Economia sustentável para a Amazônia

Produtos Florestais Não Madeireiros ajudam a manter a floresta em pé e fazem crescer a economia com geração de renda e emprego

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Fundamentais para a subsistência de muitas pessoas ao redor do mundo, especialmente as que vivem nas florestas e arredores, Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM), como o nome já diz, abrange tudo o que possa ser extraído da floresta e que não seja madeira. São óleos, frutos, sementes, folhas, raízes, cascas, resinas, por exemplo, que podem ser utilizados na alimentação, produção de medicamentos, cosméticos, construção de moradias, móveis, utensílios, biojóias, entre outros.

“Por ter um papel econômico, social e cultural importante para várias populações, a troca de conhecimentos relacionados à bioeconomia, sociobiodiversidade e cadeias de valor, pode ajudar bastante em um período como esse, de crescimento de demanda por esses produtos, causada pela preocupação mundial relacionada às crises climáticas”, afirma Fabiana Prado, coordenadora do Projeto LIRA, Legado Integrado da Região Amazônica, iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas. Para isso foi criado o BioForestALC, um fórum virtual com o objetivo de entender o potencial de PFNM para a bioeconomia da América Latina e Caribe, visando conectar a bioeconomia e as florestas com o desenvolvimento humano.

Segundo Fabiana, a importância do manejo e do uso desses produtos é que, sendo feito de maneira sustentável, constitui uma excelente alternativa para conservar a floresta em pé, além dos aspectos positivos sociais e econômicos. “A população se beneficia dos serviços e produtos da floresta e, ao mesmo tempo, é gerada renda com agregação de valor de uso sustentável das florestas.

Atividades preparatórias para o BioForestALC

O BioForestALC vai acontecer em março de 2022, mas as atividades relacionadas a ele foram iniciadas desde setembro de 2021. Como reuniões preparatórias envolvendo participantes de vários países, sendo a última delas realizada em 25 de novembro. Foram dois blocos, um sobre bioeconomia e políticas públicas na América Latina e Caribe e outro sobre experiências inclusivas da sociobiodiversidade.

“O que ficou evidente é que os desafios são parecidos, independentemente do país de origem e que a troca de conhecimentos, portanto, é fundamental. Outro ponto importante foi o apontamento da importância das organizações de apoio nas três experiências”, afirma Fabiana.

Serviço

Segunda reunião preparatória para o I Fórum Virtual sobre o potencial dos Produtos Florestais Não Madeireiros para uma bioeconomia da América Latina e Caribe.

Vamos falar de Bioeconomia da Floresta latino americana e caribenha?

Painel 1: Bioeconomia e as políticas públicas na América Latina e Caribe

Palestrantes do Brasil e Colômbia

Painel 2: Experiências inclusivas em Cadeias da Sociobiodiversidade na América Latina e Caribe

Experiências Da Guatemala, Suriname e Brasil

O vídeo estará disponível no Canal do Ipê

Sobre o BioForestALC

Em 2019, durante o durante o XXV Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO) realizado no Brasil, foi instituída uma Força Tarefa intitulada “Unlocking The Bioeconomy and NonTimber Forest Products”.

A Força-Tarefa envolve pesquisadores de mais de 25 países, incluindo representantes de toda a América Latina, e membros de organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que têm participado ativamente.

Nesse contexto, surgiu a proposta de organizar um e-FORUM sobre o Potencial de Produtos Florestais Não Madeireiros para a Bioeconomia Latino-americana, inspirada na Rede Temática Europeia INCREdible sobre Redes de Inovação em PFNMs do Mediterrâneo. Embora em contextos distintos, o objetivo da rede europeia, de reduzir a distância entre o conhecimento disponível em pesquisa e a inovação efetivamente implementada no setor, é também de interesse na América Latina e Caribe, especialmente, quando se pensa em desenvolver estratégias de bioeconomia inclusivas.

Assim, nasceu o BioForestALC (I Fórum Virtual sobre o Potencial dos Produtos Florestais Não Madeireiros para uma Bioeconomia da América Latina e Caribe: Conectando a bioeconomia e as florestas com o desenvolvimento humano), proposta que contempla uma série de atividades prévias realizadas a partir de setembro de 2021 e culminando na apresentação dos resultados em maio de 2022.

Sobre o LIRA

O LIRA é uma iniciativa idealizada pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Fundo Amazônia e Fundação Gordon e Betty Moore, parceiros financiadores do projeto. Os parceiros institucionais são a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Amazonas – SEMA-AM e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – IDEFLOR-Bio. O projeto abrange 34% das áreas protegidas da Amazônia, considerando 20 UCs Federais, 23 UCs Estaduais e 43 Terras Indígenas, nas regiões do Alto Rio Negro, Baixo Rio Negro, Norte do Pará, Xingu, Madeira-Purus e Rondônia-Acre. O objetivo do projeto é promover e ampliar a gestão integrada para a conservação da biodiversidade, a manutenção da paisagem e das funções climáticas e o desenvolvimento socioambiental e cultural de povos e comunidades tradicionais. Site do LIRA .

Suspeita de greenwashing no Deutsche Bank: discurso de sustentabilidade, investimentos em combustíves fósseis

Fundo subsidiário do Deutsche Bank investe em combustíveis fósseis sob o rótulo de sustentabilidade

dwsAs alegações de lavagem verde contra o Deutsche Bank e sua subsidiária de fundos DWS estão ficando cada vez mais barulhentas
Por Raphaël Schmeller para o JungeWelt

Mais uma vez, o Deutsche Bank é confrontado com alegações de greenwashing. Conforme  relatado pelo em Handelsblatt em sua edição de fim de semana, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América informou à instituição financeira de Frankfurt que pode ter violado um acordo anterior concluído em um contexto diferente em conexão com os chamados investimentos de sustentabilidade pela subsidiária do fundo DWS. O grupo não encaminhou reclamação interna ao DWS para o Ministério Público, daí a denúncia.

Especificamente, é sobre um e-mail do ex-chefe de sustentabilidade do DWS, Desiree Fixler, para o presidente do conselho de supervisão do fundo, Karl von Rohr (também membro do conselho do Deutsche Bank), no qual ela alegou a prática de greenwashing. A cópia do e-mail continha também o gerente de imprensa e sustentabilidade do banco, Jörg Eigendorf, segundo o Handelsblatt , que pôde ver a mensagem.

