Notícias da Aduenf: ADUENF emite nota esclarecimento pós-COLEX ampliado

COMUNICADO-URGENTE

Este informe tem como objetivo atualizar os docentes que não puderam comparecer ontem (30/01) à reunião ampliada do Colegiado Executivo da UENF.

O Colex ampliado realizado às 16 horas do dia 30 de janeiro, teve como pontos de discussão o debate sobre um possível calendário de recuperação das aulas, a notificação de que o calendário para o repasse dos duodécimos deverá ser emitido até dia 2 de fevereiro. Também fomos informados de que o TCE impediu a continuidade do edital de licitação para serviços de vigilância. Por último, foi informado de que a UENF junto com a UERJ possuem pendências junto a União que impossibilitam repasse de verbas impactando, por exemplo, o PROAP.

Observamos que nossos salários seguem atrasados e que não há perspectiva para o pagamento do décimo terceiro de 2017.

Sobre os esclarecimentos da ADUENF em relação às férias coletivas, segue em abaixo a CI 086/2017. Lê-se neste documento que “ficou estabelecido que os servidores da Universidade deverão gozar as férias de 2018 PREFERENCIALMENTE em janeiro”. Ainda no mesmo documento lemos que “não serão emitidos os formulários de Escala Anual de Férias sendo as mesmas marcadas inicialmente para o período de 02 a 31 de janeiro”. 

Uma consulta ao GRH poderia confirmar que grande parte de nossos docentes, seguindo esta orientação gozou de suas férias no mês de janeiro, razão pela qual não seria possível a realização de uma Assembléia. O debate sobre o emprego do termo em questão “férias coletivas” é formalismo jurídico desnecessário, uma vez que o fato está posto.

Na próxima semana, respeitando o período de férias, realizaremos nossa Assembléia no dia 07/02/18, cuja convocação já foi enviada.

Seguimos na certeza de que a defesa dos direitos de nossos (as) Associados (as) têm sido realizada.

Ao coletivo, através do voto, cabe a avaliação desta greve. 

Atenciosamente,

Presidente ADUENF-SESDUENF
Pelo comando de Greve

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2018/01/aduenf-emite-nota-esclarecimento-pos.html

A Uenf e o assassinato em curso do sonho de Darcy Ribeiro

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A insistência da atual reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) de reduzir os graves problemas afetando o funcionamento da instituição à ausência de aulas representa, intencionalmente ou não, um ataque profundo ao revolucionário modelo institucional idealizado por Darcy Ribeiro.  É que quem já seu deu ao trabalho de ler os textos fundacionais da Uenf sabe que em sua gênese ela foi idealizada para estabelecer um nexo inseparável entre ensino, pesquisa e extensão. Darcy Ribeiro viajou para diversas partes do mundo e se inspirou entre outros modelos no que viu no Instituto de Tecnologia da Califórnia (conhecido como Cal Tech), pois ali se impressionou com a exposição dos estudantes às atividades de pesquisa [1]. Ao que viu na Califórnia, Darcy Ribeiro adicionou a noção de que não há devida formação técnica sem que haja uma compreensão cidadã do conteúdo que um dado profissional esteja recebendo. Tal modelo é que foi responsabilizado por três prêmios nacionais pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela formação de profissionais que chegam nos programas nacionais e internacionais de pós-graduação.

Assim, ao omitir os graves prejuízos que o (des) governo Pezão já causou em dezenas de projetos de pesquisa que beira a extinção pura e simples, bem como à disseminação na sociedade fluminense via ações de extensão, a reitoria da Uenf contribui diretamente para um assassinato frio e calculado do espírito revolucionário com que Darcy Ribeiro inoculou o projeto institucional que pariu esta jovem instituição. E nem é preciso dizer que neste modelo, Darcy Ribeiro inseriu os seus sonhos de justiça social e democracia.

