1)      Alterar a legislação, no caso a Constituição Estadual, retirando a prioridade de repasses de royalties ao  Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (FECAM), transferindo a preferência de pagamento aos investidores.

2)     Da mesma forma, retirar a prioridade do pagamento à União de R$ 1 bilhão ao ano até 2021 e dar preferência aos investidores externos.

3)  Retirar a preferência de pagamentos à Caixa e ao Banco do Brasil de 2015 para 2018.

Em março de 2016, em consequência do não-cumprimento das exigências, ocorreu a segunda quebra de contrato. A penalidade acordada, dessa vez, foi antecipar o pagamento, novamente para evitar a decretação da quebra contratual. Dessa forma, o Rioprevidência poderia continuar negociando no mercado externo.

Após as duas quebras contratuais e  com os consequentes  custos envolvidos nas operações, as entradas de recursos permaneceram nos mesmos R$ 8,226 bilhões. No entanto, as saídas previstas passaram a ser de R$ 18,383 bilhões, uma diferença acima de R$ 10 bilhões, com pagamento antecipado para 2020, num acréscimo de 125%.

Entre as despesas efetuadas nas transações, o TCE-RJ registrou o pagamento de R$ 173,8 milhões a título de comissões para estruturação nas operações a empresas que não foram identificadas.

A equipe do TCE concluiu que a política de antecipação de recursos promovida pelo Rioprevidência, em conjunto com o governo estadual, resultou em desequilíbrio das finanças estaduais, afetando diretamente as gestões futuras. Outro fator observado pelo relator é que, até 2012, portanto, antes do início das operações, o Rioprevidência era superavitário.

No relatório, o conselheiro José Graciosa elenca algumas sugestões para que o Estado restabeleça as receitas totais aos patamares necessários para atender as demandas.  Entre as medidas, está a cobrança eficiente do montante da dívida ativa, revisão de todos os benefícios e incentivos fiscais e proibição que empresas com dívida ativa ajuizada gozem de incentivos e benefícios fiscais de qualquer natureza.

Desde 2002, o TCE-RJ vem destinando atenção especial à situação do Rioprevidência. Em 2003, em atendimento ao Tribunal, foi aprovada a lei estadual 4.237, que incorporou ao patrimônio do Rioprevidência os direitos pertinentes aos royalties e participações especiais. De 2008 a 2011, o plenário, ao apurar um déficit atuarial nas contas do Fundo, determinou a elaboração de um plano de amortização. Em 2012, foi demonstrada preocupação com a finitude dos royalties. Em 2013, foram apontados problemas no fluxo de caixa.   Em 2015, o plenário aprovou a realização da auditoria governamental que resultou no atual relatório.

Além da notificação dos responsáveis pelas operações, o TCE determinou a expedição de ofício ao atual presidente da Alerj, Jorge Picciani; às Comissões de Orçamento e Tributação da Alerj, ao procurador-geral de Justiça do Estado, aos ministros da Fazenda e Previdência Social, ao Procurador-Geral da República e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM),  para que tomem ciência dos fatos.

FONTE: http://www.tce.rj.gov.br/web/guest/todas-noticias/-/asset_publisher/SPJsTl5LTiyv/content/tce-constata-divida-bilionaria-do-rioprevidencia

 

MPF denuncia Eike Batista e Sérgio Cabral por corrupção e lavagem de dinheiro

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O Ministério Público Federal (MPF) apresentou hoje denúncia contra Eike Batista e Sérgio Cabral, e  sete de seus associados,  pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro (Aqui!).   A denúncia decorre da apuração do fato de que o pagamento de propinas por Eike Batista a Sérgio Cabral envolveria o favorecimento dos interesses do Grupo EBX em diferentes negócios realizados no Rio de Janeiro (Aqui!).

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Pois bem, como mostra a figura abaixo, o problema é que a maioria desses negócios estavam centrados no interior do Porto do Açu no município de São João da Barra, incluindo projetos da LL(XS), OS(X) e MP(X).

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O que decorre disso é que fica evidente que o que sempre foi mostrado por mim e por outros pesquisadores sediados no Norte Fluminense (cito explicitamente os professores Alcimar Chagas da Uenf e Roberto Moraes do IFF, mas existiram outros) não estava tão errado como pregavam os áulicos de Eike Batista e Sérgio Cabral.

Mas agora que essas relações estão sendo devassadas pelo MPF e pela Polícia Federal, o que eu espero é que todas as irregularidades e ilegalidades recebam o devido tratamento por todos os órgãos de controle e fiscalização e, por que não, pela mídia corporativa. É que enquanto Sérgio Cabral e Eike  Batista faziam suas trativas, centenas de famílias de agricultores e pescadores pobres estavam sendo literalmente arrancadas de seus territórios. 

