Uso da Ivermectina contra a COVID-19 escancarou danos causados por estudos e periódicos de baixa qualidade

ivermectina

Saiba como funciona o sistema de publicações científicas na área médica e por que estudos desacreditados sobre a ivermectina continuam servindo de justificativa para uso da droga na COVID-19

Por Luiza Caires, arte por Guilherme Castro, para o Jornal da USP

O nome desta droga rodou em diversos grupos e conversas de WhatsApp e Telegram, mas não somente ali. Prescrições e mesmo a automedicação com ivermectina se multiplicaram durante a pandemia, e ainda há quem defenda seus efeitos na covid com unhas e dentes – ainda que a boa ciência já tenha demonstrado o contrário. Ao investigar a origem de toda esta fama, inclusive argumentando com seus defensores, somos inundados com links para “estudos” e periódicos que, para quem não tem intimidade com os meandros da pesquisa e publicação científica, passam facilmente como provas da eficiência da droga.

Essa reportagem vai abordar mais a fundo dois deles: o site ivmmeta.com e um artigo publicado na revista Cureus. O primeiro caso é mais gritante: o site é anônimo, não faz parte de nenhum periódico científico, além de violar as regras mais básicas da metodologia científica – inclusive com distorção estatística grotesca para quem entende um pouco do assunto. A conclusão forjada, mas propagada inclusive por médicos em vídeos na internet, é de que a chance da ivermectina não funcionar contra a covid é de 1 em 1 trilhão.

Já o segundo caso envolve artigo publicado em uma revista que vem sendo fortemente questionada pelo processo de revisão frágil: os próprios autores indicam os revisores, e o tempo de revisão de poucos dias foge totalmente ao que é considerado por especialistas o mínimo necessário para fazer uma verificação atenta. Os autores também ocultaram conflitos de interesse, como trabalhar para o laboratório que produz ivermectina no Brasil. Mais que a falta de credibilidade, há uma série de inconsistências graves no próprio artigo – e nos dados, como paciente com 119 anos e outro que consta como tendo tomado 6 mil comprimidos da droga – que, mais uma vez, levam ao resultado favorável para a ivermectina na covid, ao contrário do que estudos sérios apontaram.

Mas antes de falarmos deles, na segunda parte dessa matéria, precisamos entender como funciona o ecossistema das publicações científicas, e por que, quando bem ajustado, ele é essencial para a ciência médica.

Revisão por pares

No século 19 apareceram as primeiras revistas científicas. Cientistas se encontravam em academias como a Royal Society, na Inglaterra, ou a Académie, na França, contavam seus achados para os colegas e essas academias reuniam os trabalhos em anais. Depois, as publicações de interesse científico se especializam, surgindo, durante o século 20, as revistas específicas.

E por que elas são tão importantes? “O processo científico precisa de organização, protocolo. É só a partir do registro que é possível reproduzir uma pesquisa e confirmar aquela informação, por exemplo. As publicações, por sua vez, geram outras perguntas e novas pesquisas. Os estudos e seus resultados precisam ser públicos”, explica Bruno Caramelli, médico cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Mais tarde, as revistas introduziram a revisão por pares. “Como o volume de artigos submetidos para as revistas começa a ser grande demais para os editores decidirem o que deve ou não ser publicado, eles pedem opinião para experts da área”, conta o físico Leandro Tessler, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos fundadores do Grupo de Estudos da Desinformação em Redes Sociais.

Bruno Caramelli, médico cardiologista – Foto: Arquivo pessoal

Funciona assim: depois de fazer o estudo, a pesquisa propriamente, pesquisador e sua equipe escrevem um texto apresentando o que esperavam responder com aquele estudo, como ele foi feito e quais resultados foram obtidos. E mandam para uma revista que tem relação com o assunto pesquisado. “O editor-chefe da revista tem o papel de aceitar ou recusar o estudo; se aceitar, o estudo irá passar por revisão por pares, quando outros pesquisadores, que não ganham por isso, leem a pesquisa e fazem sugestões. Às vezes até recusam o estudo, mas enviam sugestões de melhora. Se nenhuma revista acabar aceitando, o autor pode engavetar o texto ou submetê-lo a revistas menores ou com um crivo um pouco mais fraco”, expõe José Alencar Neto, médico cardiologista no Instituto Dante Pazzanese e autor do Manual de Medicina Baseada em Evidências.

José Alencar Neto, médico cardiologista – Foto: Arquivo pessoal

A revisão é dita por pares porque é feita por especialistas, assim como o autor da pesquisa, para conferir, dentro do texto, se há algum erro metodológico. “O papel da revisão é garantir que a produção científica tenha qualidade”, diz Caramelli.

A pandemia potencializou um problema com que a ciência se depara há alguns anos, principalmente após a popularização da internet. Se, por um lado, a multiplicação de periódicos representou algum avanço na democratização do acesso e divulgação do conhecimento científico, por outro, deu origem a uma série de publicações científicas (ou com cara de científicas) de baixíssima qualidade e alta tolerância para artigos metodologicamente ruins, quando não escritos a partir de dados fraudados. É neste tipo de revista que se insere a totalidade dos estudos que expõem como conclusão a eficácia da ivermectina contra a covid.

Também a divulgação de preprints – artigos ainda não revisados por pares, que são armazenados em repositórios on-line – aumentou durante a pandemia, já que era uma condição de catástrofe e os cientistas tinham pressa em compartilhar trabalhos e acompanhar os resultados dos colegas. “Os preprints foram concebidos originalmente para reforçar a transparência. Quando faço a primeira versão do meu artigo e submeto a uma revista, muitas vezes os revisores fazem vários pedidos de modificação. Então fica uma primeira versão nessas plataformas, que pode ser comparada com a final”, explica Ana Carolina Peçanha Antonio, médica intensivista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e pesquisadora em Integridade em Pesquisa e Metapesquisa.

Ela diz que, na pandemia, muitas pessoas completamente alheias ao mundo das ciências biomédicas repassaram tanto artigos em preprint, quanto os publicados em revistas que antes não recebiam muita atenção, fracos ou com erros.

Qualidade

Quase nenhum fator que vamos elencar aqui, isolado, é garantia da qualidade de uma produção científica. Mas todos se complementam, e o primeiro indício é a qualidade do periódico onde a pesquisa foi publicada. Existem revistas predatórias, que têm uma revisão por pares fraca ou até mesmo inexistente, estando interessadas apenas em receber o valor que o autor paga para publicar ali. “Esse problema é anterior à pandemia, e uma das coisas que o explicam é a pressão, na carreira acadêmica, para que o cientista publique artigos. Ele depende de um volume de publicações para progredir e ter financiamento”, explica Ana Carolina Peçanha.

Caramelli diz que revistas reconhecidas normalmente não deixam passar trabalhos ruins ou fraudados, embora isso também possa acontecer. Durante a pandemia, por exemplo, revistas de renome como a The Lancet até chegaram a publicar estudos que mais tarde se descobriu serem fraudados. “Mas isso não piora a imagem da revista, já que os estudos foram retirados do ar. Não vivemos em uma redoma protegidos de fraudes”, comenta Alencar Neto. “Revistas menores e que só estão interessadas em cliques podem não fazer o mesmo”, conta.

