Mais de 200 investidores internacionais pedem ações em defesa da Amazônia

Em declaração conjunta, investidores pedem que empresas adotem medidas para impedir desmatamento, alertando que colapso do ecossistema traria “perturbações graves ao setor agrário e a outras atividades econômicas”.

MADEIRAMadeira obtida a partir de desmatamento ilegal no Pará: investidores pedem ações contra destruição da Floresta Amazônica

Um grupo de mais de 200 investidores institucionais de diversos países assinou uma declaração exigindo que empresas tomem ações concretas para impedir a destruição da Floresta Amazônica e alertando para os efeitos econômicos de um colapso do ecossistema na região.

A ONG Ceres, que divulgou o documento nesta quarta-feira (18/09), afirmou em nota que 230 gestores de investimentos, responsáveis pela administração de 16,2 trilhões de dólares, requisitam com urgência a empresas que redobrem seus esforços para “demostrar compromisso claro de eliminar o desmatamento no âmbito de suas operações e cadeias de abastecimento”.

Os signatários incluem investidores como os departamentos de gestão de ativos dos bancos HSBC, BNP Paribas e Deka e fundos de pensão públicos como o CalPERS, da Califórnia, segundo a nota da Ceres. A organização, sediada em Boston, visa promover a sustentabilidade entre os investidores.

“É com grande preocupação que acompanhamos a crescente crise do desmatamento e dos incêndios florestais no Brasil e na Bolívia. Como investidores, que têm o dever fiduciário de agir no melhor interesse de longo prazo de nossos beneficiários, reconhecemos o papel crucial que as florestas tropicais têm no combate às mudanças climáticas, na proteção da biodiversidade e na garantia dos serviços ecossistêmicos”, diz a declaração.

“O desmatamento na região poderia, potencialmente, levar todo o ecossistema perigosamente a um ponto de inflexão, após o qual a floresta tropical não estará apta a se manter, se tonando gradualmente um sistema semelhante às savanas, bem mais seco, sem biodiversidade e armazenando quantidades significativamente menores de carbono.”

“Isso causaria perturbações graves ao setor agrário e a outras atividades econômicas, com a redução das chuvas e o aumento das temperaturas no longo prazo”, diz o documento.

A declaração pede que as empresas implementem uma “política antidesmatamento” que inclua “comprometimentos quantificáveis” e avalie e torne públicos os riscos que as cadeias de abastecimento impõem às florestas.

Os investidores também pedem um sistema de monitoramento dos parceiros nessas cadeias e relatos anuais sobre a “exposição e gerenciamento do risco de desmatamento”. 

Jan Erik Saugestad, CEO da gestora de ativos norueguesa Storebrand, uma das signatárias da declaração, avalia que os “significativos impactos econômicos negativos associados a essas questões representam um risco que os investidores não podem ignorar”.

A declaração não diz explicitamente que os signatários estão ameaçando retirar investimentos de empresas, mas aumenta a pressão que as corporações internacionais e os investidores vêm exercendo sobre parceiros que operam na Amazônia.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) afirmam que apenas no mês de agosto, a Amazônia perdeu 1.698 quilômetros quadrados de cobertura vegetal, área 222% maior do que a desmatada no mesmo mês de 2018, que foi de 526 quilômetros quadrados.

A área desflorestada da Amazônia nos oito primeiros meses de 2019 chegou a 6.404 quilômetros quadrados, número 92% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior (3.337 quilômetros quadrados), segundo dados obtidos pelo Deter, levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia, feito pelo Inpe.

RC/rtr/ots

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Este artigo foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui! ].

Amazônia em chamas: do anúncio caro com erro de grafia ao avanço do espectro do boicote

Bolso fogo

O governo Bolsonaro parece ser mesmo composto por um bando de despreparados que a cada dia cuidam de afundar a imagem do Brasil em face das devastadoras queimadas que estão ocorrendo na Amazônia em 2019.  Essa é uma inferência lógica a partir de uma série de erros crassos que estão sendo cometidos não apenas na área da diplomacia com nossos principais parceiros comerciais, mas até na publicação de anúncios em revistas internacionais defendendo as indefensáveis posições do governo Bolsonaro.

Um exemplo das muitas gafes cometidas foi a publicação de um anúncio no site da revista Financial Times que continha dois erros de grafia na língua inglesa (ver abaixo, onde a palavra “”reafirm” foi grafada como “reaffirm” e “sovereign” foi escrita erroneamente como “sovereing“). Esse tipo de erro em um anúncio que deve ter custado uma fortuna ao tesouro nacional demonstra o estado de coisas que reina atualmente nos ministérios comandados pelos aliados do presidente Bolsonaro, e servem para piorar ainda mais a péssima imagem que o Brasil desfruta neste momento no resto do mundo.

brazil amazon

Mas não são só os erros crassos no uso da língua inglesa que estão comprometendo a situação da economia brasileira e do seu principal neste momento que é a exportação de commodities agrícolas e minerais.

É que segundo desde o dia 27 de Agosto (ou seja 10 dias) já se sabe, graças a matéria da agência Bloomberg, que os maiores investidores da Noruega, com ativos combinados sob sua administração de cerca de  R$ 680 bilhões, estão dizendo às empresas com quem fazem negócios para garantir que não estão contribuindo para os danos ambientais à Amazônia brasileira,  especialmente no que se referem aos devastadores incêndios que estão ocorrendo na região.

fundos

Ainda segundo a Bloomberg, a Storebrand ASA e o fundo de pensão, KLP informaram aos seus parceiros econômicos que estão intensificando suas pesquisas para mapear quem é responsável por qualquer dano potencial à região amazônica.  A Storebrand  também teria dito que os incêndios na Amazônia são os últimos sinais de como o desmatamento se tornou crítico, onde a limpeza de terras para o plantio de óleo de palma, soja, criação de gado e extração de madeira são as principais causas da degradação.

Além disso, a Bloomberg informou que a Storebrand ASA e o KLP estão planejando deixar de fazer negócios com empresas que contribuem para o desmatamento até 2025, caso o diálogo em curso em prol da adoção de medidas que contenham a destruição da Amazônia não atinja as mudanças desejadas.  No caso específico do fundo de pensão KLP, os seus diretores já teriam cobrado informações de empresas como Cargill Inc., Bunge Ltd. e Archer-Daniels-Midland Co. , as quais realizam negócios no Brasil.

Como se vê, a previsão do ex-ministro da Agricultura e um dos maiores figurões do agronegócio nacional, Blairo Maggi, de que o governo Bolsonaro acabaria retroagindo a capacidade brasileira de vender as suas commodities agrícolas à estaca zero está se tornando cada vez mais provável. 

Enquanto isso dentro do Congresso Nacional, com o apoio entusiasmado do presidente Jair Bolsonaro, crescem as ações para desmantelar o sistema de governança ambiental visando virtualmente acabar com licenciamento ambiental e abrir as áreas indígenas para a mineração. Com isso tudo acontecendo, o Brasil está muito próximo de severas punições e de um forte embargo contra seus produtos agrícolas e minerais. É que quando fundos de pensão e uma grande financeira sinalizam que vão fazer isso se o governo Bolsonaro não reverter curso, as chances disso se materializar são bem reais.