Em janeiro, o Deutsche Bank esclareceu os encargos legais nos Estados Unidos com um acordo de acusação, o Deferred Prosecution Agreement (DPA). A instituição pagou pouco menos de 125 milhões de dólares americanos por alegações de suborno em certas transações estrangeiras e manipulação no comércio de contratos de metais preciosos. No DPA,  o Deutsche Bank declarou que não permitiria mais nenhuma conduta indevida e que denunciaria imediatamente as possíveis violações das regras às autoridades. Em troca, a acusação foi dispensada.

O Departamento de Justiça dos EUA está agora examinando se o Deutsche Bank não deveria ter informado os supervisores imediatamente sobre o e-mail de 13 de março. Fixler, que deixou seu emprego pouco depois disso, deu uma entrevista ao Wall Street Journal em agosto, na qual ela tornou públicas as alegações de lavagem verde. Só então as autoridades norte-americanas souberam do incidente.

Se o Departamento de Justiça dos Estados Unidos chegar à conclusão de que o Deutsche Bank violou o regulamento da DPA, a instituição financeira sediada em Frankfurt poderá enfrentar encargos ou penalidades adicionais. A DWS negou as alegações de Fixler e contratou o renomado escritório de advocacia Sullivan and Cromwell de Nova York como advogados de defesa.

Enquanto isso, as acusações contra o Deutsche Bank estão ficando estão aumentando. Só na sexta-feira o NDR divulgou um estudo das organizações não-governamentais “Facing Finance” e “Urgewald”, que examinou 2.000 fundos “verdes”. Das aplicações financeiras examinadas, apenas 104 são classificadas como “não oneradas”. De acordo com o resultado, pelo menos 650 dos recursos que se autodenominam “sustentáveis” têm se mostrado direcionados a investimentos em empresas que estão entre os maiores emissores de gases de efeito estufa.

Vários fundos DWS aparecem na lista de organizações que estariam em violação dos princípios de sustentabilidade. O “Europe Energy ESG Screened ETF” é particularmente notável – o ESG significa “Environment, Social, Governance”, algo como: Environment, Social, Corporate Management. Segundo os autores do estudo, esse sistema acaba sendo um fundo de petróleo e gás, e os investimentos são feitos aqui exclusivamente em energia fóssil.

O DWS apontou para o NDR que é um fundo especial para o setor de petróleo e gás e que »os produtores de energia única convencionais, como petróleo e gás pode ser atribuído a este setor«. Além disso,  o gestor de ativos afirmou não era ilegal chamar esse fundo de “sustentável”.  

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

4 documentários incríveis sobre sustentabilidade e mudanças climáticas

As dicas abordam diferentes pontos e problemas que sofremos hoje com o meio ambiente e vão te ajudar a aumentar a consciência sobre as atitudes do dia a dia

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 Sem dúvidas, as mudanças climáticas são uma das maiores ameaças que enfrentamos como sociedade. Desde 1972, na Conferência de Estocolmo, os problemas ambientais já eram pauta. Agora, em 2021, o problema continua (e aumenta), chamando a atenção dos grandes líderes mundiais, que debatem até o dia 12 de novembro, na COP 26, a revisão das contribuições dos países para a redução da temperatura em 1,5°C até 2030.

“Os últimos 8 anos foram os mais quentes já registrados e a tendência é que isso piore se nada for feito”, aponta Gustavo Loiola, Professor de Inovação e Sustentabilidade do ISAE Escola de Negócios e Presidente da América Latina e Caribe do PRME (Princípios para Educação Executiva Responsável) da ONU. “Assistir documentários sobre sustentabilidade servem, principalmente, para termos a visão do todo e, com isso, começarmos a tomar mais consciência sobre o que está acontecendo em todo o planeta”, complementa.

Confira 4 dicas do especialista de documentários com temas relacionados a sustentabilidade:

Rompendo Barreiras

“Rompendo Barreiras” aborda uma descoberta científica de que a humanidade está empurrando o Planeta Terra para além dos limites que a mantiveram estável por 10 mil anos, desde o início da civilização. “O documentário traz uma abordagem bastante educativa, científica e clara sobre a importância de rever nossos modelos de produção e consumo, a fim de priorizar a Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris”, explica Loiola. Disponível na Netflix.

Solo Fértil

Esse documentário com narração de Woody Harrelson conta a história de um grupo revolucionário de ativistas, cientistas, agricultores e políticos que se unem em um movimento global chamado “Agricultura Regenerativa”, que tem como objetivo equilibrar nosso clima, reabastecer nosso vasto suprimento de água e alimentar o mundo. Disponível na Netflix.

Paradise em Chamas

Em setembro de 2018, um incêndio eclodiu na Califórnia, perto da cidade de Paradise. Ao longo de algumas horas, a fogueira se transformou no incêndio florestal mais mortal do país em mais de um século. Através de imagens em primeira mão do desastre e entrevistas com sobreviventes e respondedores, o documentário reconstrói as histórias de sobrevivência daquele dia. Disponível na Netflix.

A Pequena Grande Fazenda

Com o desejo de viver em melhor harmonia com a natureza e dar uma vida ao ar livre para seu cachorro, o casal Chester se muda de Los Angeles para ajudar a cuidar de uma fazenda durante oito anos junto com uma equipe voluntária e trabalhadores. “Eles transformaram um habitat inóspito em um ambiente totalmente funcional, recuperando biodiversidade da flora e fauna. Eu gosto desse documentário por trazer uma visão otimista de como regenerar ecossistemas”, finaliza Gustavo Loiola. Disponível na Globo Play.

Danone investe € 2 bilhões de euros em todo o mundo no combate às mudanças climáticas

A companhia vai acelerar as prioridades estratégicas com um plano ambicioso, colocando as ações climáticas ainda mais no centro do seu modelo de negócio

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São Paulo, julho de 2020 – Como parte da jornada em direção a neutralidade de carbono, o Grupo Danone investirá € 2 bilhões de euros nos próximos três anos para combater as mudanças climáticas através da agricultura regenerativa, eficiência energética, economia circular das embalagens e tecnologia digital, e ao mesmo tempo impulsionar o crescimento sustentável globalmente.

