Para conter o “#BoycottBrazilianFood”, embaixada em Estocolmo envia carta falaciosa para Johannes Cullberg

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Em uma evidente demonstração de que o governo Bolsonaro sentiu o golpe causado pelo boicote convocado pelo fundador e Chief Executive Officer (CEO) da rede sueca de supermercados Paradiset a produtos originados do Brasil por causa da contaminação de agrotóxicos, a embaixada brasileira na capital da Suécia enviou uma carta onde tenta rebater os argumentos de Johannes Cullberg (ver carta abaixo)

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A carta é uma coleção de falácias, e começa por um ataque subliminar aos motivos que levaram a Johannes Cullberg a retirar os produtos brasileiros de suas prateleiras ao afirmar que os autores da carta não sabem se a rede Paradiset  realmente importa produtos orgânicos do Brasil.

Um argumento que é repetido à exaustão por representantes do latifúndio agro-exportador quando confrontados com os dados que dão conta que o Brasil é hoje o campeão mundial do consumo de agrotóxicos, a carta também sugere que Cullberg verifique bases de dados que mostram apenas uma taxa que efetivamente oculta o impacto dos agrotóxicos no modelo viciado por venenos que predomina na agricultura brasileira. Falo aqui da taxa composta pelo custo do volume consumido em relação à área total do Brasil, que coloca o Brasil em 7o. lugar do mundo e o Japão em 1o.  

A falácia desse argumento é, contudo, facilmente desmontada quando se verifica que o Brasil ocupa o primeiro lugar do mundo em termos de valor gasto com a compra de agrotóxicos (ver figura abaixo com dados de 2013).

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A carta omite ainda o fato cabalmente documentado em relatório publicado em 2019 pela organização não-governamental suiça “Public Eye” que apontou para o fato de que em 2017 o Brasil representava 18% do consumo mundial de agrotóxicos, empatado com os EUA. Além disso, o mesmo relatório mostrou que o Brasil se tornou uma espécie de piscina tóxica onde agrotóxicos banidos em outras partes do mundo são despejados.

A embaixada repete ainda a cantilena falaciosa de que o Brasil está fazendo esse uso intenso de agrotóxicos para alimentar o mundo, quando, na verdade, a cultura que mais ocupa área e recebe mais agrotóxicos é a soja, cujo destino não é alimentar seres humanos diretamente, mas ser usada como ração animal.

A carta da embaixada ainda faz uma relação indecorosa entre clima e uso de agrotóxicos, pois se esquece que a origem da necessidade dos agrotóxicos são as grandes monoculturas que são a raiz da proliferação de determinados organismos.  A carta tampouco relaciona a relação entre grandes monoculturas e a ampliação do uso de venenos altamente tóxicos. Isto sem falar no papel dessas mesmas monoculturas na ampliação do desmatamento na Amazônia brasileira e no Cerrado.

Felizmente, a resposta de Johannnes Cullberg não apenas não tardou, mas veio com o tom e conteúdo que a “carta” da embaixada brasileira em Estocolmo merece. Cullberg não apenas dizimou o argumento climático, como apontou para os crescentes casos de intoxicação por agrotóxicos no Brasil, e ainda lembrou o problema da explosivo aumento do desmatamento na Amazônia brasileira. De quebra, Cullberg ainda convidou os membros da embaixada brasileira a se juntar ao boicote que ele está impulsionando, mesmo que as redes brasileiras de supermercados não o façam, pois, segundo ele, “toda ação, ainda que pequena, faz a diferença“, e que  “nós não iremos ter uma segunda chance” (ver a carta de Johannes Cullberg logo abaixo).

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Trocados em miúdos, alguém na embaixada brasileira em Estocolmo pensou que estava falando com um ignorante sobre a situação dos agrotóxicos no Brasil, e acabou aprendendo que não.

De minha parte, fico com a certeza de que o “BoycottBrazilianFood” não pode ser um movimento que ocorra apenas por causa da decisão de consumo consciente do CEO de uma rede de supermercados que vive a 10.000 km do Brasil.  A demanda pelo direito de consumir alimentos saudáveis se transformou em uma das principais bandeiras políticas que os brasileiros devem assumir nessa primeira década do Século XXI. Ou forçamos as redes brasileiras de supermercados a adotarem a mesma posição da rede Paradiset ou estaremos condenando nossas filhas e filhos e os filhos deles a terem um futuro marcado por doenças graves e fatais.

Começou! Rede de supermercados sueca convoca boicote a produtos brasileiros por causa da farra dos agrotóxicos

Johannes CullbergJohannes Cullberg, fundador e CEO da rede de supermercados Paradiset, mandou retirar todos os produtos brasileiros de suas prateleiras por causa da aprovação de 197 agrotóxicos pelo governo Bolsonaro. Cullberg está convocando um boicote generalizado ao Brasil até que o presidente Bolsonaro mude a política de aprovação “fast track” de agrotóxicos.

Desde o final de janeiro, quando a agência de vigilância sanitária da Federação Russa alertou o governo Bolsonaro que iria parar de comprar soja brasileira se algo não fosse feito para diminuir a quantidade do herbicida Glifosato, venho avisando que o Brasil corre o risco de sofrer um banimento generalizado por causa do uso excessivo de agrotóxicos (muitos deles banidos no resto do mundo) em nossas lavouras.