Agora, o que se espera é que haja a devida compensação pelos danos materiais e imateriais que foram causados a estas famílias. Um pedido de desculpa a quem foi desrespeitado e arrancado de suas casas já seria um excelente começo.

A pergunta do dia: em qual contrato Sérgio Cabral não pegou propina?

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O jornal Folha de São Paulo publicou hoje uma matéria assinada pelo jornalista Ítalo Nogueira onde é informado que a Polícia Federal encontrou indícios de que o ex (des) governador Sérgio Cabral teria recolhido propinas milionárias nos contratos firmados para a realização de obras após as chuvas catastróficas que se abaterem sobre a região Serrana no início de 2011 (Aqui!).

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Essa é uma informação que me causa indignação particular. É que estive em Nova Friburgo logo após o final das chuvas com doações recolhidas na Universidade Estadual do Norte (Uenf) para os moradores da cidade, pude ver todo a destruição que as chuvas causaram, inclusive senti aquele cheiro que cadáveres produzem com grande clareza. 

Agora se confirmam as denúncias que já apareciam logo após as assinaturas dos contratos para obras emergenciais? Ora, qual é o tipo de ser humano que aproveita do sofrimento alheio para cobrar propinas? Certamente um que não deveria  jamais estar ocupando um papel de comando como o que Sérgio Cabral ocupo por dois mandatos.

E pensar que Sérgio Cabral foi completamente endeusado pela mídia corporativa e pelas elites do Rio de Janeiro por tanto tempo. Enganados esses setores não estavam. Então é de se perguntar qual foi o retorno dado a tanto endeusamento.

 

Porto do Açu: segunda reportagem do SBT Rio traz denúncia sobre uso de verbas do BNDES

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A segunda reportagem da série “Porto da Desilusão”  que está sendo veiculada pelo SBT Rio que foi ao ar nesta 3a. feira (07/02)  trata centralmente de denúncia sobre malversação de recursos recebidos pelo Grupo EBX do ex-bilionário Eike Batista via empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

As denúncias apresentadas também envolvem a suposta contratação de empresas ligadas a políticos locais. A existência deste tipo de relação de troca entre Eike Batista e políticos locais é um daquelas “lendas urbanas” que qualquer um que tenha andado pelo V Distrito de São João da Barra desde o início da construção do Porto do Açu já ouviu. A diferença agora é que apareceu uma equipe de jornalistas dispostos a ouvir quem quisesse falar isso publicamente.

Como eu mesmo afirmei nesta reportagem, o envolvimento de Eike Batista com autoridades constituídas não tinha como ter ficado restrita apenas ao executivo estadual, deixando de fora, por exemplo, o legislativo e o judiciário.

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Este vídeo não existe

Mas uma coisa é certa: após essa série de reportagens, ainda vamos ter muita repercussão dos fatos que estão sendo revelados nesta série de reportagens.

E eu diria que não é sem tempo, pois os grandes prejudicados dessa situação toda, os agricultores do V Distrito, sofreram por muito tempo com a indiferença da mídia corporativa com o drama social que se desenvolveu à sombra da construção do Porto do Açu. Talvez, notem que eu escrevi talvez, haja mais boa vontade para corrigir as injustiças que foram cometidas em nome do “desenvolvimento”.

Porto do Açu: primeira reportagem do SBT RIO aborda as desapropriações

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Como informado anteriormente, o SBT RIO iniciou nesta 2a. feira (06/02) a veiculação de uma série de reportagens sobre o Porto do Açu. A primeira delas está focada nas escabrosas desapropriações realizadas pelo (des) governo Cabral em prol do ex-bilionário Eike Batista.  A reportagem traz uma série de depoimentos de agricultores atingidos pelas desapropriações realizadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN), e que são corroboradas pelos depoimentos do advogado Antonio Maurício Costa, do juiz João Batista Damasceno e do Desembargador Siro Darlan.

Abaixo segue o vídeo com a reportagem completa.

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Este vídeo não existe

Como essa é apenas a primeira de uma série que o SBT RIO levará ao ar nos próximos dias, penso que mais elementos virão à tona no que sempre tenho considerado um escândalo a céu aberto.

Se a prisão de Eike Batista pelo menos servir para trazer todas as “esquisitices”  existentes em relação às desapropriações realizadas em São João da Barra para beneficiá-lo, eu diria que a decisão do juiz de Marcelo Bretas de mandá-lo para Bangu já terá valido a pena.

