A reinvenção do gado

A maior indústria bovina do mundo pode se tornar sustentável – ou a própria sustentabilidade está sendo redefinida?

Por Monica Piccinini para “YourVoiz”

Florestas não foram perdidas apenas por motosserras e fogo. Por trás de cada hectare desmatado havia um modelo econômico que recompensava a conversão de florestas vivas em riqueza privada. Estradas abriram regiões remotas, a madeira financiou a primeira onda de desmatamento, o fogo consumiu o que restou, e o gado transformou terras desmatadas em um ativo que podia ser comprado, vendido, hipotecado e defendido. Dentro desse sistema, uma floresta em pé tinha pouco valor financeiro.

Hoje, o gado está sendo reestruturado. À medida que governos, investidores e agroempresas buscam formas de reduzir as emissões agrícolas, a pecuária não é mais apresentada apenas como um motor do declínio ambiental. Atualmente, está sendo promovido como parte da solução climática por meio da criação “regenerativa”, carne bovina “de baixo carbono”, rastreabilidade digital e financiamento verde.

Essa mudança vai além das práticas agrícolas. Reflete mudanças na governança ambiental, onde política climática, mercados financeiros e conservação estão se tornando cada vez mais interligados. A questão não é mais apenas como reduzir o custo ambiental da produção bovina, mas se a indústria pode continuar se expandindo enquanto afirma operar dentro dos limites ecológicos.

Como essa mudança está acontecendo, quem a está conduzindo e o que isso significa para o futuro da Amazônia? A reinvenção do gado representa uma verdadeira transição ambiental ou um modelo financeiro que permite que uma das indústrias mais poderosas do Brasil continue crescendo sob a linguagem da sustentabilidade?

Gado, desmatamento e uma narrativa em constante mudança

Cerca de 80% das terras desmatadas na Amazônia foram convertidas em pastagens. No vizinho Cerrado, um dos biomas mais biodiversos do mundo, a pecuária e a agricultura de mercadorias em grande escala substituíram os ecossistemas nativos em uma área imensa.

Décadas de monitoramento por satélite, pesquisas científicas e investigações governamentais chegam à mesma conclusão: o pasto é o uso dominante da terra estabelecido após o desmatamento amazônico, e a pecuária continua sendo seu principal motor direto. Nem todo hectare foi desmatado exclusivamente para a produção de carne bovina. O gado também serviu para ocupar terras disputadas, consolidar reivindicações especulativas e preparar propriedades para revenda ou conversão para outros usos agrícolas.

As consequências vão muito além da perda de florestas. A limpeza e queima liberam carbono acumulado ao longo de décadas ou séculos. O gado emite metano por digestão, enquanto o manejo de esterco e pastagem gera gases de efeito estufa adicionais. Substituir florestas e savanas nativas por pastagens também degrada os solos, altera sistemas fluviais, fragmenta habitats e acelera a perda de biodiversidade.

Em partes da Amazônia, a expansão do gado permaneceu intimamente ligada à apropriação de terras, reivindicações fraudulentas de propriedade e à ocupação ilegal de terras públicas, protegidas e indígenas. Promotores, jornalistas e organizações de direitos humanos documentaram repetidamente fazendas associadas ao trabalho forçado, intimidação violência contra povos indígenas, comunidades tradicionais e pequenos proprietários. Esses abusos não caracterizam todos os produtores, mas permanecem uma característica persistente e bem documentada da história da indústria.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, compilados pela Repórter Brasil, revelaram que 65.600 trabalhadores foram resgatados de condições semelhantes à escravidão entre 1995 e 2024. Mais de 17.300 trabalhavam na criação de animais, tornando-se o setor com o maior número de casos registrados. Como observou um trabalhador resgatado: “Aqui, o gado é tratado melhor do que os trabalhadores”.

Por anos, o debate internacional enquadrou a expansão do gado e a conservação florestal como forças opostas. O desafio era limitar os danos ambientais causados por uma indústria cujo crescimento havia se tornado inseparável do avanço da fronteira agrícola.

Na última década, esse debate mudou. Governos, pesquisadores, agências de desenvolvimento, organizações ambientais, bancos, instituições filantrópicas e empresas de carne passaram de questionar se a produção bovina deveria mudar para se perguntar como ela pode ser alinhada com a política climática.

A mudança começou com a linguagem. Relatórios antes focados no desmatamento agora promovem a produção “bovina de baixo carbono”, a criação “regenerativa”, a produção “positiva para a natureza” e “sustentável”. Práticas como restauração de pastagens degradadas, melhoria da nutrição animal, redução da idade do abate e aumento da produtividade são apresentadas junto com financiamento climático, monitoramento via satélite, rastreabilidade digital e investimento ambiental.

Muitas dessas propostas oferecem benefícios ambientais reais. Restaurar pastagens degradadas é preferível a desmatar novas florestas. A rastreabilidade eficaz pode expor abusos que há muito tempo permanecem ocultos nas cadeias de suprimentos. Agências ambientais mais fortes, registros de terras confiáveis e melhor suporte técnico poderiam fortalecer produtores responsáveis, excluindo aqueles que lucram com o desmatamento ilegal.

Maior eficiência, no entanto, não necessariamente reduz o impacto ambiental. Produzir carne bovina com menos emissões por quilograma não reduz automaticamente as emissões totais, o uso da terra ou a pressão ecológica. Os animais podem atingir o peso de abate mais cedo, reduzindo a intensidade do metano, enquanto as emissões gerais continuam aumentando se o tamanho dos rebanhos e a produção continuarem crescendo.

Essa distinção é importante em um país com cerca de 238 milhões de gado, mais do que sua população humana, e a maior indústria de exportação de carne bovina do mundo. O Brasil persegue duas ambições ao mesmo tempo: apresentar a pecuária como parte de sua estratégia climática, ao mesmo tempo em que expande a escala e a competitividade de seu setor bovino.

Por trás dos relatórios, fundos de investimento e parcerias institucionais, outra história começa a surgir. A reinvenção do gado não se trata mais apenas de florestas, pastagens ou metano. Também diz respeito a crédito, dados ambientais, produtos financeiros e o mercado em rápida expansão para investimentos descritos como verdes, alinhados ao clima ou positivos para a natureza.

As organizações envolvidas não compartilham todos os mesmos objetivos, nem isso diminui o trabalho de cientistas, funcionários públicos e profissionais que passaram décadas protegendo florestas e melhorando os meios de subsistência rurais. A questão mais importante é se o gado sustentável representa uma verdadeira transformação da produção pecuária ou um modelo financeiro e tecnológico que permita à indústria continuar se expandindo.

Reescrevendo a linguagem da sustentabilidade

A transformação da indústria pecuária brasileira não começou nos ranchos. Começou com uma mudança de idioma.

Por décadas, o debate sobre a pecuária brasileira centrou no desmatamento, perda de biodiversidade, emissões de gases de efeito estufa, ocupação ilegal de terras e abusos trabalhistas embutidos nas cadeias de suprimentos de carne bovina. O objetivo, mesmo que politicamente difícil, era claro: reduzir os danos ambientais causados por uma das maiores indústrias pecuárias do mundo. Mas essa não é mais a conversa dominante.

Em vez de questionar se a produção pecuária deve continuar se expandindo, a política agora assume em grande parte que o gado continuará sendo central para a economia brasileira. O desafio passou a ser tornar a indústria mais produtiva, mais transparente, mais tecnologicamente sofisticada e mais atraente para investidores conscientes do clima.

A distinção é sutil, mas significativa. Se o problema for a escala da indústria pecuária, as respostas políticas podem incluir limitar a produção em regiões ecologicamente vulneráveis, desencorajar a expansão das fronteiras e reduzir a pressão para o crescimento contínuo. Se o problema for a ineficiência, as soluções passam a ser melhor genética, pastagem restaurada, monitoramento digital, crescimento animal mais rápido e novas formas de crédito rural.

A linguagem importa porque molda políticas. Ela influencia o que os governos medem, onde as instituições financeiras investem e o que conta como progresso ambiental. Termos como carne bovina “de baixo carbono”, pecuária “regenerativa”, produção “positiva para a natureza” e produção “sustentável” fazem mais do que descrever práticas agrícolas; Eles redefinem o próprio problema.

Essa mudança se reflete em pesquisas produzidas por meio da Amazônia 2030, uma colaboração entre o Instituto Amazônico do Homem e do Meio Ambiente (Imazon) e a Iniciativa de Política Climática (CPI). Seu trabalho reconhece o papel que a extensa pecuária, o pasto degradado e o desmatamento desempenharam na transformação da Amazônia, ao mesmo tempo em que argumenta que os investimentos futuros devem se concentrar em áreas de produção existentes, e não em novas fronteiras agrícolas.

As recomendações são práticas: redirecionar o crédito rural para ganhos mensuráveis de produtividade, expandir a assistência técnica, restaurar pastagens degradadas, fortalecer o monitoramento georreferenciado e esclarecer o status legal das florestas públicas vulneráveis à ocupação especulativa. O argumento subjacente é que o Brasil pode produzir mais carne bovina em terras já desmatadas, reduzindo o incentivo para destruir mais florestas.

A lógica é convincente. Se o pasto degradado sustenta apenas um pequeno número de gado, restaurá-lo deve aumentar a produção sem exigir novas terras. Em teoria, maior produtividade poderia poupar terras para conservação ou restauração ecológica. Se isso acontecer depende menos da produtividade do que da governança.

Rendimentos mais altos reduzem a pressão sobre as florestas apenas quando as proteções ambientais impedem a expansão e a terra restaurada é realmente conservada. Quando a fiscalização é fraca, maior eficiência pode ter o efeito oposto, tornando a produção de gado mais lucrativa, atraindo novos investimentos e aumentando a pressão para expandir.