É preciso dizer que as últimas três administrações que passaram pela reitoria da Uenf também deram uma ajuda considerável nesse assassinato em curso. É que em tempos de vacas gordas, uma lição fundamental de Darcy Ribeiro foi jogada no lixo. Darcy Ribeiro dizia para quem ninguém se impressionasse com prédios novos e equipamentos caros, pois o que forma e consolida uma instituição universitária são as pessoas que as constroem ao longo do tempo, a começar pelos seus professores e servidores técnico-administrativos e alcançando os estudantes que passam por suas de aulas e laboratórios de pesquisa. Aliás, uma frase favorita de Darcy Ribeiro para sintetizar essa visão era “Livros, livros e pessoas”. Isso queria dizer que sem a simbiose entre livros e pessoas não haveria uma Uenf que estivesse à altura das suas responsabilidades institucionais. Mas para as administrações anteriores o mantra foi “prédios, prédios, prédios”. E em alguns casos, os esqueletos continuam espalhados pelo campus Leonel Brizola para serem vistos por quem quiser ver de perto como se desperdiça dinheiro público.

E aqui é preciso lembrar que Darcy Ribeiro via como uma responsabilidade estratégica da Uenf o desenvolvimento de uma forte base tecnológica para a região Norte Fluminense, de modo a que a sua população pudesse se levantar da planície abissal da injustiça social que séculos de escravatura colocaram a maioria dos seus membros.

Como a missão da Uenf é composta pelo tripé ensino-pesquisa-extensão, a ênfase à volta às aulas mesmo sem que existam condições mínimas para que sua comunidade universitária possa circular com segurança nas 24 horas do dia é não apenas um desserviço ao presente, mas também uma sentença de morte para o futuro. É que não há como violar tão grosseiramente as estruturas fundacionais da Uenf sem que existam fortes reverberações em suas estruturas conceituais. É que para fazer cumprir o modelo idealizado por Darcy Ribeiro, o funcionamento da Uenf tem que se dar 24 horas durante todos os 365 dias do ano. E hoje, dadas as condições de abandono criadas pelo (des) governo Pezão, não há simplesmente como fazer isso sem que se tema pela bolsa ou até pela vida.

Finalmente, imaginemos que a Uenf está em uma guerra pela sua sobrevivência e a reitoria representa o que seria o alto comando das armas de um país em conflito. Aliás, não é preciso imaginar que a Uenf está em uma guerra para sobreviver aos ataques do (des) governo Pezão, pois é disso mesmo que se trata. Numa guerra, o que se espera do alto comando é que primeiro pense em ações estratégicas para atacar e se defender do inimigo, e depois que essas ações representem ou tragam o mínimo de danos às tropas que estão aplicando no terreno de combate aquilo que os líderes estabelecem. Ao objetivamente agir para demonizar em vez de se colocar como primeira linha de defesa dos professores e servidores técnico-administrativos que entraram em greve para demandar a questão básica do pagamento de salários, o que a reitoria da Uenf está fazendo equivale a uma traição de guerra. É que em vez de ficar demandando o início de aulas, o que a reitoria da Uenf deveria estar fazendo seria levar a cabo as consequências da decisão do Conselho Universitário que decretou que a instituição se encontra em condição de calamidade institucional. Por essa traição e os riscos de que o modelo de Darcy Ribeiro seja assassinado pelo (des) governo Pezão, essa reitoria e seus membros serão julgados pela História.

E antes que haja mais um surto de ameaças contra a minha pessoa e meus parcos pertences em grupos de Whatsapp, aviso logo que se a próxima assembleia da Aduenf decidir que os professores devem retornar às aulas irei estar em sala de aula fazendo o que faço desde 1998, qual seja, dar o meu melhor para oferecer conhecimento qualificado para os meus estudantes. Entretanto, esta será apenas outra etapa na guerra para impedir o assassinato da Uenf de Darcy Ribeiro. e não o escolão em que a reitoria, como agente do (des) governo Pezão, está agindo para transformá-la.