Na área médica, também é recomendado saber se aquele periódico está indexado em uma base de dados chamada Pubmed, que tem uma série de regras para incluir uma revista, funcionando como um filtro. “É só digitar o nome da revista e o termo ‘pubmed’ no buscador e você descobre se a revista está indexada”, diz Alencar Neto.

Ana Carolina Peçanha, médica intensivista – Foto: Arquivo pessoal

Impacto

fator de impacto de uma revista diz quantas vezes, em média, um artigo publicado nela é citado em outros artigos. Ele é mais um indício da qualidade da revista. A mais famosa da área médica, o New England Jornal of Medicine, por exemplo, tem o mais alto fator de impacto entre todas as revistas científicas, maior que 90.

“Há essa hierarquia das revistas. Em geral, quando escreve um trabalho, você sabe para onde deve mandar. Se é uma coisa muito quente, você vai querer mandar para uma revista muito quente, se não, mandará para uma revista menos prestigiosa. O que traz mais prestígio para uma revista é um processo de seleção de revisão rigoroso e o impacto que ela tem na sociedade”, diz Tessler.

Alencar Neto faz uma ressalva: o fator de impacto pode variar de acordo com a área de pesquisa, já que também mede o interesse público daquela publicação. Assim, o ideal é comparar o fator de impacto das revistas das mesmas especialidades.

Ana Carolina Peçanha diz também que as revistas menos importantes ganharam algum empoderamento na crise da covid, e até aumentaram seu fator de impacto. “A própria revista tem interesse em publicar artigos com resultados extraordinários, que sejam polêmicos, mesmo que gerem críticas, pois geram citações”, afirma a pesquisadora.

Leandro Tessler, físico e professor da Unicamp – Foto: Arquivo pessoal

Por fim, Alencar Neto destaca que os estudos têm objetivos diferentes, e por isso nem sempre um bom estudo estará nas maiores revistas. Mas se o artigo está num bom periódico, certamente tem mais chance de ser confiável.

Autoria

Também existe uma análise subjetiva: verificar quem são os autores das pesquisas. “Eles fazem parte de instituições de pesquisa reconhecidas? Eles e suas instituições têm uma produção científica relevante naquela área? Os autores têm algum conflito de interesse que pode interferir, conscientemente ou não, no resultado que o artigo apresenta?”, indica Tessler como perguntas.

Questões de método

Olhando para o artigo em si, embora seja complexo para uma pessoa leiga em ciência entender as falhas metodológicas de um estudo, há alguns sinais para os quais ficar atento, que podem facilitar essa identificação.

Na pesquisa médica, vale ver se estamos diante de um estudo observacional, que tem um nível mais baixo de evidência, ou controlado, que tem nível maior. Enquanto a pesquisa observacional simplesmente analisa os desfechos do uso de uma droga ou terapia em uma dada população, na pesquisa clínica controlada se fornece um tratamento para um grupo de pacientes em um estudo planejado, e se compara quem fez e quem não fez uso daquela droga, e tomou apenas placebo. Não é que o estudo observacional, por si só, seja ruim. Muitas vezes ele é necessário, como em estudos epidemiológicos. Também não é possível fazer grupo controle em pesquisa de cirurgias, por exemplo. “Costumo falar, generalizando, que estudos observacionais geram hipóteses e estudos controlados podem confirmar hipóteses”, diz Alencar Neto. “Mas se estamos testando a eficácia de um medicamento, o estudo precisa ser controlado”, declara.

Depois, é preciso verificar se o estudo foi duplo cego, quando nem a pessoa que recebeu a intervenção, nem quem a avalia sabem se ela recebeu o medicamento ou o placebo. O cegamento serve para evitar ou diminuir a atribuição de resultados a uma droga, quando eles se devem, na verdade, ao efeito placebo, ou a um enviesamento de quem avalia. “O método científico é feito para nos proteger de nós mesmos, porque nós queremos que o resultado seja bom. Então você dá ivermectina para os seus pacientes no consultório, e eles ficam bons. Mas como você sabe que eles não ficariam bem se você não tivesse dado absolutamente nada para eles?”, complementa Tessler.

Um bom estudo que avalia tratamentos médicos em seres humanos, o ensaio clínico, no jargão da ciência, também deve ser randomizado no momento de incluir os participantes em cada um dos “braços”. Ou seja, os pacientes são colocados em um dos dois grupos de forma aleatória, sem escolha prévia, para que tanto o grupo que recebeu o tratamento quanto o que recebeu placebo tenham características semelhantes: idade, sexo, condições prévias de saúde, sociais, entre outras.

Leia a parte 2: Caso da ivermectina é representativo da pseudociência propagada na pandemia


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Este texto foi inicialmente publicado pelo “Jornal da USP” [Aqui! ].

Produtivismo acadêmico empurra o funcionamento de “fábricas de papers”, mostra estudo

Centenas de artigos falsos foram publicados em periódicos científicos. Levantamento identifica 648 trabalhos produzidos por “fábricas de papers” nas áreas de cristalografia e química

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Cristal de estrutura metalorgânica (MOF), tipo frequentemente replicado em artigos fraudulentos. CSIRO

Por Revista da FAPESP

David Bimler, pesquisador do Departamento de Psicologia da Universidade de Massey, na Nova Zelândia, identificou 648 artigos publicados entre 2015 e 2022 em periódicos de cristalografia e química que, segundo ele, teriam sido produzidos por uma mesma “fábrica de papers”, um tipo de serviço ilegal que vende trabalhos científicos sob demanda, quase sempre com dados manipulados ou falsificados. Em comum, são artigos sobre tópicos como estruturas metalorgânicas e polímeros de coordenação, que continham imagens duplicadas ou muito semelhantes, uso repetido de frases peculiares e menções a artigos irrelevantes. É provável, segundo ele, que as imagens tenham origem em pesquisas genuínas, posteriormente reutilizadas e manipuladas com propósitos fraudulentos. Bimler publicou seus achados no repositório de preprints Research Square.

Segundo o psicólogo, que escreve sobre integridade científica no site For Better Science com o pseudônimo Smut Clyde, os trabalhos forjados combinam aspectos da cristalografia e da medicina, atribuindo aplicações terapêuticas a estruturas cristalinas. Os polímeros de coordenação, por exemplo, adquirem propriedades anestésicas ou tornam-se capazes de destruir bactérias e células cancerígenas, interrompendo processos inflamatórios. “O sucesso da ‘fábrica de papers’ só foi possível porque editores e revisores dos periódicos desconheciam os erros e absurdos biológicos contidos nos textos. Em defesa deles, é preciso dizer que são físicos e químicos de formação e entendem menos de biologia do que os fraudadores”, escreveu Bimler.

Os autores dos artigos em geral são médicos da China que provavelmente recorreram a uma “fábrica de papers” para conseguir publicar em periódicos internacionais os artigos necessários para concluir sua formação ou obter promoções. Os papers falsos identificados no levantamento receberam 518 citações, mas elas se distribuíram de maneira desigual. A maioria (410) nunca foi citada, outros (125) foram mencionados em referências de outros artigos apenas uma vez.

