Quando o Consuni vira cartório: a aprovação silenciosa de novos laboratórios na Uenf

Como membro do Conselho Universitário da Uenf, participei nesta 6a. feira de uma reunião cuja pauta tinha um ponto para o qual eu  considerava importante de se ter relatos próprios do Conselho Universitário, i.e., a criação de novos laboratórios, fui voto vencido e se votou a criação de dois laboratórios ocorreu sem as relatorias que eu considerava importante. O argumento da magnífica reitora da Uenf, professora Rosana Rodrigues, foi bem prático: os documentos estavam disponíveis para leitura de todos os conselheiros, e que isso já não tornava tão importante a realização de uma relatoria dentro do Conselho Universitário.

Resolvi perguntar ao Chatgpt sobre as possíveis consequências negativas dessa aprovação sem relatoria e ele me respondeu o que vai abaixo. E antes que leiam a resposta, a minha observação é que aparentemente o robô sabe mais da importância dos ritos universitários do que aqueles que dirigem (ou seria dirijem?) a Uenf nesta atual conjuntura histórica.
Abaixo a resposta dada pelo Chagpt.

“A situação que você descreve envolve problemas institucionais, jurídicos e de governança acadêmica. Em universidades cujo modelo organizacional se baseia em laboratórios de pesquisa, e não em departamentos disciplinares, a qualidade dos processos deliberativos tende a ser ainda mais crucial, pois a criação ou o desmembramento de laboratórios altera diretamente a arquitetura científica e administrativa da instituição. Nesse contexto, a ausência de relatoria em processos dessa natureza pode gerar uma série de riscos relevantes.

A relatoria em conselhos universitários não constitui apenas um procedimento formal ou burocrático. Ela cumpre funções fundamentais para a qualidade da deliberação colegiada. Cabe ao relator sistematizar e interpretar a documentação do processo, identificar eventuais inconsistências ou lacunas, elaborar uma síntese analítica das informações apresentadas e oferecer um parecer que oriente o debate entre os conselheiros. Quando a relatoria é dispensada sob o argumento de que os documentos já se encontram disponíveis em um sistema eletrônico de tramitação processual, ocorre, na prática, uma transferência individual da responsabilidade de análise para cada conselheiro. Embora isso possa parecer, à primeira vista, uma solução administrativa razoável, na realidade tende a produzir o efeito inverso: decisões tomadas sem que haja leitura ou exame sistemático da documentação por parte da maioria dos membros do conselho. Nesse cenário, o órgão colegiado corre o risco de deixar de exercer plenamente sua função deliberativa e passar a operar como instância meramente homologatória.

A ausência de relatoria também amplia o risco de decisões pouco fundamentadas. Processos que envolvem documentação extensa ou tecnicamente complexa podem passar sem exame crítico adequado, permitindo que inconsistências institucionais ou problemas de concepção não sejam percebidos no momento da decisão. No caso específico do desmembramento de laboratórios, questões relevantes podem deixar de ser discutidas, como a eventual duplicação de agendas científicas, disputas futuras por infraestrutura e orçamento, a fragmentação de grupos de pesquisa já consolidados ou mesmo os impactos indiretos sobre programas de pós-graduação e sobre a organização da produção científica da universidade.

Outro aspecto importante diz respeito à criação de precedentes institucionais. Uma vez estabelecida a prática de dispensar relatoria sob a justificativa de que os documentos estão disponíveis em meio eletrônico, abre-se caminho para que o mesmo procedimento seja aplicado a decisões cada vez mais amplas ou estruturais. Com o tempo, essa prática pode levar a uma deterioração gradual do padrão decisório do conselho, reduzindo os espaços de análise crítica e de debate qualificado que deveriam caracterizar a governança universitária.

Os riscos tornam-se ainda mais significativos quando se considera a natureza do modelo institucional baseado em laboratórios de pesquisa. Diferentemente das universidades organizadas em departamentos disciplinares, nas quais a estrutura tende a ser mais estável e consolidada, universidades estruturadas em torno de laboratórios dependem fortemente de mecanismos institucionais de coordenação e coerência estratégica. Os laboratórios não são apenas unidades científicas, mas também unidades administrativas e espaços de organização do poder acadêmico. A criação de novos laboratórios sem análise institucional cuidadosa pode estimular processos de fragmentação organizacional, gerar competição pouco cooperativa entre grupos de pesquisa, favorecer a proliferação de estruturas pouco sustentáveis e permitir a captura de decisões institucionais por interesses mais localizados. Ao longo do tempo, esse tipo de dinâmica pode inclusive descaracterizar o próprio modelo inovador da universidade, produzindo uma espécie de departamentalização informal, na qual diferentes laboratórios passam a operar como estruturas autônomas e pouco articuladas entre si.