[1] http://www.caltech.edu/

Suderj informa: Reitor da Uenf saiu de férias e foi jogar para a plateia no Rio de Janeiro

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O jornal Folha da Manhã publicou hoje uma interessante matéria sob o sugestivo nome de “Uenf estuda retorno às aulas” [1]. A matéria é uma espécie de pastiche anti-greve, onde o ex-presidente da Associação de Docentes da Uenf (ADUENF) e atual chefe de gabinete da reitoria, Raúl Palacio, é apontado como sugerindo que haverá um retorno breve das aulas, sem que sequer haja assembleia dos professores marcada.

Mas uma informação que aparece na matéria reforça a informação já dada pela ADUENF de que as férias coletivas sendo gozadas por servidores técnico-administrativos e professores foram determinadas unilateralmente pela reitoria. Vejamos então o trecho da matéria da Folha da Manhã que deixa isso bem explícito na imagem abaixo.

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A informação é clara e simples: o reitor da Uenf,  Luís Passoni, está gozando suas férias na cidade do Rio de Janeiro e lá, entre um mergulho e outro em alguma praia carioca, acompanha “os trâmites burocráticos para que o repasse seja feito o mais rápido possível“.

E que fique claro, não sou contra o reitor da Uenf gozar as férias que ele determinou que os professores e servidores técnico-administrativos também gozassem. O que acho estranho é que a reitoria que ele comanda não tenha até agora informado publicamente que estas férias resultaram de uma decisão unilateral da qual a ADUENF não teve nenhuma participação. 

Mas o bom é que na tal reunião ampliada convocada para o próximo dia 30 de Janeiro o reitor da Uenf poderá brindar os presentes com os efeitos bronzeadores dos raios solares que hoje causam altíssimas temperaturas na Cidade Maravilhosa. Com certeza isso vai contribuir para dar mais ânimo à plenária.


[1] http://www.folha1.com.br/_conteudo/2018/01/geral/1229969-uenf-estuda-retorno-as-aulas.html

Reitoria da Uenf “esquece” que decretou férias coletivas e joga para a plateia

Fred Pontes  /Divulgação

Seria cômico não se beirasse o trágico o comunicado oficial do Comando de Greve da Associação de Docentes da Universidade Estadual Fluminense (ADUENF) postou em sua página oficial na rede social Facebook, a qual segue logo abaixo.

ANUNCIO

É que se sabe lá por quais razões, a reitoria da Uenf decidiu colocar todos os servidores (técnico-administrativos e professores) em férias no mês de Janeiro de 2018, mas “esqueceu” de informar esta decisão sua administrativa unilateral aos estudantes que aguardam com justificada ansiedade o fim do movimento paredista que paralisa os trabalhos de técnicos e professores desde meados de Agosto.

Não bastasse este “lapso” de memória, a reitoria da Uenf informou em nota oficial que está convocando uma reunião ampliada do chamado Colegiado Executivo (órgão assessor da própria reitoria) para discutir a situação da Uenf no dia 30 de Janeiro, dia em que a maioria dos professores estarão ainda de férias. Aí é que se pergunta: por que não fazem essa tal reunião ampliada no dia 01 de Fevereiro quando os professores deverão retornar ao campus Leonel Brizola?

Eu pessoalmente reclamei desta determinação unilateral de que eu deveria gozar férias em Janeiro, mas meus reclamos caíram  em ouvidos surdos. A mim apenas foi dito que essa era uma decisão da reitoria e cabia a mim cumprir a determinação de entrar de férias.

Por isso é que eu digo: essa reitoria se transformou numa feitoria, pois tenta jogar os estudantes contra os professores, enquanto continua agindo de forma submissa frente ao (des) governo Pezão. O interessante é que vários ocupantes de altos cargos na atual administração da Uenf ocuparam cargos na ADUENF, fato esse que até os credenciou para estarem onde estão agora.   

Entretanto, espero que com essa nota da ADUENF as eventuais reclamações pela postergação de uma assembleia que eventualmente suspenderá o movimento de greve sejam dirigidas a quem é de direito, qual seja, a reitoria da Uenf.

 

A Uenf tem reitoria ou feitoria?

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Após longo e tenebroso inverno, a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) veio a público para, tal qual a montanha, parir um rato. Falo aqui da nota lançada nesta 4a. feira para, aparentemente, dar satisfações públicas para os que demandam o retorno às aulas, sem que tenham sido resolvidas questões básicas para assegurar um funcionamento com um mínimo de condições de trabalho e de transmissão das cargas pedagógicas [1].

