Uma eulogia para Carlos Alberto Dias, um dos fundadores da UENF

dias

Este domingo é um dia de perda não apenas para a comunidade universitária da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), mas da ciência brasileira como um todo. É que no dia de hoje faleceu um dos fundadores da Uenf, o professor Carlos Alberto Dias, conforme comunicado em nota publicada no site oficial da universidade.

Conheci o professor Dias assim que cheguei na Uenf em janeiro de 1998 e com ele mantive diferenças políticas que nunca turvaram o meu reconhecimento em relação a uma figura de proa não apenas na criação de desenvolvimento da Uenf, mas também de outras instituições públicas de ensino.  Aliás, o compromisso com a universidade pública e com a ciência brasileira colocam a figura do professor Dias entre uma das fundamentais, especialmente no campo da pesquisa geofísica voltada para a exploração do petróleo, área em que ele se destacou a partir da consolidação de linhas de pesquisa que habilitaram o Brasil a ser um dos detentores das principais tecnologias de exploração em águas profundas.  A trajetória do professor Dias está claramente descrita na obra intitulada “Carlos Alberto Dias: a saga da Geofísica Aplicada e da Engenharia de E&P do Petróleo no Brasil” que foi editada e publicada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2009.

Mas o professor Dias não era apenas um cientista, mas acima de tudo um apaixonado pelo Brasil e pelo seu estado natal, o Pará.  Ao professor Dias causava angústia não termos a nossa cultura valorizada, especialmente no tocante aos povos originários.  O seu amor pela sua terra natal foi evidente em vida, a ponto dele pedir para ser retornado a Salinópolis no litoral nordeste do Pará, cujas praias são famosas por suas areias tão finas quanto brancas, onde realizará o seu repouso final.

Em 2017, enquanto diretor da Associação de Docentes da Uenf  (Aduenf) tive a oportunidade de gravar um vídeo (que é mostrado logo abaixo) com o professor Dias durante a greve que os docentes da Uenf realizaram para demandar o pagamento dos seus salários que ficaram atrasados por quatro meses. Nesse vídeo, o professor Dias narra com minúcias o esforço desprendido para criar a Uenf e o Laboratório de Engenharia e Exploração de Petróleo, o primeiro do Brasil, no município de Macaé, bem como a sua indignação com o sucateamento da ciência brasileira.

Ainda que a morte de cada ser humano seja uma perda para todos os que lhe são mais próximos, a perda de uma figura como o professor Dias cria uma lacuna que vai além do indivíduo que se vai, pois existem capacidades e funções que são difíceis de serem repostas no plano individual. Caberá aos descendentes intelectuais do professor Dias diminuir o impacto que será causado pela sua partida. O que anima é que ele deixou centenas de descendentes pelas diferentes instituições que ajudou a criar e consolidar, os quais poderão tomar para si as tarefas que foram deixadas inconclusas pelo professor Dias.

Ao professor Dias, resta-nos agradecer as obras que ele deixou,  as quais agora nos cabe defender, cuidar e aperfeiçoar. 

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