Vem aí a VIII Jornada do Programa de Políticas Sociais da UENF: 20 e 21 de setembro!

A ascensão do Neoconsevadorismo a impõe desafios à diversas esferas da realidade brasileira. Seja no âmbito sociopolítico, cultural ou cientifico, a matriz ideológica neoconservadora se insere de forma incisiva colocando em cheque o presente e o futuro das Políticas Sociais no Brasil.

Em função dessa conjuntura, a 8º Jornada de Politicas Sociais do Programa de Políticas Sociais (PPGPS) da Universidade Estadual do Norte Fluminense discutirá os impactos e alternativas frente à agenda conservadora e neoliberal. O evento, que ocorrerá de forma online viao canal oficial do PGPS no Youtube, e contará com a participação de  pesquisadores e representantes de associações da sociedade civil.

Veja a programação abaixo!

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Para maiores informações siga o perfil do PPGPS no Instagram que é o seguinte: @pgpoliticassociais_uenf

Para celebrar seus 22 anos, Programa de Políticas Sociais da Uenf realiza jornada de debates

Em meio a uma crescente crise social e econômico, com consequências desastrosas para a maioria da população brasileira, o Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais (PGPS) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) irá celebrar seus 22 anos com a realização de sua 8a. jornada nos dias 20 e 21 de setembro (ver cartaz abaixo).

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A existência de um programa cujas linhas de pesquisa estão centradas no objetivo de analisar o papel das políticas sociais enquanto ações de governo que, em tese, visam amenizar as consequências de uma profunda desigualdade na distribuição das riquezas que marca a formação da sociedade brasileira. 

Em consonância com o papel regional da Uenf, os professores e discentes do PGPS têm realizado uma série de estudos importantes sobre a situação das políticas sociais na região Norte Fluminense, em especial no município de Campos dos Goytacazes.

No entanto, a presente edição da já tradicional “Jornada em Políticas Sociais” procura analisar a situação das políticas sociais sob a égide dos últimos governos ultraneoliberais, em especial do governo Bolsonaro. 

O acesso ao evento será gratuito e o link para acompanhar o evento será divulgado em breve pela coordenação do PGPS na página do programa.

O saco (cheio) de maldades que Cláudio Castro esqueceu de mencionar em seu showmício na Uenf

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Um número nada desprezível dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro parece inebriado com um fato que deveria ser a coisa mais banal do mundo, que é o pagamento de seus salários relativamente em dia. É que muitos ainda estão afogados em intermináveis “consignados” que resultaram do atraso crônico de salários ao longo de 2017.
Com essa postura, agravada pelo afastamento social causado pela pandemia da COVID-19, muitos servidores não estão cientes do verdadeiro saco de maldades que o governador “por acaso” Cláudio Castro lhes reserva para um futuro não muito distante a partir do modelo de renovação do tenebroso “Regime de Recuperação Fiscal” que acaba de ser renovado com o governo federal.
Os ataques inseridos no “RRF” assinado por Cláudio Castro são uma espécie de aperitivo do que será imposto a todos os servidores públicos brasileiros, caso a chamada “Reforma Administrativa” seja aprovada. Abaixo posto 3 slides de uma análise mais ampla preparada pelo pessoal da “Auditoria Cidadã da Dívida” sobre os impactos do RRF sobre os servidores estaduais do Rio de Janeiro, onde fica explícito que os ataques que virão serão duríssimos, indo da continuidade do congelamento dos salários até a imposição de um modelo completamente privatista de aposentadoria, no melhor molde da previdência privada imposta pelo regime de Augusto Pinochet aos trabalhadores chilenos.