O conteúdo desta nota é uma espécie de repetição dos argumentos surrados que a reitoria da Uenf apresentou ao longo do segundo semestre de 2017 primeiro para impedir a deflagração da greve de professores e técnico-administrativos e segundo para quebrar decisões democráticas que foram tomadas pelas assembleias de categoria.

Mas o pior dessa nota é que, num momento em que as universidades públicas estão sob forte ataque nos estados e em nível federal, a postura de naturalizar a ausência de um calendário de pagamentos e a inexistência de verbas de custeio,  a reitoria da Uenf joga para a plateia ao pregar a volta às aulas “mesmo considerando que não temos ainda as condições ideais, como a garantia do pagamento dos salários em dia, a infraestrura ideal nos campi e a garantia da total execução do orçamento, é importante retomarmos as aulas, pois o ensino – base para o desenvolvimento da pesquisa e extensão – é um dos pilares e razão de existência da Universidade.

Digo que a reitoria joga para a plateia na medida em que existem segmentos do estudantado que insistem em que os professores da Uenf trabalhem sem salários, como se fosse aceitável que qualquer profissional tivesse que passar por essa situação degradante; sejam eles professores com doutorado ou trabalhadores de campo com nível de ensino elementar.  Ao fazer isso, a reitoria da Uenf legitima a visão neoliberal de que para qualquer trabalhadores ficar sem salários não passa de um “mero aborrecimento” , tal como escreveram vários juízes em sentenças em que negavam o direito dos servidores estaduais de receberem seus salários em dia.

A reitoria da Uenf comete ainda um desserviço ao usar o fato do ensino “ser um dos pilares e razão da existência da Universidade” para demandar o retorno às aulas sem que existam garantias mínimas no sentido de garantir serviços de segurança e limpeza, bem como o suprimento de materiais de ensino. Da forma que a Uenf se encontra, o máximo que poderá ser oferecido serão aulas conteudistas no melhor estilo “cuspe e giz”. Além disso, no período noturno sobrará aos que frequentam o campus Leonel Brizola a decisão de assistir às aulas resultará na aceitação do risco e da insegurança pessoal.

Por mais desagradável que possa soar, não hesito dizer que esta reitoria aceitou se transformar numa espécie de feitoria do (des) governo Pezão. Só isso se explica a propensão de aceitar a desconstrução do modelo de universidade idealizado por Darcy Ribeiro e na transformação da Uenf em um “escolão” onde a inovação do conhecimento será, quando muito, uma mera declaração de intenções.

Reconheço que todo movimento de greve tem início e fim. Mas não cabe à reitoria da Uenf ditar quando greves começam ou terminam. E muito menos cabe à reitoria da Uenf impor sobre os servidores que aceitem ter seus direitos trabalhistas violados em nome de um retorno às aulas que ela mesma reconhece se daria sob condições precárias.

Mas é importante  notar que apesar da reitoria da Uenf, o ano de 2018 será fundamental para que se avance mecanismos de defesa da Universidade do Terceiro Milênio e do modelo de consciência cidadã que guiou o seu desenho institucional revolucionário. E muito fará a reitoria da Uenf, se não atrapalhar quem quiser cumprir o papel que ela aceitou abandonar em nome da boa convivência com o (des) governo Pezão.

Finalmente, há que se lembrar algo que está ausente na nota da reitoria. Por decisão da própria reitoria, professores e servidores técnico-administrativos foram colocados efetivamente em férias coletivas neste mês. Assim, se ainda não foram realizadas assembleia para discutir os próximos passos da luta em defesa da Uenf, as reclamações devem ser encaminhadas ao reitor e ao Colegiado Executivo que decidiram por essas férias coletivas. Simples assim.