É que como mostra a reportagem, o que não faltou no V Distrito de São João da Barra foi covardia e violência contra uma população de agricultores pobres.

Agora, esperemos o que mais o SBT RIO vai mostrar, pois certamente ainda vem muito mais coisa “interessante” por ai.

Vale a penar ver: SBT RIO produz série de reportagens para tratar dos impactos do Porto do Açu

O SBT RIO inicia nesta segunda-feira, 06 de fevereiro, uma série de reportagens investigativas sobre um negócio que provocou um prejuízo gigantesco aos cofres do Estado do Rio.

O governo de Sérgio Cabral foi avalista da maior grilagem de terras já feita no país para beneficiar o empresário Eike Batista, no Porto do Açu, em São João da Barra. Laudos da própria perícia judicial apontaram o preço vil pago por Eike por terras que equivalem a duas vezes a cidade de Queimados, na Baixada Fluminense. Uma área avaliada em mais de dois bilhões de reais foi praticamente doada à iniciativa privada por 37 milhões, cerca de 25 centavos por metro quadrado.  Mas para que isto acontecesse  antes o sr. governador decretou a expropriação das 300 familias de camponeses.  Muitos deles até hoje não receberam nada.

Mas la na area esta a placa PROPRIEDADE PRIVADA DA EMPRESA  X.   Não entre.  (e se entrasse a policia do sr. Cabral chegaria, como chegou várias vezes, para amedrontar os que ousaram lutar…

Bangu é pouco, é preciso fazer justiça e devolver as terras para as familias camponesas…

As licenças ambientais também foram concedidas em tempo recorde pelo INEA, contrariando pareceres técnicos de biólogos e ambientalistas. O resultado foi a salinização de parte da área. Além do impacto ambiental, pequenos agricultores foram expulsos de suas casas e até hoje não receberam indenização.

As conexões que envolvem a negociata entre Cabral e Eike são evidentes e estão todas documentadas pelo trabalho investigativo no local, feito pelo editor-chefe do SBT Rio, Humberto Nascimento, e pelo repórter Fabiano Martinez. “Porto da desilusão” é um documento para auxiliar os trabalhos do MPF e da PF sobre a quadrilha liderada pelo próprio governador, que saqueou os cofres públicos. 

Não perca, segunda, a partir de 11:50. 

Tem um “Sombra” no caminho de Pezão, mas pode chamar de Ary Fichinha

Esqueçamos por um momento das abomináveis cenas de violência perpetradas pelo batalhão de choque da PMERJ contra uma manifestação pacífica de servidores e a reeleição por 64 a 6 do deputado Jorge Picciani para continuar presidindo a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), pois ainda que importantes, essas são notícias menores frente à decretação da prisão  pelo juiz Marcelo Bretas da 7a. Vara Criminal do agente fazendário Ary Ferreira da Costa Filho, que também é conhecido pelos codinomes de “Sombra” e “Ary Fichinha” (Aqui!).

Um detalhe interessante na biografia de Ary Fichinha é que  ele teria entrado no serviço público em 1980 (provavelmente para atuar no programa “seu carnê vale milhões”, sem ter prestado concurso público). Em 1987, foi promovido ao cargo de agente de Fazenda (Aqui!)”.  

E as informações que desde a década de 1980,  Ary Ferreira é muito próxima do hoje encarcerado Sérgio Cabral (Aqui!), a quem teria oferecido préstimos como operador financeiro das vantagens recebidas pelo ex (des) governador no âmbito da farra fiscal que acabou quebrando os cofres estaduais. Apenas para um dos grupos econômicos agraciados com os serviços de Ary Fichinha, o montante renunciado teria sido de R$ 1,3 bilhão!

Mas onde entra o atual (des) governador Luiz Fernando Pezão na biografia de Ary Fichinha? É que o agente fazendeiro continuou atuando no executivo estadual, mesmo após a saída de Sérgio Cabral da chefia do executivo fluminense, na condição de assessor especial do gabinete do atual (des) governador. Aliás, Ary Fichinha só pediu exoneração deste cargo no dia 06 de Dezembro, um dia após a deflagração da Operação Calicute que levou Sérgio Cabral, dois ex-secretários estaduais e a esposa dele, Adriana Ancelmo, ao cárcere no complexo prisional de Bangu (Aqui!).

Ah, sim, antes que eu me esqueça, há que se informar sobre a razão do codinome “Fichinha” que Ary Ferreira da Costa Filho carrega se deveria ao fato de que ele seria conhecido na Secretaria Estadual de Fazenda por  distribuir senhas para os empresários que o procuravam em busca de algum tipo de vantagem, principalmente o perdão de multas por sonegação de ICMS (Aqui!).

