The Intercept publica matéria prevendo possível “crash” das bolsas mundiais

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Em outra excelente matéria, o site “The Intercept” analisa a atual situação das bolsas mundiais e do grave risco que ocorra um novo crash nos moldes daquele que ocorreu em 1929.

Esse tipo de análise é fundamental para que entendamos, entre outras coisas, porque a burguesia brasileira está neste momento realizando uma série de ataques virulentos contra os direitos dos trabalhadores, a começar pelo tal “Manifesto Brasil 200 anos” impulsionado pelo proprietário das Lojas Riachuelo, Flávio Rocha [1].

Entender o que está acontecendo nas bolsas mundiais e ligar esse processo às tentativas de obter uma completa regressão nos direitos dos trabalhadores brasileiros é uma tarefa fundamental neste momento.

Por fim, quero ressaltar o papel da mídia corporativa no processo de desinformação que grassa em relação às bolsas mundiais. Assistindo à programação da Globo News que tratava desse assunto, uma “analista” global tentou gerar algum otimismo ao afirmar que “as bolsas são uma coisa e a economia real é outra” e que não haveria assim motivos para pânico. Nâo é à toa que prefiro assistir canais internacionais como a Rede CNN para tentar entender o que está realmente acontecendo na economia mundial. É que por aqui na mídia corporativa brasileira a miséria intelectual é profunda demais para se levar a sério o que é dito pelos “analistas” de plantão.

O MUNDO JÁ ESQUECEU AS LIÇÕES DE 2008: UM GRANDE CRASH NAS BOLSAS VEM AÍ E VAI SER MUITO PIOR

NEW YORK, NY - FEBRUARY 2: Traders and financial professionals work on the floor of the New York Stock Exchange (NYSE) at the closing bell, February 2, 2018 in New York City. The Dow dropped 250 points at the open on Friday morning. The Dow plunged over 660 points on Friday, marking its biggest one day plunge since June 2016 following the Brexit vote. (Photo by Drew Angerer/Getty Images)

Por Alexandre Rodrigues

QUATRO TRILHÕES DE DÓLARES sumiram das bolsas de valores no mundo todo na última segunda. A queda do Dow Jones foi a pior em seis anos. O índice que reúne as 100 principais empresas da bolsa de Londres não via números tão ruins em dez meses. Mesmo a resiliente Bovespa, que sobe até depois da nota de crédito do Brasil ser rebaixada, caiu 2,5%. Nesta quinta-feira, nova porrada, com quedas expressivas – chamadas de mini-crash – nas principais bolsas do mundo. Em apenas dois pregões, a prática se mostrou muito diferente do que foi dito no frio de Davos, duas semanas atrás, quando a elite financeira mundial proclamou 2018 o ano do otimismo. Os mercados deram um sinal de que não é bem assim.

Como definir o que virá quando tudo virar de pernas pro ar? “Vai ser agonizante”, aposta Forester.

A queda é um indicativo do que parece cada vez mais inevitável, estamos próximos de um crash nas bolsas mundiais, de proporções ainda não mensuráveis. Na terça-feira, analistas passaram o dia tentando entender o derretimento dos mercados com seus humores confusos e não parecem ter chegado a conclusão nenhuma.

Há pelo menos dois anos, não só os pessimistas de sempre, mas também os menos alarmistas como o gestor suíço Marc Faber e o americano Tom Forester, alertam que uma nova crise vem aí. Michael Burry, que adivinhou o estouro da bolha imobiliária americana em 2008 e é interpretado por Christian Bale no filme “A Grande Aposta”, é outro.

Como definir o que virá quando tudo virar de pernas pro ar? “Vai ser agonizante”, aposta Forester.

Questionado sobre o que acontecerá, o mega investidor Jim Rogers disse: “quando as coisas começam a ficar realmente ruins, as pessoas vão ligar e dizer: ‘Você deve me salvar. É civilização ocidental. Ele vai entrar em colapso’. E o banco central americano, formado por burocratas e políticos, dirá: ‘Bem, é melhor fazer alguma coisa’. E eles vão tentar, mas não vai funcionar dessa vez”.