[1] http://www.uenf.br/dic/ascom/2018/01/24/nota-da-reitoria-24-01-18/

Notícias da Aduenf: Nota pública explica posição da Aduenf sobre greve

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NOTA PÚBLICA DA ADUENF A RESPEITO DA GREVE E INÍCIO DAS AULAS

Buscando dirimir especulações e informações inverídicas, a ADUENF vem a público trazer alguns esclarecimentos sobre a presente greve e a perspectiva de um retorno às aulas.

Em 27/09/17, última assembleia em que a greve foi objeto de pauta, os professores por ampla maioria decidiram pela permanência em greve até que todos (i) os salários devidos fossem quitados ou (ii) houvesse a divulgação de um calendário de pagamentos oficial por parte do governo estadual. A assembleia, também por ampla maioria (45 a 15 dos presentes), também apresentou a (iii) exigência do restabelecimento das condições de trabalho no campus, com garantias mínimas de segurança e limpeza para que a comunidade acadêmica possa desenvolver suas atividades normais e dar continuidade a um trabalho de que tem sido reconhecido como de excelência por diversas instâncias avaliadoras.

Nesse ínterim, durante a greve e por meio da CI UENF/REIT no. 086/2017, a Reitoria decretou férias coletivas para o período de 02 a 31 de janeiro de 2018, condição em que atualmente professores, técnicos e alunos formal e juridicamente se encontram, independentemente da greve dos docentes.

No presente momento, apesar do recente pagamento do 13o salário do ano de 2016 e do salário do mês de novembro de 2017, os professores da UENF ainda aguardam o pagamento do salário de dezembro e do 13o de 2017, não se configurando, portanto, o restabelecimento da normalidade no pagamento de salários.

Caso se confirme a promessa do governo estadual de pagamento do salário de dezembro e do décimo terceiro de 2017 nos próximos dias, o comando de greve da ADUENF convocará uma nova assembleia logo após o fim das férias coletivas para que se decida quanto ao retorno das aulas.

Diversamente da Reitoria, a diretoria da ADUENF mantém sua posição crítica em relação à redação final da PEC 47 e os repasses escalonados nela previstos, que, ao menos no curto prazo, não serão suficientes para reverter a condição de penúria na qual se encontra o campus, com segurança, limpeza e manutenção precárias e que colocam em risco a segurança e a integridade física de professores, técnicos e alunos. Continuará vigilante em relação aos problemas da vida no Campus e aguardará o efetivo repasse dos duodécimos constitucionais, denunciando publicamente seu eventual descumprimento.

A Diretoria da ADUENF reafirma seu compromisso democrático com a verdade e com a decisão coletiva tomada em assembleia por seus associados, permanecendo na luta para que seus direitos trabalhistas sejam respeitados. Persevera também na luta para que a Universidade possa o quanto antes dar continuidade à sua missão de promover ensino, pesquisa e extensão de excelência e o desenvolvimento econômico, social e humano no Norte Fluminense.

COMANDO DE GREVE

Campos dos Goytacazes, 12 de Janeiro de 2018.

 

Edital do IFF exclui Engenharia Metalúrgica de vaga de concurso e causa estranheza

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O Edital No. 235 de 28 de Dezembro de 2017 para preenchimento de vagas de Professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico no Instituto Federal Fluminense trouxe uma inovação nos requisitos para ingresso dos candidatos para a vaga de Engenharia que causou estranheza entre potenciais candidatos [1].

É que, ao contrário de editais anteriores, foi excluída a formação de Engenharia Metalúrgica que impedirá que profissionais formados pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) de concorrem a esta vaga específica. 

Uma hipótese que já foi levantada para explicar esta estranha mudança seria um favorecimento a profissionais recém formados em instituições privadas que atuam no município de Campos dos Goytacazes em detrimento da ampla concorrência com profissionais experientes e altamente qualificados que têm sido formados pela Uenf ao longo de quase duas décadas.

Como as inscrições só começam em março, há ainda a possibilidade de que a reitoria da Uenf faça algum tipo de sinalização para a do IFF já que ambas direções possuem vários projetos comuns em andamento, a começar pelo já tradicional Congresso Fluminense de Iniciação Científica e Tecnológica (Confict).