A história não oferece uma resposta simples. A intensificação agrícola reduziu a pressão sobre a terra em algumas regiões enquanto acelerou a expansão em outras. Os resultados dependem da demanda, infraestrutura, crédito, aplicação da lei e se lucros maiores são canalizados para restaurar terras existentes ou adquirir novas propriedades.

Uma estatística ilustra esse ponto. Pesquisas citadas pela Amazônia 2030 sugerem que cada hectare de pastagem restaurada entre 2000 e 2023 coincidiu com aproximadamente 2,35 hectares de novo desmatamento. A figura descreve uma associação histórica em vez de provar que a restauração causou perda florestal, mas desafia a suposição de que ganhos de produtividade automaticamente deslocam a expansão da fronteira.

A questão central, então, não é se a pastagem pode ser tornada mais produtiva. Pode. A questão é se esses ganhos vêm acompanhados de salvaguardas que impedem que lucros maiores financiem um desmatamento adicional.

A mesma tensão permeia a linguagem mais ampla do gado “baixo carbono”.

A IDH, Iniciativa de Comércio Sustentável, promove programas que combinam restauração de pastagens, assistência técnica, financiamento e acesso ao mercado para apoiar a produção de gado de menor emissão. Suas parcerias no Brasil reúnem organizações ambientais, agronegócios, instituições financeiras e agências de desenvolvimento em torno de um objetivo comum: transformar a pecuária por meio do investimento, e não da contração.

Parceiros estratégicos da IDH no Brasil. Fonte: https://idh.org/contact/brazil 

Uma abordagem semelhante aparece no livro do Instituto de Recursos Mundiais para a Nova Economia para a Amazônia brasileira, onde a reforma pecuária faz parte de um programa mais amplo que liga universidades, ONGs, empresas e organizações de políticas públicas em torno do desenvolvimento econômico compatível com o clima.

A Nova Economia para a liderança brasileira da Amazonia. Fonte: https://www.wri.org/research/new-economy-brazil-amazon 

Outras iniciativas seguem o mesmo padrão. A Coalizão Financeira de Restauração e Bioeconomia do Brasil (BRBFC) reúne bancos comerciais, instituições de desenvolvimento, fundações filantrópicas e organizações ambientais para apoiar investimentos em grande escala em empresas de restauração e baseadas na natureza.

Essas organizações diferem em governança, prioridades e perspectiva política, e não devem ser vistas como um único projeto coordenado. Mas seus programas compartilham um vocabulário surpreendentemente semelhante: produtividade, resiliência, restauração, rastreabilidade, impacto mensurável, serviços ambientais e finanças mistas.

Juntas, essas iniciativas revelam uma mudança mais ampla na governança ambiental. A pecuária não é mais enquadrada apenas como uma responsabilidade ambiental que exige uma regulamentação mais rigorosa. Também é apresentado como uma oportunidade para investimento climático, dados ambientais e participação em mercados emergentes para carbono, biodiversidade e serviços ecossistêmicos.

As implicações vão além da pecuária. Florestas, biodiversidade e paisagens restauradas são tratadas como ativos econômicos mensuráveis. Instituições financeiras estão desenvolvendo produtos que recompensam o desempenho ambiental, enquanto as tecnologias digitais geram os dados necessários para verificar e negociar esses ativos.

O Brasil está no centro dessa mudança. Ele contém a maior floresta tropical do mundo, o vasto Cerrado, e milhões de hectares de pastagens degradadas que poderiam ser restauradas ou intensificadas. Essa combinação torna o país não apenas uma prioridade ambiental, mas também um dos maiores mercados potenciais do mundo para investimento climático.

Como o gado ocupa grande parte das terras do Brasil, ele está no centro dessa oportunidade. A pastagem pode ser apresentada simultaneamente como um problema climático, uma oportunidade de restauração e um ativo financeiro aguardando uso mais produtivo.

A reinvenção do gado, então, é muito mais do que reduzir as emissões de metano. Trata-se de reposicionar um dos maiores setores econômicos do Brasil dentro de um mercado de financiamento climático em rápida expansão.

Se isso coloca limites ecológicos acima da expansão econômica permanece a questão definidora.

mercado brasileiro de restauração florestal pode oferecer uma oportunidade de US$ 141 bilhões para empresas e investidores, segundo um relatório da Orbitas.

Seguindo o dinheiro

A reinvenção do gado não está sendo impulsionada apenas pela política ambiental. Também é moldada por uma arquitetura financeira crescente que liga metas climáticas, produção agrícola e investimento global.

Programas que promovem pecuária de baixo carbono raramente operam isoladamente. Em vez disso, elas surgem de parcerias entre governos, agências de desenvolvimento, fundações filantrópicas, bancos comerciais, gestores de investimentos, empresas de carne e organizações ambientais.

Juntos, esses atores estão redefinindo não apenas como a sustentabilidade é financiada, mas também como ela é medida.

Tal cooperação não é incomum nem inerentemente problemática. Restaurar pastagens degradadas, melhorar as cadeias de suprimentos e apoiar produtores responsáveis exigem investimentos de longo prazo que apenas o financiamento público provavelmente não proporcionará. A questão mais significativa é como essas parcerias influenciam a própria definição de sustentabilidade.

Quando os programas ambientais são projetados em torno das expectativas dos mercados financeiros, o sucesso tende a ser medido por meio de retornos de investimento, redução de riscos, escalabilidade e resultados quantificáveis. Valores que resistem a uma simples medição, como sobrevivência cultural, direitos territoriais, biodiversidade ou o valor intrínseco das florestas, podem se tornar mais difíceis de acomodar.

A IDH, Iniciativa de Comércio Sustentável, ilustra esse cenário em transformação. Estabelecida em 2008 por meio da colaboração entre o governo holandês, a sociedade civil e o setor privado, a IDH atua em cadeias globais de suprimentos de commodities, incluindo cacau, café, algodão, óleo de palma, soja e carne bovina. No Brasil, apoia a restauração de pastagens, assistência técnica e mecanismos financeiros projetados para acelerar a produção pecuária de menor carbono.

O financiamento do IDH reflete a amplitude da economia sustentável atual. Junto com o apoio do Ministério das Relações Exteriores da Holanda e da Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça (SECO), o financiamento estratégico veio do Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca (DANIDA), do Ministério do Meio Ambiente da Noruega (NORAD), da União Europeia, da Fundação Bill & Melinda Gates, da Fundação Laudes, da Fundação Mastercard, da Fundação IKEA e do Escritório de Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento do Reino Unido (FCDO).

Isso ilustra uma mudança mais ampla na governança ambiental. A política não é mais moldada apenas por governos e reguladores. Ela surge cada vez mais por meio de parcerias nas quais instituições públicas, filantropia, organizações financeiras e interesses comerciais trabalham juntos para influenciar os resultados ambientais.

Um dos exemplos mais claros é o Fundo Cria da IDHDesenvolvido com a gestora de investimentos Violet, parte do Grupo VERT, o fundo tem como objetivo ampliar o acesso ao financiamento para pequenos e médios produtores de gado em toda a Amazônia brasileira. Combina crédito rural com assistência técnica digital e acesso ao mercado, reunindo terra, dados e capital.

Até 2030, o fundo visa mobilizar US$50 milhões, apoiar 1.000 produtores e cobrir 150.000 hectares sob práticas classificadas como sustentáveis. Um investimento inicial de US$ 10 milhões está previsto para alcançar 250 agricultores que administram aproximadamente 12.000 hectares.

Para muitos produtores, o acesso a financiamento acessível continua sendo uma barreira real. Restaurar pastagens, comprar equipamentos e adotar novos sistemas de produção exigem capital que o crédito rural convencional muitas vezes não consegue fornecer.

Fundo Cria também ilustra uma mudança mais ampla. O desempenho ambiental está se tornando inseparável da participação nos sistemas financeiros. As decisões de empréstimo dependem cada vez mais de dados de produção, monitoramento geoespacial e assistência técnica digital. O acesso ao capital está ligado não apenas às práticas agrícolas, mas também à capacidade de gerar e verificar informações ambientais.

Para os produtores, isso poderia melhorar o acesso aos mercados premium, ao mesmo tempo em que recompensa um melhor desempenho ambiental. Também levanta questões importantes. Quem é o dono dos dados gerados por esses programas? Como essas informações podem influenciar futuras decisões de empréstimo? Quem determina quais sistemas de produção se qualificam como regenerativos? E o que acontece com os produtores que não podem arcar com a tecnologia necessária ou cuja documentação de terra permanece sem solução?

Esses não são argumentos contra dados ambientais ou crédito rural. Em vez disso, mostram como a inclusão financeira pode criar novas formas de dependência junto com novas oportunidades.

A escolha de Violet como parceira de investimento do fundo destaca outra tendência significativa. Empresas especializadas em finanças estruturadas e mercados de capitais estão se tornando atores centrais na política ambiental. Questões antes abordadas principalmente por meio de serviços de extensão agrícola e regulação pública são cada vez mais gerenciadas por meio de finanças mistas, investimento privado e produtos financeiros projetados para atrair capital institucional.

Essa evolução ficou evidente durante a Semana de Ação Climática de Londres 2026, quando IDH, CPI, representantes do Foreign, Commonwealth and Development Office (FCDO) do Reino Unido, investidores e instituições financeiras focaram menos nas florestas em si e mais nos mecanismos financeiros necessários para tornar a pecuária regenerativa comercialmente viável.

A mesma lógica vai além do gado. Lançada durante a Cúpula do G20 em 2024, a Coalizão Financeira para a Restauração e Bioeconomia do Brasil (BRBFCreúne bancos públicos, instituições financeiras privadas, organizações de conservação e agências internacionais de desenvolvimento, com o objetivo de mobilizar pelo menos US$ 10 bilhões para projetos de restauração e bioeconomia até 2030.

