Pezão sorri enquanto faz a ciência fluminense sangrar

A imagem abaixo é de uma reunião realizada no Palácio Guanabara pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão com dirigentes da comunidade científica na última 6a. feira (20/10). Além de Pezão e do (des) secretário  Gustavo Tutuca estavam presentes os reitores das três universidades estaduais (Uenf, Uerj e Uezo), dirigentes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Academia Brasileira de Ciências.

ciencia pezao

A pose sorridente do (des) governo Pezão (que, aliás, foi seguida por alguns dos presentes) demonstra que essa foi mais uma reunião onde ele não prestou, nem foi instado a prestar, contas sobre a situação catastrófica que seu (des) governo causou nas universidades estaduais e na Faperj, instituições que hoje amargam condições financeiras catastróficas.

O pior é que nesta reunião, além de prometer que o pagamento dos salários de 2017 será normalizado, Pezão adiantou sua projeção de que 2018 será um ano mais fácil para as universidades estaduais, onde o fluxo financeiro será hipoteticamente normalizado.

Bom, talvez essas promessas sejam a razão do riso de Pezão. É que ele deve saber bem que partindo de seu (des) governo, esse tipo de promessa está mais para piada do que para compromisso com o que se fala.

O que me deixa intrigado é de porquê mesmo diante da situação catastrófica que impera nas universidades estaduais e na Faperj,  os dirigentes dessas instituições ainda se permitam a serem fotografados em uma condição, digamos, aparentemente tão feliz com o algoz de nossas univerisdades. É que esse “republicanismo” todo que permite que o (des) governador Pezão e seu (des) governo façam o que bem entendam com as universidades estaduais e a Faperj. Simples, mas ainda assim trágico.

ADUENF lança carta aberta aos pais de alunas e alunos da UENF

CARTA ABERTA AOS PAIS DE ALUNAS E ALUNOS DA UENF

A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), criada em 1993 por Leonel de Moura Brizola e Darcy Ribeiro, teve como princípio fundacional a interiorização do ensino público superior, gratuito e de excelência. Neste sentido, na sua concepção original a UENF como é conhecida, foi a primeira universidade no país a possuir 100% do seu corpo docente com doutorado e dedicação exclusiva, iniciar simultaneamente o ensino de graduação e pós-graduação que foi apoiado por um amplo programa de bolsas para apoio estudantil. A UENF e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) foram as primeiras universidades brasileiras que estabelecerem o programa de cotas estudantis como um política afirmativa e de inclusão social. A UENF, juntamente com as universidades públicas existentes no estado do Rio de Janeiro, também foi a precursora do Ensino Público a Distância no estado fazendo parte desde o início da criação do Consórcio das Universidades Públicas e, juntas, oferecem hoje 45 mil vagas para 15 cursos (http://cederj.edu.br/cederj/sobre/).

Hoje, estamos em uma greve prolongada que afeta a vida de toda comunidade acadêmica, isto é, alunos, técnicos e professores. Esta greve não é apenas pela total falta de perspectiva salarial, mas também pelas condições degradantes de trabalho. Não há segurança no campus universitário, a limpeza e iluminação são precárias e a UENF não recebe os recursos necessários para manutenção das suas instalações desde outubro de 2015.

Em muitos momentos, discursos inflamados clamam pelo retorno às aulas porque estamos prejudicando a vida dos nossos alunos, porém, temos que deixar claro que este é um discurso falacioso, pois as vidas, de professores e servidores técnicos, também estão sendo prejudicadas. Há meses, vários servidores têm apresentado problemas de saúde, física e mental, e precisamos ressaltar que todos nós temos famílias, as quais dependem dos nossos salários e da nossa estabilidade emocional.

Em síntese, a greve tem como princípio a defesa incondicional da UENF e do seu melhor funcionamento para atender aos nossos alunos e a toda comunidade regional e nacional. Não somos inconsequentes em nossos atos, e enfatizamos que pensamos nas inúmeras gerações que têm o direito de usufruir de uma universidade pública, gratuita e de excelência, tal como a UENF foi constituída e pensada na sua fundação. Portanto, através desta correspondência, estamos esclarecendo a todos os pais de alunas e alunos que defendem estes princípios e chamamos a todos para se unirem em defesa da UENF. Gostaríamos ainda de chamar para reflexão toda sociedade brasileira e especialmente a do Norte Fluminense, pois este é um momento crítico na história das universidades públicas brasileiras. O fato é que o caminho traçado até a presente data pelos  governos comandados por Luiz Fernando Pezão e   Michel  Temer compromete nosso futuro como sociedade e afeta duramente a soberania nacional que passa fundamentalmente pela Educação e a Ciência.  Nesse sentido, se faz ainda mais relevante a frase de Darcy Ribeiro que dizia: A crise na Educação não é uma crise e sim um projeto.

