O doce revisitar de promessas… o caso da Educação na campanha de Rafael Diniz

rafael-diniz

A cidade de Campos dos Goytacazes amanhece hoje em meio ao caos provocado pelo trancamento dos seus principais acessos viários.  A razão é a ação de motoristas de vans que continuam inconformados com as modificações incompreensíveis que foram realizadas pelo governo Rafael Diniz em um sistema de transporte público que era um dos principais pilares do seu projeto de “mudança”.

Pois bem, procurando em meu computador por algum outro tipo de promessa de melhoria estrutural que o então vereador Rafael Diniz, encontrei um vídeo com as metas que seriam alcançadas na área da Educação.

Eu convido aos leitores do vídeo que assistam ao vídeo e comentem na caixa de comentários do blog sobre suas impressões sobre as realizações do governo Rafael Diniz na educação. E por que não em outras áreas críticas como, por exemplo, o do transporte público.

Rafael Diniz, um prefeito que só finge investir na participação popular

caos planejado

Filas gigantescas e atraso: bem vindo de volta ao passado no primeiro dia do novo plano de mobilidade de Campos dos Goytacazes.

Um caos mais do que previsível no que já era um precário sistema público de transportes está se confirmando e tornando a vida de milhares de cidadãos campistas um verdadeiro inferno.  Para aqueles que moram em localidades mais distantes o início da implantação do chamado “Plano de Mobilidade Sustentável” está sendo tão impactante que muitas pessoas estão simplesmente desistindo de tentar se deslocar para seus locais de trabalho.

Um exemplo dessa dificuldade brutal é a localidade de Morro do Coco onde foram alocados apenas dois veículos na parte da manhã, transformando a viagem até os pontos modais uma verdadeira epopeia. Pessoas com quem já conversei reclamam dos impactos trazidos pelo início improvisado do novo sistema.  É como se quem desenhou o novo modelo esteja pouco se lixando com a vida dos que efetivamente terão de utilizar o sistema público de transportes, coisa que não se aplica a quem propôs e implantou um novo modelo sem consultar os principais interessados que são os usuários.

Mas improvisação e descuido não me parecem ser elementos acidentais dentro do governo do jovem prefeito Rafael Diniz. Na verdade, não parece ser um problema de improvisação, mas de um modelo de apartação social em que os burocratas de plantão se preocupam mais com seus aliados políticos dentro de um grupo seleto de empresários de ônibus do que com elegeu um prefeito que prometia mudar para melhor tudo o que estava errado na gestão da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes.

Um perfeito exemplo de que a forma com que foi conduzida a formulação do novo plano de mobilidade do município foram as chamadas plenárias do Plano de Mobilidade Social (PMS) que foram realizadas  nos dias  21,  28 e 29 de março de 2019 em local e horário que impossibilitaram a presença de um número maior de pessoas (ver imagem abaixo).

plano de mobilidade sustentavelPlenárias do Plano de Mobilidade Sustentável realizadas nos dias  21,  28 e 29 de março de 2019.

A escolha de local e horário, bem como da divulgação restrita, transformam as tais plenárias em um simulacro de participação popular onde um grupo restrito de pessoas ouviram as falas dos responsáveis pelo PMS.  Tivesse o prefeito Rafael Diniz um real interesse de permitir a participação popular, ele teria requisitado espaços mais amplos como  o próprio plenário da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, mas optou de forma aparentemente deliberada por não fazê-lo.

A questão é que o jovem prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais até hoje não demonstraram nenhuma preocupação com construir mecanismos efetivos de participação popular. E isto é mais do que compreensível, pois este é um governo que optou por governar de costas para o povo, especialmente se o povo for pobre e viver longe das áreas consideradas como sendo o filé mignon da especulação imobiliária.

Lamentavelmente o ônus de se ter um governo só finge que quer a participação da população nas coisas de interesse é a perpetuação de graves distorções nas oportunidades ao acesso daquilo que a cidade de Campos dos Goytacazes teria de melhor para todos os cidadãos do município.  E é justamente por isso que  continuaremos a vivenciar a persistência de uma forma de caos planejado não apenas no sistema de transporte público, mas também na saúde, educação e habitação.

Rafael Diniz brinca de roleta russa com transporte público em Campos dos Goytacazes

ponto modeloPonto “modelo” sendo instalado na localidade de Goitacazes. Estrutura terá várias comodidades. Resta saber se a população terá transporte de qualidade.

Tenho recebido insistentes contatos para explicar como deverá funcionar o “novo” sistema de transporte público em Campos dos Goytacazes, principalmente por parte de usuários que não moram na malha urbana principal. Para muitos das pessoas que tem feito contato em busca de explicações, o jovem prefeito Rafael Diniz está novamente jogando roleta russa com os mais pobres.