Seus membros incluem Banco do Brasil, BNDES, BTG Pactual, Conservation International, IDB Invest, Instituto Arapyaú, Instituto Clima e Sociedade, Mombak, The Nature Conservancy (TNC), re.green, WWF Brasil, o Grupo Banco Mundial, o Fórum Econômico Mundial, entre outros.

Lista de membros do BRB. Fonte: https://brbfc.org/about-us/ 

Em julho de 2025, os membros da coalizão relataram compromissos de US$ 2,6 bilhões. Eles também visam restaurar ou proteger cinco milhões de hectares, enquanto direcionam US$ 500 milhões para projetos envolvendo povos indígenas e comunidades locais.

A ambição é substituir a economia de fronteira por uma que gere valor por meio da restauração, e não do desmatamento. As florestas tornam-se ativos investidos, em vez de obstáculos ao crescimento econômico.

Essa visão tem um potencial genuíno. A restauração de longo prazo exige capital de longo prazo, e organizações indígenas e grupos comunitários frequentemente têm dificuldade em acessar o financiamento convencional.

Mas restauração e bioeconomia continuam sendo conceitos amplos. Elas podem apoiar a recuperação de ecossistemas nativos, mas também podem incluir silvicultura comercial, mercados de carbono e sistemas agrícolas com resultados ecológicos e sociais muito diferentes.

Embora o BRBFC não seja um programa pecuário, ele opera em uma paisagem dominada por gado. Decisões sobre restaurar, intensificar ou reaproveitar pastagens inevitavelmente moldam o futuro do maior setor agrícola do Brasil.

Juntas, essas iniciativas apontam para algo maior do que projetos individuais. A governança ambiental está se tornando mais integrada às finanças globais. Florestas, biodiversidade, pastagens e serviços ecossistêmicos estão sendo convertidos em ativos que podem ser medidos, valorizados e incorporados em estratégias de investimento.

Na maioria dos programas analisados, o futuro proposto não envolve produzir menos carne bovina. Em vez disso, trata-se de produzir carne bovina de forma mais eficiente, monitorá-la mais de perto e conectá-la a novos fluxos de capital.

Nessa visão, a sustentabilidade não substitui o crescimento. Torna-se o mecanismo pelo qual se espera que o crescimento continue.

A rastreabilidade pode entregar resultados?

Se uma ideia se tornou central para a promessa de produção sustentável de gado, é a rastreabilidade. Documentos de política, relatórios de sustentabilidade corporativa e estratégias de investimento apresentam isso como a solução para um dos problemas mais antigos da indústria pecuária: saber onde um animal passou sua vida.

Em teoria, cada animal seria identificado desde o nascimento, cada movimento entre fazendas registrado e cada propriedade verificada contra imagens de satélite, embargos ambientais, territórios indígenas e violações trabalhistas. Reguladores, investidores e consumidores poderiam então verificar se a carne vendida em São Paulo, Bruxelas ou Xangai veio de uma cadeia de suprimentos legal e livre de desmatamento.

Sem rastreabilidade confiável, no entanto, as alegações de carne bovina de baixo carbono ou livre de desmatamento continuam difíceis de verificar. O Brasil fez avanços significativos no monitoramento da produção pecuária, mas os sistemas dos quais depende a rastreabilidade permanecem fragmentados, implementados de forma desigual e, em alguns casos, vulneráveis à manipulação.

Três mecanismos formam o quadro atual: o Registro Ambiental Rural (CAR), o Guia de Trânsito Animal (GTA) e acordos entre promotores federais e abatedouros conhecidos como Acordo de Ajuste de Conduta da Indústria Carnívora (TAC da Carne). Juntos, eles representam um avanço importante na transparência, mas também expõem as fraquezas que continuam a limitar a supervisão eficaz.

Criado sob o Código Florestal do Brasil, o CAR é um registro digital no qual os proprietários declaram limites de propriedades, áreas de vegetação nativa, reservas legais e terras agrícolas. Essas declarações podem ser comparadas com imagens de satélite, áreas protegidas e embargos ambientais, tornando a RCA uma ferramenta essencial para a governança ambiental. Sua principal fraqueza é que a informação é inicialmente autodeclarada e só se torna confiável após verificação pelas autoridades ambientais estaduais. Esse processo avançou lentamente, deixando um acúmulo de milhões de registros aguardando validação.

As consequências vão muito além da regulamentação ambiental. Bancos consultam a CAR antes de aprovar crédito rural, empresas de carne a usam para triar fornecedores e investidores dependem dela para avaliar riscos ambientais. Se a informação subjacente for incompleta ou imprecisa, toda decisão baseada nela se torna menos confiável.

Pesquisas do Centro de Análise de Crimes Climáticos, reportadas pelo Repórter Brasil, destacam o problema. Entre 2019 e 2024, 14.223 propriedades na Amazônia Legal alteraram seus registros CAR de formas que removeram áreas ambientalmente restritas. Em meio a essas mudanças, cerca de 4,9 milhões de hectares desapareceram dos limites declarados da propriedade. Tais alterações não provam por si só irregularidades, mas a escala das mudanças, e a remoção, em alguns casos, de embargos ambientais e sobreposições com territórios indígenas, levanta sérias preocupações sobre a integridade do sistema.

Rastrear o território é apenas parte do desafio. Reconstruir a vida de um animal individual é mais complexo porque a indústria bovina do Brasil atua em várias fazendas. Uma propriedade pode criar bezerros; outro os cria e um terceiro os prepara para o massacre. O Animal Transit Guide registra esses movimentos, mas foi criado principalmente para controlar doenças do rebanho, e não para reconstruir a história ambiental de um animal.

Essa distinção tem consequências importantes. Os matadouros tradicionalmente monitoram apenas seus fornecedores diretos, sendo as fazendas que vendem animais imediatamente antes do abate, enquanto as fases iniciais da cadeia de produção frequentemente permanecem fora do sistema. Portanto, um animal pode passar grande parte de sua vida em terras desmatadas ilegalmente antes de ser transferido para uma propriedade conforme pouco antes do abate. A transação final parece legal, mesmo que grande parte da história ambiental do animal permaneça oculta.

A prática, comumente descrita como lavagem de gado, não se baseia necessariamente em documentos falsificados. Em vez disso, explora as lacunas entre sistemas que registram diferentes estágios da cadeia de suprimentos sem se comunicar efetivamente entre si. A fazenda que abastece o matadouro pode cumprir verificações ambientais, enquanto as propriedades onde o animal já viveu permanecem praticamente invisíveis.

Identificação eletrônica, bancos de dados integrados, monitoramento por satélite e análise automatizada de riscos podem ajudar a fechar parte dessa lacuna, tornando muito mais difícil apagar o histórico de um animal. Essas tecnologias representam avanços genuínos em relação aos sistemas fragmentados atualmente em vigor, mas não podem substituir uma governança eficaz. Etiquetas eletrônicas não podem resolver reivindicações fraudulentas de terras, imagens de satélite não podem aplicar a lei ambiental, e plataformas digitais não podem verificar declarações de propriedade imprecisas ou compensar instituições fracas e fiscalização inadequada.

Em última análise, a rastreabilidade é menos um desafio tecnológico do que uma questão de governança. Sua credibilidade depende de registros públicos confiáveis, verificação independente, informações transparentes, reguladores eficazes e consequências significativas para aqueles que violam a lei ambiental.

Os sistemas de monitoramento do Brasil estão se tornando cada vez mais sofisticados, mas sofisticação não deve ser confundida com certeza. Até que o gado possa ser rastreado de forma confiável desde o nascimento até o abate, e cada etapa da cadeia de suprimentos esteja sujeita a uma supervisão eficaz, as alegações de que a carne bovina está livre de desmatamento permanecerão tão fortes quanto o elo mais fraco da cadeia.

Quem define bovino sustentável?

Essa pergunta atravessa todas as etapas do debate.

O termo gado “sustentável” aparece em estratégias governamentais, prospectos de investimento e relatórios corporativos. A carne bovina é descrita como “de baixo carbono”, a pecuária torna-se “regenerativa” e as cadeias de suprimentos são rotuladas como “positivas para a natureza”. A linguagem sugere uma conclusão definitiva, mas o significado de sustentabilidade permanece contestado.

Não existe uma definição científica única que determine se a produção industrial de gado na Amazônia e no Cerrado pode ser considerada sustentável. Uma fazenda pode atender a um padrão porque não desmatou florestas recentemente e falha em outro porque seus animais vieram de fornecedores não monitorados. Pode reduzir as emissões por quilograma de carne bovina enquanto aumenta a produção geral e pode restaurar uma área enquanto sua cadeia de suprimentos se expande para outra.

Grande parte do argumento para o gado “baixo carbono” baseia-se na distinção entre intensidade de emissões e emissões absolutas. Melhor manejo do pasto, nutrição aprimorada, seleção e abate mais precoce podem reduzir as emissões de gases de efeito estufa por quilograma de carne bovina ao reduzir o tempo que o gado gasta emitindo metano. Esses ganhos são significativos, mas a atmosfera responde às emissões totais, e não à eficiência produtiva.

Se as emissões por quilograma caírem enquanto o tamanho dos rebanhos permanece estável ou diminui, as emissões gerais podem diminuir. Se a produtividade melhorar enquanto o número de gado e a produção de gado continuarem crescendo, as emissões totais podem permanecer inalteradas ou até mesmo aumentar. Para um país com o maior rebanho comercial de gado do mundo, essa distinção é fundamental.

O metano torna a questão particularmente significativa. A fermentação entérica continua sendo a maior fonte de metano agrícola no mundo. Embora o metano persista na atmosfera por um período menor do que o dióxido de carbono, seu efeito de aquecimento é especialmente forte nas décadas imediatamente após sua liberação. Reduzir as emissões de metano pode, portanto, desacelerar o aquecimento a curto prazo, mas isso continua sendo politicamente desafiador, pois o gado é central para uma das indústrias exportadoras mais importantes do Brasil.