A Danone foi pioneira na discussão e definição de metas de emissão de carbono em toda a sua cadeia de valor há mais de dez anos. O plano busca intensificar ações globais e incluir ainda mais práticas relacionadas ao meio ambiente no centro do modelo de negócios da companhia.

Em seu segmento de águas, a Danone comprometeu-se a atingir garrafas 100% recicláveis de tereftalato de polietileno na Europa até 2025 e investirá para encontrar alternativas de embalagens aos plásticos. As opções podem incluir vidro, latas e papel. A empresa pretende tornar suas marcas Evian e Volvic na Europa totalmente neutras em carbono em 2020.

Tendo em vista a urgência da ação climática, a Danone está tomando outras medidas para conectar melhor as métricas ambientais, sociais e de governança e desempenho financeiro, começando com carbono. Para a companhia é um progresso integrar a parte social, ambiental e governamental com a performance financeira.

O “custo de carbono” inserido no relatório Financeiro aos acionistas demostra o custo de emissões de CO2 e investimentos em projetos e ações de combate as mudanças climáticas. Essa informação será divulgada no “Carbon Adjusted Earning per share” todo trimestre nos relatórios financeiros.

Danone One Planet. One Health

Para a Danone, a saúde do planeta e das pessoas estão interligadas. Nesse sentido, a empresa quer incentivar uma verdadeira Revolução Alimentar, que proporcione escolhas que façam diferença na vida das pessoas, já que cada uma delas pode construir o mundo no qual quer viver por meio de suas escolhas diárias. Por isso, é fundamental que todos os elos da cadeia produtiva sigam esta premissa e adotem práticas que tragam benefícios ao planeta como um todo. Danone One Planet. One Health.

“Todas essas iniciativas estão no DNA da companhia há décadas. “Desde a década de 70, a Danone tem no seu DNA o que chamamos de “Projeto Duplo”, que estabelece um modelo de negócio que promove o sucesso econômico vinculado ao progresso social. Por isso, contribuir no combate as mudanças climáticas é a nossa prioridade, pois pode trazer consequências sérias para o futuro de todos. Só temos um planeta e uma saúde e devemos cuidar de ambos todos os dias, para uma vida e um planeta saudável”, finaliza Cibele Zanotta, Diretora de Assuntos Corporativos Danone Brasil.

Sobre a Danone

O Grupo Danone é um dos líderes mundiais no setor de alimentos e reúne três divisões: Lácteos e bebidas à base vegetal, Danone Nutricia e Águas. Sempre de forma inovadora e saborosa, a Danone está presente em mais de 140 países nos cinco continentes, conta com mais de 100 mil colaboradores e 190 fábricas. Presente no Brasil há 50 anos, desde o lançamento do primeiro iogurte com polpa de frutas à variedade de opções dos dias de hoje, a Danone revolucionou os hábitos de consumo e conquistou o paladar dos brasileiros, consolidando-se como sinônimo não só de iogurte, mas também de nutrição, saúde, qualidade e inovação. Por meio de projetos e mobilização de parceiros (governo, entidades privadas e públicas), deseja conscientizar sobre a importância de uma dieta balanceada e a prática de atividades físicas. No Brasil o portfólio é composto por marcas de sucesso como Activia, Danoninho, Bonafont, Sustain, Souvenaid, Milnutri, FortiFit e Nutridrink entre outras.

Indústria de hedge funds prefere ativos que incorporam fatores de sustentabilidade

Um número cada vez maior de investidores está exigindo que os gestores de hedge funds incorporem fatores de sustentabilidade como os ambientais, sociais e de governança às atividades de investimento. Tais executivos agora veem esses três aspectos como algo que atende aos interesses do grupo a longo prazo, assim como os da sociedade. Essas são as principais constatações do novo relatório da KPMG intitulado “Investimento sustentável: acelerando sua evolução” (do original em inglês, Sustainable investing: fast forwarding its evolution).

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A pesquisa foi realizada com 135 investidores institucionais, gerentes de hedge fund e gerentes de investimentos em títulos de longo prazo, de 13 países, e que juntos totalizam 6,25 trilhões de dólares em ativos. O estudo mostrou que esses investidores esperam que os gestores de ativos proporcionem retornos financeiros atraentes e, ao mesmo, tempo considerem os riscos ambientais e sociais associados aos investimentos.

“A forma tradicional de investimento que leva em conta apenas o risco e o retorno está sendo reformulada para incluir os fatores ambientais, sociais e de governança. Na indústria de hedge fund, esses aspectos deixaram de ser algo interessante para ser uma obrigação”, afirmou o sócio-líder de gerenciamento de ativos da KPMG no Brasil, Lino Júnior.

O relatório apontou também que 45% dos investidores institucionais agora alocam os investimentos em hedge funds que consideram fatores ambientais, sociais e de governança porque acreditam que eles oferecem oportunidades de geração de grandes retornos e, ao mesmo tempo, uma carteira mais defensiva que enxerga além dos mercados que não priorizam a precificação dos riscos relacionados aos fatores ambientais, sociais e de governança.

Empresas de hedge funds estão avançando

Já os gestores de hedge funds disseram na pesquisa que estão avançando no ciclo de adoção normal dos fatores ambientais, sociais e de governança. Atualmente, 15% deles afirmaram que as empresas que presidem estão no estágio “maduro”, no qual os fatores ambientais, sociais e de governança estão sendo incorporados por meio de políticas, comitês, pesquisas e dados apropriados. Outros 44% estão no estágio de “em andamento”, ao passo que 31% ainda estão no estágio de “aumento da conscientização”; sendo que os 10% restantes estão no estágio de “nenhuma adoção até o momento”.

Nesse processo, três etapas principais foram implantadas pelos gerentes de hedge fund ouvidos na pesquisa: a incorporação dos fatores ambientais, sociais e de governança no processo de investimento (52%), exclusão de títulos que não se coadunam com os valores pessoais dos investidores (50%) e a participação do acionista (31%).