Os profetas de bolhas

Há dois tipos de profetas das bolhas, os que, como um relógio quebrado, apostam o tempo todo que as coisas vão piorar e acertam de vez em quando e aqueles com menos previsões, mas um índice maior de acertos. Todos os nomes citados acima estão no segundo grupo, mas, para alegria de quem ganha dinheiro, os mercados evitam até agora armadilhas como a crise das bolsas chinesas de 2015-2016, mantendo a alta. O problema está em como isso vem se sustentando.

É como dopar um camundongo. É lógico que ele vai correr mais rápido, mas uma hora o coração explode.

Desde a quebra do banco americano Lehman Brothers, em 2008, com todo o sistema em perigo, os governos de George W. Bush e Barack Obama e também de outros países injetaram 9 trilhões de dólares de dinheiro público na economia mundial, assumindo os riscos do sistema bancário enquanto os bancos centrais em toda parte jogavam as taxas de juros no chão. Deu certo – dinheiro barato e sem risco, como não? Os Estados Unidos saíram do coma em 2009. A recuperação foi lenta, mas chegou.

O mercado? O índice Dow Jones mais que dobrou. Nasdaq subiu 50% só nos últimos três anos. Quando a bolha imobiliária estourou, Netflix, Spotify, AirBnb e Uber (pode botar nesse grupo o Facebook) sequer existiam ou eram empresas das quais quase ninguém tinha ouvido falar, mas contaram com o dinheiro fácil e juros baixos para crescer. Alphabet (dona do Google), Apple, Microsoft e Amazon se tornaram as empresas mais valiosas da história.

Enquanto isso, os juros continuam baixos e notícias como o corte de impostos, aprovado em dezembro por Donald Trump, além de beneficiar os mais ricos, dobram a aposta do estímulo para as empresas. Nessa turma não tem ninguém defendendo disciplina. Em Davos, o FMI elogiou a renúncia fiscal, assim como o organizador do Fórum, Klaus Schwab, alegando que ela vai impulsionar a economia mundial. E não importa quanta bobagem Trump faça na Casa Branca ou diga no Twitter: as bolsas sobem forte desde sua posse.

Brasileiros conhecem bem essa situação.

As economias crescem e a alta das bolsas do mundo todo – a exemplo dos últimos PIBs da ex-presidente Dilma Rousseff – são sustentadas no dinheiro farto e numa taxa de juros ultra baixa, e não numa boa gestão. É como dopar um camundongo. É lógico que ele vai correr mais rápido, mas uma hora o coração explode. Mesmo assim, tudo o que políticos e investidores não querem é parar com o doping.

Sobe, desce, sobe, despenca

Então começam as instabilidades. Em 2006, eu era um dos milhares de pequenos investidores que surfavam com as poucas economias que tinham na bolha das commodities. A Bovespa não parava de subir. Lá pela metade do ano, começaram do nada uns pregões muito tensos e isso esmigalhava os nervos de todo mundo. Os fóruns de discussões enlouqueciam. Abundavam as teses, mas ninguém tinha respostas pra nada. Aí o frisson passava e parecia que tudo voltava ao normal, como foi o caso do começo dessa semana. A Bovespa recuperou na terça quase tudo o que perdeu na segunda.

Olhando para trás, foram os primeiros sinais de que algo que todo mundo tentava ignorar – uma bolha imobiliária nos Estados Unidos – não era brincadeira. Vinha nova alta, tudo era mais ou menos esquecido, então a próxima queda era mais forte. Quando ficou claro que a bolha estourou, o mundo inteiro estava em ponto de pânico.

É assim que funciona

Robert Schiller, professor da Universidade de Yale e ganhador do prêmio Nobel de Economia, estudou a “segunda-feira negra” de outubro de 1987, quando a bolsa americana caiu 20% em um dia. Milhares de questionários foram enviados a investidores dias depois do pânico perguntando a eles o que aconteceu.