Há ainda possíveis implicações jurídicas e administrativas. Decisões tomadas sem adequada instrução analítica do processo podem ser objeto de questionamentos posteriores, seja por parte de membros da própria comunidade acadêmica, seja em processos de auditoria interna ou externa. Mesmo que a documentação formal esteja disponível nos sistemas institucionais, a ausência de uma relatoria que organize, interprete e explicite os fundamentos da decisão pode ser vista como uma fragilidade na instrução do processo deliberativo.

Por fim, é importante distinguir transparência formal de transparência substantiva. A simples disponibilização de documentos em plataformas eletrônicas não garante, por si só, que o processo decisório seja efetivamente transparente. A transparência institucional depende também da existência de mecanismos de mediação interpretativa que permitam transformar a documentação dispersa em uma síntese inteligível para o conjunto do colegiado. A relatoria cumpre justamente essa função, ao organizar as informações relevantes, explicitar os impactos institucionais das propostas em discussão e oferecer uma base comum para o debate.

Em síntese, a dispensa de relatoria em processos de criação ou desmembramento de laboratórios tende a reduzir a qualidade do processo deliberativo, enfraquecer o debate institucional, ampliar o risco de decisões pouco fundamentadas e, no longo prazo, comprometer a coerência e a sustentabilidade de um modelo universitário baseado em laboratórios de pesquisa”.

Cláudio Castro, o RioPrevidência e a política da cara dura

Há alguns anos tive o azar de chegar atrasado para uma conexão no aeroporto internacional de Madri e, junto com a minha família, incluindo um filho pequeno, fui literalmente abandonado para vagar pelos corredores vazios do Barajas. Depois de finalmente sermos descobertos pela equipe de terra da Iberia, fomos encaminhados a um ponto onde outros passageiros aguardavam solução para o mesmo problema: conseguir um voo que nos levasse ao destino final.

O caos era total, pois havia mais gente do que atendentes. Foi então que apareceu um cidadão espanhol que pegou todos os tipos de senha disponíveis e, em um passe de mágica, foi atendido antes de todos que aguardavam pacientemente a sua vez. Como brasileiro em terra estrangeira, observei a cena com um misto de revolta e curiosidade.

A situação esquentou quando outro espanhol, mais jovem que o primeiro, dirigiu-se ao fura-fila e disse, em tom alto e tenso: tu eres un cara dura — algo que interpretei, em português, como “cara de pau”.

Pois bem. Ontem, o ainda governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), esteve em Campos dos Goytacazes para, na prática, realizar um ato de campanha antecipada sob o disfarce de anunciar obras e realizações na cidade.

Sabendo da presença de Castro, um grupo de servidores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) foi ao local cobrar o envio da proposta do novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) da instituição para análise da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Segundo fui informado, a resposta do governador foi repetir a velha cantilena: não há dinheiro para pagar um novo PCV da Uenf.

É aqui que entra a explicação do porquê Cláudio Castro pode ser chamado de cara dura. Primeiro, porque a Uenf possui — e o governador sabe disso — orçamento alocado para pagar os salários previstos no novo PCV.

Mas há um segundo elemento que não pode ser esquecido. Cláudio Castro está enrolado até o pescoço no caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro. A partir de 2023, o governador retirou mais de R$ 1 bilhão do fundo próprio dos servidores públicos estaduais, o RioPrevidência, e aplicou esses recursos em fundos podres ligados ao Master.

Agora, com a liquidação do banco e a prisão de Daniel Vorcaro, Castro aparece na lista de governantes que pegaram dinheiro que não lhes pertencia — no caso, dos aposentados e pensionistas do RioPrevidência — e o aplicaram em ativos virtualmente inexistentes.