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No caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), onde ontem Cláudio Castro aportou sua versão eleitoral da “Caravana Rolidei”, os impactos serão muito duros e que ameaçarão a própria sobrevivência da universidade idealizada por Darcy Ribeiro e implantada por Leonel Brizola. É que já sob forte pressão por falta de concursos e com um orçamento continuamente congelada, a Uenf ainda convive com salários corroídos por mais de 7 anos de inflação. Mas com a adesão feita por Cláudio Castro ao RRF, nenhum desses problemas poderá ser reparado enquanto o acordo com o governo federal continuar em vigência.
Lamentavelmente, a Uenf está hoje sob o comando de um reitor que está claramente aquém das tarefas que se impõe sobre a instituição em uma difícil conjuntura histórica. Aliás, se entendesse o papel que deve cumprir enquanto reitor, o atual ocupante do cargo não teria se colocado como plateia no show gospel que Cláudio Castro ontem no Centro de Convenções que curiosamente leva o nome do arquiteto comunista e ateu Oscar Niemeyer.
Por isso, o melhor que os servidores públicos estaduais podem fazer é parar de se deixar engabelar pelo pagamento de salários corroídos por uma inflação que hoje se encontra galopante para planejar a necessária reação aos planos de desmanche que Cláudio Castro pretende implantar, pois como dizia meu falecido pai “jacaré parado vira bolsa”.

Em ritmo de campanha, governador do Rio de Janeiro lota Centro de Convenções da Uenf e faz dueto com Rosinha Garotinho

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Em ritmo de pré- campanha eleitoral, governador Claúdio Castro (PSC) faz dueto com a ex-prefeita e ex-governadora Rosinha Garotinho no Centro de Convenções da Uenf e entoa o “hit gospel” do Padre Marcelo Rossi, o “Noites Traiçoeiras”

Não sei quantos leitores deste blog ainda se recordam da linha dura adotada nas eleições de 2018 pela Justiça Eleitoral contra as instituições universitárias em Campos dos Goytacazes, que incluiu até a realização de rumorosas “batidas” pelos fiscais eleitorais.  

Pois bem, passados menos de três anos daquele conjunto de ações repressivas, ontem o governador “por acaso” do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), usou as dependências do Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) para a realização de um auto-denominado “Fórum de Prefeitos” que teve todos os ares de uma campanha eleitoral antecipada, segundo testemunhas do evento que teve “casa cheia”, e com muitos dos presentes sem portar as ainda requeridas máscaras cirúrgicas (ver imagens abaixo).

A coisa andou tão animada que o governador “por acaso”, que também é dublê de cantor, aproveitou para fazer um dueto com a ex-prefeita e ex-governadora Rosinha Garotinho para entoar o “hit gospel” do Padre Marcelo Rossi, “Noites Traiçoeiras”, que mereceu aplausos entusiasmados até do reitor da Uenf, Professor Raul Palacio (ver vídeo abaixo).

Fonte: Juliana Rocha

Mas o que o teria marcado o caráter de pré-campanha eleitoral de um evento realizado em um espaço público como o é o Centro de Convenções da Uenf foi a manifestação sistemática dos prefeitos presentes em apoio à reeleição de Cláudio Castro em 2022.

Diante do que ocorreu ontem na Uenf, eu diria que os potenciais candidatos a governador nas eleições de 2022 deveria colocar suas barbas de molho, pois, ao que parece, a disposição e a energia de Cláudio Castro para continuar governando o Rio de Janeiro estão altas.

Já quanto à justiça eleitoral, diante da abundante quantidade de imagens e vídeos circulando nas redes sociais no dia de hoje, o que se espera é algum tipo de ação que coiba a repetição de simulacros de “fóruns” que servem apenas para promover a candidatura de um governador em exercício. 

Flavio Serafini visita a Uenf e se reúne com representantes dos sindicatos

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O deputado estadual Flavio Serafini (PSOL/RJ), presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, esteve ontem na cidade de Campos dos Goytacazes cumprindo uma agenda de visitas, incluindo uma à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Um dos encontros realizados no campus Leonel Brizola ocorreu na sede da Associação de Docentes da Uenf (Aduenf), quando Flavio Serafini  se encontrou com representantes de todos os sindicatos da Uenf (ADUENF, SINTUPERJ, DCE, APG).

 Durante a reunião, a diretoria da ADUENF entregou a Flávio Serafini um documento onde foram arroladas as inúmeras e continuadas dificuldades afetando os docentes da Uenf no tocante à implementação das progressões, enquadramentos, pagamento dos adicionais e de periculosidade e insalubridade, e do adicional de férias.