“A sustentabilidade irá remodelar o ecossistema dos mercados de capital e o comportamento dos participantes. Ela exige que haja uma mudança na forma pela qual os investimentos têm sido feitos historicamente”, afirmou o sócio-líder de serviços financeiros da KPMG na América do Sul, Ricardo Anhesini.

Sobre a KPMG

A KPMG é uma rede global de firmas independentes que prestam serviços profissionais de Audit, Tax e Advisory. Estamos presentes em 154 países e territórios, com 200.000 profissionais atuando em firmas-membro em todo o mundo. No Brasil, são aproximadamente 4.000 profissionais, distribuídos em 22 cidades localizadas em 13 Estados e Distrito Federal.

Orientada pelo seu propósito de empoderar a mudança, a KPMG tornou-se uma empresa referência no segmento em que atua. Compartilhamos valor e inspiramos confiança no mercado de capitais e nas comunidades há mais de 100 anos, transformando pessoas e empresas e gerando impactos positivos que contribuem para a realização de mudanças sustentáveis em nossos clientes, governos e sociedade civil.

Twitter: http://www.twitter.com/@kpmgbrasil

Site: kpmg.com.br

Linkedin: www.linkedin.com/company/kpmg-brasil

Sesc São Paulo deixa de vender água engarrada no próximo domingo e passa a oferecer água gratuita

Em suas unidades no estado de São Paulo, instituição incrementa a oferta gratuita de água filtrada em copos reutilizáveis e amplia a quantidade de bebedouros disponíveis para o público frequentador, funcionários e prestadores de serviço;

Iniciativa leva o nome “Água de Beber” e visa reduzir a geração de resíduos, além de abordar a água como um direito universal;

Expectativa é de que cerca de dois milhões de garrafas plásticas deixem de ser comercializadas nas unidades por ano

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São Paulo, 28 fevereiro de 2020 — O Sesc São Paulo (Serviço Social do Comércio), organização privada mantida por empresários do comércio, serviços e turismo, anuncia medida de dimensões socioambiental, educativa, de cidadania e de saúde. Reforçando seu compromisso de gestão responsável com o meio ambiente e as pessoas, as unidades do Sesc no estado de São Paulo deixam de vender água engarrafada sem gás a partir de 1º de março e ampliam a oferta de água filtrada e gratuita nas comedorias e estruturas de apoio às atividades desenvolvidas pela programação. Entre os principais objetivos da iniciativa, que leva o nome de “Água de Beber”, está a redução da utilização de materiais de uso único, além de conscientizar acerca do acesso gratuito à água como um direito universal.

A iniciativa integra o programa Lixo: Menos é Mais (leia mais sobre o programa abaixo) e tem como principais alicerces os benefícios à saúde, a segurança hídrica, a sustentabilidade e a cidadania. A expectativa é de que dois milhões de garrafas plásticas deixem de ser comercializadas nas unidades por ano. “A ação se destaca por seu potencial educador e por mobilizar pessoas em torno do debate da cultura da sustentabilidade. Na medida em que a relação de interdependência sociedade-natureza se coloca como um imperativo para a atuação do Sesc nos territórios em que está presente, é possível vislumbrar projetos e ações cujos arranjos estão ancorados na conservação da biodiversidade, congregando práticas de proteção do ambiente e das pessoas de forma indissociável. ”, explica Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo.

Miranda destaca a atuação do Sesc SP ao assumir seu papel de corresponsável na cadeia de geração e destinação de resíduos plásticos, amenizando os impactos socioambientais advindos de suas atividades. Assim, fortalece a responsabilidade socioambiental da instituição e orienta a formação cidadã.

Acesso de água de qualidade

Uma campanha sobre esse posicionamento está em curso e reúne diversas ações. Nas unidades, informações sobre a oferta de água gratuita e a disponibilização de copos duráveis (policarbonato – 200 ml) informam os frequentadores sobre a novidade. Há sinalização indicando os pontos de fornecimento, telas de fruição, anúncios e campanhas educativas que refletem sobre a qualidade da água, o acesso, consumo e destinação responsável de resíduos.

“A Portaria 2.914 do Ministério da Saúde dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e apresenta especificações sobre o padrão de potabilidade da água e os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade”, afirma Irimar Palombo, Coordenadora de Infraestrutura da Gerência de Engenharia e Infraestrutura do Sesc São Paulo. E complementa: “a análise é feita mensalmente, em formato de rodízio, nos pontos de consumo. Todas as unidades possuem contrato com laboratório de análise, garantindo a qualidade da água de consumo, conforme padrões indicados no decreto.”

O Sesc segue parâmetros uniformizados e tem procedimentos determinados no seu Guia de Infraestrutura, com capítulo específico para a manutenção de bebedouros. A implementação do projeto atenderá às especificidades técnicas referentes à coleta e distribuição de água em cada unidade. A higienização dos bebedouros é obrigatória, por lei, realizada semestralmente, e feita por empresa especializada.

A unidade de Campinas, no interior de São Paulo, foi a primeira a implementar o projeto de transição, em junho do ano passado. A experiência constituiu um piloto para a expansão dessa ação, com adesão gradativa das demais unidades. O Sesc Guarulhos, inaugurado no primeiro semestre de 2019, já surgiu com a prática de não venda de água sem gás em garrafa plástica. Os frequentadores sempre tiveram água livre à disposição por meio de purificadores presentes em diversos espaços da unidade. Outro precedente importante foi o encerramento do uso de canudos plásticos em todas as unidades no segundo semestre de 2018.

CONTEXTO

Com a oferta de água filtrada gratuita em suas unidades, o Sesc São Paulo se antecipa aos crescentes debates, em âmbito mundial, que estimulam o acesso à água potável como direito universal. A medida também vem ao encontro de recomendações de organismos internacionais, como a ONU, que apontam para a necessidade de redução da produção de lixo sólido.

No município, na primeira quinzena de janeiro deste ano, a prefeitura de São Paulo sancionou lei Nº 17.261, que proíbe o fornecimento de copos, pratos, talheres, agitadores para bebidas e varas para balões descartáveis feitos de material plástico aos clientes de estabelecimentos comerciais da cidade, que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2021.