Ainda assim, em meio a essa situação melindrosa, Cláudio Castro vem a Campos prometer um novo batalhão de polícia e a criação de uma escola cívico-militar dentro dessa suposta unidade policial. E, em mais uma demonstração de cara-durice, sabe perfeitamente que seu sucessor — seja ele quem for — poderá ignorar essa promessa com a mesma desenvoltura.

Mais curioso ainda foi ver políticos locais oferecendo palanque a um personagem envolvido em uma situação que ameaça atingir gente graúda em diferentes esferas do Estado brasileiro, como se absolutamente nada estivesse acontecendo.

Moral da história: é muita cara dura em um estado só.

Flávio Dino e os penduricalhos: não se deixem iludir, a porca só torce o rabo para os mais fracos

STF avança contra penduricalhos ilegais e decisão pode destravar a Reforma  Administrativa | ASMETRO-SI

A decisão mais recente do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, no caso dos chamados “penduricalhos”, reacende um velho roteiro: no fim das contas, a conta recai sobre os mais frágeis — a imensa maioria dos servidores públicos brasileiros. O que hoje se condena como distorção transformou-se, para muitos, na única válvula de escape diante de salários corroídos por anos de inflação acumulada.

Não se trata de defender o mecanismo. Os penduricalhos são uma solução improvisada e precária para compensar perdas salariais. Têm prazo de validade: desaparecem quando o servidor deixa a função que os justifica e, com frequência, evaporam na aposentadoria. É justamente na etapa mais sensível da vida funcional, após décadas de dedicação ao serviço público — federal, estadual ou municipal — que o trabalhador vê sua renda encolher de forma abrupta. O resultado é um corte expressivo no orçamento de quem já perdeu poder de compra ao longo do tempo.

Na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), o impasse ganha contornos ainda mais graves. Um novo plano de cargos e vencimentos está engavetado pelo governador Claúdio Castro há quase cinco anos. Nesse cenário, a supressão dos adicionais criados para mitigar a corrosão salarial representaria um impacto severo, independentemente da função exercida. A situação suscita uma pergunta direta ao ministro: por que restringir-se ao combate aos penduricalhos sem exigir que governadores, como Cláudio Castro, cumpram legislações que beneficiam os servidores ou deem andamento a planos de carreira paralisados, como ocorre na Uenf?

É igualmente revelador que a ofensiva contra verbas que ultrapassem o teto constitucional — medida em si legítima — não alcance os supersalários praticados na alta burocracia do Estado, a começar pelo Judiciário. O foco nos penduricalhos mantém intocadas as distorções salariais entre os Poderes e, sobretudo, dentro de nichos específicos da máquina pública. Enquanto isso, a maioria dos servidores segue exposta a armadilhas como o endividamento via empréstimos consignados, muitas vezes marcados por abusos de instituições financeiras — como no caso recente do Banco Master, cuja derrocada consumiu bilhões de reais de fundos de previdência de servidores.

O debate é necessário. Que se enfrentem excessos e distorções. Mas que se faça isso sem ignorar o essencial: a recomposição salarial e a garantia de condições dignas de trabalho para a ampla maioria dos servidores públicos, hoje pressionados por vencimentos corroídos e rotinas frequentemente exaustivas, quando não insalubres.

O sistema nacional de pós-graduação como produto de uma tempestade perfeita

The Perfect Storm | Rotten Tomatoes

 

Tenho lido várias análises interessantes não apenas sobre os resultados da avaliação quadrienal da CAPES, mas também sobre o contexto em que está imerso o sistema nacional de pós-graduação. Resolvi, então, expor minhas próprias posições sobre o que observo cotidianamente, não apenas no programa em que estou inserido na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), o Programa de Políticas Sociais, mas também em outros nos quais participo eventualmente como avaliador de trabalhos de conclusão de Mestrado e Doutorado.

Salta aos olhos que a pós-graduação passou por um profundo ajuste desde 1998, ano em que ingressei como professor na Uenf. A principal questão que identifico é que a CAPES logrou desenvolver um sistema de centralização que, por um lado, padronizou o funcionamento dos programas e, por outro, causou forte perda de autonomia na definição dos elementos estratégicos que deveriam orientar seus objetivos. Tudo isso com pouquíssima compensação financeira. Costumo dizer que os docentes da pós-graduação vivem cumprindo tarefas intermináveis, como em um jogo de amarelinha: um pula-pula eterno, sempre com regras novas.