Basicamente, como agora, a economia não passava confiança e se espalhou a certeza de que uma hora a bolsa ia cair. Na hora certa, todo mundo saiu correndo. Schiller acha que por enquanto a bolha é pequena, mas tem alertado sem parar que o risco se compara ao de 1929, quando a bolsa quebrou.

O problema de adivinhar quando uma bolha estoura é que – como a bolha de sabão – as financeiras nem sempre se comportam como deveriam. Mas nada nos impede de especular (é o que se faz nas bolsas, afinal). Os cálculos vão de uma queda de 18%, considerada normal, à previsão de que as ações vão perder metade ou mesmo 80% do valor. E há as catástrofes limítrofes do caos, como um crash igual ao da segunda-feira negra de Schiller até a quebra da bolsa como em 1929.

Não deve chegar a tanto, hoje o mercado é muito mais regulado. Mas, olhando o tamanho das quedas dessa semana, um recuo de 50% basta para evaporar mais de 40 trilhões de dólares e jogar o mundo inteiro no caos.

Por enquanto, apenas confetes

Em Davos, com uma ou outra voz discordante, não teve discurso para alertar que as economias estão indefesas. Enquanto se joga confete, as taxas de juros estão no chão e numa nova crise não haverá onde cortar. No caso do Brasil, em 2008, quando o efeito do estouro da bolha imobiliária chegou aqui, a dívida pública era de 53% do PIB. Lula entrou gastando e a crise recuou. Esse ano, chegará a quase 75% e subindo…

Aqui e lá fora os mercados sabem de tudo, mas jogam com o medo alheio. A explicação oficial é que os países ainda estão frágeis para se cortar os estímulos, e há certa razão nisso. Com os bancos centrais enfronhados nas economias, a hora de sair é uma aposta incerta. E, se algo der errado, a economia americana hoje tem no comando pessoas que ninguém sabe se são capazes para enfrentar crises.

Um recuo de 50% basta para evaporar mais de 40 trilhões de dólares e jogar o mundo inteiro no caos.

Mas agora, pelo menos nos Estados Unidos, o mercado vê o Fed, o BC local, obrigado a agir. Pela primeira vez em dez anos os salários aumentaram. Boa notícia. Até pouco tempo a recuperação não tinha tocado na desigualdade americana. O país já vive o pleno emprego, fazendo as empresas precisarem pagar mais para contratar e permitindo que as pessoas possam ir para vagas melhores.

Com salários mais altos, mais dinheiro circula, o consumo aumenta e vem a inflação. O processo natural é aumentar a taxa de juros e conter o crescimento agora, mas evitar a crise pior depois, o que Dilma não fez e olha onde viemos parar. Desde 2015, o Fed aumenta os juros americanos, mas devagar, para não atrapalhar a economia. O previsto é que os EUA vão crescer 1,5% ao ano nos próximos dez anos. A metade do que é hoje.

Os últimos dados indicam que, com salários maiores, o processo deve se acelerar, o que aumentará o rendimento dos títulos do governo americano, cotado pela taxa de juros, roubando dinheiro do mercado de ações.

Em geral, é o fim da festa nas bolsas e a razão por que vamos ver muitos dias de ânimos sensíveis. Segurem-se nas poltronas.