Desde 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução 64/292, de 28 de julho de 2010, reconheceu o direito ao acesso à água potável e ao saneamento como direito humano essencial ao pleno desfrute da vida. Atualmente, no Brasil, o Senado discute a aprovação da PEC que inclui, na Constituição Federal, o acesso à água potável entre os direitos e garantias fundamentais. A promulgação da emenda depende ainda de aprovação.

Paralelo a isso, a atual situação do lixo no mar tem sido noticiada, com mais ênfase, nos últimos três anos. Em 2017, a ONU promoveu, na sua sede em Nova Iorque, a Conferência Sobre Oceanos, para apoiar a implementação do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 14, que tem como meta conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Nos oceanos, de acordo com a ONU, 90% dos lixos são compostos por plástico. A estimativa é que em 2050 a quantidade de plásticos na água supere a de peixes.

No Brasil, um novo Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê alterar o futuro dos lixões a céu aberto e abre caminho para aumento da participação da iniciativa privada no setor foi aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de 2019. Recém-publicado decreto presidencial adiou para 2022 (antes era dezembro de 2019) o prazo final para que os municípios brasileiros elaborem seus planos de saneamento básico.

SOBRE O PROGRAMA LIXO: MENOS É MAIS

Programa institucional de caráter educativo que estimula o envolvimento de diversos públicos – por meio de ações práticas – na busca por caminhos que promovam a sustentabilidade. Atua de maneira transversal na Instituição e promove diversas ações educativas que estimulam a reflexão sobre diferentes formas de consumo, a minimização e destinação responsável dos resíduos gerados nas atividades do Sesc, adotando princípios como a redução do uso de materiais de uso único e a geração de resíduos; a possibilidade de reutilização de materiais; a reciclagem e, por fim, a destinação responsável de todos os resíduos.

São promovidas ações educativas regulares com a temática do consumo e gestão de resíduos, como oficinas, cursos, palestras, vivências e visitas mediadas em diversas unidades do Sesc São Paulo.

Saiba+: sescsp.org.br/lixomenosemais

SOBRE O SESC SÃO PAULO

Com 73 anos de atuação no estado e 40 unidades operacionais, o Sesc São Paulo desenvolve programas e iniciativas com o objetivo de oferecer bem-estar e qualidade de vida aos trabalhadores do comércio, serviços, turismo e para toda a sociedade. Mantido pelos empresários do setor, o Sesc (Serviço Social do Comércio) é uma entidade privada que atua nas dimensões físico-esportiva, meio ambiente, saúde, odontologia, turismo social, artes, alimentação e segurança alimentar, inclusão, diversidade e cidadania. Todas as iniciativas do Sesc partem das perspectivas cultural e educativa voltadas para todas as faixas etárias, com o objetivo de contribuir para experiências mais duradouras e significativas. Todos os saberes acumulados pelo Sesc ao longo de sua trajetória tornaram-no uma referência na elaboração de políticas para as diversas áreas em que atua. São atendidas nas unidades do estado de São Paulo cerca de 30 milhões de pessoas por ano. Hoje, aproximadamente 50 organizações nacionais e internacionais do campo das artes, esportes, cultura, saúde, meio ambiente, turismo, serviço social e direitos humanos contam com representantes do Sesc São Paulo em suas instâncias consultivas e deliberativas.

Saiba+: sescsp.org.br/sobreosesc

Programação relacionada

Bate-papo

Oceano plástico

Em 32 anos os oceanos vão abrigar mais plástico do que peixes e 100% dos animais

marinhos terão se alimentado ou sofrido com as consequências do lixo no mar. Os impactos da nossa poluição nos oceanos e a urgente necessidade de uma conscientização ambiental a respeito da vida nos traz um novo olhar sobre nossos escolhas e ações. Neste bate-papo vamos entender o tamanho do problema e como podemos reverter essa situação! Com Agente de Educação Ambiental do Sesc São Paulo.

4 a 25/3. Quartas, 10h30.

Sesc Bertioga

Vivência

Nosso lixo de cada dia

Bate papo com Cooperativa de Catadores/as de Materiais Recicláveis Vida Nova, de Campo Limpo Paulista.

6/3. Sexta, 19h.

Sesc Jundiaí

Bate-papo

COMO GARANTIR O ACESSO À ÁGUA COMO DIREITO FUNDAMENTAL?

Com base no pressuposto de que o acesso à água é um direito de todos e todas, participam da mesa de debate Edson Aparecido da Silva, secretário-executivo do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas), e Edvaldo Gonçalves de Souza, coordenador estadual do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR).

24/3. Terça, 18h30.

Sesc 24 de Maio

Informações à imprensa: Conteúdo Comunicação

Startup que troca lixo por créditos busca por registro de marca para assegurar a utilização exclusiva de seu nome

Percebendo a inovação de seu negócio, o empresário da Coletando Soluções procurou pela Consolide Registro de Marcas para facilitar todo o trâmite

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O potencial de um negócio pode ser medido por meio do tamanho da dor do nicho que pretende atingir. No caso da startup de sustentabilidade e logística reversa, Coletando Soluções, o mercado nacional é imenso: hoje, o Brasil gera cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos por ano cerca de 40% desse total poderia ser reaproveitado, mas infelizmente só se recicla apenas 3% do total. São cerca de R$ 120 bilhões por ano em produtos que poderiam ser reciclados, mas são deixados no lixo, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos.

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Outra informação importante é que, de acordo com a Lei 12.305, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes devem criar mecanismos para recolher as embalagens após o uso, para destinação adequada. Junto a isso, devem implementar ações que visem retornar à cadeia produtiva entre 22% a 80%, a depender do material, de acordo com resoluções da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), que regulamenta o acordo setorial e a logística reversa.

Com um mercado tão vasto e sendo o pioneiro em um segmento pouco explorado nacionalmente, o empresário Saulo Ricci sabendo que apenas o CNPJ e o registro na Junta Comercial não são suficientes para proteger o seu legado, sentiu a necessidade de ter tranquilidade para crescer e decidiu entrar com o pedido de registro de marca logo no início de sua operação formal.