Resta saber agora se a reitoria da Uenf vai defender o direito de seus egressos de participarem da seleção para esta e outras vagas e se a o IFF vai corrigir algo que pode ter sido apenas um engano de preenchimento de ementa.  Mas que está estranho, isto está.


[1] http://cdd.iff.edu.br/documentos/editais/reitoria/2017/dezembro/edital-8

Um réquiem para Juares Ogliari

Começo o ano lamentando a perda do meu ex-aluno Juares Ogliari que foi brutalmente assassinado em sua casa na cidade de Pinhalzinho (SC) [1].  Eu tive a oportunidade de tê-lo como estudante na disciplina de Metodologia da Pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), onde ele como agrônomo de formação sofria para acompanhar o ritmo de uma turma multidisciplinar com formação majoritariamente da áreas de Ciências Humanas.

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As evidentes dificuldades colocadas por essa saída de sua área de conforto para aumentar seus conhecimentos em conduzir pesquisa cientifica foram resolvidas pelo Juares com muito esforço e elegância. Com seu sotaque carregado do oeste catarinense ele sempre aparecia para compartilhar um gesto de reverência que eu nem me sempre sentia merecedor, e jamais para reclamar do excesso de matéria ou das múltiplas formas de avaliação que eu impunha.

Depois de concluir o seu doutorado em Produção Vegetal na própria Uenf, tive a oportunidade de encontrá-lo umas poucas vezes, sempre recebendo dele a mesma reverência e fineza de trato. 

A morte do Juares Ogliari certamente será uma enorme perda familiar dadas as circunstâncias em que ocorreu. Mas essa perda certamente se estenderá a seus colegas de trabalho do Instituto Federal Catarinense e do Instituto Federal Fluminense, seus estudantes e todos aqueles com quem ele generosamente compartilhava o conhecimento que acumulou graças a um esforço pessoal colossal.

Que ele seja lembrado como o ser humano generoso e solidário que sempre foi.

Rest in Peace, Juares Ogliari.


[1] https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/universitario-confessa-matar-tio-e-ferir-avo-de-86-anos-em-festa-de-familia-no-oeste-diz-policia.ghtml

Suicídio é Desistir. Greve de Fome é Resistir

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Foto: Colagem com fotos Lambert/Getty Images e O Globo

Por Ruben Rosenthal*

Não a conhecia. O nome dela era Lígia Maria Passinat, professora estadual aposentada. Morava em São Fidélis, estado do Rio de Janeiro. Estava com câncer, e no começo de dezembro, em desespero, desistiu de resistir e ateou fogo ao próprio corpo. Estava com os proventos atrasados há vários meses, da mesma forma que boa parte dos funcionários públicos ativos e aposentados do estado. A notícia foi publicada apenas nos blogues da resistência ao golpe.

Vários outros suicídios de funcionários públicos e aposentados já teriam ocorrido nos últimos meses, passando despercebidos da população. Quantas outras mortes resultaram da falta de acesso a medicamentos e tratamento nos hospitais públicos, bem como da violência nas ruas, com o agravamento da crise econômica? Incluam-se ainda os despejos, corte de serviços básicos por falta de pagamento, endividamento, e inúmeras outras situações degradantes, que só quem está passando por elas é que pode descrever o pesadelo. Será necessário esperar por uma pesquisa em universidade estadual, se UERJ, UENF e UEZO não forem privatizadas antes, para se descobrir qual foi o saldo nefasto da política econômica do atual governo federal?

A ordem de comando vem de Brasília, enquanto nos governos estaduais estão os apoiadores, seja por fraqueza ou conivência. O ministro da fazenda manteve-se inflexível e insensível ao drama que os fluminenses atravessaram ao longo de 2017. Está sendo o Rio um laboratório para as experiências do ministro Meirelles, no intuito de determinar o limite da degradação econômica e social que o trabalhador brasileiro pode suportar antes de se rebelar? Os suicídios entram no relatório do experimento como danos colaterais?