Sylvain Bernès, cristalógrafo computacional da Benemérita Universidade Autônoma de Puebla, no México, explicou à revista Chemistry World que é relativamente fácil trapacear manipulando estruturas cristalinas. “A construção de uma nova estrutura a partir do zero, incluindo a fabricação de dados experimentais, é algo um pouco mais complicado e demorado, mas muitos softwares que permitem fazer isso estão disponíveis”, afirmou Bernès. “Leva mais tempo para verificar e detectar problemas nessas estruturas do que criar estruturas falsas. Suponho que isso seja muito bom para a produtividade de ‘fábrica de papers’.”

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Este texto foi inicialmente pela Revista da FAPESP [Aqui! ].

Guia para detectar revistas predatórias, sequestrantes e megapredatórias

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Por Rafael Repiso e Júlio Montero-Diaz para o “The Conversation”

Em 2008, um bibliotecário da Universidade do Colorado em Denver (EUA), Jeffrey Beall, batizou um fenômeno emergente de “revistas predatórias”. Essas publicações fraudulentas, a antítese da qualidade científica, têm se multiplicado nos últimos anos como uma consequência negativa da digitalização e, mais especificamente, dos modelos de acesso aberto em que os autores dos artigos arcam com os custos de edição. Esse sistema é conhecido como “estrada de ouro”, não só para os periódicos que impõem essa prática, mas também para alguns dos autores.

A principal falha dos periódicos predatórios é que eles mal realizam processos de revisão dos manuscritos que recebem, o que agiliza o processo. Eufemisticamente, eles próprios se gabam de sua velocidade de publicação. Claro, eles aceitam a maioria dos documentos que recebem para atingir seu objetivo principal: cobrar dos autores.

Os autores devem demonstrar satisfação e, portanto, não sofrem rejeições ou modificações (na verdade, melhorias) dos originais. Estes devem obter resultados em curto prazo para atender às demandas das autoridades acadêmicas . Por exemplo, para obter credenciamentos, prazos de seis anos ou justificar o financiamento de projetos.

O resultado é que os trabalhos publicados por essas revistas carecem da validação da comunidade científica e seus resultados não são confiáveis. Em áreas como a biomedicina, eles podem até ter repercussões fatais.

Imparcial. Não partidário. Factual

Essas revistas são difíceis de detectar a olho nu porque usam a estratégia de camuflagem. Eles têm títulos muito semelhantes aos dos periódicos de referência e todos apresentam uma grande equipe de cientistas, embora sua contribuição seja decorativa ou até mesmo ignorem que fazem parte de tais comitês.

Da mesma forma, são anunciadas como indexadas em um grande número de bases de dados científicas, embora a maioria delas sejam falsas ou sejam bases de dados que não realizam processos seletivos. Produtos de avaliação já foram criados para revistas predatórias onde, claro, todos obtêm notas excelentes. Estamos simplesmente enfrentando uma fraude.

Em 2013, John Bohannon realizou uma experiência significativa: enviou um artigo falso (carregado de lugares comuns, com bibliografia falsa e um tema absurdo) a dezenas de periódicos de acesso aberto nos quais os autores devem arcar com os custos de edição do artigo. O artigo foi aceito pela grande maioria dessas revistas com pouca revisão.

Isso validou as suspeitas de quem pensava que essas avaliações não eram rigorosas em seus processos de avaliação. Essa experiência levou o Diretório Internacional de Revistas de Acesso Aberto (DOAJ), que tinha muitos desses periódicos fraudulentos indexados, a redefinir suas políticas de inclusão. Milhares deles foram expulsos.

Como detectar revistas fraudulentas?

O problema prático é apresentado aos pesquisadores que desejam publicar os resultados de seus trabalhos e enviar seus originais para uma dessas revistas, o que é como jogá-los em um poço sem fundo. Como evitar ser um otário?

Os dados que levam a suspeitar que uma revista é fraudulenta são os seguintes:

  1. Sua juventude. Eles surgiram com os custos mais baixos de periódicos 100% digitais, de modo que não têm as décadas ou mesmo séculos de história de outros como The Lancet ou Nature .
  2. Seus títulos geralmente são genéricos. São uma imitação das revistas de maior prestígio da área.
  3. Em muitos casos, eles são publicados em países da periferia científica, como Egito e Nigéria.
  4. Eles compensam suas deficiências, como a indexação de bancos de dados ou a falta de indicadores de impacto, calculando seus próprios indicadores.
  5. Eles têm uma política agressiva para atingir o investigador desavisado (cliente ideal) por meio de correspondência personalizada.

O principal aspecto que deve alertar o autor é que a revista entre em contato com ele, garanta tempos de publicação suspeitosamente rápidos e cobrar de seus autores pela publicação: quanto maior o número de trabalhos, maior a receita.

Isso não significa que todos os periódicos que cobram dos autores os custos de publicação sejam fraudulentos. Existem alguns, como Plos One , que reconheceram processos de validação muito rigorosos, mas eles são uma minoria muito pequena. Sabe-se da existência de mais de 17.000 revistas predatórias , que se tornaram uma epidemia.

Uma nova tendência: revistas de sequestro

Uma forma muito agressiva de revistas predatórias são as “revistas de sequestro”. Eles se apresentam como periódicos estabelecidos, criam seus próprios sites e contatam os autores, solicitam manuscritos e dinheiro. Se o autor sem noção no meio do processo percebe que está sendo enganado e decide interromper o processo de publicação, geralmente recebe ameaças de denúncia.

Um exemplo real recente: a revista de sequestro pediu a um autor quase US$ 8.000 por não publicar seu trabalho (quando o autor percebeu o golpe e quis removê-lo do processo de avaliação). Ameaçou ações judiciais internacionais em caso de falta de pagamento.

A realidade é que os periódicos predatórios de primeira geração, aqueles que não eram produtos científicos, dificilmente tiveram e têm impacto no estado da ciência. Na melhor das hipóteses, eles envergonham os autores e suas instituições e levam a uma perda econômica de fundos.

A segunda geração: fraude na indexação

Treze anos depois do aparecimento do fenômeno, a fraude seguiu caminhos mais sofisticados. Existem periódicos predatórios indexados em bases de dados científicas, como Web of Science ou Scopus. O perigo é que isso faça com que comecem a ser usados ​​em muitos países, como a Espanha, para avaliar a carreira acadêmica de pesquisadores.

As revistas predatórias evoluíram. Eles se tornaram sofisticados, em parte graças aos lucros obtidos. Eles deixaram de postar alguns empregos para milhares. Eles se tornaram mega-jornais , ou seja, “megapredadores ”.

Outra abordagem sofisticada é que as próprias editoras promovam os periódicos que colocam nas mãos de acadêmicos de renome e prestígio. Eles conseguem valorizá-los, obtêm sua indexação e, então, começa seu calvário. Eles estão começando a ser obrigados a aumentar o número e a quantidade de artigos a tal ponto que os processos seletivos não podem ser realizados com rigor. Se houver resistência, geralmente termina em demissão ou demissão dos membros da equipe editorial. Mas, a essa altura, o navio já foi lançado com todos os padrões de qualidade em vigor.