A diretoria da Aduenf ressaltou que não se entende o porquê da diferença de tratamento dado pelo governo do Rio de Janeiro às três universidades estaduais, já que a reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) publica regularmente todos seus enquadramentos e progressões. Nesse contexto, é que foi colocada a questão do esvaziamento do quadro de servidores  da Uenf, um fator que está causando uma forte instabilidade na continuidade das atividades dentro da instituição.

Os representantes da Aduenf e da delegacia do Sintuperj-UENF pediram a Flávio Serafini que seja dada especial atenção e apoio para o novo Plano de Cargos e Salários que foi recentemente aprovado pelo Conselho Universitário da Uenf, pois a precarização dos salários tem sido um motivo de frustração, desânimo e sucateamento das vidas dos servidores técnicos e docentes da instituição.

Em resposta, Flavio Serafini se comprometeu a verificar porque esta diferença de tratamento por parte do governo do estado está ocorrendo, visto que as três universidades estaduais são importantes para o desenvolvimento científico e tecnológico do estado do Rio de Janeiro. Além disso, informou estar à disposição para novas reuniões até que os problemas afligindo a Uenf sejam resolvidos a contento.

Pesquisadores da UENF lançam obra sobre a vegetação das praças de Campos dos Goytacazes

Como resultado de uma série de pesquisas lideradas pela professora Janie Mendes Jasmim, do Laboratório de Fitotecnia da Universidade Estadual do Norte Fluminense, a cidade de Campos dos Goytacazes agora tem uma espécie de radiografia da situação da arborização em suas praças.   É que acaba de ser lançado o E-book “Guia de Vegetação de Praças de Campos dos Goytacazes”, no qual estão disponíveis informações detalhadas acerca da composição da vegetação existentes nas praças campistas.

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A obra faz parte de um projeto mais amplo que envolve atividades de pesquisa e extensão que ocorrem sob a supervisão da professora Janie Jasmim.  O E-book traz os resultados da pesquisa de iniciação científica da graduanda  Mariana Elene Costa Pereira, em que foi feita a identificação, quantificação e georreferenciamento das espécies existentes em 17 praças da região central de Campos dos Goytacazes,

Este trabalho está tendo uma sequência na forma de um inventário das árvores das principais ruas e avenidas também da região central. Os resultados preliminares dessa fase da pesquisa acabam de ser apresentados no XIII Congresso Fluminense de Iniciação Científica (CONFICT).

O grupo de pesquisa liderado pela professora Janie Jasmim também já realizou um diagnóstico participativo das áreas verdes campistas, no qual foram entrevistadas 1700 pessoas (100 por praça). Atualmente, a pesquisa está em outra etapa,  onde os pesquisadores envolvidos estarão conduzindo outro diagnóstico, agora sobre a arborização de ruas e avenidas por meio de Google forms (pretendemos fazer de forma presencial, logo que possível).

Para os interessados em conhecer mais essas atividades de pesquisa e extensão, grupo de pesquisa da professora Janie Jasmim criou dois perfis no Instagram: @arborizaçaourbanauenf; @verdeurbanocamposdosgoytacazes.

O E-book “Guia de Vegetação de Praças de Campos dos Goytacazes” pode ser baixado [Aqui!].

Artigo sobre incidente ambiental em Brumadinho está entre os mais baixados e acessados na Nature/Scientific Reports

Apesar da asfixia financeira, Uenf continua produzindo ciência de alta qualidade internacional

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Há muita asfixiada pela falta de recursos financeiros por parte do governo do estado do Rio de Janeiro, e que é agravada pelo sucateamento imposto pelo governo Bolsonaro  às agências federais de fomento (i.e.; Cnpq e Capes), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) continua tendo pesquisas que ganham o reconhecimento internacional pela sua excelência.

O mais recente deste reconhecimento foi dado pela revista Nature/Scientific Reports a um artigo que teve a participação do professor Carlos Eduardo Rezende, professor titular do Laboratório de Ciências e líder do Grupo de  “Biogeoquímica de ambientes aquáticos”.  Este blog informou em primeira mão a publicação do artigo intitulado “Metal concentrations and biological effects from one of the largest mining disasters in the world (Brumadinho, Minas Gerais, Brazil)“, quando de sua publicação em abril de 2020.