Coomo estou concluindo a orientação de uma monografia de graduação no curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense cujo foco é justamente o processo de mobilidade e acessibilidade urbana, posso dizer que novamente a gestão de Rafael Diniz realizou um simulacro de debate público para impor seu “novo” modelo de transporte público ao realizar plenárias que ocorreram em horários inviáveis para os usuários do sistema e com baixíssima publicização (o convite oficial apareceu no site oficial com apenas dois dias de antecedência (ver figura abaixo)

plano mobilidade

Calendário com as datas e temas das plenárias do Programa de Mobilidade Sustentável. Fonte: Portal da Prefeitura.

O que mais me chama a atenção é a fórmula de permitir apenas a presença de ônibus nas áreas centrais, deixando as localidades mais distantes para serem servidas para operadores de vans. De forma objetiva, aos empresários de ônibus ficou reservando o filé mignon do mercado, enquanto que para as vans vai sobrar o osso (ver figura abaixo).

trajetoProposta de Trajeto existente com Integração de Modais  Fonte: Minuta do Projeto Básico para  Licitação do Sistema de  Transporte Coletivo Alimentador de Passageiro em Campos dos Goytacazes.

Outro aspecto que tem deixado muitas pessoas especialmente céticas é que sabe-se lá por que razões o jovem prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais decidiram impor o funcionamento do “novo” sistema, sem que os pontos de alimentação estejam devidamente estruturados para receber os passageiros.  É o tipo da improvisação que não só contribui para o descrédito precoce da proposta junto aos usuários, mas como também reflete uma volúpia que não se vê em várias outras áreas da administração, especialmente quando se trata de apoiar os cidadãos que vivem em localidades distantes do centro da malha urbana principal do município.

Sem querer ser ave de mau agouro, penso que as dúvidas do que fizeram contato comigo serão transformadas rapidamente em revolta. É que o “novo” sistema não apenas mantém velhos vícios do sistema que se pretende substituir, como também não mexe nas causas principais dos problemas que tornam hoje o sistema público de transporte de Campos dos Goytacazes algo mais do que precário.

20190707_110210.jpg

Em Cracóvia, Polônia, trem de superfície percorre a região central, tendo ciclovias correndo em paralelo.

Tendo visitado a cidade de Cracóvia, capital histórica da Polônia, que possui uma população de 700 mil habitantes, pude lá ver a perfeita integração entre trem-metro-ônibus-bondes elétricos a preços não apenas baratos, mas também com uma ampla gama de descontos e isenções para professores, estudantes e aposentados.   Cito o caso de Cracóvia não apenas porque a Polônia não é exatamente a fina flor do capitalismo europeu, mas porque a cidade possui inclusive um rio que a divide ao meio como no caso de Campos dos Goytacazes.  Lamentavelmente, presumo que enquanto os habitantes de Cracóvia podem acessar um sistema eficiente e barato, em Campos dos Goytacazes continuaremos submetidos a serviços de baixíssima qualidade.

A crise do transporte coletivo em Campos: um exemplo lapidar de incompetência

8ecec-tarifa1

Uma pessoa com quem eu conversei sobre os efeitos negativos do fim da passagem social incluiu a diminuição de passageiros como algo que naturalmente ocorrerá, causando prejuízos aos donos de empresas de ônibus e, principalmente, à população que depende dos transportes públicos para se locomover pelo amplo território municipal. 

Eis que ontem (ainda não se sabe como a banca vai tocar nesta 3a. feira, trabalhadores das empresas Rogil, São João, Turisguá e Siqueira resolveram suspender suas atividades para cobrar o pagamento de salários e direitos que estariam atrasados por vários meses [1].

greveoulockout.jpg

A reação de todos os envolvidos (desde responsáveis pelo órgão municipal responsável pela área, passando pelo sindicato da categoria, e chegando aos donos de empresas) parece estar fazendo cara de paisagem frente a algo que já deveria ter acendido um sinal de alerta, já que os prejuízos financeiros dos trabalhadores são inevitáveis, contribuindo ainda para o aumento da tensão social num momento de grave crise.

Mas adivinhem sobre quem está caindo o ônus de não terem utilizado os canais formais para decretarem a suspensão do trabalho até que os atrasados sejam pagos? Os trabalhadores, é claro. É como se reagir ao descalabro de trabalhar e não receber agora tenha virado a raiz do problema, e não o fato de termos empresários de um ramo que depende de concessão pública simplesmente não pagarem o salário devido aos seus empregados.

Pior é ver a completa inação do governo municipal frente à causa primária da paralisação, já que a única ação prática que parece estar sendo tomada é entrar na justiça para forçar a volta dos funcionários das empresas ao trabalho. E sem que os salários sejam pagos! Aliás, essa coisa de pagar salários parece estar virando algo secundário, já que está se tornando uma prática corrente não cumprir a obrigação patronal de ressarcir os trabalhadores pelo tempo que executam suas tarefas profissionais.

O pior é que diante da grosseira incompetência do governo municipal, não me surpreenderia que venhamos a assistir a uma liberação extensiva das tarifas de ônibus sem que sequer os salários atrasados sejam pagos. Se isso se confirmar, veremos a oposição popular ao governo do jovem prefeito Rafael Diniz aumentar ainda mais.  A ver!


