Investidores globais exigem reuniões com diplomatas brasileiros para discutir avanço do desmatamento na Amazônia

amazon deforestationVista aérea de um trecho desmatado da floresta amazônica por agricultores em Itaituba, Pará, Brasil, em 26 de setembro de 2019. REUTERS / Ricardo Moraes

Por Jake Spring para a agência Reuters

BRASÍLIA (Reuters) – Um grupo de 29 empresas globais de investimento que administram US $ 3,7 trilhões estão exigindo reuniões com diplomatas brasileiros em todo o mundo para pedir ao governo de direita do presidente Jair Bolsonaro que pare o avanço do desmatamento na floresta amazônica.

Os investidores, liderados pela empresa norueguesa de seguros e pensões Storebrand Asset Management, enviaram cartas às embaixadas brasileiras em sete países, convocando reuniões e expressando preocupação de que o Brasil esteja revertendo as proteções ambientais, de acordo com um comunicado que incluía uma cópia da carta.

“A escalada do desmatamento nos últimos anos, combinada com relatos de um desmantelamento de políticas ambientais e de direitos humanos e órgãos de fiscalização, estão criando uma incerteza generalizada sobre as condições para investir ou fornecer serviços financeiros ao Brasil”, diz a carta.

Defensores ambientais culpam Bolsonaro por enfraquecer as proteções e causar um aumento no desmatamento e incêndios florestais desde que assumiu o cargo em 2019.

Bolsonaro argumentou que o Brasil é um modelo de conservação, ao exigir mais mineração e agricultura na região amazônica.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil não respondeu a um pedido de comentário.

O CEO da Storebrand Asset Management, Jan Erik Saugestad, disse em entrevista que, embora as iniciativas anteriores se concentrassem em pressionar as empresas brasileiras, esse novo esforço é direcionado diretamente ao governo.

As 25 firmas européias que aderiram incluem a Nordea Asset Management da Noruega e a Igreja da Inglaterra, que possui um fundo de pensão de 2,8 bilhões de libras (US $ 3,5 bilhões). A Legal & General Investment Management (LGIM) do Reino Unido está entre os maiores investidores com 1,2 trilhão de libras sob gestão.

As empresas norte-americanas Domini Impact Investment e Pax World Funds também assinaram a carta, enquanto a Fram Capital, com sede em São Paulo, é o único signatário brasileiro.

Embora a Europa tenha sido tradicionalmente a crítica mais importante do desmatamento da Amazônia, a Sumitomo Mitsui Trust Asset Management do Japão assinou a carta, e o diretor sênior de sustentabilidade Seiji Kawazoe disse que espera que mais empresas japonesas enfrentem problemas com o desmatamento no futuro.

A carta não indica conseqüências se o governo do Brasil não agir, mas sete empresas financeiras europeias disseram à Reuters na semana passada que poderiam se desfazer de participações ligadas ao Brasil se a destruição ambiental continuar. Muitas dessas empresas também assinaram a carta para embaixadas.

Reportagem de Jake Spring; edição por Richard Pullin

fecho

Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pela Reuters [Aqui!].

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  1. […] informei aqui mesmo neste espaço que fundos bilionários enviaram uma carta a embaixadores brasileiros pedindo […]

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