Por último, deixamos a mensagem exposta no portal da UENF: O Governador Leonel de Moura Brizola fez erguer esta Universidade Estadual do Norte Fluminense para que no Brasil floresça uma civilização mais bela, uma sociedade mais livre e mais justa, onde viva um povo mais feliz.  A missão de todos que entendem a importância da UENF como instituição é contribuir para que este momento de dificuldade seja ultrapassado, pois sobre ela há a responsabilidade de um futuro melhor para os cidadãos deste país, e em especial dos segmentos mais pobres da população do Rio de Janeiro.  Por isso, convidamos a que todos se engajem ativamente na defesa da UENF, de modo a pressionar o governo Pezão a interromper o projeto de destruição do ensino superior público estadual.

A UENF é todos nós, defende-la é preciso!

Campos dos Goytacazes, 19 de Outubro de 2017.

COMANDO DE GREVE DA ADUENF

(In) segurança na Uenf: mais um compromisso descumprido por Rafael Diniz

Em Fevereiro de 2017, após uma série de atos de vandalismo e furtos no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense, o prefeito de Campos dos Goytacazes, o jovem Rafael Diniz, pareceu (notem que estou dizendo “pareceu”) lançar uma tábua de salvação para a calamitosa situação de (in) segurança públicada causada pela asfixia financeira imposta pelo (des) governo Pezão.

segurança uenf

É que supostamente atendendo a um pedido do reitor da Uenf, Prof. Luís Passoni, houve a sinalização de que a Guarda Civil Municipal iria iniciar o policiamento no interior do campus Leonel Brizola e em outras unidades existentes em Campos dos Goytacazes [1].

Agora, mais de oito meses depois desse compromisso do jovem prefeito,  duas coisas efetivamente aconteceram no campus da Uenf. A primeira foi a ocupação de uma edificação pelo Grupamento Ambiental da Guarda Civil Municipal em troca do reforço de policiamento que nunca veio. A segunda, que é quase um desdobramento natural, do descumprimento do compromisso assumido por Rafael Diniz foi a ocorrência de uma espiral de violência que inclui arrombamentos, atos de vandalismo, e furtos de equipamentos científicos que já causaram pesadas perdas financeiras à Uenf.

O interessante é que Rafael Diniz vem anunciando uma série de parceiras com as universidades locais como sendo uma prova de que pretende utilizar todo o potencial intelectual nelas existentes para desenvolver saídas para a grave crise financeira em que o município de Campos dos Goytacazes está imerso neste momento.  

Na prática se vê que nem honrar as contrapartidas acertadas pelos acordos feitos está sendo cumprido. Por essas e outras é que o governo “da mudança” está cada vez mais parecido com o (des) governo Pezão.  E no caso da Uenf o governo municipal está se tornando um parceiro na consolidação do projeto de destruição em curso. Simples assim.


[1] http://www.uenf.br/dic/ascom/2017/02/20/ascom-informa-20-02-17-2/

A política neoliberal massacra a UENF… mas ela resiste!

2891b-sos2b9

Por Bruno Costa*

Querem deixar a Universidade Estadual do Norte Fluminense no escuro. Sem iluminação no espaço, sem luz para as pesquisas e com salários atrasados de seus servidores, a instituição resiste com sua greve de professores em busca direitos irrestritos. A proposição nos remete a uma política neoliberal de esfacelamento das universidades públicas. A velha faceta dos sombrios anos FHC da reprovação das instituições públicas para ali na frente privatizá-las.

Foi assim com a Vale, Embratel, CERJ, será com a CEDAE caso não haja uma grande mobilização, será com a Petrobras e também com as universidades estaduais: UERJ, UEZO e UENF. Dentro de um processo sistêmico e planejado pelas elites dominantes, articula-se o crime perfeito. Vendas subfaturadas apoiadas pela população passam às mãos de um mesmo nicho dominante, sistematicamente encabeçados por políticos ou laranjas, uma meia dúzia de milionários (até bi) que se apropriam dos recursos da nação com a retórica da corrupção estatal e da necessidade da gestão privada para garantir a qualidade dos serviços, deixando a população amargando na miséria. Tal fato sabemos que não é verdade visto a precariedade dos serviços de telefonia, elétricos, educação privada nas universidades, planos de saúde, dentre tantos outros, mas os lucros continuam exorbitantes e quando contrário, perdões de dívidas e financiamentos com dinheiro público.