Qual estado será a próxima bola da vez? A dívida dos estados com a União só faz crescer, apesar das dezenas de bilhões de reais que já foram pagos de amortização (J.C. Assis, GGN), como nos antigos contratos da Caixa Econômica, em que o mutuário, por mais que pagasse as prestações, continuava a dever mais que o preço do imóvel novo. Nós, cidadãos do Rio e do país, somos reféns das políticas de destruição da infraestrutura estatal de atendimento à saúde, educação, segurança e do patrimônio científico e cultural da nação. Tudo em prol de uma privatização que atende principalmente aos interesses do capital internacional. O empresário nacional se satisfaz com os ganhos a obter com as reformas econômicas encaminhadas por Meirelles. O papel que está sendo reservado ao país na economia global é o de ser celeiro agrícola do mundo e fornecedor de outras commodities, com o petróleo e minérios.

Alguém será responsabilizado criminalmente pelas decisões e omissões que resultaram em sofrimento e mortes no Rio de Janeiro? Bastariam as assinaturas do ministro e do Secretáriode Fazenda do Estado, Gustavo Barbosa, para garantir a entrada de recursos para pagamento de salários atrasados e aliviar os aspectos mais agudos da crise na saúde pública. Ao contrário, a opção foi de liberar verbas bilionárias para garantir a permanência de Temer na presidência  da república e a aprovação das reformas trabalhista e da previdência, em detrimento da massa de assalariados.

A justiça, cada vez mais cega, deveria ter impedido, no mínimo, o corte no fornecimento de luz e água devido às inadimplências, bem como não ter permitido que a crise no pagamento dos salários se arrastasse por tanto tempo. Caberia agora obrigar o Secretário Barbosa a pagar juros e correção monetária pelos atrasos. O sentimento atual dos servidores e aposentados é um misto de insatisfação, revolta e impotência pela situação de humilhação que está sendo imposta, e da incapacidade de se fazer reverter este quadro.

Os sindicatos estaduais não conseguiram se opor às condições impostas pelo ministro para que o Estado obtivesse empréstimo para pagar os salários atrasados. A atuação dos mesmos tem se pautado agora no apoio emergencial, oferecendo cestas básicas, empréstimos e apoio psicológico, sem dúvida muito necessários, mas a capacidade de combate está amortecida.

Pode ser que com a assinatura do empréstimo do Banco BNP Paribas, o pagamento dos salários atrasados seja plenamente efetivado, vindo a aliviar as tensões e, com isto, diminuir os protestos. Ou talvez não, pois mais surpresas desagradáveis podem vir em 2018. A questão da dívida pública continuará premente, pelo dreno infindável dos recursos financeiros que poderiam resolver a questão da crise na saúde.

Resta a esperança que nossos representantes eleitos façam mais que o uso da vibrante oratória, que contra uma maioria constituída principalmente por interesses escusos, pouco ou nenhum efeito surte. Estes representantes precisam liderar a resistência da população do Rio à política de desmanches ordenada por Brasília.

Em primeiro lugar, não podemos esquecer de Lígia Maria Passinat e daqueles que não conseguiram resistir às provações e privações. Para os que acreditam na imortalidade da alma, estendam suas preces neste final/início de ano para o repouso dos que viveram seus últimos momentos em tormento. Mas seria imperdoável que estas mortes fossem em vão; precisam abastecer o combustível da reação. Alguma forma eloquente de homenagem e denúncia deveria ser organizada pelos nossos parlamentares. E, a partir daí, eles precisariam adotar medidas mais efetivas de protesto para mobilizar a população anestesiada.

Uma velha forma de luta, que a História já comprovou ter um imenso potencial mobilizador, capaz de colocar o opressor na defensiva, é a greve de fome. Os parlamentares representantes do Rio, incluindo deputados estaduais, federais e senadores, precisariam deixar suas respectivas zonas de conforto e entrar em greve de fome, com uma pauta objetiva, que deveria minimamente incluir: regularização do pagamento dos funcionários públicos e aposentados, verbas emergenciais para a saúde, auditoria e renegociação da dívida pública do estado do Rio com a União. Como esta última reinvindicação é de interesse também dos outros estados, os governadores e parlamentares que não forem coniventes com a politica do governo Temer, terão interesse em apoiá-la. O movimento poderá, então, tornar-se nacional.