Eis que agora os editores da Scientific Reports acabam de enviar uma correspondência ao Prof. Carlos Rezende, informando que o artigo está entre os 100 mais acessados e baixados na Nature/Scientific Reports, dentro de um total de 820 publicados na mesma área disciplinas (ver figura abaixo).

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Ainda que essa posição de destaque não seja nada surpreendente na exitosa trajetória do Prof. Carlos Rezende e do seu grupo de pesquisa, o fato é que esse tipo de reconhecimento da qualidade científica do trabalho produzido pela equipe liderada por ele é algo que evidencia as possibilidades existentes para a realização de pesquisa científica de altíssima qualidade, mesmo em uma universidade pública que não esteja localizada nos principais centros metropolitanos brasileiros.

Assim, essa vitória científica do Prof. Carlos Rezende e de sua equipe de pesquisa acaba dando ânimo aos que dentro da Uenf e em outras universidades públicas brasileira estão tentando produzir ciência de alta qualidade, mesmo com todas as dificuldades econômicas e sanitárias que o atual contexto histórico nos impõe.

Precarização e desumanização do trabalho docente durante a pandemia, o caso da UENF

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 Ilustração por César Berje

Por Luciane Soares da Silva*

Neste texto vou adotar um olhar mais distanciado e trabalhar em uma escala que parte do governo federal e chega até a administração das Universidades, em especial a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Este método é possível ao observarmos discursos cotidianos sobre alinhamentos em diferentes esferas do poder quanto as suas formas de atuação. Devemos começar pelo óbvio: a constatação do custo de milhares de vidas pela incompetência do governo federal, pelo negacionismo científico e principalmente, pela perseguição aos cientistas. Seguem tentando interferir na autonomia das Universidades Federais, desqualificam o trabalho de institutos sérios, contingenciam verbas para pesquisas. O caso do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nos servirá como exemplo. O constrangimento de Ricardo Galvão, a frente do INPE, é parte das arbitrariedades constantes de um governo sem qualquer plano eficaz para o Brasil no combate ao desmatamento na Amazônia. Mas também sem qualquer eficácia nas ações de combate a pandemia de COVID 19. Se foram desenvolvidos respiradores na Paraíba e em São Paulo, se as Universidades, Fundações e Institutos trabalharam constantemente em pesquisas na tentativa de conhecer e desenvolver formas de combate ao Coronavírus, tudo isto foi feito na contramão das ações do governo federal.

Descendo na escala, chegamos em março de 2021 testemunhando governos estaduais e municipais pressionando professores e comunidade pela volta às aulas presenciais. Sabemos que as crianças podem transmitir o vírus para familiares e mesmo aos educadores com este retorno, mesmo que a escola tente assegurar as condições ideais de imunização, o risco é alto e os resultados já são públicos:

  • “Professora da rede estadual é a primeira vítima da COVID-19 na volta às aulas em São Paulo”
  • “Professores denunciam 209 casos de COVID-19 na volta às aulas. Doria fecha sete escolas”
  • “ Com nove professores do IFAM mortos pela COVID, docentes querem aula só após a vacina”
  • “ Após 12 dias internado, professor morre em decorrência da COVID-19”.
  • “Vocês vão mandar suas crianças de volta para as aulas?”
  • “No Amazonas 64 professores morreram de COVID-19 desde janeiro, diz Sinteam”.

No caso de São Paulo, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), responsabiliza a gestão de Doria e o secretário de Educação pela morte da professora Maria Tereza Miguel de 32 anos. Mesmo com denúncia de salas pouco ventiladas, álcool gel vencido e outras irregularidades, as aulas foram iniciadas. Observação importante: a presença dos alunos não é obrigatória. Mas a obrigatoriedade está posta para os professores.