O debate sobre a contabilidade do metano ilustra o quão controversas essas questões se tornaram. Alguns pesquisadores e grupos industriais apoiam métricas alternativas, incluindo a Global Warming Potential Star (GWP*), argumentando que a contabilidade convencional superestima o efeito de aquecimento a longo prazo de rebanhos estáveis ao tratar o metano como gases de efeito estufa de longa duração. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), no entanto, continua a aconselhar contra o uso do GWP* para a contabilidade nacional de emissões, pois ele não captura totalmente a contribuição para o aquecimento de cada emissão de metano. O debate é técnico, mas suas implicações são políticas porque influenciam como as emissões do gado são interpretadas e, em última análise, como a própria sustentabilidade é medida.

A tecnologia ocupa um lugar igualmente proeminente na reinvenção do gado. Sistemas de satélite detectam desmatamento, etiquetas eletrônicas acompanham os movimentos dos animais, inteligência artificial analisa riscos da cadeia de suprimentos e plataformas digitais integram dados ambientais, financeiros e de produção. Juntas, essas ferramentas transformaram a capacidade de monitorar a produção pecuária em um país do tamanho do Brasil, fornecendo informações que seriam inimagináveis há apenas uma geração.

A tecnologia, no entanto, não pode resolver as questões políticas no cerne do debate. Imagens de satélite podem revelar onde as florestas foram desmatadas, mas não podem processar os responsáveis. Registros digitais podem identificar sobreposições com territórios indígenas, mas não podem garantir que as autoridades irão intervir. As plataformas financeiras podem medir a conformidade com indicadores selecionados, mas não podem determinar se a expansão contínua da produção bovina é compatível com os limites ecológicos.

Um padrão mais amplo emerge. Desafios políticos e sociais são repetidamente reformulados como técnicos, a ocupação ilegal se torna um problema de qualidade dos dados, a fraca aplicação da lei passa a ser uma questão de monitoramento, e os limites ecológicos se tornam questões de eficiência e otimização. Uma tecnologia melhor, sem dúvida, melhora a supervisão, mas não pode substituir uma governança eficaz.

O mesmo padrão ajuda a explicar por que as finanças se tornaram tão entrelaçadas com a política ambiental. Antes que a sustentabilidade possa ser recompensada pelos investidores, ela deve primeiro ser traduzida em dados mensuráveis. Uma vez quantificado, o desempenho ambiental pode ser verificado, precificado e incorporado às decisões financeiras. Nesse processo, a sustentabilidade torna-se não apenas um objetivo ecológico, mas também uma categoria financeira.

Nada disso diminui o valor de restaurar pastagens degradadas, melhorar a rastreabilidade ou apoiar produtores que desejam adotar melhores práticas. Também não sugere que as organizações aqui discutidas compartilhem motivações idênticas. Bancos públicos de desenvolvimento, organizações ambientais, produtores e fundos de investimento frequentemente participam das mesmas iniciativas por razões muito diferentes.

As evidências sugerem, no entanto, que a autoridade para definir sustentabilidade está mudando gradualmente. Ecologistas podem julgar a produção bovina pelo impacto que tem nas florestas, biodiversidade e clima. Os povos indígenas podem julgá-la pela permanência de seus territórios, culturas e direitos intactos. Os agricultores podem julgá-la pela capacidade de manter meios de subsistência viáveis sem perder o controle de suas terras ou se tornar dependentes de novos sistemas financeiros e tecnológicos. Os investidores, por outro lado, tendem a priorizar indicadores mensuráveis, relatórios padronizados e riscos quantificáveis.

A questão não é se uma perspectiva é inerentemente mais legítima que outra. É quem, em última instância, tem autoridade para decidir qual definição molda a política.

Isso importa porque a linguagem orienta a regulação, a regulação direciona investimentos e o investimento remodela o cenário. O sucesso não pode ser medido apenas pelo número de gado equipado com etiquetas eletrônicas, hectares restaurados ou bilhões de dólares comprometidos com financiamento verde.

O teste mais significativo é se as florestas permanecem de pé, as emissões de metano caem em termos absolutos, os povos indígenas mantêm o controle de seus territórios e a prosperidade rural não depende mais de empurrar a fronteira agrícola para ecossistemas naturais.

Se a reinvenção do gado se mostrará uma transição ambiental genuína ou uma justificativa mais sofisticada para o funcionamento do negócio como de costume, não será julgado pela linguagem da sustentabilidade, mas por esses resultados.


Fonte: YourVoiz

Caminho verde ou ganância em penas verdes? Estudo na Universidade de Helsinki analisa a questão da sustentabilidade ambiental no Acordo UE-Mercosul

Acabo de receber e estou compartilhando uma interessante dissertação de mestrado que foi defendida com êxito pela pesquisadora filandesa Hanna-Kaisa Sainio no Programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Helsinki. A pesquisa realiza uma análise sobre os limites do discurso ambiental que envolve o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

A partir de uma metodologia qualitativa, Hanna-Kaisa Sainio fez uma série de entrevistas com representantes de governos, pesquisadores e membros de organizações não-governamentais para tentar três questões de pesquisa: 1) que tipo de pensamento de sustentabilidade dominou as negociações e decisões do Acordo UE-Mercosul, 2) qual foi a situação da inclusão e das perspectivas das partes interessadas , e 3) qual foi caminho de sustentabilidade escolhido para nortear o Acordo comercial UE-Mercosul.

Uma das descobertas do estudo de Sainio é que a imprecisão do conceito de sustentabilidade e as diferentes perspectivas e circunstâncias de vida que afeta seu reconhecimento, como um dos principais alvos do acordo, fazem com que os compromissos globais de sustentabilidade pareçam parte de um cenário mundial ideal, que não será de fato seguido na sua implementação prática. Em outras palavras, é a imprecisão a serviço do “greenwashing” para manter tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Outro aspecto que surgiu nas entrevistas realizadas por Hanna-Kaisa Sainio foi a natureza assimétrica dp acordo, o que resultaria não em condições mais equânimes de trocas comerciais, mas sim na manutenção da hegemonia colonial, o que seria reforçado pelo uso de tecnologia mais avançada e de restrições ambientais como alavancas para atingir esse objetivo em prol da União Europeia.

Por outro lado, um dos consensos que surgem das entrevistas de Sainio é que os compromissos ambientais do Acordo EU-Mercosul são tão vagos e podem ser interpretados de tantas maneiras que qualquer ação poderia ser chamada de sustentável.  Este é, na verdade, um problema recorrente, já que o conceito de sustentabilidade é frequentemente usado em ações de marketing sem qualquer clarificação sobre seu significado prático. Além disso, como sustentabilidade significa coisas diferentes para pessoas diferentes, e não há consenso sobre os limites do sustentável e do insustentável,  há o risco de que ocorra um alto nível de frustração com os resultados da implementação prática do acordo.

Ainda que esses sejam apenas uma síntese muito breve da pesquisa de Sainio, o que salta aos olhos é que aqui no Brasil as contradições existentes nos termos desse acordo foi muito pouco destrinchado pela comunidade acadêmica, e completamente ignoradas pelos membros do governo Lula que participaram da sua amarração final.

Quem desejar baixar a dissertação de mestrado de Hanna-Kaisa Sainio, basta clicar [Aqui!].

Edição comparativa do Índice de Transparência da Moda Brasil avalia seis anos de dados das maiores marcas de moda

Pela primeira vez, edição especial da pesquisa traz uma análise comparada das informações socioambientais divulgadas pelas maiores marcas de moda no Brasil

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Desde 2018, o Instituto Fashion Revolution Brasil desempenhou um papel pioneiro ao impulsionar a transparência nas grandes marcas, e o ITMB se consolidou como uma das ferramentas mais importantes nesse processo. A pesquisa, que, entre 2018 e 2023, expandiu sua análise de 20 para 60 marcas, avaliou e ranqueou a divulgação pública de informações sociais e ambientais dessas empresas. Isso permitiu a criação de uma extensa base de dados sobre os desafios socioambientais da moda em nosso país.

Pela primeira vez, o ITMB apresenta uma edição comparativa, que oferece um balanço desses últimos seis anos da pesquisa. Nessa análise, são avaliados como e o que as maiores marcas e varejistas no Brasil divulgaram sobre suas políticas, práticas e impactos sociais e ambientais. O estudo examina os desafios persistentes e a divulgação de boas práticas adotadas ao longo do período, proporcionando uma visão ampla sobre os avanços, retrocessos e estagnações da indústria.

Além da análise comparativa, a pesquisa deste ano incluiu um estudo de impacto com as marcas participantes, visando compreender os efeitos e impactos do próprio ITMB. Os resultados mostram que 68% das marcas reconhecem que o Índice impulsionou suas práticas de sustentabilidade e transparência, enquanto 72% percebem mudanças internas como resultado da participação no projeto. As conclusões confirmam que medir a transparência das marcas pode ser um verdadeiro motor de mudança, levando a melhorias contínuas, ressaltando a necessidade de um engajamento cada vez maior da indústria nesse processo.

Entre 2018 e 2023, houve um avanço na transparência na moda: a pontuação média das marcas subiu de 17% para 22%

No relatório comparativo de 2024, foram destacados quatro temas-chave para a análise: meio ambiente, direitos humanos, governança e rastreabilidade, com foco nas áreas prioritárias e nas mudanças observadas ao longo dos anos. Apesar desse progresso na pontuação média de transparência (de 17% em 2018 para 22% em 2023), o avanço das marcas ainda é considerado lento, especialmente frente aos desafios sociais e ambientais perpetuados por essa indústria.