Trata-se de um movimento que deve ser necessariamente supra-partidário. O local para o protesto pode ser o gabinete do parlamentar ou, melhor ainda, um salão comunal, onde poderão ocorrer adesões, sejam de mais parlamentares, de personalidades com conhecido envolvimento nas causas populares, de servidores públicos ou mesmo do cidadão que queira protestar contra as péssimas condições da saúde no estado. Se o protesto se iniciasse com o cidadão comum haveria o risco de inanição antes da notícia da greve de fome conseguir furar o bloqueio da imprensa golpista. O fundamental para aqueles que quiserem aderir à greve de fome é dispor de boa saúde, devendo haver no local infraestrutura adequada e acompanhamento médico permanente.

Com a greve e a mobilização que ela tem o potencial de trazer, se for adequadamente encaminhada, a corda vai esticar até o limite de ruptura, dando um cheque-mate no governo. Fora desta opção de resistência e luta, a alternativa seria ficar esperando por 2018, na expectativaincerta de se conseguir eleger um presidente comprometido com as causas populares. Mas, até lá, danos irreversíveis ao Rio e ao país já terão ocorrido, além de mais mortes que poderiam ser evitadas. Estamos atravessando um momento difícil da História do país que requer decisões difíceis.

Alguns cidadãos resolveram não esperar pela iniciativa de parlamentares ou personalidades, e estão tentando organizar um movimento coletivo de greve de fome, com início provável a partir de 10 de janeiro de 2018, defronte ao TRF-4, em Porto Alegre. A primeira demanda que consta da pauta é a absolvição de Lula, com o reconhecimento de sua honradez pelos juízes. São incluídas mais sete demandas, que, se alcançadas, representariam a completa redenção social do Brasil. Talvez os parlamentares da oposição que não sejam do PT hesitem em aderir a um protesto em prol de Lula. Mas o que está em questão não é Lula, o Homem, e sim Lula, o Mito que ele representa para um povo que precisa resgatar a dignidade e que acredita nele, queiram ou não seus detratores e os que não simpatizem com ele ou com o PT.

Sobre o recurso à greve de fome, vale recordar alguns exemplos da História contemporânea.  Ghandi dobrou com sua força de vontade o poder imperial da Inglaterra, então potência ocupante do subcontinente indiano. As sufragistas desafiaram o poder constituído do Reino Unido há cerca de cem anos, na luta pelo direito de voto nas eleições para o parlamento. Derrotas também ocorreram. Embora o uso da greve de fome seja um recurso legítimo e extremo a que uma pessoa pode recorrer na denúncia de situações de injustiça a que esteja sendo submetida, esta forma de protesto assume um nível de grandeza que transcende o ego, as falhas e fraquezas humanas quando é realizada em prol de terceiros, beirando o mítico, como no caso de Ghandi. E quando realizada por um coletivo de indivíduos, cada qual fazendo uso de seu livre arbítrio, o poder transformador aumenta de forma exponencial.

*Ruben Rosenthal é professor aposentado da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf)

FONTE: https://jornalggn.com.br/noticia/suicidio-e-desistir-greve-de-fome-e-resistir-por-ruben-rosenthal

ADUENF lança vídeo para promover defesa da UENF

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A Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ADUENF) fez hoje o lançamento público de um vídeo de divulgação para promover e ampliar a defesa da instituição que hoje se encontra sob forte ataque do (des) governo Pezão. Com esse vídeo, a ADUENF sinaliza a disposição de continuar avançando sua agenda de defesa incondicional do caráter público e gratuito da Uenf.

Com este tipo de material de divulgação a ADUENF procura ainda suprir a conhecida capacidade das diferentes administrações que ocuparam a reitoria da Uenf a partir de 1999 de fazer a devida publicização das grandes realizações alcançadas ao longo de seus 24 anos de existência.

E que em 2018 possamos todos estar unidos na defesa do patrimônio público que a Uenf efetivamente é.