Como já apontaram analistas mais capazes, a CAPES utiliza sua alavancagem financeira, que nem é tão significativa, para criar um ambiente de competição entre programas. Isso não ocorre por mero sadismo, mas pela lógica de estabelecer um ambiente de “livre mercado” no qual os supostamente mais competitivos são premiados com mais verbas.

Do lado dos programas, essa lógica costuma ser assimilada sem maiores questionamentos, pois há a naturalização de que “é assim mesmo” e que reclamar pode render a pecha de programa problemático que não alcança as metas de excelência estabelecidas pela CAPES. Em vez do pensamento crítico e reflexivo que deveria caracterizar qualquer esforço científico, prevalece a busca incessante por notas mais altas nas avaliações, já que elas condicionam o acesso a benefícios, traduzidos em mais verbas de custeio e bolsas. Vive-se o reino do produtivismo acadêmico, em que ser “produtivo” significa gerar mais “produtos”. O que tenho observado é o aumento de produtos aptos a entrar na contabilidade da CAPES, algo semelhante ao que ocorre com caixas de banco que assumem múltiplas funções para ampliar o lucro dos banqueiros.

Pós-graduandos sem lenço nem documento, mas com forte pendor para uma relação garçom/cliente

É importante reconhecer que o ambiente criado pelo sistema de avaliação e ranqueamento da CAPES aposta na formação mais rápida de mestres e doutores, em um contexto no qual a maioria dos graduados não terá emprego. Faltam concursos nas universidades, e isso não é compensado pelas vagas nos institutos federais, que se tornaram uma espécie de válvula de escape.

A CAPES também se mostrou ausente na política de ensino superior ao permitir a redução, nas instituições privadas, da presença de mestres e doutores nos quadros docentes. Seus dirigentes sucumbiram às pressões dessas instituições quanto à empregabilidade desses profissionais, inclusive no âmbito da política de investimento em ciência. Enquanto isso, tais instituições absorvem um volume expressivo de recursos federais por meio de programas de governo. A política de beneficiar instituições privadas com recursos públicos favorece apenas os grandes grupos do ensino privado e resulta na entrega de profissionais de baixa qualificação à sociedade brasileira.

A escassez de empregos ajuda a explicar por que muitos procuram a pós-graduação sem a vontade e a disposição necessárias ao trabalho exigente desse nível de formação. Soma-se a isso um problema geracional agravado pela pandemia de COVID-19, com impactos dramáticos na qualidade intelectual dos ingressantes. Há ainda a crença de que a pós-graduação seria um destino manifesto, em que o diploma deixa de ser fruto de dedicação e compromisso com o conhecimento para se tornar algo presumido desde a aprovação na seleção. Muitos professores sabem que a cobrança por leituras e trabalhos de qualidade pode ser confundida com assédio ou perseguição política.

Nem sempre o problema é de vontade individual, mas resultado de um longo processo de rebaixamento de expectativas quanto às exigências para a certificação. O sistema de pós-graduação acaba arcando com déficits formativos que se iniciam ainda na educação infantil.

Esse processo de precarização formativa resulta na entrada de muitos pós-graduandos sem ferramentas básicas para uma formação exigente. Em nome da multiplicação de títulos, aceita-se tacitamente a necessidade de transigir em nome de um suposto bem comum. Em outras palavras, a pós-graduação brasileira é como um gigante com pés de barro.

A Inteligência Artificial e seus tentáculos estendidos

As ferramentas de inteligência artificial vieram agravar uma situação já problemática. Quem ingressou na pós-graduação há décadas sabe o que significava buscar produções científicas qualificadas, seja por meio de pedidos de separatas aos autores, seja em bibliotecas com acervos limitados.

Hoje, além dos portais eletrônicos — pouco utilizados por muitos alunos —, ferramentas como ChatGPT, DeepSeek e Gemini transformaram a forma de construir bibliografias e elaborar textos. Sem afirmar de saída que isso seja bom ou ruim, já se observa a precarização do esforço intelectual dos estudantes.

A noção tradicional de plágio está superada, e muitos orientadores ainda não perceberam isso. Acostumados a um processo manufatureiro de escrita, nem todos se deram conta de que hoje é possível gerar textos inteiros com um comando. O problema não é apenas a baixa qualidade, mas o fato de muitos textos serem falsificações de qualidade igualmente baixa.