Na seção de meio ambiente foram comparados tópicos fundamentais para direcionar a moda no combate aos impactos climáticos, como emissão de gases de efeito estufa e circularidade. Houve um aumento significativo na divulgação de emissões de gases de efeito estufa pelas marcas, passando de 17% em 2019 para 45% em 2023 (nos Escopos 1 e 2) e,

referente à cadeia de fornecimento, de 10% em 2019 para 40% em 2023 (Escopo 3). No entanto, em relação à circularidade, poucas empresas informam quantos produtos são projetados para serem reciclados ao fim da vida útil, evidenciando que práticas para a moda circular ainda estão em fase inicial, com avanços tímidos: de 6% em 2021 para 8% em 2023.

A transparência avançou em ritmo insuficiente para enfrentar as violações de direitos humanos do setor

Na seção de Direitos Humanos, são discutidos temas como direitos trabalhistas, trabalhadores migrantes e o trabalho escravo contemporâneo no setor. Dentre os temas analisados pelo Índice, o que apresentou menor crescimento em transparência ao longo dos anos foi a divulgação de informações sobre salários justos ao longo da cadeia de fornecimento. A pontuação média das marcas nesses indicadores passou de 3% em 2022 para 6% em 2023.

Quanto à igualdade de gênero e racial, notou-se que a questão racial ainda não é uma prioridade para grande parte das marcas. Embora a divulgação de programas de desenvolvimento de carreira para reduzir desigualdades de gênero internamente tenha crescido de 16% em 2021 para 27% em 2023, os programas voltados para a desigualdade racial apresentaram um aumento bem mais tímido, subindo de 6% para apenas 13% no mesmo período. Além disso, é importante destacar que a transparência sobre ações voltadas para reduzir a desigualdade de gênero e racial é mais baixa no nível da cadeia de fornecimento. Entre 2022 e 2023, a divulgação de ações com foco na promoção de igualdade de gênero nas instalações dos fornecedores passou de 5% para 7% e sobre igualdade racial e étnica passou de 2% para 3%.

Apesar de um expressivo aumento na transparência da divulgação de listas de fornecedores, mais da metade das empresas ainda não publica essas informações

Em Governança, o ITM mostrou que a transparência é impulsionada por exigências regulatórias, visto que as marcas de capital aberto tendem a ser mais transparentes sobre o tema. Das 60 marcas analisadas em 2023, 21 eram listadas em bolsas de valores, com uma pontuação média de 51%, em contraste com apenas 12% das 39 empresas de capital fechado.

A seção de Rastreabilidade foi a que apresentou o maior crescimento na pontuação média geral, passando de 12% em 2018 para 25% em 2023. Focada na divulgação das listas de fornecedores, ela abrange três níveis: fornecedores diretos, instalações de processamento e fornecedores de matéria-prima. A transparência sobre a rastreabilidade permite mapear e monitorar riscos sociais e ambientais, facilita a mitigação colaborativa de problemas e promove uma mudança real nas cadeias de fornecimento.

Para Isabella Luglio, Coordenadora do projeto, “A edição comparativa do ITMB revela que, embora tenhamos que celebrar alguns avanços da transparência do setor nos últimos anos, ainda há muito a ser feito pelas marcas para enfrentar os impactos ambientais da moda e proteger os trabalhadores mais vulneráveis ao longo da cadeia de produção. A análise das divulgações feitas nos últimos anos não só destaca o que foi realizado, mas também aponta os próximos passos necessários para cobrar transparência das marcas, pressionando-as a adotar estratégias que enfrentem a crise climática e assegurem os direitos humanos no setor”.

Para acessar as principais descobertas do Índice de Transparência da Moda – Edição Comparativa,

 acesse aqui.

Sobre o Fashion Revolution

O Fashion Revolution é um movimento global e, no Brasil, é registrado desde 2018 como uma organização da sociedade civil que luta para acelerar a transição da moda brasileira rumo à justiça social e climática, com o objetivo de ser uma força para o bem. Atuamos por meio da comunicação, educação, colaboração e mobilização.

Economia sustentável para a Amazônia

Produtos Florestais Não Madeireiros ajudam a manter a floresta em pé e fazem crescer a economia com geração de renda e emprego

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Fundamentais para a subsistência de muitas pessoas ao redor do mundo, especialmente as que vivem nas florestas e arredores, Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM), como o nome já diz, abrange tudo o que possa ser extraído da floresta e que não seja madeira. São óleos, frutos, sementes, folhas, raízes, cascas, resinas, por exemplo, que podem ser utilizados na alimentação, produção de medicamentos, cosméticos, construção de moradias, móveis, utensílios, biojóias, entre outros.

“Por ter um papel econômico, social e cultural importante para várias populações, a troca de conhecimentos relacionados à bioeconomia, sociobiodiversidade e cadeias de valor, pode ajudar bastante em um período como esse, de crescimento de demanda por esses produtos, causada pela preocupação mundial relacionada às crises climáticas”, afirma Fabiana Prado, coordenadora do Projeto LIRA, Legado Integrado da Região Amazônica, iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas. Para isso foi criado o BioForestALC, um fórum virtual com o objetivo de entender o potencial de PFNM para a bioeconomia da América Latina e Caribe, visando conectar a bioeconomia e as florestas com o desenvolvimento humano.

Segundo Fabiana, a importância do manejo e do uso desses produtos é que, sendo feito de maneira sustentável, constitui uma excelente alternativa para conservar a floresta em pé, além dos aspectos positivos sociais e econômicos. “A população se beneficia dos serviços e produtos da floresta e, ao mesmo tempo, é gerada renda com agregação de valor de uso sustentável das florestas.

Atividades preparatórias para o BioForestALC

O BioForestALC vai acontecer em março de 2022, mas as atividades relacionadas a ele foram iniciadas desde setembro de 2021. Como reuniões preparatórias envolvendo participantes de vários países, sendo a última delas realizada em 25 de novembro. Foram dois blocos, um sobre bioeconomia e políticas públicas na América Latina e Caribe e outro sobre experiências inclusivas da sociobiodiversidade.

“O que ficou evidente é que os desafios são parecidos, independentemente do país de origem e que a troca de conhecimentos, portanto, é fundamental. Outro ponto importante foi o apontamento da importância das organizações de apoio nas três experiências”, afirma Fabiana.

Serviço

Segunda reunião preparatória para o I Fórum Virtual sobre o potencial dos Produtos Florestais Não Madeireiros para uma bioeconomia da América Latina e Caribe.

Vamos falar de Bioeconomia da Floresta latino americana e caribenha?

Painel 1: Bioeconomia e as políticas públicas na América Latina e Caribe

Palestrantes do Brasil e Colômbia

Painel 2: Experiências inclusivas em Cadeias da Sociobiodiversidade na América Latina e Caribe

Experiências Da Guatemala, Suriname e Brasil

O vídeo estará disponível no Canal do Ipê

Sobre o BioForestALC

Em 2019, durante o durante o XXV Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO) realizado no Brasil, foi instituída uma Força Tarefa intitulada “Unlocking The Bioeconomy and NonTimber Forest Products”.

A Força-Tarefa envolve pesquisadores de mais de 25 países, incluindo representantes de toda a América Latina, e membros de organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que têm participado ativamente.

Nesse contexto, surgiu a proposta de organizar um e-FORUM sobre o Potencial de Produtos Florestais Não Madeireiros para a Bioeconomia Latino-americana, inspirada na Rede Temática Europeia INCREdible sobre Redes de Inovação em PFNMs do Mediterrâneo. Embora em contextos distintos, o objetivo da rede europeia, de reduzir a distância entre o conhecimento disponível em pesquisa e a inovação efetivamente implementada no setor, é também de interesse na América Latina e Caribe, especialmente, quando se pensa em desenvolver estratégias de bioeconomia inclusivas.

Assim, nasceu o BioForestALC (I Fórum Virtual sobre o Potencial dos Produtos Florestais Não Madeireiros para uma Bioeconomia da América Latina e Caribe: Conectando a bioeconomia e as florestas com o desenvolvimento humano), proposta que contempla uma série de atividades prévias realizadas a partir de setembro de 2021 e culminando na apresentação dos resultados em maio de 2022.

Sobre o LIRA

O LIRA é uma iniciativa idealizada pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Fundo Amazônia e Fundação Gordon e Betty Moore, parceiros financiadores do projeto. Os parceiros institucionais são a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Amazonas – SEMA-AM e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – IDEFLOR-Bio. O projeto abrange 34% das áreas protegidas da Amazônia, considerando 20 UCs Federais, 23 UCs Estaduais e 43 Terras Indígenas, nas regiões do Alto Rio Negro, Baixo Rio Negro, Norte do Pará, Xingu, Madeira-Purus e Rondônia-Acre. O objetivo do projeto é promover e ampliar a gestão integrada para a conservação da biodiversidade, a manutenção da paisagem e das funções climáticas e o desenvolvimento socioambiental e cultural de povos e comunidades tradicionais. Site do LIRA .

Suspeita de greenwashing no Deutsche Bank: discurso de sustentabilidade, investimentos em combustíves fósseis

Fundo subsidiário do Deutsche Bank investe em combustíveis fósseis sob o rótulo de sustentabilidade

dwsAs alegações de lavagem verde contra o Deutsche Bank e sua subsidiária de fundos DWS estão ficando cada vez mais barulhentas
Por Raphaël Schmeller para o JungeWelt

Mais uma vez, o Deutsche Bank é confrontado com alegações de greenwashing. Conforme  relatado pelo em Handelsblatt em sua edição de fim de semana, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América informou à instituição financeira de Frankfurt que pode ter violado um acordo anterior concluído em um contexto diferente em conexão com os chamados investimentos de sustentabilidade pela subsidiária do fundo DWS. O grupo não encaminhou reclamação interna ao DWS para o Ministério Público, daí a denúncia.