Normalmente esses megapredadores são especializados em um campo específico, mas também publicam sobre qualquer assunto e com processos de revisão rápidos e superficiais. Seus preços se multiplicam ao entrar nas bases de dados de referência e sobem à medida que melhora a posição dos periódicos nos rankings , em uma lógica não científica. Sua estratégia de atração continua sendo a clássica dos predadores de primeira geração: convidar autores para publicar artigos.

A sofisticação incorporou uma nova modalidade: é tocada com vaidade e a qualquer autor (com prestígio e sem prestígio) é oferecido o direcionamento de questões monográficas. São esses líderes que realizam a tarefa de marketing mais enfadonha: a de procurar autores que se empenhem para pagar a publicação de algumas contribuições para as quais, desde o início, se ofereça segurança suficiente sobre sua publicação (antes de escrevê-las). Os editores improvisados ​​da revista de monografias, comerciais voluntários, recebem a publicação gratuita de artigos ou, pelo menos, grandes descontos como benefícios. Além disso, esses editores também limpam seus nomes obtendo acordos com universidades para os quais esses centros obtêm descontos econômicos e os editores veem seus negócios apoiados. O investigador deixa de suspeitar ao ver que sua própria universidade tem um acordo com editoras suspeitas.

Por que publicar em uma revista predatória é uma má ideia

O pesquisador deve agir com muita cautela ao escolher um periódico, publicar em um periódico fraudulento é um descrédito que mostra que:

  • O pesquisador não conhece a área para onde se desloca.
  • O esforço não vai com ele, que opta por uma via rápida para conseguir a publicação.
  • É um péssimo gestor de fundos públicos, uma vez que o custo dos itens geralmente é pago com dinheiro destinado a projetos. Em outras palavras, você está fraudando algo que pode ser processado.
  • Em alguns casos, o pesquisador que envia seus manuscritos não é ele próprio um golpista, mas um cúmplice do golpe. Os fraudados são as agências de avaliação, as instituições que arcam com os custos de publicação e os colegas que, ao evitar essas práticas, competem em processos seletivos contra esses currículos inflados artificial e fraudulentamente.

Rafael Repiso é Professor de Metodologias de Pesquisa e Documentação, UNIR – Universidade Internacional de La Rioja, e Julio Montero-Díaz é Vice-reitor  de Pesquisa, UNIR – Universidade Internacional de La Rioja

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Este texto foi escrito originalmente em espanho e publicado no site “The Conversation”  [Aqui!].

Conheça ferramenta útil para identificar “periódicos predatórios”

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Neste post, mostro como identificar periódicos predatórios usando a útil ferramenta  “Compass to Publish” .

Jornais e editoras predatórios estão colocando em risco a integridade acadêmica das pesquisas publicadas.

Os periódicos duvidosos abusam do modelo autor-pago de acesso aberto da publicação acadêmica.

Aqui, eu o orientarei através da nova ferramenta exclusiva “Compass to Publish” para identificar os jornais predatórios e falsos.

A ferramenta é desenvolvida pela  Biblioteca ULiege , Bélgica. Agora, ele foi lançado online como uma versão beta.

Ele ajuda a determinar a autenticidade de periódicos de acesso aberto que exigem ou ocultam as Taxas de Processamento de Artigo (APC).

Além disso, a ferramenta online inovadora permite que você identifique as possíveis revistas predatórias.

A ferramenta tem como objetivo ajudar os pesquisadores a examinar o grau de autenticidade dos periódicos de acesso aberto.

Além disso, permite que a comunidade acadêmica compreenda melhor também pseudo-jornais e editoras.

Ao responder a uma série de perguntas relacionadas ao seu diário, você pode avaliar a autenticidade.

Esta postagem mostrará como funciona o “Compass to Publish”.

Como funciona a ferramenta Compass to Publish (versão beta)

Você pode determinar o grau de autenticidade de um jornal respondendo às perguntas do teste online.

Vale ressaltar que o aplicativo web apenas avalia a natureza fraudulenta de um periódico de acesso aberto.

Mas a ferramenta não avalia a qualidade de um periódico.

De acordo com suas respostas, o aplicativo da web gera diferentes tonalidades de cor para verificar o grau de autenticidade do seu diário.

A área mais verde em tons de cor significa que você pode confiar na revista.

Em contraste, uma zona vermelha indica que um diário é arriscado.

Como usar a ferramenta útil para identificar os diários predatórios

Vamos começar.

Você deve responder a perguntas suficientes para que a avaliação seja precisa.

Para começar a usar a ferramenta “Compass to Publish”, siga as etapas abaixo:

Abra a ferramenta Compass to Publish Online para identificar jornais predatórios

Primeiro, navegue até o  aplicativo da web  para determinar o grau de autenticidade do seu diário.

Depois de abrir a ferramenta online, você verá a seguinte página:

Compass to Publish Interface

Inserindo Título e ISSN do Jornal 

Usando a interface, você clica em  “Get to the test”  para identificar os possíveis periódicos predatórios.

Ao clicar no botão, você verá as consultas como esta:

Iniciar CTP
Comece o teste

Agora mesmo, você insere o título e o ISSN (ou eISSN) para detectar seu periódico.

Lembre-se de que você pode encerrar o teste online a qualquer momento.

Para obter um diagnóstico preciso do seu diário, você deve fornecer mais respostas.

  • Verifique se o seu diário está indexado ou não pelo DOAJ

Para verificar o grau de autenticidade do seu periódico, você fornece informações sobre a indexação do DOAJ.

Se a revista é de acesso aberto, ela está indexada no DOAJ?

Verificar: O periódico está indexado no DOAJ

Assim que você responder, uma barra de progresso aparecerá abaixo. Ao clicar em “Avançar” você prossegue para as próximas perguntas.

A revista está hospedada em uma das plataformas de acesso aberto abaixo?

Tudo o que você precisa fazer é fornecer informações relacionadas à hospedagem de periódicos.

Informações de hospedagem: plataforma de acesso aberto Para simplificar, eles já especificaram as plataformas de acesso aberto:

O Editor ou o Jornal é Membro da OASPA?

Aqui, você deve responder se seu periódico ou editora é membro da OASPA ou não.

Membro OASPA
Verificação de filiação à OASPA

O editor ou o periódico são membros do COPE?

Você responde à pergunta – eles pertencem ao Comitê de Ética em Publicações?

Membro COPE
A revista ou editora é membro do COPE?

O jornal é publicado por uma editora conhecida?

O jornal é publicado por uma editora conhecida?

 Se você está em uma plataforma de publicação conhecida, esta é a verdadeira revista científica.

Listas de jornais e editores supostamente predatórios

O periódico está incluído na lista do DOAJ de periódicos que afirmam ser indexados no  Directory of Open Access Journals?

Índice DOAJ
O periódico está incluído na lista do DOAJ de periódicos que afirmam ser indexados no DOAJ?

O periódico ou editora está incluído em alguma das listas do site  Stop Predatory Journals ?

pare de jornais predatórios
O periódico ou editora está incluído em alguma das listas do site Stop Predatory Journals?

 Diários sequestrados 

Os periódicos predatórios às vezes sequestram o ISSN de um periódico autêntico para passá-lo como seu.

O ISSN ou eISSN incluído no site da revista é autêntico?