Imagem em destaque: Corretores na bolsa de Nova York em 2 de feve

FONTE: https://theintercept.com/2018/02/09/crash-queda-bolsas-pior-2008/


[1] http://felipevieira.com.br/site/tag/manifesto-brasil-200-anos/

The Intercept Brasil lança o “Malta Files” e joga mais luz sobre os processos de evasão fiscal e lavagem de dinheiro por políticos e empresas brasileiros

O site The Intercept lançou hoje uma série composta por 3 artigos assinados pelos jornalistas Ruben Berta, Lúcio de Castro e Andrew Fishman sobre um  levantamento realizado pelo consórcio European Investigative Collaborations (EIC), que reúne 14 veículos de comunicação e 48 jornalistas de 16 países.  Os artigos mostram os meandros que envolvem as dezenas de milhares de firmas criadas em Malta nos últimos 20 anos, incluindo várias corporações brasileiras, e que estão envolvidas na evasão de recursos e lavagem de dinheiro.  O material também joga luz sobre a atuação de algumas figurinhas carimbadas da Lava Jato como José Dirceu e o onipresente ex (des) governador do Rio de Janeiro, o hoje presidiário Sérgio Cabral.

Para quem quiser ler este interessante material, basta clicar  (Aqui!)

The Intercept de Glenn Greenwald agora tem versão brasileira

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O jornalista Glenn Greenwald que trouxe à luz o caso do ex-analista do National Security Agency (NSA), Edward Snowden, tem se tornado um verdadeiro espinho na garganta da mídia corporativa brasileira, ao abordar de forma apurada a forma pela qual os acontecimentos políticos recentes são apresentados pelos maiores de comunicação brasileiros.

O caso mais recente foi o da exposição da manipulação feita pelo jornal Folha de São Paulo com dados do DataFolha sobre a popularidade do presidente interino Michel Temer que se mostrou um vexame total para a empresa de comunicação da família Frias (Aqui!).

Pois bem,  Glenn Greenwald parece ter gostado tanto da experiência que agora resolveu lançar uma versão brasileria do seu site “The Intercept”  que ele denominou “The Intercept Brasil (Aqui!).

Acho essa ideia de Greenwald excelente, pois estamos mesmo necessitados de alguém que mostre a realidade política em que o Brasil está imerso com a qualidade e profundidade analítica que o nosso momento requer.

Quer saber como vivem, agem e mandam os bilionários brasileiros? Leia o livro de Alex Cuadros “Brazillionaires”

Graças ao jornalista Glenn Greenwald e uma entrevista com o jornalista Alex Cuadros que acaba de ser publicada pelo site “The Intercept”, vamos poder saber mais sobre como vivem, agem e mandam os bilionários brasileiros (Aqui!)

brazillionaires

Como um dos personagens do livro é o ex-bilionário Eike Batista, este é o que Greenwald chamou de um “must read”. Eu, até por meus interesses de pesquisa sempre resvalarem na epopeia de Batista, já comprei a minha cópia.

The Intercept:Enquanto a corrupção assombra o Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment

(To see the English version of this article, click here.)

O impeachment da presidente do Brasil democraticamente eleita, Dilma Rousseff, foi inicialmente conduzido por grandes protestos de cidadãos que demandavam seu afastamento. Embora a mídia dominante do país glorificasse incessantemente (e incitasse) estes protestos de figurino verde-e-amarelo como um movimento orgânico de cidadania, surgiram, recentemente, evidências de que os líderes dos protestos foram secretamente pagos e financiados por partidos da oposição. Ainda assim, não há dúvidas de que milhões de brasileiros participaram nas marchas que reivindicavam a saída de Dilma, afirmando que eram motivados pela indignação com a presidente e com a corrupção de seu partido.

Mas desde o início, havia inúmeras razões para duvidar desta história e perceber que estes manifestantes, na verdade, não eram (em sua maioria) opositores da corrupção, mas simplesmente dedicados a retirar do poder o partido de centro-esquerda que ganhou quatro eleições consecutivas. Como reportado pelos meios de mídia internacionais, pesquisas mostraram que os manifestantes não eram representativos da sociedade brasileira mas, ao invés disso, eram desproporcionalmente brancos e ricos: em outras palavras, as mesmas pessoas que sempre odiaram e votaram contra o PT. Como dito pelo The Guardian, sobre o maior protesto no Rio: “a multidão era predominantemente branca, de classe média e predisposta a apoiar a oposição”. Certamente, muitos dos antigos apoiadores do PT se viraram contra Dilma – com boas razões – e o próprio PT tem estado, de fato, cheio de corrupção. Mas os protestos eram majoritariamente compostos pelos mesmos grupos que sempre se opuseram ao PT.