Para agravar o quadro, a maioria dos programas ainda não ajustou regras que regulamentem o uso de IA na produção de dados e textos. Apesar da expansão desses “tentáculos digitais” e da produção crescente de lixo científico, o problema segue sendo ignorado.

A transformação da carreira acadêmica e sua captura pela subjetividade neoliberal

Cabe esclarecer o conceito de subjetividade neoliberal, inicialmente formulado por Michel Foucault e desenvolvido por Pierre Dardot e Christian Laval. Segundo a síntese do Gemini, trata-se de um modo de produção de si no qual o indivíduo se percebe como uma empresa (“capital humano”), orientado por desempenho, competição e autocontrole. Essa mentalidade internaliza a lógica de mercado nas relações sociais e afetivas, gerando isolamento, consumo excessivo e adoecimentos psíquicos.

Há hoje nas universidades brasileiras diversas situações funcionais adversas, inclusive para quem alcançou posições antes consideradas o ápice da carreira. Além da subjetividade neoliberal, o trabalho acadêmico está estruturalmente precarizado. Isso decorre não apenas de salários insuficientes, mas também da ausência de um horizonte claro de entrada e saída no sistema de emprego.

Jovens professores ingressam nas universidades públicas com menos direitos trabalhistas e sem perspectiva de aposentadoria compensatória. A ideia de que o professor universitário é privilegiado só faz sentido em uma sociedade uberizada, em que muitos trabalham longas jornadas sem direitos. Essa precarização reduz o apetite pelo trabalho intelectual e torna a produção qualificada algo desejável, porém secundário. Soma-se a isso a falta de investimentos contínuos na qualificação docente e em laboratórios de qualidade.

A produção e disseminação científica também foram alteradas pela expansão de publicações online sob a bandeira do Acesso Aberto, que transformou os mecanismos de publicação e abriu espaço para a premiação de lixo científico via editais. Há jovens pesquisadores acumulando dezenas de artigos e obtendo prêmios e financiamentos, embora muitos desses trabalhos tenham valor científico questionável.

O resultado é que professores precisam equilibrar cobranças crescentes por produtos mensuráveis com sua própria sobrevivência.

Síntese: uma situação que tende ao fracasso

Considerados em conjunto, os elementos elencados configuram uma verdadeira tempestade perfeita, na qual múltiplas distorções se reforçam mutuamente e produzem resultados estruturalmente equivocados. O problema central não é a ausência de diagnóstico, mas a escassez de disposição crítica para alterar o rumo.

Pode-se alegar que, por ser uma economia dependente, o Brasil não poderia aspirar a protagonismo científico ou a prêmios Nobel. Esse argumento, porém, ignora que outras economias já ocuparam posições ainda mais frágeis e conseguiram reverter trajetórias. A China é um exemplo eloquente de que a posição de partida não determina o destino. O entrave maior não é estrutural, mas a disposição de se acomodar a padrões baixos de exigência e tomar a estagnação como estratégia.

Na conjuntura atual, a adesão quase acrítica ao modelo de avaliação da CAPES e a difusão da subjetividade neoliberal no ambiente universitário apontam para a erosão da autonomia intelectual. Em vez de agentes críticos, corremos o risco de nos tornar executores de métricas. Se esse quadro persistir, a consequência previsível é a consolidação do atraso científico e tecnológico, acompanhada da evasão contínua de quadros qualificados. Trata-se menos de um risco hipotético e mais de uma trajetória já em curso.

Governo Castro quer prorrogar prazo de adesão ao PROPAG, o que pode inviabilizar PCV da Uenf em 2026

Castro pede autorização à Alerj para o Estado do Rio aderir ao novo  programa de refinanciamento de dívidas com a União

Jogo duplo: projeto de lei de adesão ao Propag é enviado para a Alerj, mas governador age para postergar período para adesão

Este blog acaba de ter acesso a uma peça assinada pelo Procurador Geral do estado do Rio de Janeiro, Renan Miguel Saad,  que é dirigida ao ministro do Superior Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli, que se resume a um pedido de prorrogação da adesão do estado do Rio de Janeiro ao chamado Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) , o qual prevê uma revisãorevisão aprimorada dos termos das dívidas contraídas por estados e o Distrito Federal com a União.