Nota: Certifique-se de que o título da revista que você pode obter no resultado do portal ISSN corresponde estritamente ao título que é mencionado no site da revista.

 O jornal que você está testando é um jornal sequestrado? 

O jornal que você está testando é um jornal sequestrado?

Periódicos falsos ou clonados procuram enganar os autores imitando as práticas e os nomes.

O editor tem um nome estranhamente semelhante a outro editor? 

Algumas editoras predatórias usam uma semelhança de nome com editoras conhecidas para promover sua própria credibilidade.

O editor tem um nome estranhamente semelhante a outro editor?

Indexação e métricas 

A revista possui a marca registrada “Impact Factor” (Clarivate Analytics TM)?

Índice e métricas
A revista possui a marca registrada “Impact Factor” (Clarivate Analytics TM)?

O fator de impacto (FI) mede a visibilidade dos periódicos.

Freqüentemente, é mal utilizado como uma abreviatura para avaliar a qualidade de um periódico.

Para evitar tal confusão, você verifica no site da Clarivate a marca registrada “Impact Factor”.

A revista está realmente incluída nas diversas bases de dados citadas em seu site?

indexação e métricas
A revista está realmente incluída nas diversas bases de dados citadas em seu site?

Pseudo-periódicos freqüentemente afirmam ser indexados em bancos de dados ou índices bem conhecidos.

Verificando o Conselho Editorial e o Processo de Revisão por Pares

Você tem que estar ciente do Conselho Editorial da revista. Você também deve verificar o processo de revisão por pares.

Nesta etapa, você apenas responde às perguntas abaixo:

  • Os membros do conselho editorial são mencionados no site?
  • A política de revisão por pares possivelmente anunciada parece surpreendentemente rápida para sua (s) disciplina (s)?

Após fornecer as informações, prossiga para a próxima seção.

Consultas relacionadas ao conteúdo e à apresentação para identificar os periódicos predatórios

Aqui, você fornece as informações relacionadas ao conteúdo da sua revista. Levará alguns segundos para responder:

                                                                         Consulta Relacionada a Conteúdo

Estratégias de Comunicação 

Você recebe repetidamente e-mails não solicitados ( spam ) do jornal / editor?

Resultado final: 

Aqui está o resultado para jornal não especificado, pois não respondi a nenhuma pergunta durante o teste.

Resultados para jornal não especificado

Portanto, certifique-se de que seu trabalho de pesquisa acadêmica esteja em boas mãos usando a ferramenta. 

Neste guia detalhado. Eu discuti e demonstrei uma ferramenta útil para identificar jornais predatórios.

Eu espero que você ache este post útil.

https://app.lib.uliege.be/compass-to-publish/

fecho

Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo blog “bluesyemre” [Aqui!  ].

Trash science com selo de garantia: centenas de periódicos ‘predatórios’ estão indexados nos principais bancos de dados acadêmicos

Scopus parou de adicionar conteúdo da maioria dos títulos sinalizados, mas a análise destaca como a ciência de baixa qualidade está se infiltrando na literatura

nature 1Revistas que exigem altas taxas de publicação, mas oferecem poucos serviços editoriais, são consideradas ‘predatórias’. Crédito: Getty

Por Dalmeet Singh Chawla para a Nature

A amplamente usada base de dados acadêmica Scopus hospeda artigos de mais de 300 periódicos potencialmente ‘predatórios’ que têm práticas de publicação questionáveis, concluiu uma análise 1 . Juntos, esses títulos contribuíram com mais de 160.000 artigos em três anos – quase 3% dos estudos indexados no Scopus no período. A presença deles no Scopus e em outros bancos de dados de pesquisa populares levanta preocupações de que estudos de baixa qualidade possam enganar os cientistas e poluir a literatura científica.

“Há consequências potencialmente sérias de artigos predatórios indexados em bancos de dados científicos”, diz Anna Severin, socióloga que estuda revisão por pares na Universidade de Berna e escreveu sobre periódicos predatórios que se infiltram em bancos de dados de citações 2 . “Os pesquisadores podem basear suas pesquisas futuras em descobertas de baixa qualidade ou mesmo fabricadas e citá-las em suas próprias publicações, distribuindo ainda mais ciência não confiável”, diz Severin, que não estava envolvido no último estudo.

Periódicos predatórios são aqueles que tendem a publicar ciência de baixa qualidade e se desviam das melhores práticas editoriais . Eles podem usar informações falsas ou enganosas, ou práticas agressivas de solicitação, e cobrar taxas pela publicação de trabalhos que passam por pouco escrutínio editorial. Pesquisadores descobriram anteriormente que alguns desses periódicos são indexados em bancos de dados acadêmicos populares, como o site biomédico PubMed 3 , mas a extensão do problema é difícil de quantificar.

Para realizar a última análise, publicada na Scientometrics em 7 de fevereiro de  , Vít Macháček e Martin Srholec, economistas baseados em um instituto econômico administrado pela Charles University e a Academia Tcheca de Ciências em Praga, compararam os títulos indexados na Scopus com uma lista de potencialmente periódicos predatórios mantidos pelo ex-bibliotecário Jeffrey Beall até 2017. Eles encontraram 324 desses periódicos questionáveis ​​no banco de dados; em conjunto, esses títulos publicaram cerca de 164.000 artigos entre 2015 e 2017. Isso representa cerca de 2,8% do número total de artigos indexados na base de dados no período.

O Scopus, que é administrado pela editora holandesa Elsevier, diz que parou de indexar novos conteúdos para 65% de todos os periódicos marcados para reavaliação devido a preocupações com as práticas de publicação. Isso significa que os artigos com esses títulos não são mais adicionados ao banco de dados – no entanto, o conteúdo antigo permanece indexado, disse um porta-voz. “Scopus está vigilante na identificação e descontinuação de periódicos que são, ou se tornaram, predatórios”, disseram à Nature . O comitê de seleção de conteúdo da Scopus avalia e analisa regularmente a inclusão de periódicos no banco de dados, verificando se eles atendem a determinados limites de métricas.

A inclusão de periódicos predatórios em bancos de dados é problemática porque significa que eles podem inflar as métricas do autor, dizem os fisiologistas Andrea Manca e Franca Deriu da Universidade de Sassari, na Itália, que trabalharam no estudo de identificação de periódicos predatórios no PubMed. Isso pode fazer diferença em países onde o avanço na carreira depende estritamente dessas métricas.

Em 2017, em um esforço para resolver o problema dos periódicos predatórios, o PubMed emitiu diretrizes sobre os títulos que os autores deveriam publicar. Mas manter o controle desses títulos é difícil, dizem Manca e Deriu. “Os periódicos predatórios estão continuamente mudando de nome e editora, e continuam crescendo em número enquanto falamos.”

fecho

Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pela Nature [Aqui!].

Centenas de cientistas fizeram revisões de artigos publicados em revistas predatórias

Muitos desses títulos têm alguma supervisão editorial – mas a qualidade das críticas está em questão.

revistas predatórias

Ilustração por David Parkins

Por Richard Von Noorden para a Nature

Centenas de cientistas que publicam suas atividades de revisão por pares no site Publons afirmam ter revisado artigos de periódicos “predatórios” – embora não possam saber disto. Uma análise do site constatou que ele hospeda pelo menos 6.000 revisões de registros para mais de 1.000 periódicos predatórios. Os pesquisadores que revisam a maioria desses títulos tendem a ser jovens, inexperientes e afiliados a instituições de nações de baixa renda na África e no Oriente Médio, de acordo com o estudo, publicado no servidor de pré-impressão bioRxiv em 11 de março.