Assim estão buscando concretizar esta política neoliberal de privatização da UENF. Percebi estupefato que alguns alunos da universidade compactuam com tal arbitrariedade e covardia. Não tenho informações sobre a origem secundarista e nem quais graduações cursam na instituição idealizada por Brizola e Darcy. Observei boquiaberto algumas publicações como:

“Da próxima assembleia, proponha um abaixo-assinado para doarmos a UENF pra vcs, grevistas, porque daqui a um tempo vai sobrar só vcs ai dentro!!!!”; “A pergunta que não quer calar. A quem interessa a greve? Já são quase um ano parados na aula, prejuízo em cima de prejuízo.”; “Sera que os senhores estão pensando no futuro dos estudantes e nas famílias que estão bancando alimentação, aluguel, etc…..”

Provoca-se, então, uma triste inversão dos fatos: as vítimas se tornam culpadas. O desastroso governo Pezão que deveria ser rechaçado, governo este que recheia o bolo de grandes empresários com isenções fiscais é o mesmo que massacra as universidades, um governo respaldado numa crise seletiva – para uns setores há crise, para outros não. Enquanto isso, professores-doutores sem salários são criminalizados e o campus continua sem qualquer estrutura mínima de funcionamento. O momento é de luta! Há tempos a Aduenf denuncia o descaso com as pesquisas e com os profissionais da instituição (leia Aqui!).

uenf greve

Fui aluno do Mestrado em Políticas Sociais na UENF e neste período houve greve. Fiz técnico e tecnológico (ETFC/Cefet), hoje IFF, e passei por diversas greves. Fui aluno nos anos 80 de escola pública estadual em minha cidade e passei por inúmeras greves. A história nos mostra que só com mobilização, paralisação, articulação e greve o funcionalismo, o cidadão, consegue ainda buscar um lugar digno na sociedade. O que se tem de direito hoje aí que muitos usufruem foi pela luta de muitas lá atrás, inclusive com a própria vida. O capital que nos domina prefere o status quo e a tranquilidade da ociosidade reivindicatória. Banqueiros lucram bilhões com apoio governamental e bancários mínguam. Políticos corruptos saqueiam os cofres públicos e a população na miséria.

Neste ritmo, alunos que reclamam que pagam aluguel em momento de greve, passarão a pagar também mensalidades absurdas e pior, sem qualquer qualidade no ensino universitário. Há os que defendem esta barbárie. Tentam sabotar o movimento, mas a UENF há de resistir.

*Bruno Costa é jornalista e Mestre em Políticas Sociais pela UENF.

Caio Vianna e seu correto senso de oportunidade histórica ao se comprometer com a defesa da UENF

Resultado de imagem para caio vianna eleição campos dos goytacazes

Na semana passada o Comando de Greve dos professores da Uenf foi visitado pelo ex-candidato a prefeito da cidade de Campos dos Goytacazes, Caio Vianna (PDT). Ele havia feito contato para que pudesse comparecer na semana da ADUENF para demonstrar seu apoio à luta dos professores em defesa da universidade criada por Darcy Ribeiro e fundada por Leonel Brizola.

Conheci Caio Vianna quando ele ainda era um adolescente que seguia seu pai , o ex-prefeito Arnaldo Vianna, por todos ladoscom aquela admiração que os filhos tendem a dispensar seus pais.  Quis o tempo que ele estabelecesse um percurso próprio para se firmar com identidade própria num universo de políticos que raramente demonstram o correto senso de oportunidade. 

É que ter comparecido ao campus da Uenf de forma até discreta, o compromisso que ele deixou gravado e mostro abaixo indica que Caio Vianna possui a clareza sobre a importância que a universidade criada por demanda popular possui para o futuro de Campos dos Goytacazes.  Assim, ainda que tenhamos opções distintas de ação política, há que se reconhecer que Caio Vianna é um personagem que chegou para ficar na cena política.

Abaixo o vídeo gravado por Caio Vianna onde se compromete a atuar para que a bancada estadual do PDT pressione o (des) governador Pezão aja para garantir que a Uenf não seja destruída.