Especificamente, é sobre um e-mail do ex-chefe de sustentabilidade do DWS, Desiree Fixler, para o presidente do conselho de supervisão do fundo, Karl von Rohr (também membro do conselho do Deutsche Bank), no qual ela alegou a prática de greenwashing. A cópia do e-mail continha também o gerente de imprensa e sustentabilidade do banco, Jörg Eigendorf, segundo o Handelsblatt , que pôde ver a mensagem.

Em janeiro, o Deutsche Bank esclareceu os encargos legais nos Estados Unidos com um acordo de acusação, o Deferred Prosecution Agreement (DPA). A instituição pagou pouco menos de 125 milhões de dólares americanos por alegações de suborno em certas transações estrangeiras e manipulação no comércio de contratos de metais preciosos. No DPA,  o Deutsche Bank declarou que não permitiria mais nenhuma conduta indevida e que denunciaria imediatamente as possíveis violações das regras às autoridades. Em troca, a acusação foi dispensada.

O Departamento de Justiça dos EUA está agora examinando se o Deutsche Bank não deveria ter informado os supervisores imediatamente sobre o e-mail de 13 de março. Fixler, que deixou seu emprego pouco depois disso, deu uma entrevista ao Wall Street Journal em agosto, na qual ela tornou públicas as alegações de lavagem verde. Só então as autoridades norte-americanas souberam do incidente.

Se o Departamento de Justiça dos Estados Unidos chegar à conclusão de que o Deutsche Bank violou o regulamento da DPA, a instituição financeira sediada em Frankfurt poderá enfrentar encargos ou penalidades adicionais. A DWS negou as alegações de Fixler e contratou o renomado escritório de advocacia Sullivan and Cromwell de Nova York como advogados de defesa.

Enquanto isso, as acusações contra o Deutsche Bank estão ficando estão aumentando. Só na sexta-feira o NDR divulgou um estudo das organizações não-governamentais “Facing Finance” e “Urgewald”, que examinou 2.000 fundos “verdes”. Das aplicações financeiras examinadas, apenas 104 são classificadas como “não oneradas”. De acordo com o resultado, pelo menos 650 dos recursos que se autodenominam “sustentáveis” têm se mostrado direcionados a investimentos em empresas que estão entre os maiores emissores de gases de efeito estufa.

Vários fundos DWS aparecem na lista de organizações que estariam em violação dos princípios de sustentabilidade. O “Europe Energy ESG Screened ETF” é particularmente notável – o ESG significa “Environment, Social, Governance”, algo como: Environment, Social, Corporate Management. Segundo os autores do estudo, esse sistema acaba sendo um fundo de petróleo e gás, e os investimentos são feitos aqui exclusivamente em energia fóssil.

O DWS apontou para o NDR que é um fundo especial para o setor de petróleo e gás e que »os produtores de energia única convencionais, como petróleo e gás pode ser atribuído a este setor«. Além disso,  o gestor de ativos afirmou não era ilegal chamar esse fundo de “sustentável”.  

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

4 documentários incríveis sobre sustentabilidade e mudanças climáticas

As dicas abordam diferentes pontos e problemas que sofremos hoje com o meio ambiente e vão te ajudar a aumentar a consciência sobre as atitudes do dia a dia

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 Sem dúvidas, as mudanças climáticas são uma das maiores ameaças que enfrentamos como sociedade. Desde 1972, na Conferência de Estocolmo, os problemas ambientais já eram pauta. Agora, em 2021, o problema continua (e aumenta), chamando a atenção dos grandes líderes mundiais, que debatem até o dia 12 de novembro, na COP 26, a revisão das contribuições dos países para a redução da temperatura em 1,5°C até 2030.

“Os últimos 8 anos foram os mais quentes já registrados e a tendência é que isso piore se nada for feito”, aponta Gustavo Loiola, Professor de Inovação e Sustentabilidade do ISAE Escola de Negócios e Presidente da América Latina e Caribe do PRME (Princípios para Educação Executiva Responsável) da ONU. “Assistir documentários sobre sustentabilidade servem, principalmente, para termos a visão do todo e, com isso, começarmos a tomar mais consciência sobre o que está acontecendo em todo o planeta”, complementa.

Confira 4 dicas do especialista de documentários com temas relacionados a sustentabilidade:

Rompendo Barreiras

“Rompendo Barreiras” aborda uma descoberta científica de que a humanidade está empurrando o Planeta Terra para além dos limites que a mantiveram estável por 10 mil anos, desde o início da civilização. “O documentário traz uma abordagem bastante educativa, científica e clara sobre a importância de rever nossos modelos de produção e consumo, a fim de priorizar a Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris”, explica Loiola. Disponível na Netflix.

Solo Fértil

Esse documentário com narração de Woody Harrelson conta a história de um grupo revolucionário de ativistas, cientistas, agricultores e políticos que se unem em um movimento global chamado “Agricultura Regenerativa”, que tem como objetivo equilibrar nosso clima, reabastecer nosso vasto suprimento de água e alimentar o mundo. Disponível na Netflix.

Paradise em Chamas

Em setembro de 2018, um incêndio eclodiu na Califórnia, perto da cidade de Paradise. Ao longo de algumas horas, a fogueira se transformou no incêndio florestal mais mortal do país em mais de um século. Através de imagens em primeira mão do desastre e entrevistas com sobreviventes e respondedores, o documentário reconstrói as histórias de sobrevivência daquele dia. Disponível na Netflix.

A Pequena Grande Fazenda

Com o desejo de viver em melhor harmonia com a natureza e dar uma vida ao ar livre para seu cachorro, o casal Chester se muda de Los Angeles para ajudar a cuidar de uma fazenda durante oito anos junto com uma equipe voluntária e trabalhadores. “Eles transformaram um habitat inóspito em um ambiente totalmente funcional, recuperando biodiversidade da flora e fauna. Eu gosto desse documentário por trazer uma visão otimista de como regenerar ecossistemas”, finaliza Gustavo Loiola. Disponível na Globo Play.

Danone investe € 2 bilhões de euros em todo o mundo no combate às mudanças climáticas

A companhia vai acelerar as prioridades estratégicas com um plano ambicioso, colocando as ações climáticas ainda mais no centro do seu modelo de negócio

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São Paulo, julho de 2020 – Como parte da jornada em direção a neutralidade de carbono, o Grupo Danone investirá € 2 bilhões de euros nos próximos três anos para combater as mudanças climáticas através da agricultura regenerativa, eficiência energética, economia circular das embalagens e tecnologia digital, e ao mesmo tempo impulsionar o crescimento sustentável globalmente.

A Danone foi pioneira na discussão e definição de metas de emissão de carbono em toda a sua cadeia de valor há mais de dez anos. O plano busca intensificar ações globais e incluir ainda mais práticas relacionadas ao meio ambiente no centro do modelo de negócios da companhia.

Em seu segmento de águas, a Danone comprometeu-se a atingir garrafas 100% recicláveis de tereftalato de polietileno na Europa até 2025 e investirá para encontrar alternativas de embalagens aos plásticos. As opções podem incluir vidro, latas e papel. A empresa pretende tornar suas marcas Evian e Volvic na Europa totalmente neutras em carbono em 2020.

Tendo em vista a urgência da ação climática, a Danone está tomando outras medidas para conectar melhor as métricas ambientais, sociais e de governança e desempenho financeiro, começando com carbono. Para a companhia é um progresso integrar a parte social, ambiental e governamental com a performance financeira.

O “custo de carbono” inserido no relatório Financeiro aos acionistas demostra o custo de emissões de CO2 e investimentos em projetos e ações de combate as mudanças climáticas. Essa informação será divulgada no “Carbon Adjusted Earning per share” todo trimestre nos relatórios financeiros.

Danone One Planet. One Health

Para a Danone, a saúde do planeta e das pessoas estão interligadas. Nesse sentido, a empresa quer incentivar uma verdadeira Revolução Alimentar, que proporcione escolhas que façam diferença na vida das pessoas, já que cada uma delas pode construir o mundo no qual quer viver por meio de suas escolhas diárias. Por isso, é fundamental que todos os elos da cadeia produtiva sigam esta premissa e adotem práticas que tragam benefícios ao planeta como um todo. Danone One Planet. One Health.

“Todas essas iniciativas estão no DNA da companhia há décadas. “Desde a década de 70, a Danone tem no seu DNA o que chamamos de “Projeto Duplo”, que estabelece um modelo de negócio que promove o sucesso econômico vinculado ao progresso social. Por isso, contribuir no combate as mudanças climáticas é a nossa prioridade, pois pode trazer consequências sérias para o futuro de todos. Só temos um planeta e uma saúde e devemos cuidar de ambos todos os dias, para uma vida e um planeta saudável”, finaliza Cibele Zanotta, Diretora de Assuntos Corporativos Danone Brasil.

Sobre a Danone

O Grupo Danone é um dos líderes mundiais no setor de alimentos e reúne três divisões: Lácteos e bebidas à base vegetal, Danone Nutricia e Águas. Sempre de forma inovadora e saborosa, a Danone está presente em mais de 140 países nos cinco continentes, conta com mais de 100 mil colaboradores e 190 fábricas. Presente no Brasil há 50 anos, desde o lançamento do primeiro iogurte com polpa de frutas à variedade de opções dos dias de hoje, a Danone revolucionou os hábitos de consumo e conquistou o paladar dos brasileiros, consolidando-se como sinônimo não só de iogurte, mas também de nutrição, saúde, qualidade e inovação. Por meio de projetos e mobilização de parceiros (governo, entidades privadas e públicas), deseja conscientizar sobre a importância de uma dieta balanceada e a prática de atividades físicas. No Brasil o portfólio é composto por marcas de sucesso como Activia, Danoninho, Bonafont, Sustain, Souvenaid, Milnutri, FortiFit e Nutridrink entre outras.