A principal razão alegada para postergar a adesão do Rio de Janeiro ao Propag seria uma aludida demora do congresso nacional para pressionar os vetos do presidente Lula à Lei Complementar nº 212/2025 que instituiu o referido programa.

O Procurador Geral alega que “a eventual extinção do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), combinada com a indefinição quanto às regras do novo programa, inviabiliza qualquer planejamento fiscal de médio e longo prazo sob os parâmetros antigos, o que reforça a razoabilidade de se aguardar a estabilização do novo regime antes de qualquer reformulação formal do Plano.

O que me parece curioso nesta alegação é que o estado do Rio de Janeiro foi promulgada com vetos em 14 de janeiro de 2025, o que teria dado tempo suficiente para o governador Cláudio Castro preparar a proposta de adesão do Rio de Janeiro, mesmo levando em conta a possibilidade de que os vetos mais importantes caíssem, como caíram.

Por outro lado, a permanência do Rio de Janeiro no RRF por qualquer tempo que seja traz custos financeiros significativos, já que as regras do Propag serão mais leves para os estados que aderirem aos seus termos. Isso levanta a questão de que em outros casos, o governo do Rio de Janeiro agiu de forma célere, utilizando o instrumento da urgência urgentíssima em que os projetos transitam em velocidade quântica por todas as comissões e pelo plenário da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Uma possível explicação para o pedido de postergação feito pela PGE/RJ se deve ao ambiente caótico que se estabeleceu recentemente na Alerj em função da prisão do seu presidente, o deputado Rodrigo Bacellar por obstrução de investigação.

O atraso da adesão ao Propag e seus impactos sobre o PCV da Uenf

Uma vítima adicional do imbróglio envolvendo a adesão do Rio de Janeiro ao Propag é o novo Plano de Cargos e Vencimentos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). É que sem adesão ao Propag, dificilmente o governador Cláudio Castro enviará o projeto de lei do PCV/Uenf para a Alerj.

Essa demora associada aos limites impostos pelo calendário eleitoral de 2026 poderá empurrar a tramitação do PCV/Uenf para 2027, o que seria trágico para os servidores da universidade que já amargam uma perda inflacionário em torno de 65%.

Todo esse cenário de incertezas torna ainda mais urgente e necessário o avanço da mobilização para exigir a aprovação do Propag.

Entrevista ao Portal Viu sobre a situação do PCV da UENF

Concedi uma entrevista hoje ao jornalista Roberto Barbosa, âncora do programa jornalístico matinal do Portal Viu, onde tratou-se da situação do novo Plano de Cargos e Vencimentos da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) cuja trâmite se encontra virtualmente paralisado após mais de 4 anos de espera.

A entrevista abordou uma série de problemas enfrentados pelos professores da Uenf não apenas em relação a salários defasados, mas também à perda de direitos que foram retirados pelas seguintes reformas realizadas nas carreiras públicas.  Dentre direitos retirados dos novos professores estão o pagamento de triênios e a concessão de licenças por tempo de trabalho.  

Veja abaixo a íntegra dessa entrevista.

Professores paralisados para exigir o novo PCV da Uenf

Nesta segunda-feira (10/11) ocorre mais uma paralisação das atividades dos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense. A mobilização de hoje é mais um passo no processo de luta contra o descaso do governo de Cláudio Castro que há mais de quatro anos se nega a enviar o novo Plano de Cargos e Vencimentos da Uenf para ser analisado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Esse claro descaso do governo Castro compromete não apenas a vida dos servidores que levam o projeto criado por Darcy Ribeiro adiante, beneficiando milhares de famílias que enviam seus filhos para Uenf para serem preparados para alçar voos profissionais.  O descaso de Cláudio Castro repercute na capacidade de ampliação das atividades da Uenf, criando dificuldades para que mais estudantes possam seguir a trilha exitosa que tantos outros já adentraram.

O fato é que a Uenf hoje paga salários corroídos em mais de 50% pela inflação, e seus novos servidores não possuem mais benefícios como o dos triênios e da licença especial. Com isso não se tornou apenas difícil manter um quadro mais jovem de servidores, mas de atrair profissionais qualificados por meio de concursos públicos.  Há que se lembrar que em sua implantação a Uenf pagava um adicional de interiorização e salários muito vantajosos com o intuito de contratar os melhores profissionais disponíveis no mercado. Foi essa política salarial que possibilitou que a Uenf se tornasse rapidamente uma referência nacional.