Este passo deu maior segurança para conseguir negociar com grandes corporações. “Estávamos crescendo e vimos a necessidade de dar esse passo para garantir nossa marca. Depois de pesquisas, optamos em terceirizar esse serviço por meio da Consolide Registro de Marcas, pela tranquilidade e custo benefício”, depõe. “Tínhamos a crença limitante que era um processo caro e moroso, mas com a Consolide, depois de alguns dias de negociação, passamos a entender que era o melhor custo benefício, que também nos deu maior segurança para aproximação de empresas interessadas em patrocinar o projeto”, lembra Saulo Ricci.

Saulo faz parte de uma minoria que sabe da necessidade de ter o registro de marca como a única forma de proteger a empresa legalmente de possíveis copiadores e da concorrência desleal, além de garantir ao proprietário o direito de uso exclusivo da marca em todo território nacional. Ao compararmos os dados de nascimento de empresas de janeiro à julho de 2019, que somam 1,8 milhão de novos negócios (fonte: Serasa Experian), com os dados publicados no mesmo período na RPI (Revista da Propriedade Industrial – INPI), que somam pouco mais de 125 mil pedidos de registro de marca, pode-se verificar que menos de 7% dos empresários entendem a importância do registro de marca.

Para o especialista em registro de marcas e CEO da Consolide Registro de Marcas , Alan Marcos, este é um dos processos que toda empresa, independentemente do tamanho e do momento, deveria considerar. “Dar este passo o mais cedo possível é garantir a propriedade e direito de utilização exclusiva sobre a própria marca. Afinal, ter a marca protegida é ter tranquilidade e segurança para investir no próprio negócio”, comenta Alan.

Isso porque, só é dono de uma marca quem efetivamente faz o registro dela no INPI. “Costumo dizer que investir em um negócio sem o registro da marca é a mesma coisa que construir uma casa em um terreno que não é seu. Registrar a marca é investir no próprio negócio. Nossa missão na Consolide é facilitar e ajudar os micro e pequenos empresários – o dono da padaria, de uma loja, de uma startup etc. – a terem esta tranquilidade e segurança” afirma Alan.

Sustentabilidade em foco

O empresário Saulo Ricci desenvolveu a “primeira Fintech de Economia Circular Ecológica” do País, assim autodenominada por oferecer um serviço de logística reversa totalmente sustentável, trabalhando com reciclagem de resíduos, empregabilidade, inclusão bancária e microcrédito. “A Coletando disponibiliza ecopontos itinerantes – de coleta seletiva de recicláveis – em comunidades, por meio dos quais são trocados resíduos por dinheiro, disponibilizados em uma conta digital pré-cadastrada em nome do cidadão participante, sem anuidade ou taxas. Por meio do cartão com bandeira Visa, o participante pode utilizar seu saldo em todos os estabelecimentos, compras internacionais, sites, recarga de celular e aplicativos, utilizando a moeda no pagamento da conta de Luz ao café na padaria”, explica Saulo Ricci. O tíquete mensal médio gira em torno de R$ 15 a R$ 40 reais, e entre R$ 100 a R$ 300 reais para catadores ou comerciantes que produzem ou recolhem uma quantidade maior de resíduos.

Criado a partir de um estudo da metodologia de Design Thinking, iniciou a jornada de programas e aceleradores. Mas, foi na PUC-RJ que iniciou o projeto piloto e, com investimento inicial em torno de R﹩200 mil reais, o projeto tomou forma e modelo próprio, impactando, mais de 2000 famílias e mais de 1000 consumidores cadastrados na plataforma. A Fintech verde iniciará em fevereiro de 2020 o trabalho no Morro do Alemão, na capital do Rio de Janeiro, com patrocínio Tetra Pak, ArcelorMittal, Owens Illinois e HM Engenharia.

Para o futuro, Saulo faz grandes projeções. “Pretendemos retornar mais de 150 mil de toneladas em resíduos em 2020, e faturar mais de R$ 1 milhão, consolidando-nos no mercado de logística reversa em São Paulo, Rio de Janeiro, Triângulo Mineiro e no Sul”, finaliza o CEO da marca.

Sobre a Consolide

A Consolide Registro de Marcas é uma startup iniciada em 2017 para facilitar e agilizar o processo de registro de marcas para micro e pequenos empresários e que já atingiu o número de 5,8 mil clientes em sua plataforma. A empresa tem como propósito unir tecnologia ao know how de seu corpo jurídico a fim de garantir o protocolo do processo no INPI em até um dia útil, além da garantia de um novo pedido gratuitamente, caso a primeira solicitação não tenha sido aceita. Atende todas as regiões do Brasil, sem necessidade de deslocamento do cliente e uso dos correios, uma vez que seu procedimento é 100% online. Mais informações em http://www.consolidesuamarca.com.br

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By  PiaR COMUNICAÇÃO | ASSESSORIA DE IMPRENSA
 http://www.piarcomunicacao.com.br

A Prumo Logística e suas apresentações corporativas: ler, não deve sempre ser crer

O blog do professor Roberto Moraes traz hoje (13/08) uma interessante análise do perfil corporativo e da situação financeira da Prumo Logística Global, a atual controladora do Porto do Açu (Aqui!). Considero a análise do professor Moraes bastante pertinente e indico a leitura do que ele abordou a todos os que se interessam pelo assunto. 

De minha parte decidi analisar um dos materiais utilizados pelo professor Moraes para construir sua análise a partir de um aspecto específico, e que eu já abordei aqui faz pouco, o da sustentabilidade socioambiental do empreendimento.

Vejamos uma primeira figura que foi colocada pela Prumo Logística em uma apresentação corporativa que foi liberada neste mês de Agosto.

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Qual é a problema da imagem abaixo? É que tendo a construção do Porto do Açu sido iniciada em 2009 e completada em 2014, a evolução positiva nos diversos indicadores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que aparecem na figura não possui qualquer relação objetiva com o empreendimento. Na verdade, e qualquer estudioso neófito da nossa região sabe, esta evolução está ligada ao aporte dos royalties do petróleo nos cofres municipais de São João da Barra, o que se deu a partir de 1998. 