[1]  http://www.folha1.com.br/_conteudo/2017/10/geral/1225714-transporte-coletivo-paralisado-em-campos-nesta-segunda.html

Dois acidentes desnudam a política de transporte público do PMDB no Rio de Janeiro

A matéria abaixo assinada pelo jornalista Tiago Frederico do “O DIA” escancara a situação desastrosa em que se encontram os serviços de transporte público na cidade do Rio de Janeiro, sob a batuta de Eduardo Paes, e que com a ajuda imprescindível de Luiz Fernando Pezão, ambos do PMDB.

Após um aumento nos preços das passagens neste início de 2015, os usuários de ônibus, metrô e barcas estão tendo que desafiar a má qualidade dos serviços e a irresponsabilidade dos governantes para chegar e sair de casa todos os dias.

Estivéssemos num país onde as autoridades respondessem judicialmente por seus malfeitos, talvez a coisa não tivessem degringolado de tal forma no Rio de Janeiro. Mas como não estamos, fica estabelecido o salve-se e pague quem puder.

Ao menos 150 ficam feridos em colisão envolvendo quatro ônibus do BRT

Vítimas foram levadas para os hospitais municipais Miguel Couto, na Gávea, e Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca

TIAGO FREDERICO
Ônibus articulado bateu na traseira de outro coletivo articulado no corredor Transoeste

Foto:  Seguidora @nathy_fotografa

Rio – Ao menos 150 pessoas ficaram feridas em duas colisões envolvendo ônibus do BRT Transoeste na manhã desta terça-feira na Zona Oeste do Rio. O número foi divulgado pelo Corpo de Bombeiros no início desta tarde. Num intervalo de 30 minutos e em locais distintos, dois coletivos articulados colidiram na traseira de outros dois ônibus. Os veículos seguiam em direção ao Terminal Alvorada.

As vítimas foram socorridas por bombeiros dos quartéis da Barra da Tijuca e da Pedra de Guratiba e encaminhadas para os hospitais municipais Lourenço Jorge, na Barra, e Miguel Couto, na Gávea. Nenhuma pessoa ficou ferida em estado grave.

A primeira colisão envolveu dois ônibus articulados e ocorreu na Avenida das Américas, na altura da estação Pontal, no Recreio dos Bandeirantes, por volta das 7h30. Às 8h, outros dois coletivos articulados colidiram em Guaratiba, na Avenida Dom João VI, próximo à estação Cetex. Desvios operacionais foram montados nos dois locais até a liberação da pista, ocorrida por volta das 10h25.

O Consórcio BRT disse que aguarda a conclusão da perícia, que determinará a causa dos dois acidentes. “A assistência a feridos é prestada pelas empresas operadoras”, comunicou, em nota. Em Guaratiba, 120 pessoas ficaram feridas. No Recreio, foram 30 feridos. 

Ainda de acordo com o consórcio, a circulação dos coletivos no corredor expresso não foi afetada e os passageiros envolvidos na colisão, e que não ficaram feridos, foram transferidos para outros coletivos. As pistas da avenidas das Américas e Dom João VI foram totalmente liberadas ao tráfego às 10h25.

Dois ônibus articulados do BRT Transoeste colidiram na Avenida das Américas, no Recreio

Foto:  Seguidor @Arle_rj

FONTE: http://odia.ig.com.br/odia24horas/2015-01-13/ao-menos-150-ficam-feridos-em-colisao-envolvendo-quatro-onibus-do-brt.html

Transporte público de qualidade e democrático… só que é na Alemanha

Tendo saído de Campos em meio a pantomina criada para supostamente ocultar a ruindade dos serviços públicos de transporte, não há como não ver uma diferença andando por uma rua na cidade de Hamburgo. Aqui existem ciclovias claramente demarcadas e ônibus para percorrer a cidade a preços razoáveis. De quebra, como mostram as imagens abaixo, o ponto de ônibus é austero, mas limpo e informativo.

20140506_133138

20140506_133215

E antes que alguém venha com a desculpa que isso é coisa de país rico e que temos nos acostumar com a bagunça brasileira, eu tenho que lembrar que no caso da cidade de Campos, o problema não é financeiro, mas de qualidade da gestão pública. E o problema é que até aqueles que se dizem de oposição não parecem querer mudar essa situação.

Ônibus gratuito em Campos? Como assim, cara-pálida?

As imagens abaixo são parte de um esforço de propaganda da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes que, aparentemente, visa promover a ideia de que medidas sérias estão sendo tomadas para superar a grave crise que atravessa o sistema de transporte público na nossa cidade. E o interessante é que as faixas que aparecem promovendo a ideia de que a gratuidade está na ordem do dia aparecem com créditos para o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

gratuito

A questão que se abate sobre a minha pessoa enquanto pagador de impostos é a seguinte: transporte gratuito, como assim transporte gratuito? Até onde eu saiba na administração pública não há nada de gratuito. O pior é que na imensa maioria das vezes, esse tipo “gratuidade” acaba saindo muito caro. E adivinha quem acaba pagando a conta? Sim, nós, os contribuintes.