O estudo é o maior a examinar alegações dos cientistas que revisam para revistas predatórias. A visão popular sobre esses periódicos é que eles geralmente publicam qualquer manuscrito oferecido por uma taxa e oferecem revisão por pares. De fato, os periódicos podem ser definidos como predatórios, mesmo que forneçam revisão por pares, porque podem ser enganosos de outras maneiras. Mas a revisão por pares que essas revistas conduzem pode não estar no padrão que muitos pesquisadores reconhecem, diz Matt Hodgkinson, chefe de pesquisa de integridade da editora Hindawi em Londres. “Eles provavelmente estão passando pelos movimentos e usando esses revisores como uma folha de figueira”, diz ele.

As análises, se genuínas, podem ser “um desperdício de tempo e esforço valiosos” dos pesquisadores, diz o estudo. Seus autores sugerem que financiadores e instituições de pesquisa devem alertar contra a  realização de revisões para publicações predatórias.

Predatória ou com poucos recursos?

Os pesquisadores usam a plataforma Publons para listar as revisões de manuscritos que realizaram. Mas a organização com sede em Londres notou há vários anos que alguns usuários estavam reivindicando a revisão de periódicos potencialmente predatórios. A equipe se juntou a pesquisadores da Fundação Nacional de Ciências da Suíça (SNSF) em Berna e da Universidade de Berna para conduzir uma análise em larga escala. Começando com uma lista negra proprietária de títulos considerados predatórios pela Cabells, uma empresa de análise editorial em Beaumont, Texas, a equipe construiu algoritmos para identificar revisões desses títulos no Publons. Eles são gostosos

Pelo menos 10% dos periódicos da lista negra de Cabells têm revisões reivindicadas no Publons, segundo o estudo. Isso não diz respeito a Cabells, diz seu diretor técnico Lucas Toutloff, porque a empresa sinaliza os periódicos como predatórios para muitos tipos de práticas enganosas, como enganar os leitores sobre qualificações do conselho editorial ou endereços físicos de escritórios, ou não ter políticas para preservar documentos digitalmente.  “Pode ser que os periódicos sinalizados como predatórios estejam realizando uma revisão por pares de boa qualidade, mas por outros motivos”, diz Anna Severin, pesquisadora do SNSF e da Universidade de Berna, coautora do estudo. Também pode ser difícil distinguir entre títulos e periódicos predatórios daqueles que são legítimos, mas com poucos recursos.

Publons diz que as revisões são registros reais: os cientistas verificam se fizeram as revisões listadas, encaminhando e-mails de reconhecimento à Publons ou solicitando que um editor de periódico verifique a revisão de forma independente.

Motivos mistos

Embora alguns cientistas possam não perceber que os periódicos para os quais estão revisando são predatórios, é possível que outros vejam a chance de expandir a lista de periódicos que revisam como uma maneira de mostrar sua produtividade acadêmica – independentemente do título. E o próprio Publons poderia estar “involuntariamente transformando a revisão por pares em um jogo”, sugere Hodgkinson. O site possui tabelas de classificação para os principais revisores – o que pode recompensar ainda mais a análise indiscriminada. Um porta-voz da Publons observa que o site fornece orientações sobre periódicos éticos e robustos e que, em julho de 2019, mudou seus placares de líderes para que seu pedido seja, por padrão, classificado por periódicos indexados no banco de dados da Web of Science.

A Nature conversou com alguns cientistas que listam resenhas no Publons para periódicos listados como predatórios na lista de Cabells. Ian Burgess, um entomologista que é diretor da Insect Research and Development, uma empresa de pesquisa contratada em Cambridge, Reino Unido, disse que revisou oito manuscritos para quatro periódicos predatórios de um editor chamado Academic Journals, da Nigéria. Burgess disse que esperava fornecer orientações aos autores, mas que a editora ignorou completamente seus comentários. “Claramente, eu fui ingênuo a pensar que, se você tivesse análises adequadas, a qualidade das publicações aumentaria”, diz Burgess, que afirma não ter feito mais análises nessas revistas, embora ainda seja solicitado. (A editora da revista em questão não respondeu ao pedido da Nature para comentar.)

E um pesquisador alemão que não deseja ser identificado disse à Nature que havia revisado para uma revista predatória, mas que suas sugestões também foram ignoradas. Ele ressaltou que algumas vezes suas sugestões de revisão foram desconsideradas também em periódicos estabelecidos.

Os autores do estudo estão planejando examinar o texto das revisões em periódicos predatórios e legítimos – em alguns casos, o Publons pode acessar o texto de relatórios de revisão particulares – para verificar se existem diferenças mensuráveis ​​na qualidade, diz Severin.

Referências

  1. Severin, A. et al. Preprint on BioRxiv https://doi.org/10.1101/2020.03.09.983155 (2020).

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pela Nature [Aqui!].

Índia foca nas universidades para reprimir as revistas predatórias

Mas acadêmicos dizem que os incentivos do governo para publicar são parte do problema.

ministro indianoPrakash Javadekar,  ministro responsável pelo Ensino Superior, diz que as universidades devem ajudar o governo a impedir a publicação predatória. Crédito: Vipin Kumar / Hindustan Times / Getty

Por Subhra Pryiadarshini para a revista “Nature” [1]

A maioria dos acadêmicos considera as revistas predatórias como irritantes – se não uma ameaça – à ciência. Mas na Índia, algumas universidades recomendaram a inclusão de tais publicações na “lista branca” de periódicos aprovados no país. Agora o governo está reprimindo esta prática, que os cientistas dizem que surgiu como resultado de incentivos perversos do próprio governo.

“Vamos acabar com essa ameaça dos periódicos predatórios”, disse Prakash Javadekar, ministro responsável pelo Ensino Superior, no mês passado. As universidades agora têm até o final de agosto para revisar suas recomendações para a lista branca de revistas para evitar publicações predatórias, que ativamente solicitam manuscritos e cobram taxas pesadas dos autores sem fornecer os serviços que anunciam, como edição e revisão por pares.

Revistas predatórias são um problema porque o financiamento da pesquisa é desperdiçado em editores enganosos que não cumprem o que prometeram. Uma grande investigação jornalística internacional, publicada em vários meios de comunicação no mês passado, estimou que o número de artigos publicados por cinco grandes editores predatórios triplicou desde 2013 – passando para cerca de 175.000 artigos.

Link de desempenho

Muitas editoras que hospedam revistas predatórias suspeitas estão baseadas na Índia. E vários estudos descobriram que uma alta proporção de artigos em tais periódicos vem de acadêmicos que atuam no país.