Assim, ao deixar implícito que o Porto do Açu tem algo a ver com a evolução do IDH de São João da Barra quando sua construção mal havia sido iniciada, a Prumo Logística efetivamente força a mão. A questão aqui não é nem questionar esse fato objetivo, mas o porquê do uso deste artifício.  O uso de um raciocínio minimamente lógico indicará que a possível razão é a ausência de fatos concretos para colocar na apresentação que possam vislumbrar ganhos efetivos para a população de São João da Barra. Aliás, basta percorrer as comunidades localizadas no entorno do Porto do Açu para se ver que o contrário é verdadeiro.

Agora, partamos para um segundo slide incluído na apresentação corporativa da Prumo Logística, aquele que repete as loas a um suposto programa de enriquecimento vegetal que estaria sendo realizado na RPPN Fazenda Caruara.

prumo 2

Notem que eu circulei o valor de mudas produzidas que teria alcançado o astronômico número de 800 mil. De cara, tendo manejado um projeto de recuperação florestal na Amazônia ocidental, eu diria que uma grande possibilidade num esforço dessa escala é o aparecimento de doenças nos próprios viveiros (nurseries). Mas deixando essa possibilidade de lado, voltemos às imagens que já foram postadas aqui neste blog e que mostram a situação de campo do propalado esforço de enriquecimento vegetal da RPPN Fazenda Caruara.

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Assim, dadas as taxas de perdas que as imagens indicam ser, o que significa objetivamente a produção de 800.000 mil mudas? Nada ou praticamente nada, visto que o esforço de enriquecimento vegetal começa e não termina no interior dos viveiros. E adiciono, de nada adianta, se as mudas não forem cuidadas após o seu plantio, e de forma extensiva no caso da RPPN Caruara, onde as condições ambientais não são indutoras a uma alta taxa de sobrevivência, caso isto não seja feito.

De quebra, ao conversar com um colega que participou de parcerias na RPPN Fazenda Caruara durante o período em que o Porto do Açu era controlado pela LL(X), ele me informou que o esforço de cooperação não foi renovado após a entrada da Prumo Logística como controladora do empreendimento! Assim, é que quem ler a lista de iniciativas desenvolvidas pela Prumo Logística na área ambiental (Aqui!) deverá fazer isto tomando a frase “A Prumo também realizou parcerias com universidades e instituições de pesquisa, como o Instituto Jardim Botânico do Rio de Janeiro e a Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense) para o estudo científico da restinga e desenvolvimento de pesquisas relacionadas aos ecossistemas costeiros” em seu valor de face, qual seja, uma coisa do passado. 

E qual é então o moral da estória? É que se o leitor dessas apresentações corporativas for um investidor efetivamente preocupado com a mitigação dos impactos socioambientais do Porto do Açu, a melhor postura será de fazer a leitura com olhos de águia. Do contrário, ficará sob o risco de se ver enredado nas mesmas dificuldades que ocorreram com apresentações de mesmo naipe que eram realizadas pelo Grupo EBX. Simples assim!

Fortalecimento da agricultura familiar na Amazônia?

As fantásticas oportunidades propiciadas pelas riquezas naturais da Amazônia caíram como uma luva na agenda desenvolvimentista do governo central. Nesse projeto, os agricultores familiares participam nas franjas, quando integrados aos grandes empreendimentos capitalistas de agroenergias e commodities agropecuárias

Por Gérson Teixeira

 

(Homem navega em rio da Amazônia, região definida como fronteira energética do país com base na hidreletricidade)

Entendemos como agricultores familiares na Amazônia aqueles com traços sociais constitutivos do campesinato em seus termos clássicos, que mantêm condutas econômicas por vezes influenciadas por fatores estranhos à racionalidade capitalista, pautadas nas interações entre economia, tradições e meio natural, com a dominância do trabalho da família no processo produtivo. Eles são um amplo mosaico social de agricultores na Amazônia, internamente diferenciados pelas origens e pelos graus de inserção nos mercados e de integração com a natureza.

O último Censo Agropecuário do IBGE, de 2006, identificou cerca de 700 mil estabelecimentos familiares (86% do total) ocupando uma área de 25,4 milhões de hectares (22% da área total dos estabelecimentos). Os estabelecimentos familiares na Amazônia correspondiam naquela data a 16% e 32%, respectivamente, do número e área dos estabelecimentos familiares do Brasil.

Admite-se que esses agricultores resistem, sobrevivem, residualmente prosperem, num ambiente de gigantescos e seculares contrastes e iniquidades, não superados até a presente data; pelo contrário.De um lado, convivem em um ambiente de fabulosas riquezas naturais distribuídas num vasto território de 514 milhões de hectares. De outro, enfrentam cada vez mais restrições ao acesso a essas riquezas, incluindo a terra.

Particularmente desde meados da década passada,a Amazônia passou a ser alvo de vultosos fluxos de capital,produtivo e especulativo,atraídos pelas potencialidades da região no suprimento dos aquecidos mercados de commodities agropecuárias, florestais,e minerais.

O impulso predatórioda expansão desses empreendimentos associado aos vazamentos da renda líquida regional típicos dos ciclos econômicos do passado seriam enfrentados: (i) pela consolidação da democracia no país com desdobramentos no fortalecimento da consciência ambiental; e (ii) pelopapel estratégico internacionalmente creditado à floresta amazônica para o enfrentamento dosdesafios sistêmicos globais. Incluem-se nesses desafios: o quadro das mudanças climáticas, a preservação da biodiversidade e, de modo subjacente, a funcionalidade da região aos esforços pela garantia da segurança alimentar.

Esses argumentos não impediram a prevalência da agenda do neodesenvolvimentismo em curso, o que tem resultado na expansão acelerada dos grandes projetos agropecuários, florestais e minerais, para o que colabora enormemente o quadro de frouxidão regulatória em torno da ocupação territorial pelo agronegócio,como atestam a recente aprovação do novo Código Florestal e a persistência da inexistência prática de limites e controles na posse da terra por pessoas estrangeiras.

A Amazônia também foi definida como a grande fronteira energética do país com base na hidreletricidade. Os profundos impactos negativos desses projetos nos planos ambiental, social, econômico e cultural desarticulam vastos segmentos da agricultura familiar e outros grupos sociais sensíveis.