Indústria de hedge funds prefere ativos que incorporam fatores de sustentabilidade

Um número cada vez maior de investidores está exigindo que os gestores de hedge funds incorporem fatores de sustentabilidade como os ambientais, sociais e de governança às atividades de investimento. Tais executivos agora veem esses três aspectos como algo que atende aos interesses do grupo a longo prazo, assim como os da sociedade. Essas são as principais constatações do novo relatório da KPMG intitulado “Investimento sustentável: acelerando sua evolução” (do original em inglês, Sustainable investing: fast forwarding its evolution).

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A pesquisa foi realizada com 135 investidores institucionais, gerentes de hedge fund e gerentes de investimentos em títulos de longo prazo, de 13 países, e que juntos totalizam 6,25 trilhões de dólares em ativos. O estudo mostrou que esses investidores esperam que os gestores de ativos proporcionem retornos financeiros atraentes e, ao mesmo, tempo considerem os riscos ambientais e sociais associados aos investimentos.

“A forma tradicional de investimento que leva em conta apenas o risco e o retorno está sendo reformulada para incluir os fatores ambientais, sociais e de governança. Na indústria de hedge fund, esses aspectos deixaram de ser algo interessante para ser uma obrigação”, afirmou o sócio-líder de gerenciamento de ativos da KPMG no Brasil, Lino Júnior.

O relatório apontou também que 45% dos investidores institucionais agora alocam os investimentos em hedge funds que consideram fatores ambientais, sociais e de governança porque acreditam que eles oferecem oportunidades de geração de grandes retornos e, ao mesmo tempo, uma carteira mais defensiva que enxerga além dos mercados que não priorizam a precificação dos riscos relacionados aos fatores ambientais, sociais e de governança.

Empresas de hedge funds estão avançando

Já os gestores de hedge funds disseram na pesquisa que estão avançando no ciclo de adoção normal dos fatores ambientais, sociais e de governança. Atualmente, 15% deles afirmaram que as empresas que presidem estão no estágio “maduro”, no qual os fatores ambientais, sociais e de governança estão sendo incorporados por meio de políticas, comitês, pesquisas e dados apropriados. Outros 44% estão no estágio de “em andamento”, ao passo que 31% ainda estão no estágio de “aumento da conscientização”; sendo que os 10% restantes estão no estágio de “nenhuma adoção até o momento”.

Nesse processo, três etapas principais foram implantadas pelos gerentes de hedge fund ouvidos na pesquisa: a incorporação dos fatores ambientais, sociais e de governança no processo de investimento (52%), exclusão de títulos que não se coadunam com os valores pessoais dos investidores (50%) e a participação do acionista (31%).

“A sustentabilidade irá remodelar o ecossistema dos mercados de capital e o comportamento dos participantes. Ela exige que haja uma mudança na forma pela qual os investimentos têm sido feitos historicamente”, afirmou o sócio-líder de serviços financeiros da KPMG na América do Sul, Ricardo Anhesini.

Sobre a KPMG

A KPMG é uma rede global de firmas independentes que prestam serviços profissionais de Audit, Tax e Advisory. Estamos presentes em 154 países e territórios, com 200.000 profissionais atuando em firmas-membro em todo o mundo. No Brasil, são aproximadamente 4.000 profissionais, distribuídos em 22 cidades localizadas em 13 Estados e Distrito Federal.

Orientada pelo seu propósito de empoderar a mudança, a KPMG tornou-se uma empresa referência no segmento em que atua. Compartilhamos valor e inspiramos confiança no mercado de capitais e nas comunidades há mais de 100 anos, transformando pessoas e empresas e gerando impactos positivos que contribuem para a realização de mudanças sustentáveis em nossos clientes, governos e sociedade civil.

Twitter: http://www.twitter.com/@kpmgbrasil

Site: kpmg.com.br

Linkedin: www.linkedin.com/company/kpmg-brasil

Sesc São Paulo deixa de vender água engarrada no próximo domingo e passa a oferecer água gratuita

Em suas unidades no estado de São Paulo, instituição incrementa a oferta gratuita de água filtrada em copos reutilizáveis e amplia a quantidade de bebedouros disponíveis para o público frequentador, funcionários e prestadores de serviço;

Iniciativa leva o nome “Água de Beber” e visa reduzir a geração de resíduos, além de abordar a água como um direito universal;

Expectativa é de que cerca de dois milhões de garrafas plásticas deixem de ser comercializadas nas unidades por ano

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São Paulo, 28 fevereiro de 2020 — O Sesc São Paulo (Serviço Social do Comércio), organização privada mantida por empresários do comércio, serviços e turismo, anuncia medida de dimensões socioambiental, educativa, de cidadania e de saúde. Reforçando seu compromisso de gestão responsável com o meio ambiente e as pessoas, as unidades do Sesc no estado de São Paulo deixam de vender água engarrafada sem gás a partir de 1º de março e ampliam a oferta de água filtrada e gratuita nas comedorias e estruturas de apoio às atividades desenvolvidas pela programação. Entre os principais objetivos da iniciativa, que leva o nome de “Água de Beber”, está a redução da utilização de materiais de uso único, além de conscientizar acerca do acesso gratuito à água como um direito universal.

A iniciativa integra o programa Lixo: Menos é Mais (leia mais sobre o programa abaixo) e tem como principais alicerces os benefícios à saúde, a segurança hídrica, a sustentabilidade e a cidadania. A expectativa é de que dois milhões de garrafas plásticas deixem de ser comercializadas nas unidades por ano. “A ação se destaca por seu potencial educador e por mobilizar pessoas em torno do debate da cultura da sustentabilidade. Na medida em que a relação de interdependência sociedade-natureza se coloca como um imperativo para a atuação do Sesc nos territórios em que está presente, é possível vislumbrar projetos e ações cujos arranjos estão ancorados na conservação da biodiversidade, congregando práticas de proteção do ambiente e das pessoas de forma indissociável. ”, explica Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo.

Miranda destaca a atuação do Sesc SP ao assumir seu papel de corresponsável na cadeia de geração e destinação de resíduos plásticos, amenizando os impactos socioambientais advindos de suas atividades. Assim, fortalece a responsabilidade socioambiental da instituição e orienta a formação cidadã.

Acesso de água de qualidade

Uma campanha sobre esse posicionamento está em curso e reúne diversas ações. Nas unidades, informações sobre a oferta de água gratuita e a disponibilização de copos duráveis (policarbonato – 200 ml) informam os frequentadores sobre a novidade. Há sinalização indicando os pontos de fornecimento, telas de fruição, anúncios e campanhas educativas que refletem sobre a qualidade da água, o acesso, consumo e destinação responsável de resíduos.

“A Portaria 2.914 do Ministério da Saúde dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e apresenta especificações sobre o padrão de potabilidade da água e os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade”, afirma Irimar Palombo, Coordenadora de Infraestrutura da Gerência de Engenharia e Infraestrutura do Sesc São Paulo. E complementa: “a análise é feita mensalmente, em formato de rodízio, nos pontos de consumo. Todas as unidades possuem contrato com laboratório de análise, garantindo a qualidade da água de consumo, conforme padrões indicados no decreto.”

O Sesc segue parâmetros uniformizados e tem procedimentos determinados no seu Guia de Infraestrutura, com capítulo específico para a manutenção de bebedouros. A implementação do projeto atenderá às especificidades técnicas referentes à coleta e distribuição de água em cada unidade. A higienização dos bebedouros é obrigatória, por lei, realizada semestralmente, e feita por empresa especializada.

A unidade de Campinas, no interior de São Paulo, foi a primeira a implementar o projeto de transição, em junho do ano passado. A experiência constituiu um piloto para a expansão dessa ação, com adesão gradativa das demais unidades. O Sesc Guarulhos, inaugurado no primeiro semestre de 2019, já surgiu com a prática de não venda de água sem gás em garrafa plástica. Os frequentadores sempre tiveram água livre à disposição por meio de purificadores presentes em diversos espaços da unidade. Outro precedente importante foi o encerramento do uso de canudos plásticos em todas as unidades no segundo semestre de 2018.

CONTEXTO

Com a oferta de água filtrada gratuita em suas unidades, o Sesc São Paulo se antecipa aos crescentes debates, em âmbito mundial, que estimulam o acesso à água potável como direito universal. A medida também vem ao encontro de recomendações de organismos internacionais, como a ONU, que apontam para a necessidade de redução da produção de lixo sólido.

No município, na primeira quinzena de janeiro deste ano, a prefeitura de São Paulo sancionou lei Nº 17.261, que proíbe o fornecimento de copos, pratos, talheres, agitadores para bebidas e varas para balões descartáveis feitos de material plástico aos clientes de estabelecimentos comerciais da cidade, que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2021.

Desde 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução 64/292, de 28 de julho de 2010, reconheceu o direito ao acesso à água potável e ao saneamento como direito humano essencial ao pleno desfrute da vida. Atualmente, no Brasil, o Senado discute a aprovação da PEC que inclui, na Constituição Federal, o acesso à água potável entre os direitos e garantias fundamentais. A promulgação da emenda depende ainda de aprovação.

Paralelo a isso, a atual situação do lixo no mar tem sido noticiada, com mais ênfase, nos últimos três anos. Em 2017, a ONU promoveu, na sua sede em Nova Iorque, a Conferência Sobre Oceanos, para apoiar a implementação do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 14, que tem como meta conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Nos oceanos, de acordo com a ONU, 90% dos lixos são compostos por plástico. A estimativa é que em 2050 a quantidade de plásticos na água supere a de peixes.