Muitos acadêmicos indianos atribuem essa situação ao sistema nacional de avaliação do desempenho acadêmico. Em 2010, a agência reguladora e de financiamento do ensino superior da Índia, a University Grants Commission (UGC), introduziu um sistema para avaliar os acadêmicos chamado Indicador de Desempenho Acadêmico, que coloca um peso considerável no número de publicações de pesquisa. As universidades devem usar o indicador para contratar e promover membros do corpo docente. Mas cientistas reclamaram que isso encoraja acadêmicos e universidades a se concentrarem na quantidade de publicações, e não em sua qualidade.

Para reduzir a prática de publicação em periódicos abaixo do padrão, o UGC divulgou em janeiro de 2017 uma lista branca de periódicos aprovados. A lista continha aproximadamente 32.000 publicações indexadas em bancos de dados de citações científicas, como Web of Science e  Scopus, além de mais de 5.000 publicações recomendadas pelas universidades. Mas os pesquisadores rapidamente apontaram que esta lista também incluía revistas predatórias.

Virander Singh Chauhan, que preside o comitê de CGU que avalia e credencia instituições de ensino superior e que supervisionou a lista, diz que as revistas predatórias foram recomendadas por algumas universidades, e que a UGC só tinha conhecimento disso depois. A menos que as universidades parem de fazer isso, “nada pode se livrar de revistas fajutas na Índia”, diz Chauhan. Atualmente, diz ele, as universidades podem simplesmente recomendar revistas e fazer um esforço mínimo para verificar a qualidade de uma publicação.

Maior consciência

Em maio, o UGC removeu 4.305 periódicos da lista por motivos de má qualidade, ou porque foram fornecidas informações incorretas ou insuficientes sobre os periódicos removidos . (O grupo atualizará a lista com as recomendações revisadas das universidades.) Chauhan diz que a introdução de critérios mais rígidos para o registro de periódicos na lista do UGC reduzirá o número de publicações predatórias.

O astrofísico Ajit Kembhavi diz que o plano do governo de reprimir periódicos propostos pela universidade é um bom primeiro passo, mas que o maior problema é como as universidades são avaliadas e financiadas.

Uma solução mais permanente seria dissociar as avaliações acadêmicas do número de publicações de um pesquisador, diz Kembhavi, do Centro Interuniversitário de Astronomia e Astrofísica de Pune, um dos sete consórcios universitários criados pelo UGC para permitir que as universidades compartilhem infraestrutura e serviços. Recursos.

Kembhavi diz que mais precisa ser feito para promover uma maior conscientização dos periódicos predatórios entre os acadêmicos da Índia e para educá-los sobre ética em pesquisa.

Na China, onde algumas universidades recompensam os acadêmicos com base no número de publicações, o governo está trabalhando em uma lista negra de revistas que considera de baixa qualidade ou criadas apenas para fins lucrativos. As pesquisas publicadas nessas revistas não contarão para pedidos de promoção ou concessão, e os autores também receberão uma advertência.

Bhushan Patwardhan, biólogo da Universidade Savitribai Phule Pune e crítico ferrenho de práticas de publicação duvidosa, diz que o governo indiano também deve mostrar tolerância zero em relação aos acadêmicos que publicam nesses periódicos. Atualmente, não há repercussões para acadêmicos que fazem isso. Ele diz que o governo deve introduzir regras semelhantes às introduzidas para detectar e punir o plágio nas universidades, que entraram em vigor em julho. “Se os membros do corpo docente estão autorizados a saírem ilesos de tais práticas, o que os impediria de fazer isso de novo?”, diz Patwardhan.

[1] Este artigo foi originalmente publicado em inglês pela revista “Nature” [Aqui!]

Em meio ao silêncio sepulcral da comunidade científica, trash science chega ao nirvana

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Depois de terem se livrado da incômoda lista produzida por  Jeffrey Beall, usando para isto sabe-se lá quais mecanismos de convencimento, os editores de  revistas de “trash science” devem estar mais felizes do que nunca. 

É que venho constatando cada vez mais a inclusão de artigos publicados por tradicionais editoras de trash science em minha própria contagem de citações na tradicional  base de dados de citação conhecida como “Web of Science”, e que foi criado pelo Institute for Scientific Information (ISI), que foi propriedade da Thomson Reuters, e que hoje está sob o controle da empresa Clarivate Analytics [1].

O primeiro efeito dessa entrada das revistas de “trash science” no Web of Science é, mais do que certamente, o encarecimento das publicações do chamado “open access” que ganharam uma importante chancela de legitimidade ao serem incluídas em uma plataforma que antes estava reservada a revistas que, em tese, publicavam ciência que tivesse passado pelo crivo do sistema de “peer review” (ou revisão por pares em português) . Nesse caso, os proprietários das editores de “trash science” são os claramente vencedores, visto que seus lucros deverão aumentar de forma estratosférica.

O segundo efeito é o que considero mais nefasto para a ciência enquanto um campo intelectual em que os elementos de rigor deveriam guiar aquilo que é publicado. É que a validação dada a revistas de “trash science” implica também na validação daquilo que elas publicam. Tal fato tornará basicamente o artigo científico em algo não apenas ultrapassado em termos de divulgação científica, mas principalmente em um veículo de de divulgação não de resultados científicos que tenham passado pelas provas de acurácia e precisão, mas daquilo que muitas vezes falhou nestas duas dimensões essenciais para que algo seja considerado uma verdade científica.

Um terceiro efeito é que, especialmente em países onde esses índices são usados para decidir a alocação de recursos públicos em fomento à ciência, teremos cada vez mais a premiação de pesquisadores que se sirvam das editoras predatórias para turbinar seus currículos para aumentar indevidamente as suas chances de obterem suporte para seus projetos de pesquisa. Tal efeito será desastroso não apenas para o avanço da ciência pura, mas também da aplicada, representando um vexaminoso exemplo de desperdício de recursos públicos.

O assombroso, ao menos para mim, é o completo silêncio que está cercando a chegada das editoras “trash science” ao nirvana dos indexadores de citação como é o caso do Web of Science.  Este silêncio é mais do que uma simples omissão, mas representa uma opção de cumplicidade em relação ao processo de validação do que pode ser considerado ou não como sendo ciência de qualidade.

E viva o trash science!


[1] https://clarivate.com/

Índia remove 4.305 revistas científicas de baixa qualidade da lista de publicações aceitas para avaliar desempenho acadêmico

Lucas Vallecillos/Alamy Stock Photo

A agência de consultoria de ensino superior na Índia está removendo revistas consideradas de baixa qualidade do seu registro de revistas aprovadas, mas acadêmicos dizem que a lista deve ser abolida.

Por Smriti Mallapaty*

A University Grants Commission (UGC), que financia e supervisiona o ensino superior na Índia, removeu 4.305 revistas espúrias de uma lista de cerca de 30.000 publicações usadas para avaliar o desempenho acadêmico no país. O Comitê Permanente de Notificação de Periódicos da UGC avaliou o subconjunto de periódicos originalmente enviados para inclusão pelas universidades ou listados no Indian Citation Index, e os considerou de baixa qualidade ou para conter informações incorretas ou insuficientes.

O Comitê avaliou as revistas em resposta à reclamações sobre credibilidade. Em março, pesquisadores na Índia e no Canadá publicaram um artigo na Current Science, que descobriu que a grande maioria do subconjunto recomendado pela universidade era de baixa qualidade [1]. As instituições acadêmicas devem consultar a lista ao indicar o corpo docente, avaliar o desempenho do pessoal e conceder o doutorado.