Chegamos ao terceiro momento deste texto. Nas palavras do ex secretário municipal da educação de São Paulo, Alexandre Schneider, “é preciso haver diálogo entre os governantes e quem está no chão da escola”. Esta recomendação poderia ser útil para a definição dos calendários acadêmicos em cada instituição de ensino superior no país, observando singularidades e recursos. A maioria delas adotou o ensino remoto, com disciplinas e equipamentos. Mesmo existindo um consenso sobre as dificuldades de acesso, avaliação e questões pedagógicas específicas desta modalidade remota, também existem muitas críticas. Dentre elas, as condições de trabalho docente.

Temos visto docentes adoecendo pelo excesso de trabalho, pelas reuniões de planejamento, pelas pressões para seguir produzindo durante a pandemia. No caso da Uenf, vivemos um caso exemplar das formas de precarização e desumanização que atingem a Ciência e Educação no Rio de Janeiro. Depois de um ano experimental, docentes decidiram em seus colegiados, adotar medidas já em vigor nas demais Universidades. Avaliação por nota e frequência. O que poderia ser um tema de exercício de diálogo e fortalecimento dos laços internos, se transformou em uma arena de “cancelamentos” e insultos públicos. O resultado disto é uma exposição lamentável da Universidade nas redes sociais como se a tragédia envolvendo uma pandemia não fosse o suficiente.

Observamos em vários momento que o descumprimento dos ritos internos de autonomia dos colegiados (a não nomeação de reitores é só um exemplo), fere de morte a democracia interna das Universidades. O discurso populista que nega o que todos já sabem, torna-se uma forma perigosa de construção da realidade pois o voto perde qualquer efeito jurídico real. Nós já vimos isto na história. Nós sabemos como inicia. E sem dúvida a tragédia consiste nesta repetição meias verdades ad nauseam em redes sociais. É uma forma de rebaixamento de toda comunidade acadêmica. O placar só tem perdedores. O ideal de uma formação crítica e de excelência fica em um horizonte distante.

Um cotidiano exageradamente atribulado

 Docentes nas redes públicas e privadas de ensino tem vivido infortúnios simultâneos: a busca das condições para o domínio de uma modalidade de ensino para a qual não foram preparados, a perda de colegas e familiares, um cansaço constante que gera quadros de ansiedade e depressão e por fim, a total desumanização de seu ofício. No caso da Uenf, a animosidade exposta nas redes sociais como se estivéssemos em uma “vendeta”, explicita os resultados cognitivos acumulados após as jornadas de junho de 2013 e do golpe de 2016. Temos uma geração (ou uma boa parte dela) tomada pelo imediatismo, fascinada por uma forma de comunicação pelas redes e que abre mão das formas de construção participativa (as Assembleias). O mais grave é pensar neste processo de desumanização do docente como parte das formas de administração em voga nos governos Federais (intervenção e destruição da ciência), Estaduais (cortes de salários e ataque aos docentes, lembremos da Bahia) municipais (pressão pela volta presencial das aulas).

Mas que debate deveríamos fazer?

 Para aqueles que sonhavam com a Petrobras no Norte Fluminense ou mesmo com a carreira docente, o debate deveria ser outro. Defender o servidor público é, em minha avaliação como docente com uma década de trabalho na Uenf, a única saída realmente vitoriosa neste momento. Vejam aí os efeitos da propaganda em uma era pós verdade. O que realmente deveria importar é exatamente o que está sob ataque daqueles que são o foco da política pública de educação.

Estas formas de ataque, de insulto, feitas aos docentes seguem a lógica em vigência na era Bolsonaro. A da declaração de Paulo Guedes “o hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita”. Fomos chamados de algo parecido recentemente. Mas o que esperam nossos alunos em um futuro próximo?

Aprofundando esta análise, e concluindo, é o próprio ideal de Ciência que sai ferido de morte quando seus instrumentos são destruídos. Nós, no ensino Fundamental, Médio e Superior vivemos a sala de aula. Trabalhamos utilizando nossos recursos, recebemos alunos que precisam de cestas básicas, acesso a tratamentos diversos, atenção e acolhimento. Em que momento fomos demonizados e em que bases este processo de demonização se sustenta?