Marketing acadêmico: ADUENF inicia ciclo “O Futuro da Uenf em debate” com Flávio Serafini e Marcelo Freixo

A Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ADUENF) inicia nesta 2a. feira (09/10)  um ciclo de debates que visa discutir os caminhos da resistência contra o processo de extinção do ensino superior público que está sendo executado pelo (des) governo Pezão.

Os dois debatedores serão os deputados estaduais Flávio Serafini e Marcelo Freixo, ambos do PSOL, que têm ocupado um papel de frente na defesa das universidades estaduais e das escolas da rede Faetec dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

debate

A entrada é franca e aberta a todos os que desejam discutir a grave situação que foi imposta pelo (des) governo Pezão na Uenf.

Lembrando do dia em que Leonel Brizola visitou a Uenf para defender a autonomia universitária

Em tempos difíceis como o que atravessam as universidades estaduais sob o tacão impiedoso do (des) governo Pezão é bom sempre recorrer a determinados momentos em que personagens se fizeram presentes do lado certo da História. Esse foi o caso da visita que um dos fundadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o ex- governador Leonel Brizola, fez ao campus que ainda levava o nome de Darcy Ribeiro no dia 01 de Junho de 2001.

A situação era igualmente marcada por uma greve que era realizada para forçar o então governador Anthony Garotinho a cumprir o compromisso de dar a personalidade jurídica que livraria a Uenf de uma relação insustentável com a Fundação Estadual Norte Fluminense (Fenorte) sua então mantenedora.

Naquele dia Leonel Brizola se colocou ao lado da comunidade universitária uenfiana apoiou entusiasticamente a autonomia universitária da Uenf. Aos presentes ainda instou a que continuassem a sua luta pela consolidação da Universidade do Terceiro Milênio que ele e Darcy Ribeiro tinham dado sua contribuição decisiva para instalar em Campos dos Goytacazes.

Interessante lembrar que após a conquista da autonomia, a Uenf teve o nome de Darcy Ribeiro acrescido ao seu nome, e o campus  passou, com toda justiça ao papel que cumpriu na sua construção da instituição, a ser chamado de Leonel Brizola.

Por esta visita e a defesa que fez da Uenf sempre lembrarei Leonel Brizola  de forma positiva, em que pesem  as  minhas diferenças políticas com ele.

Abaixo imagens daquela visita histórica.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Campus da Uenf é alvo de furtos em série e prejuízos para a pesquisa já são incalculáveis

roubo uenf

Furto deixa prejuízo de pelo menos R$40 mil na Uenf . Foto de Paulo Pinheiro

O Campus Leonel Brizola da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) teve unidades furtadas na madrugada desta 5a. feira (05/10) que perdas financeiras que podem ultrapassar R$ 40 mil.  Mas as perdas financeiras não são a pior consequência dos furtos ocorridos, visto que a perda de apenas um instrumento de pesquisa (uma lupa) deverá impedir a continuidade de projetos de pesquisa, gerando perdas incalculáveis para a ciência fluminense.

Os furtos ocorridos na madrugada se somam a vários outros que já foram realizados em diferentes unidades da Uenf após a suspensão dos serviços de proteção patrimonial em função da falta de pagamentos das empresas terceirizadas por parte do (des) governo Pezão.  Ainda que pouco se fale, os dois campi  e as unidades isoladas de pesquisa da Uenf estão sem qualquer tipo de serviço de segurança desde Outubro de 2016 quando a empresa K-9 descontinuou as suas atividades por causa da falta de pagamentos.

Essa situação que ameaça a continuidade de projetos de pesquisa e a segurança da comunidade universitária da Uenf é um dos motivos pelos quais os professores têm se mantido em greve.  É que sem que haja um mínimo de segurança, as perdas materiais que estão sendo causadas pelos furtos poderá ainda resultar na perda de vidas humanas.

A verdade é que todos os problemas que estão ameaçando a sobrevivência da Uenf decorrem de uma opção política do (des) governo Pezão de inviabilizar o funcionamento das instituições estaduais de ensino superior, abrindo caminho para a sua privatização parcial ou total.  Para combater de forma eficaz esse projeto que vai de encontro aos interesses da população fluminense, especialmente dos jovens que veem nas universidades estaduais espaços que possibilitam a eles uma formação profissional qualificada, é necessário que haja a devida reação política contra o (des) governo Pezão. 