Mesmo ações recentes de proteção ambiental, como cotas de reserva legal e títulos de carbono, se destacam muito mais por constituírem ativos de atrativos mercados com repercussões de monta sobre a estrutura fundiária e sobre o controle pelo capital externo dos recursos naturais de modo geral.

As fantásticas oportunidades propiciadas pelas riquezas naturais da Amazônia, nos planos interno e externo, caíram como uma luva na agenda desenvolvimentista do governo central. Nesse projeto, os agricultores familiares participam nas franjas, quando integrados aos grandes empreendimentos capitalistas de agroenergias e commodities agropecuárias.

Nas circunstâncias recentes de restauração e consolidação da democracia, não caberiamais a escala das permissividades do projeto levado a cabo no passado, em especial pelos governos militares com a Operação Amazônia da década de 1970. Mas as bases e a ambição do atual projeto de integração profunda da Amazônia à economia global nem de longe encontram similares na história da Amazônia desde as políticas de integração.

Em termos sintéticos, a dimensão rural da estratégia regional busca, entre outros pontos, asegurança jurídica na posse da terra para os empreendimentos capitalistas, o que vem sendo perseguido com o Programa Terra Legal (Lei n.11.952/2009), em que pese sua versão final menos ousada em relação à proposta original graças às ações dos movimentos sociais. Consta que está em estudo no governo a recuperação do texto original. Pretende-se também a flexibilização da legislação ambiental, o que em grande parte foi obtido com a aprovação do novo Código Florestal.

Para ampliar a competitividade nos mercados asiáticos das commodities há a convergência das obras rodoviárias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com as da Iniciativa para a Integração daInfraestrutura Regional Sul-Americana(IIRSA), para possibilitar a saída pelo Pacífico, principalmente via Peru.

Abandono da produção dos alimentos básicos

Sob esse forte cerco do capital pelo controle da floresta e do carbono, da água, dos minérios; enfim, do território, deve ser feita a reflexão sobre o eventual fortalecimento da agricultura familiar na Amazônia.

Na região Norte, o Censo Agropecuário de 2006 revelou indicadores socioeconômicos da agricultura de base familiar na Amazônia que suplantavam os da agricultura não familiar. Em 2006, o valor das receitas obtidas pelos estabelecimentos agropecuários com produtos vegetais (Norte) foi de R$ 3 bilhões. Desse total, a agricultura familiar participou com 60%.

Do conjunto das atividades agrícolas e não agrícolas processadas no interior dos estabelecimentos agropecuários da região Norte, a agricultura familiar, no quesito geração de renda, só não liderou na atividade do turismo rural. Tomando toda a Amazônia Legal, os estabelecimentos familiares respondiam por 82% do total de 3 milhões de pessoas ocupadas na atividade agropecuária regional. No Brasil, essa proporção em 2006 foi de 74%.

Em aparente contraste com as adversidades da realidade antes descrita, as políticas de transferência de renda e de fomento produtivo, notadamente o crédito e as compras institucionais, colocadas em práticas desde 2003, tenderiam a amenizar o severo quadro que pressiona a agricultura familiar na Amazônia. Na verdade, se apresentam como contrapartida para a miniaturização do programa de reforma agrária em nome da garantia da governabilidade.

Quanto ao fomento produtivo, a oferta de recursos para o crédito rural na Amazônia aumentou de forma expressiva. De acordo com o Banco Central, em 2002 os financiamentos para os agricultores familiares na Amazônia via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) envolveram 73 mil contratos e o valor de R$ 280 milhões. Em 2012, o número de contratos saltou para 184 mil, mobilizando R$ 2 bilhões. Foram desenvolvidos mercados institucionais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que têm crescido de forma continuada, em que pese suas escalas relativamente ainda pouco significativasvis-à-vis o universo dos agricultores familiares na Amazônia. Junto com outras ações federais na área da comercialização e da recuperação dos serviços de assistência técnica, tais medidas geram impactos positivos na economia camponesa em geral.

Contudo, ante a impossibilidade de uma avaliação mais consistente da evolução recente da economia agrícola de base familiar, é possível pinçar alguns indícios preocupantes, de cunho qualitativo.

Primeiro, cumpre destacar, no caso do financiamento produtivo, que ele tem atendido também a demandas de empresários que não se enquadram no critério de pertencer à agricultura familiar. O potencial econômico degenerativo do elevado grau do endividamento desses agricultores junto ao Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) vem sendo administrado por medidas de repactuações sucessivas. Os dados mais recentes (out. 2011) mostram que, na área de abrangência do FNO, o saldo das dívidas rurais alcançava R$ 19,5 bilhões, dos quais mais de R$ 13 bilhões já haviam sido lançados como prejuízo de acordo com dados do Ministério da Fazenda.

Segundo, a exemplo do fenômeno observado no plano nacional, o crédito, incluindo o programa Mais Alimentos, que financia máquinas, está concebido para servir de vetor do processo de modernização conservadora da agricultura familiar na Amazônia.

Há a indução da replicagem, no universo ainda não “modernizado” desse segmento, dos padrões de organização e gestão da agricultura do agronegócio, o que passa pela disseminação da matriz tecnológica da “revolução verde”. É a modernização conservadora tardia da agricultura familiar.

O que reputo particularmente preocupante do resultado desse esforço de enquadramento da economia camponesa na região à dinâmica do agronegócio tem sido o progressivo abandono, por essas pequenas unidades produtivas, da produção dos alimentos básicos da dieta da população. Exceto na área amazônica do Maranhão, o número de contratos de custeio de arroz, feijão e mandioca na região, com recursos do Pronaf, declinou 57% de 2002 para 2012, conforme dados do Banco Central.

Uma tendência está estabelecida: o enfraquecimento do protagonismo desse segmento na produção de alimentos básicos, o que desde sempre tem sido o atributo político distintivo do papel social da agricultura familiar. Trata-se de um processo que se manifesta em nível nacional, o que explica a pressão dos preços dos alimentos no atual repique do processo inflacionário no Brasil.

Gerson Teixeira é Presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra).

Ilustração: Cordel Imagem / Sambaphoto

FONTE:https://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1563