No Brasil, um novo Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê alterar o futuro dos lixões a céu aberto e abre caminho para aumento da participação da iniciativa privada no setor foi aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de 2019. Recém-publicado decreto presidencial adiou para 2022 (antes era dezembro de 2019) o prazo final para que os municípios brasileiros elaborem seus planos de saneamento básico.

SOBRE O PROGRAMA LIXO: MENOS É MAIS

Programa institucional de caráter educativo que estimula o envolvimento de diversos públicos – por meio de ações práticas – na busca por caminhos que promovam a sustentabilidade. Atua de maneira transversal na Instituição e promove diversas ações educativas que estimulam a reflexão sobre diferentes formas de consumo, a minimização e destinação responsável dos resíduos gerados nas atividades do Sesc, adotando princípios como a redução do uso de materiais de uso único e a geração de resíduos; a possibilidade de reutilização de materiais; a reciclagem e, por fim, a destinação responsável de todos os resíduos.

São promovidas ações educativas regulares com a temática do consumo e gestão de resíduos, como oficinas, cursos, palestras, vivências e visitas mediadas em diversas unidades do Sesc São Paulo.

Saiba+: sescsp.org.br/lixomenosemais

SOBRE O SESC SÃO PAULO

Com 73 anos de atuação no estado e 40 unidades operacionais, o Sesc São Paulo desenvolve programas e iniciativas com o objetivo de oferecer bem-estar e qualidade de vida aos trabalhadores do comércio, serviços, turismo e para toda a sociedade. Mantido pelos empresários do setor, o Sesc (Serviço Social do Comércio) é uma entidade privada que atua nas dimensões físico-esportiva, meio ambiente, saúde, odontologia, turismo social, artes, alimentação e segurança alimentar, inclusão, diversidade e cidadania. Todas as iniciativas do Sesc partem das perspectivas cultural e educativa voltadas para todas as faixas etárias, com o objetivo de contribuir para experiências mais duradouras e significativas. Todos os saberes acumulados pelo Sesc ao longo de sua trajetória tornaram-no uma referência na elaboração de políticas para as diversas áreas em que atua. São atendidas nas unidades do estado de São Paulo cerca de 30 milhões de pessoas por ano. Hoje, aproximadamente 50 organizações nacionais e internacionais do campo das artes, esportes, cultura, saúde, meio ambiente, turismo, serviço social e direitos humanos contam com representantes do Sesc São Paulo em suas instâncias consultivas e deliberativas.

Saiba+: sescsp.org.br/sobreosesc

Programação relacionada

Bate-papo

Oceano plástico

Em 32 anos os oceanos vão abrigar mais plástico do que peixes e 100% dos animais

marinhos terão se alimentado ou sofrido com as consequências do lixo no mar. Os impactos da nossa poluição nos oceanos e a urgente necessidade de uma conscientização ambiental a respeito da vida nos traz um novo olhar sobre nossos escolhas e ações. Neste bate-papo vamos entender o tamanho do problema e como podemos reverter essa situação! Com Agente de Educação Ambiental do Sesc São Paulo.

4 a 25/3. Quartas, 10h30.

Sesc Bertioga

Vivência

Nosso lixo de cada dia

Bate papo com Cooperativa de Catadores/as de Materiais Recicláveis Vida Nova, de Campo Limpo Paulista.

6/3. Sexta, 19h.

Sesc Jundiaí

Bate-papo

COMO GARANTIR O ACESSO À ÁGUA COMO DIREITO FUNDAMENTAL?

Com base no pressuposto de que o acesso à água é um direito de todos e todas, participam da mesa de debate Edson Aparecido da Silva, secretário-executivo do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas), e Edvaldo Gonçalves de Souza, coordenador estadual do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR).

24/3. Terça, 18h30.

Sesc 24 de Maio

Informações à imprensa: Conteúdo Comunicação

Startup que troca lixo por créditos busca por registro de marca para assegurar a utilização exclusiva de seu nome

Percebendo a inovação de seu negócio, o empresário da Coletando Soluções procurou pela Consolide Registro de Marcas para facilitar todo o trâmite

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O potencial de um negócio pode ser medido por meio do tamanho da dor do nicho que pretende atingir. No caso da startup de sustentabilidade e logística reversa, Coletando Soluções, o mercado nacional é imenso: hoje, o Brasil gera cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos por ano cerca de 40% desse total poderia ser reaproveitado, mas infelizmente só se recicla apenas 3% do total. São cerca de R$ 120 bilhões por ano em produtos que poderiam ser reciclados, mas são deixados no lixo, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos.

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Outra informação importante é que, de acordo com a Lei 12.305, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes devem criar mecanismos para recolher as embalagens após o uso, para destinação adequada. Junto a isso, devem implementar ações que visem retornar à cadeia produtiva entre 22% a 80%, a depender do material, de acordo com resoluções da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), que regulamenta o acordo setorial e a logística reversa.

Com um mercado tão vasto e sendo o pioneiro em um segmento pouco explorado nacionalmente, o empresário Saulo Ricci sabendo que apenas o CNPJ e o registro na Junta Comercial não são suficientes para proteger o seu legado, sentiu a necessidade de ter tranquilidade para crescer e decidiu entrar com o pedido de registro de marca logo no início de sua operação formal.

Este passo deu maior segurança para conseguir negociar com grandes corporações. “Estávamos crescendo e vimos a necessidade de dar esse passo para garantir nossa marca. Depois de pesquisas, optamos em terceirizar esse serviço por meio da Consolide Registro de Marcas, pela tranquilidade e custo benefício”, depõe. “Tínhamos a crença limitante que era um processo caro e moroso, mas com a Consolide, depois de alguns dias de negociação, passamos a entender que era o melhor custo benefício, que também nos deu maior segurança para aproximação de empresas interessadas em patrocinar o projeto”, lembra Saulo Ricci.

Saulo faz parte de uma minoria que sabe da necessidade de ter o registro de marca como a única forma de proteger a empresa legalmente de possíveis copiadores e da concorrência desleal, além de garantir ao proprietário o direito de uso exclusivo da marca em todo território nacional. Ao compararmos os dados de nascimento de empresas de janeiro à julho de 2019, que somam 1,8 milhão de novos negócios (fonte: Serasa Experian), com os dados publicados no mesmo período na RPI (Revista da Propriedade Industrial – INPI), que somam pouco mais de 125 mil pedidos de registro de marca, pode-se verificar que menos de 7% dos empresários entendem a importância do registro de marca.

Para o especialista em registro de marcas e CEO da Consolide Registro de Marcas , Alan Marcos, este é um dos processos que toda empresa, independentemente do tamanho e do momento, deveria considerar. “Dar este passo o mais cedo possível é garantir a propriedade e direito de utilização exclusiva sobre a própria marca. Afinal, ter a marca protegida é ter tranquilidade e segurança para investir no próprio negócio”, comenta Alan.

Isso porque, só é dono de uma marca quem efetivamente faz o registro dela no INPI. “Costumo dizer que investir em um negócio sem o registro da marca é a mesma coisa que construir uma casa em um terreno que não é seu. Registrar a marca é investir no próprio negócio. Nossa missão na Consolide é facilitar e ajudar os micro e pequenos empresários – o dono da padaria, de uma loja, de uma startup etc. – a terem esta tranquilidade e segurança” afirma Alan.

Sustentabilidade em foco

O empresário Saulo Ricci desenvolveu a “primeira Fintech de Economia Circular Ecológica” do País, assim autodenominada por oferecer um serviço de logística reversa totalmente sustentável, trabalhando com reciclagem de resíduos, empregabilidade, inclusão bancária e microcrédito. “A Coletando disponibiliza ecopontos itinerantes – de coleta seletiva de recicláveis – em comunidades, por meio dos quais são trocados resíduos por dinheiro, disponibilizados em uma conta digital pré-cadastrada em nome do cidadão participante, sem anuidade ou taxas. Por meio do cartão com bandeira Visa, o participante pode utilizar seu saldo em todos os estabelecimentos, compras internacionais, sites, recarga de celular e aplicativos, utilizando a moeda no pagamento da conta de Luz ao café na padaria”, explica Saulo Ricci. O tíquete mensal médio gira em torno de R$ 15 a R$ 40 reais, e entre R$ 100 a R$ 300 reais para catadores ou comerciantes que produzem ou recolhem uma quantidade maior de resíduos.

Criado a partir de um estudo da metodologia de Design Thinking, iniciou a jornada de programas e aceleradores. Mas, foi na PUC-RJ que iniciou o projeto piloto e, com investimento inicial em torno de R﹩200 mil reais, o projeto tomou forma e modelo próprio, impactando, mais de 2000 famílias e mais de 1000 consumidores cadastrados na plataforma. A Fintech verde iniciará em fevereiro de 2020 o trabalho no Morro do Alemão, na capital do Rio de Janeiro, com patrocínio Tetra Pak, ArcelorMittal, Owens Illinois e HM Engenharia.

Para o futuro, Saulo faz grandes projeções. “Pretendemos retornar mais de 150 mil de toneladas em resíduos em 2020, e faturar mais de R$ 1 milhão, consolidando-nos no mercado de logística reversa em São Paulo, Rio de Janeiro, Triângulo Mineiro e no Sul”, finaliza o CEO da marca.

Sobre a Consolide

A Consolide Registro de Marcas é uma startup iniciada em 2017 para facilitar e agilizar o processo de registro de marcas para micro e pequenos empresários e que já atingiu o número de 5,8 mil clientes em sua plataforma. A empresa tem como propósito unir tecnologia ao know how de seu corpo jurídico a fim de garantir o protocolo do processo no INPI em até um dia útil, além da garantia de um novo pedido gratuitamente, caso a primeira solicitação não tenha sido aceita. Atende todas as regiões do Brasil, sem necessidade de deslocamento do cliente e uso dos correios, uma vez que seu procedimento é 100% online. Mais informações em http://www.consolidesuamarca.com.br

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