Felizmente, eu sempre gosto de frisar que sempre existem os “felizmente” em toda situação dramática, vejo sinais de que todo o descalabro causado contra as universidades públicas está gerando um movimento para se contrapor ao projeto de desmanche de instituições estratégicas para que possamos sair do lodaçal em que fomos enfiados por mais uma década de governos do PMDB.

Enquanto isso há que se cobrar soluções imediatas para o abandono ao qual a Uenf está sendo submetido pelo (des) governo Pezão.

Notícias da Aduenf: Marcelo Freixo e Flávio Serafini vão iniciar ciclo de debates sobre o futuro da Uenf

Ciclo “O Futuro da UENF em debate” terá primeiro evento no dia 09 de Outubro

Está chegando o dia do primeiro evento do ciclo de debates promovido pela Aduenf para discutir o “Futuro da Uenf” e que contará com a presença dos deputados estaduais Marcelo Freixo e Flávio Serafini.

A programação deste evento dentro do processo de greve de professores e servidores técnico-administrativos é uma demonstração de que a Uenf não está fechada como muitos apregoam para desacreditar a luta contra o processo de privatização que está sendo vislumbrado pelo governo Pezão como alternativa que ele mesmo criou nas universidades estaduais e nas escolas da Faetec.

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/10/ciclo-o-futuro-da-uenf-em-debate-tera.html

Os “detalhes” que faltaram na última matéria da Folha da Manhã sobre a greve na Uenf

A edição do jornal Folha da Manhã que circulou ontem e hoje (02/10) traz uma matéria sobre a greve em curso na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) sob o título “Alunos preocupados com a greve” [1], onde são entrevistados 3 estudantes descontentes com  o movimento. 

greve folha

Um detalhe é que essa matéria nasceu de um diálogo que mantive com um número maior de estudantes dentro de um grupo, o UENF, existente na rede social Facebo acerca do movimento.  As trocas de opinião que ali ocorreram motivaram então essa matéria.

Ao ler a matéria, verifiquei que há uma grande lacuna na forma que a mesma foi construída. É que ficaram ausentes da matéria uma análise mínima da situação dramática em que a instituição se encontra após quase 2 anos de falta de verbas de custeio (lembremos que foi em Outubro de 2015 que o (des) governo Pezão entregou essas verbas à Uenf) e o responsável por isso, o (des) governador Luiz Fernando Pezão.

É importante notar que a matéria produz uma relação falaciosa (falo aqui no sentido estatístico) entre os prejuízos na pesquisa que a greve estaria causando. A verdade é que no Canal que a Aduenf mantém no Youtube [2] existem vários depoimentos de que o processo de destruição dos projetos de pesquisa existentes na Uenf se deve ao sucateamento da Faperj pelo mesmo (des) governo Pezão, e também na crise instalada pelo governo “de facto” de Michel Temer no CNPq.

Ao relacionar a greve com prejuízos no funcionamento cotidiano e omitir o papel central do (des) governo Pezão na crise instalada nas universidades estaduais e nas escolas da Faetec, o que esta matéria faz é jogar a culpa nas vítimas enquanto deixa os culpados livres para continuarem seus ataques contra servidores e contra instituições esratégicas para que o Rio de Janeiro possa sair da crise em que foi colocado por uma mistura de corrupção, farra fiscal e incompetência administrativa.

Finalmente, há que se salientar que, ao contrário do que a matéria afirma, esta não é uma das greves mais longas que foram impostas à Uenf pelo (des) governo que é comandado pelo PMDB há mais de uma década. Mas certamente esse movimento paredista é um dos mais atacados e sabotados de todos os que participei em quase 20 anos na Uenf. Os motivos para este ataque são muitos, mas o principal parece ser o de quebrar o processo de resistência que a greve colocada em marcha contra o processo de privatização da Uenf e das demais unidades que oferecem ensino superior público gratuito.  Entender a natureza desse ataque é fundamental para que se fortaleça a resistência a esse projeto maior.

E como eu disse em muitas das minhas interações no Grupo UENF no Facebook, é preciso que se saia do processo de guerra cibernética contra os professores  e um movimento legítimo para uma pressão direta sobre o (des) governador Pezão, o real culpado pela crise instalada na Uenf.  


[1] http://www.folha1.com.br/_conteudo/2017/09/geral/1225393-alunos-preocupados-com-a-greve.html.

[2] https://www.youtube.com/channel/UC-uMY_uzGefUpoKHZ3yqBmw/videos?sort=dd&shelf_id=0&view=0