O UGC anunciou as mudanças em seu site esta semana e está revisando mais 191 periódicos no Indian Citation Index. “Este é um processo dinâmico”, diz Virander Chauhan, presidente do comitê de UGC. “Não é uma lista congelada.”

Bhushan Patwardhan, primeiro autor do artigo da Current Science e biólogo da Universidade Savitribai Phule Pune, diz que a decisão de remover os periódicos ilusórios “é boa, embora um pouco atrasada”.

 Tolerância zero

A UGC criou a lista de periódicos aprovados em abril de 2017 como uma forma de ajudar os pesquisadores a distinguir entre periódicos legítimos e predatórios. A lista de cerca de 30.000 títulos foi selecionada a partir de vários índices de citação, como o Web of Science e o Scopus, além de recomendações de comitês de especialistas e universidades. Mas muitos acadêmicos criticaram por dar licença às próprias publicações que procuravam proteger. Em particular, eles questionaram a qualidade de um subconjunto de cerca de 5.500 periódicos apresentados por universidades. Patwardhan queria verificar quantitativamente essas alegações.

Para conduzir a análise, ele se juntou ao epidemiologista clínico David Moher, do Ottawa Hospital Research Institute. Moher já havia analisado 1.907 artigos em mais de 200 supostos periódicos predatórios nas ciências biomédicas e descobriu que a maioria dos artigos vinha da Índia (os Estados Unidos eram o segundo maior contribuinte).

Os pesquisadores avaliaram 1.009 dos periódicos submetidos à universidade, dos quais apenas 112 (11,1%) preencheram os critérios básicos para boas práticas de publicação. Um terço dos periódicos foi desclassificado por não fornecer informações essenciais (ou apresentar detalhes incorretos), tais como endereço, site e editor da revista. Os demais periódicos que não ultrapassaram o limite de qualidade fizeram declarações incorretas ou enganosas sobre sua indexação, detalhes de contato e afiliação de editores, ou processo de revisão por pares. “Nós aplicamos tolerância zero para informações falsas”, diz Patwardhan. Uma análise inédita de todo o subconjunto de periódicos recomendados por universidades corresponde a esses resultados, diz ele.

Subhash Lakhotia, coautor e zoólogo da Universidade Hindu de Banaras, diz que o CGU deveria dispensar inteiramente a lista, concentrando-se em “emitir diretrizes gerais sobre como avaliar a qualidade do trabalho de um pesquisador”.

“As universidades não podem escapar de sua responsabilidade”, diz Lakhotia. “Criamos as condições, participamos e promovemos.”

Integridade da pesquisa

Alguns culpam a crescente prevalência de periódicos duvidosos na Índia sobre regulamentações institucionais que determinam a publicação para o sucesso na carreira. Em 2010, a UGC introduziu Indicadores de Desempenho Acadêmico baseados em pontos para o recrutamento e promoção de professores e professores acadêmicos em faculdades e universidades, o que incluiu uma categoria para trabalhos de pesquisadores. Em 2013, também exigiu que os candidatos ao doutorado publicassem dois trabalhos antes de apresentar sua tese. Isso criou um “desespero” para publicar, diz Patwardhan, que é um convidado especial do comitê de CGU.

O UGC planeja eliminar a exigência de publicação obrigatória para professores universitários.

Outros argumentam que o acesso à tecnologia digital e o modelo pay-to-publish adotado por muitas publicações de acesso aberto criaram condições favoráveis para aqueles que querem ganhar dinheiro rapidamente. “Por que isso acontece? Porque tem dinheiro”, diz Chauhan.

Patwardhan planeja estabelecer um Centro Internacional de Ética na Publicação na Universidade Savitribhai Phule Pune, que manterá uma lista independente de periódicos confiáveis, além de conscientizar sobre boas práticas de publicação. “Pesquisadores publicam hoje em revistas duvidosas por desespero”, diz ele. “Precisamos construir integridade acadêmica em nossa comunidade.”

“A trajetória desse problema é acentuada”, diz Moher no Canadá. “Não vai desaparecer a menos que alguma ação seja tomada.”

“A trajetória desse problema é acentuada”, diz Moher no Canadá. “Não vai desaparecer a menos que alguma ação seja tomada.”

*Smriti Mallapaty é Senior Editor da Nature Index da Nature Publishing Group. Artigo originalmente publicado em inglês pela Nature.index [2]


[1] https://www.researchgate.net/publication/323942993_A_Critical_Analysis_of_the_%27UGC-Approved_List_of_Journals%27

[2] https://www.natureindex.com/news-blog/india-culls-four-thousand-three-hundred-dubious-journals-from-approved-list

Nature publica duas cartas que lamentam o fim da Lista de Jeffrey Beall

beall´s

A respeitada revista Nature publicou na sua edição do último dia 27 de Abril duas cartas de lamento sobre o encerramento da lista de revistas predatórias (trash science) do professor Jeffrey Beall (ver abaixo).

Beall Naure

De forma geral as cartas assinadas pelos professores Vinicius Giglio e Osmar Luiz e a do professor Wadim Strielkowski apontam na mesma direção: a Beall´s List cumpria um papel inestimável na identificação de editores e revistas predatórias, e seu desaparecimento deixou muita gente perdida na selva formada pelas publicações “trash”.

Mas ambas as cartas vão além do lamento e cobram que editoras e instituições de pesquisa estabeleçam critérios que contribuam para a identificação de revistas científicas meritórias de publicação, bem como a necessidade de que sejam estabelecidos bancos de dados que permitam a rápida identificação destes reprodutores de lixo científico, de modo a que a comunidade científica os evite. 

Por fim, a carta assinada por Strielkowski aponta para a necessidade de que sejam estabelecidos comitês de ética cientifica para que estes estabeleçam diretrizes que possam facilitar a identificação das revistas e editoras predatórias.

Ainda que eu considere todas essas considerações mais do que necessárias, tendo a ficar cético quanto à disposição da comunidade cientifica mundial,  e a brasileira em particular, de atacar frontalmente o problema representado pelas revistas reprodutoras de “trash science“.  É que as revistas predatórias apenas suprem um nicho de mercado que está diretamente associado à aceitação explícita do dogma do “publicar ou perecer” que guia premiações individuais e alocação de verbas estatais e privadas para a pesquisa científica em todo o mundo. A verdade é que enquanto a cultura do produtivismo, que premia quantidade em vez de qualidade, não for revista como critério de alocação de verbas e estabelecimento de padrões salariais, o mais provável é que as revistas predatórias continuem a florescer como cogumelos em pastagens em dias de chuva.

Assim, até que se mudem os padrões de premiação, o mais provável é que cada vez mais tenhamos lixo acadêmico sendo apresentado como ciência genuína.  E de lá da sua trincheira na Universidade do Colorado, é bem provável que Jeffrey Beall ainda seja quem mais saiba os caminhos que deveriam ser trilhados para que se evite essa verdadeira hecatombe que ronda a ciência mundial. Resta saber se alguém vai procurá-lo para ouvir o que ele tem a dizer. A ver!