É esse o motivo pelo qual uma foto – de uma família rica e branca num protesto anti-Dilma seguida por sua babá de fim de semana negra, vestida com o uniforme branco que muitos ricos  no Brasil fazem seus empregados usarem – se tornou viral: porque ela captura o que foram estes protestos. E enquanto esses manifestantes corretamente denunciavam os escândalos de corrupção no interior do PT – e há muitos deles – ignoravam amplamente os políticos de direita que se afogavam em escândalos muitos piores que as acusações contra Dilma.

Claramente, essas marchas não eram contra a corrupção, mas contra a democracia: conduzidas por pessoas cujas visões políticas são minoritárias e cujos políticos preferidos perdem quando as eleições determinam quem comanda o Brasil. E, como pretendido, o novo governo tenta agora impor uma agenda de austeridade e privatização que jamais seria ratificado se a população tivesse sua voz ouvida (a própria Dilma impôs medidas de austeridade depois de sua reeleição em 2014, após ter concorrido contra eles).

Depois das enormes notícias de ontem sobre o Brasil, as evidências de que estes protestos foram uma farsa são agora irrefutáveis. Um executivo do petróleo e ex-senador do partido conservador de oposição, o PSDB, Sérgio Machado, declarou em seu acordo de delação premiada que Michel Temer – presidente interino do Brasil que conspirou para remover Dilma – exigiu R$1,5 milhões em propinas para a campanha do candidato de seu partido à prefeitura de São Paulo (Temer nega a informação). Isso vem se somar a vários outros escândalos de corrupção nos quais Temer está envolvido, bem como sua inelegibilidade se candidatar a qualquer cargo (incluindo o que por ora ocupa) por 8 anos, imposta pelo TRE por conta de violações da lei sobre os gastos de campanha.

E tudo isso independentemente de como dois dos novos ministros de Temer foram forçados a renunciar depois que gravações revelaram que eles estavam conspirando para barrar a investigação na qual eram alvos, incluindo o que era seu ministro anticorrupção e outro – Romero Jucá, um de seus aliados mais próximos em Brasília – que agora foi acusado por Machado de receber milhões em subornos. Em suma, a pessoa cujas elites brasileiras – em nome da “anticorrupção” – instalaram para substituir a presidente democraticamente eleita está sufocando entre diversos e esmagadores escândalos de corrupção.

Mas os efeitos da notícia bombástica de ontem foram muito além de Temer, envolvendo inúmeros outros políticos que estiveram liderando a luta pelo impeachment contra Dilma. Talvez o mais significante seja Aécio Neves, o candidato de centro-direita do PSDB derrotado por Dilma em 2014 e quem, como Senador, é um dos líderes entre os defensores do impeachment. Machado alegou que Aécio – que também já havia estado envolvido em escândalos de corrupçãorecebeu e controlou R$ 1 milhão em doações ilegais de campanha. Descrever Aécio como figura central para a visão política dos manifestantes é subestimar sua importância. Por cerca de um ano, eles popularizaram a frase “Não é minha culpa: eu votei no Aécio”; chegaram a fazer camisetas e adesivos que orgulhosamente proclamavam isso:

Evidências de corrupção generalizada entre a classe política brasileira – não só no PT mas muito além dele – continuam a surgir, agora envolvendo aqueles que antidemocraticamente tomaram o poder em nome do combate a ela. Mas desde o impeachment de Dilma, o movimento de protestos desapareceu. Por alguma razão, o pessoal do “Vem Pra Rua” não está mais nas ruas exigindo o impeachment de Temer, ou a remoção de Aécio, ou a prisão de Jucá. Porque será? Para onde eles foram?