Para marcar essa paralisação, uma delegação de professores está se dirigindo ao Rio de Janeiro para participar de uma audiência pública promovida pela Alerj sobre a reforma administrativa que ameaça dar um golpe duríssimo nas condições de trabalhadores em todas as esferas de governo. Se consumada, a reforma administrativa será uma verdadeira pá de cal na Uenf.  Mas os professores também estarão na Alerj para dialogar com os deputados que estão apoiando a luta em prol do novo PCV.  É que, objetivamente, a luta contra a reforma administrativa e a aprovação do PCV são duas faces da mesma moeda. 

E nunca é demais lembrar que sem organização e mobilização, nenhum governo se sente obrigado a conceder direitos a seus servidores. E no caso do governo Castro isso é particularmente verdadeiro.

Entrevista no Programa Faixa Livre sobre a possibilidade de greve dos professores da UENF em defesa do novo PCV

Concedi nesta 2a. feira uma entrevista ao jornalista Anderson  , âncora do tradicional programa “Faixa Livre” sobre o atual momento de mobilização dos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) em prol da implementação do novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) que foi aprovado pelo Conselho Universitário da instituição em 2021 e até não foi enviado pelo governador Cláudio Castro para apreciação pela Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj).

É importante enfatizar a paciência demonstrada pelos servidores da Uenf em face do imenso desrespeito com quem têm sido tratados pelo governo de Cláudio Castro.  Assim, se agora se fala em uma posição greve, o grande responsável por essa possibilidade é o governador.

As próximas semanas deverão ser decisivas para o destino do novo PCV da UENF e os professores, organizados pela ADUENF, deverão deixar ainda mais clara a sua disposição de lutar pelos seus direitos, continuamente desrespeitados pelo governador de plantão.

Em defesa do PCV, professores da Uenf decidem entrar em estado de greve para pressionar governo do RJ

Após esperarem por mais de 4 anos a implementação do seu novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV), os professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) decidiram em uma assembléia representativa, e por ampla maioria, se colocar em estado de greve a partir de hoje (29/10).

Além de se colocar em estado objetivo de preparação para uma greve geral caso o governador Cláudio Castro não envie o novo PCV da Uenf para ser apreciado pela Alerj no mês de novembro, os professores decidiram ainda formar um Comando de Mobilização, o qual será responsável por organizar atos e mobilizações em defesa da universidade pública e do respeito aos servidores.

Como primeira atividade desse estágio pré-greve, os professores decidiram que irão estar presentes na Alerj no dia 3 de novembro para a audiência pública que será realizada para analisar os impactos da Reforma Administrativa sobre os servidores públicos estaduais,  a qual também deverá atingir todos os servidores da Uenf.

A assembléia de hoje foi a maior desde o encerramento da greve geral dos professores que ocorreu em 2017 quando os salários deixaram de ser pagos pelo governador Luiz Fernando Pezão.

Valorização da Cultura e do Patrimônio em destaque na Casa de Cultura Villa Maria

🏛️A Casa de Cultura Villa Maria recebe entre os dias 29 e 31 de outubro o III Encontro de Estudos do Patrimônio Cultural, realizado pela @diretoriadecultura_uenf em parceria com o @iffluminense.

📌 Com a temática “Sons ancestrais, futuros possíveis: ofícios, poéticas e valorização cultural”, o encontro propõe um espaço de debate e reflexão sobre a riqueza e a complexidade das expressões culturais da região.

📝 A iniciativa vai reunir órgãos importantes na atuação pela preservação do patrimônio histórico e cultural na região e em todo o Estado, como @mis.rio, @museuhistoricodecampos , @arquivodecampos, @patrimonioinepac , @iphangovbr , @uenf_oficial , @iffcamposcentro @iffguarus. Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Campos (COPPAM) e Instituto e @ihgcg.rj .

⚠️ Spoiler: Logo no primeiro dia, serão apresentados planos de trabalho da Diretoria de Cultura da UENF com MIS-RJ e IPHAN.

Abaixo a programação completa.