Em meio a tantas mortes diárias, projetos contínuos de privatização (como o da Eletrobras), volta do país ao mapa da fome, violência contínua contra as mulheres, desmatamento da Amazônia e morte de indígenas, as instituições de ensino poderiam ter como vitória a construção do Brasil que queremos. No caso da Uenf, fundada por Darcy Ribeiro, não é uma opção, é uma obrigação. Do contrário, o que vemos são apenas pequenas vitórias na derrota. Nós professores, já vimos tempos piores e melhores. E por isto, a despeito das tentativas de destruição da nossa categoria, seguimos fortes. E lutaremos pela manutenção de vidas, aguardando a derrota do projeto destes governos em todas as suas escalas. Todas.

Dedico este texto ao professor de Geografia Celso Roth, 40 anos, vítima da COVID-19, professor da Escola Municipal Camilo Alves, Esteio, Rio Grande do Sul. Assim como ele, professores que não possuíam comorbidades, pressionados ao retorno para sala de aula, vieram à óbito nestas semanas.

*Luciane Soares da Silva é é docente da Universidade Estadual do Norte Fluminense  (Uenf), onde atua como chefe do Laboratório de Estudo da Sociedade Civil e do Estado (Lesce), e também participa da diretoria da Associação de Docentes da Uenf (Aduenf).

Diretoria da ADUENF lança nota sobre assédio moral durante a pandemia

aduenf 1A considerar o aumento das horas trabalhadas pelos docentes durante a pandemia, o excesso de reuniões virtuais, o autofinanciamento dos docentes em relação ao uso de equipamentos e recursos, a degradação das relações pessoais, o comprometimento da saúde mental da comunidade acadêmica e a diminuição do número de pessoas para realização de tarefas cotidianas, a Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ADUENF) emite nota sobre as condições de trabalho na instituição.

A implementação do ensino remoto tem suscitado questionamentos e angústias nos servidores públicos federais, estaduais e municipais com especial foco na categoria docente. Isto porque as formas de adaptação dos modelos foram em muitas instituições feitas de forma intempestiva com resultados diversos e que devem ser avaliados.

Desde o ano de 2020, os docentes na UENF dedicaram horas extras à construção de atividades possíveis ao conjunto dos alunos. Devemos saudar esta iniciativa e reafirmar a autonomia dos colegiados na regulação e implementação das atividades remotas. São nestas instâncias de deliberação que garantimos constitucionalmente a democracia interna das Universidades brasileiras.

As Universidades públicas gozam de autonomia, garantida pela Constituição Federal e frequentemente reafirmada pelo Supremo Tribunal Federal, de forma que foi normatizado o direito dos docentes realizarem a opção ou não pela participação nas atividades remotas. A opção, por sua vez, se encontra no campo da liberdade individual dos docentes e qualquer forma de coação implica no vício da vontade e pode configurar assédio moral. Sendo esta adesão FACULTATIVA, uma vez que o caráter de vigência deste modelo de ensino é TRANSITÓRIO, “os docentes não poderão ser compelidos a aderi-lo sob pena de violação das diretrizes constantes nas discussões colegiadas e ofensa à liberdade de cátedra do docente que atua com o amplo respaldo da instituição a que se vincula”.

É esperado que a instituição de ensino seja capaz de garantir a integridade de seus docentes atuando como fiscalizadora em casos de reconhecido assédio moral. O docente não pode ser afetado negativamente além dos efeitos da pandemia no exercício de suas funções como professor, pesquisador e extensionista.

Estas medidas de proteção da categoria são fundamentais na boa fé objetiva que deve vigorar nas relações de trabalho entre Administração e docentes. O descumprimento das mesmas, justificaria a adoção de medidas judiciais em prol dos docentes.

Sabemos que o assédio moral é tema consolidado e durante o trabalho remoto as denúncias têm crescido no Brasil. Isto porque a fronteira entre tempo de trabalho e tempo de descanso encontra-se suspensa, com professores trabalhando até 15 ou 18 horas por dia para seguir produzindo (as formas de produtivismo acadêmicas não estão suspensas), cumprir a carga horária da sala de aula e ainda das reuniões de caráter administrativo.