Podemos procurar, em vão, em seu website e sua página no Facebook por qualquer denúncia, ou ainda organização de protestos, voltados para a profunda e generalizada corrupção do governo “interino” ou qualquer dos inúmeros políticos que não sejam da esquerda. Eles ainda estão promovendo o que esperam que seja uma marcha massiva no dia 31 de julho, mas que é focada no impeachment de Dilma, e não no de Temer ou de qualquer líder da oposição cuja profunda corrupção já tenha sido provada. Sua suposta indignação com a corrupção parece começar – e terminar – com a Dilma e o PT.

Neste sentido, esse movimento é de fato representativo do próprio impeachment: usou a corrupção como pretexto para os fins antidemocráticos que logrou atingir. Para além de outras questões, qualquer processo que resulte no empoderamento de alguém como Michel Temer, Romero Jucá e Aécio Neves tem muitos objetivos: a luta contra a corrupção nunca foi um deles.

* * * * *

No mês passado, o primeiro brasileiro ganhador do Prêmio Pulitzer, o fotojornalista Mauricio Lima, denunciou o impeachment como um “golpe”com a TV Globo em seu centro. Ontem à noite, como convidado no show de Chelsea Handler no Netflix, o ator popular Wagner Moura denunciou isso em termos similares, dizendo que a cobertura da mídia nacional  foi“extremamente limitada” porque “pertence a cinco famílias”.

FONTE: https://theintercept.com/2016/06/16/enquanto-a-corrupcao-assombra-o-temer-caem-as-mascaras-dos-movimentos-pro-impeachment/

The Intercept faz correção editorial após divulgação das gravações de Jucá: há um golpe em curso no Brasil

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O site “The Intercept” que é impulsionado pelo jornalista Glenn Greenwald acaba de publicar um interessante artigo intitulado ” New Political Earthquake in Brazil: is it Now Time for Media Outlets to Call this a “Coup”?”, ou em bom português “Novo terremoto político no Brazil: chegou o momento da mídia de chamar isto de um golpe?” (Aqui!).

O artigo assinado pelos jornalistas Glenn Greewald, Andrew Fishman e David Miranda aborda as múltiplas ramificações do conteúdo das gravações liberadas da conversa (ou seria trama explícita) entre o senador Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Para Greenwald, Fishman e Miranda, o mistério que perdura neste momento é sobre quando será que a mídia corporativa brasileira vai, finalmente, reconhecer que o que está em curso no Brasil é um golpe de Estado destinado a circunscrever as punições da Lava Jato ao PT.  Interessante notar que os três declararam que até o momento o “The Intercept”, como a maioria dos veículos internacional, estava evitando usar a palavra “golpe”, mas que, diante das revelações trazidas pela conversa de Jucá com Machado, terá que fazer uma correção editorial para chamar o golpe do que ele é, um golpe. É que segundo eles, o que transpira das conversas de Jucá com Machado “parece, soa e cheira como um golpe”.

E não é que parece, soa e cheira como um golpe!?

 

 

The Intercept libera novos documentos secretos entregues por Edward Snowden

O site The Intercept, que tem o jornalista Glenn Greenwald como  um dos seus principais colaboradores, liberou hoje um novo conjunto de arquivos contendo documentos secretos entregues pelo ex-técnico da National Security Agency (NSA) dos EUA, Edward Snowden.

Os arquivos contém tópicos relacionados ao papel da NSA nos interrogatórios de prisioneiros pelas forças militares e de inteligência dos EUA, à Guerra do Iraque, à chamada Guerra ao Terror, e ao uso da internet e de aparelhos móveis de comunicação. 

O acesso a estes arquivos é, por um lado, uma demonstração de que as formas de controle que existem às informações sensíveis geradas por organizações estatais não são completamente intransponíveis. Por outro, este acesso deverá oferecer uma série de novas revelações bombásticas sobre os métodos de ação da NSA e, por extensão, dos órgãos de inteligência dos EUA.

Quem quiser ter acesso aos arquivos liberados hoje pelo “The Intercept”, basta clicar  (Aqui!).