O fato é que a prisão de “Ary Fichinha” não apenas complica ainda mais a já complicada situação de Sérgio Cabral, mas coloca os braços e mãos do juiz Marcelo Bretas dentro do gabinete do (des) governador Luiz Fernando Pezão. Assim, em que pese a fácil vitória de ontem na Alerj com reeleição de Jorge Picciani, o dia deve estar tenso no Palácio Laranjeiras.  Haja Rivotril e Lexotan!

Porto do Açu: Pezão e Regis Fitchner participaram de reunião que discutiu desapropriações no V Distrito

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A prisão no dia de ontem do “idealizador” do Porto do Açu, o ex-bilionário Eike Batista, suscitou uma série de requisições de informações sobre como se deram as desapropriações no V Distrito de São João da Barra.

Pois bem, buscando no grande oceano da internet, encontrei uma nota publicada pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São João da Barra que tratou de uma reunião realizada no dia 30 de Julho de 2010 no Palácio das Laranjeiras reunindo membros do (des) governo Cabral, a prefeita Carla Machado e secretários, e ainda representantes da LL(X) (Aqui!).  

O título da matéria da ASCOM/SJB era um irônico “Estado e Prefeitura garantem justiça aos produtores do 5º Distrito“. E por que irônico? É que pouco mais de 2 meses depois dessa reunião, o então (des) governador Sérgio Cabral promulgaria os decretos que dariam a base legal para que a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) começasse a expulsar centenas de famílias de agricultores familiares de terras que suas famílias ocupavam há várias gerações. Desapropriações essas que agora se diz terem sido facilitadas por pagamento de propina de Eike Batista para Sérgio Cabral.

Mas o que há de importante nessa reunião que reuniu alguns dos principais “players” desse processo de tomada de terras de humildes agricultores para entregá-las para o então bilionário Eike Batista?

É que graças ao blog do professor Roberto Moraes, pode-se ter acesso a duas imagens que mostram momentos daquela reunião (Aqui!) e uma delas é bastante interessante (ver abaixo).

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E por que interessante? É que além de Sérgio Cabral e Carla Machado também aparecem ao fundo num interlóquio paralelo o então vice-governador Luiz Fernando Pezão e o todo poderoso secretário estadual da Casa Civil, Régis Fitchner.

Pois bem,  é importante lembrar que o escritório de advocacia Andrade & Fitchner Advogados representou os interesses do grupo de Eike Batista em processos relativos ás desapropriações que hoje se encontram sob as luzes dos holofotes por causa da prisão de Eike Batista, e que eu já abordei aqui neste blog no dia 23 de Junho de 2015 (Aqui!).

Quanto ao papel do hoje (des) governador Luiz Fernando Pezão nesta reunião? Bom, essa é uma pergunta que só ele (ou quem sabe Eike Batista) poderão responder. Mas uma coisa é certa: a presença de Pezão e Régis Fitchner (além da simpática Marilene Ramos, que então presidia o Instituto Estadual do Ambiente) sinaliza que as desapropriações em São João da Barra tinham um “carinho” especial no (des) governo de Sérgio Cabral.

E voltando ao título da matéria da ASCOM/SJB, o que eu me pergunto é quando o Estado e a Prefeitura de São João da Barra vão finalmente garantir justiça aos produtores do V Distrito? Um bom primeiro passo seria anular os decretos de desapropriação, fazendo voltar as terras aos seus legítimos donos.

Como foram feitas as desapropriações no Porto do Açu: a ferro e fogo

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Agora que as relações íntimas entre o ex-bilionário Eike Batista e o ex (des) governador Sérgio Cabral apareceram, mostrando, entre outras, coisas uma troca de favores no processo de desapropriação das terras de centenas de famílias de agricultores familiares no V Distrito de São João da Barra, há que quem queira fingir surpresa.

Mas graças a uma meticulosa acumulação de memórias sobre os eventos que ocorreram no processo de expulsão dessas famílias de suas terras, há um rico acervo estocado nas redes sociais.

Abaixo mostro o caso da expropriação das terras do Sr. Jair Alves de Almeida que toda a calma explica como foi expulso de sua propriedade. 

Em suma, quem quiser saber mais sobre como se deram essas escabrosas desapropriações é só procurar que acha.

Em tempo, esse vídeo foi produzido pelo Núcleo de Criação Audiovisual da Coordenação de Extensão da UFF/Campos.