Arcando com os custos deste trabalho, muitos ainda enfrentam a violação de seus direitos de imagem e recebem (de forma nem sempre aceitável) mensagens fora de seu horário de trabalho. Estas relações, quando postas de forma assimétrica e dependendo de seu conteúdo, constituem formas adoecedoras e comprometem a qualidade de vida dos professores e professoras. No caso das professoras, ainda devemos observar as formas de divisão desigual do trabalho que acabam por produzir uma sobrecarga cotidiana.

Por último, devemos lembrar que ao arcar com estes custos o servidor público faz uma enorme economia para o Estado. A insalubridade não está assegurada para todos os servidores na UENF. Aqueles que não tiverem recursos para realização destas atividades, devem ter seu direito garantido. A necessidade do isolamento social também deve ser respeitada, não sendo o espaço físico da Universidade, uma solução aos custos do docente.

Qualquer conduta abusiva, intencional, frequente, que ocorra dentro ou fora do ambiente de trabalho, será considerada assédio.

Nossa Associação está atenta, comprometida com o acolhimento dos casos e prestando assessoria jurídica aos docentes que procurarem proteção de seus direitos para melhor exercício de suas funções.

DIRETORIA ADUENF-SESDUENF

Gestão Avançar na Luta!  2019/2021

Uma eulogia para Carlos Alberto Dias, um dos fundadores da UENF

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Este domingo é um dia de perda não apenas para a comunidade universitária da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), mas da ciência brasileira como um todo. É que no dia de hoje faleceu um dos fundadores da Uenf, o professor Carlos Alberto Dias, conforme comunicado em nota publicada no site oficial da universidade.

Conheci o professor Dias assim que cheguei na Uenf em janeiro de 1998 e com ele mantive diferenças políticas que nunca turvaram o meu reconhecimento em relação a uma figura de proa não apenas na criação de desenvolvimento da Uenf, mas também de outras instituições públicas de ensino.  Aliás, o compromisso com a universidade pública e com a ciência brasileira colocam a figura do professor Dias entre uma das fundamentais, especialmente no campo da pesquisa geofísica voltada para a exploração do petróleo, área em que ele se destacou a partir da consolidação de linhas de pesquisa que habilitaram o Brasil a ser um dos detentores das principais tecnologias de exploração em águas profundas.  A trajetória do professor Dias está claramente descrita na obra intitulada “Carlos Alberto Dias: a saga da Geofísica Aplicada e da Engenharia de E&P do Petróleo no Brasil” que foi editada e publicada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2009.

Mas o professor Dias não era apenas um cientista, mas acima de tudo um apaixonado pelo Brasil e pelo seu estado natal, o Pará.  Ao professor Dias causava angústia não termos a nossa cultura valorizada, especialmente no tocante aos povos originários.  O seu amor pela sua terra natal foi evidente em vida, a ponto dele pedir para ser retornado a Salinópolis no litoral nordeste do Pará, cujas praias são famosas por suas areias tão finas quanto brancas, onde realizará o seu repouso final.

Em 2017, enquanto diretor da Associação de Docentes da Uenf  (Aduenf) tive a oportunidade de gravar um vídeo (que é mostrado logo abaixo) com o professor Dias durante a greve que os docentes da Uenf realizaram para demandar o pagamento dos seus salários que ficaram atrasados por quatro meses. Nesse vídeo, o professor Dias narra com minúcias o esforço desprendido para criar a Uenf e o Laboratório de Engenharia e Exploração de Petróleo, o primeiro do Brasil, no município de Macaé, bem como a sua indignação com o sucateamento da ciência brasileira.

Ainda que a morte de cada ser humano seja uma perda para todos os que lhe são mais próximos, a perda de uma figura como o professor Dias cria uma lacuna que vai além do indivíduo que se vai, pois existem capacidades e funções que são difíceis de serem repostas no plano individual. Caberá aos descendentes intelectuais do professor Dias diminuir o impacto que será causado pela sua partida. O que anima é que ele deixou centenas de descendentes pelas diferentes instituições que ajudou a criar e consolidar, os quais poderão tomar para si as tarefas que foram deixadas inconclusas pelo professor Dias.

Ao professor Dias, resta-nos agradecer as obras que ele deixou,  as quais agora nos cabe defender, cuidar e aperfeiçoar.