Alheios aos riscos da imposição deste cordão sanitário por causa dos agrotóxicos,  membros do governo Bolsonaro e da bancada ruralista continuaram sua marcha do veneno, o que ficou explícito pela aprovação de 197 agrotóxicos em menos de 6 meses, um verdadeiro recorde nacional.

Hoje, em pleno Dia Mundial do Meio Ambiente, o Rede França Internacional (RFI) repercutiu uma matéria publicada pelo jornal sueco “Dagens Nyheter” onde é informado que o presidente da rede de supermercados especializados em produtos orgânicos Paradiset, Johannes Cullberg, decidiu retirar todos os produtos brasileiros de suas prateleiras por causa do ritmo frenético de aprovação de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro.

boicote suecoManchete do Dagens Nyheter, um dos maiores da Suécia, diz “supermercado sueco boicota produtos brasileiros”.

Mas Cullberg está indo mais longe ainda e está convocando um boicote generalizado de todas as redes suecas  de supermercados em relações aos produtos brasileiros. A razão para isso ele explica no vídeo abaixo, e se resume basicamente sua posição nos seguintes termos “decidimos suspender a compra de todos os produtos brasileiros até que o Senhor Bolsonaro pare sua política louca de permissão de agrotóxicos de forma livre“.  

Cullberg diz ainda para o presidente Bolsonaro “arrumar sua merda e parar com a aprovação “fast track” de agrotóxicos”. 

É provável que a mensagem de Johannes Cullberg caia inicialmente em ouvidos mocos já que a rede que ele fundou e comanda é dedicada a produtos orgânicos que normalmente já não compraria produtos brasileiros produzidos à base de agrotóxicos e fertilizantes químicos. Entretanto, a sinalização de que Cullberg está propondo um boicote generalizado até que o governo Bolsonaro abandone a sua farra de agrotóxicos não deverá cair em ouvidos tão moucos como os da ministra Tereza Cristina e da bancada ruralista, não apenas na Suécia, mas em outros países europeus onde os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos são bem bem menos tolerantes do que aqueles utilizados no Brasil.

 

Matéria da Reuters aponta que custo dos Jogos Olímpicos pode chegar a R$ 10 bilhões!

Para quem acha que já atingimos as raias da loucura com a gastança para a Copa da FIFA, a matéria abaixo da Agência Reuters que o pior ainda está por vir nos Jogos Olímpicos de 2016. É que de um orçamento inicial estimado de R$ 4,2 bilhões, as estimativas já chegam a R$ 7 bilhões, podendo chegar a R$ 10 bilhões. Esse gasto todo não trará grandes ganhos para os pobres da cidade do Rio de Janeiro, mas deverá redesenhar completamente a distribuição das classes sociais no espaço carioca. E ai não precisa ser da Fundação Cacique Cobra Coral para saber que vão chover remoções para cima dos pobres.

E pensar que a Suécia recusou se candidatar para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 para não ter que gastar dinheiro público que seria melhor gasto com a construção de moradias populares (Aqui!).  Como diz Ancelmo Góis: deve ser terrível ter que viver na Suécia!

Orçamento da Rio 2016 sobe para cerca de R$7 bi, diz fonte

A previsão inicial do orçamento operacional, que era gastar 4,2 bilhões de reais, pode aumentar ainda mais

Rodrigo Viga Gaier, da

Divulgação/COB

Bandeira Rio 2016

Bandeira Rio 2016: o custo total da Olimpíada será apresentado na próxima semana

Rio de Janeiro – O orçamento operacional da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro subiu mais de 2,5 bilhões de reais ante a estimativa inicial do comitê organizador local dos Jogos, para cerca de 7 bilhões de reais, e pode subir ainda mais, disse à Reuters uma fonte próxima ao assunto.

Quando apresentou o orçamento na proposta de candidatura aos Jogos, em 2009, o comitê organizador estimava gastar 4,2 bilhões de reais no evento. Agora, com a atualização dos valores, a variação do câmbio e a inclusão de outras responsabilidades e modalidades no programa olímpico, o orçamento subiu para 7 bilhões de reais.

Além disso, a previsão inicial de aporte de 1,4 bilhão de reais das três esferas de governo no COL foi elevada para 1,9 bilhão de reais.

“É muito difícil fazer um prognóstico para a obra de um banheiro de uma casa. Imagina de uma Olimpíada que envolve muito mais gente, órgãos e outros fatores”, disse a fonte, sob condição de anonimato. “É um salto grande mas que era necessário”, disse, acrescentando que o orçamento ainda “corre o risco de passar por uma nova revisão”.

“Acho um risco danado fechar esse número em 7 bilhões. Acho que deveríamos jogar mais para cima, para uns 10 bilhões (de reais), para termos folga e chance de até sobrar dinheiro no final”, disse.

O orçamento operacional dos Jogos Olímpicos de 2016 será divulgado oficialmente nesta quinta-feira. O valor é referente apenas às obrigações do COL, e não inclui as obras de infraestrutura e construção de arenas esportivas.

O custo total da Olimpíada será apresentado na próxima semana, quando será divulgada a matriz de responsabilidade dos Jogos Olímpicos. Na proposta de candidatura do Rio, esse gasto foi estimado em 23 bilhões de reais.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/orcamento-da-rio-2016-sobe-para-cerca-de-r-7-bi-diz-fonte