A divulgação dos resultados da avaliação do Índice Geral de Cursos (IGC) do Ministério de Educação e Cultura (MEC) que coloca a Universidade Estadual do Norte Fluminense como a melhor universidade do Rio de Janeiro e a décima-segunda do Brasil não poderia vir num momento mais paradoxal, pois os seus professores estão terminando o ano sem que o (des) governo de Sérgio Cabral tenha cumprido a promessa de resolver a grave crise salarial instalada na instituição.
Para quem não se lembra, os professores suspenderam uma greve no final de 2012 sob o compromisso do (des) governo Cabral que neste ano haveria uma resposta positiva para o problema salarial que aflige todos os servidores da UENF. Mas nada de positivo aconteceu, apesar das dezenas de viagens e manifestações da Associação de Docentes da UENF (ADUENF).
Aliás, o que houve por parte desse (des) governo, sob a batuta do Sr. Sérgio Ruy, (des) secretário estadual de Planejamento e Gestão, de destruir o modelo de universidade criado por Darcy Ribeiro, que se baseia no regime de Dedicação Exclusiva para todos os seus professores-doutores. Para isso, o (des) governo estadual contou com a valorosa ajuda da reitoria da UENF que fez aprovar a toque de caixa uma minuta de lei no Conselho Universitário que não apenas quebrou a espinha dorsal do modelo institucional, mas instituiu uma escabrosa figura do professor titular 20 horas.
Agora, voltando ao ranking do MEC, há que se dizer que não sou um desses fãs ardosos deste tipo de classificação, pois se nivelam maças com batatas sob um viés normalizador que certamente causa distorções graves. Mas mesmo assim, não deixa de ser interessante que, ao menos neste ranking, a UENF se mantenha consistentemente bem posicionada desde 2008, enquanto os salários dos seus servidores vão morro abaixo. A conta simplesmente não fecha, e as consequências já são vistas dentro do campus, pois está cada vez mais difícil trabalhar.
E se cedo ou tarde a UENF implodir pela evasão incontrolável de seus professores-doutores, o principal culpado disso será o (des) governador Sérgio Cabral e seus (des) secretários, tendo o Sr. Sérgio Ruy à frente. Por outro lado, que ninguém reclame se os professores voltarem à greve no início de 2014. Pois paciência tem limite, até a de professores-doutores que precisam pagar contas e criar seus filhos como qualquer outro trabalhador.
Abaixo um excelente depoimento do deputado Marcelo Freixo sobre a situação enfrentada pela UENF em função da política de sucateamento imposta pelo (des) governo de Sérgio Cabral
A chegada do final de 2013 marca um capítulo a mais na luta da ADUENF em defesa de melhores salários para os docentes da UENF com a colocação de outdoors nas ruas de Campos para divulgar um fato insólito: a universidade é considerada a melhor do Rio de Janeiro pelo ranqueamento feito pelo MEC, mas paga hoje os piores salários do Brasil para professores doutores trabalhando em regime de Dedicação Exclusiva. Esse sucateamento, é preciso que se diga, não se restringe aos salários dos docentes mas se estende aos de todos os servidores da UENF.
Essa política de destruição da UENF foi aprofundada pelo (des) governo de Sérgio Cabral e hoje ameaça implodir um modelo de universidade que já se mostrou adequado Às necessidades da região Norte Fluminense.
O prazo estipulado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) para que a reitoria de Universidade da Estadual Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) forneça detalhes sobre o uso de diárias aprovadas na atual gestão já se esgotou e o reitor da entidade, Silvério Freitas, não se manifestou até o momento. Agora, cabe ao promotor de Justiça de Tutela Coletiva de Campos dos Goytacazes, Leandro Manhães, decidir os próximos passos do caso. A determinação judicial teve como base a implementação do artigo 16 da lei 41644 de 2009, que define o uso adequado de verbas públicas.
Em outubro, o Jornal do Brasil publicou uma reportagem com denúncias de servidores da Uenf, que apontam para possíveis fraudes na administração atual. Eles questionaram também a planilha que registra o pagamento de diárias para funcionários do alto escalão da universidade nos anos investigados pelo MP-RJ, alertando para a “relação íntima” entre os nomes citados no quadro.
Na ocasião, os servidores da Uenf também se queixaram das precárias condições de trabalho e dos baixos salários, que segundo eles não condiz com algumas aquisições “luxuosas” que a universidade tem feito. Eles citaram a compra de um tomógrafo por um preço maior do que o praticado no mercado para o modelo, em contrato com uma empresa norte-americana e os aditivos publicados no Diário Oficial para as obras do “Bandejão” da Uenf.
Em contato com o Jornal do Brasil, a assessoria de comunicação da Uenf afirma que o departamento jurídico da entidade já respondeu a todos os questionamentos do MP sobre os procedimentos adotados para o uso de diárias.
Clima na Uenf continua tenso, com protesto e paralisação
Nesta quarta-feira (4/12), um grupo de profissionais da universidade realizou uma paralisação de 24 horas e ato público em frente ao Hospital Veterinário, para protestar contra o reajuste salarial aprovado pelo Conselho Universitário (CO) e que deixou de fora os servidores de nível superior. O protesto foi organizado pela Associação de Técnicos de Nível Superior (ATNS), que questiona a forma com que a reitoria está conduzindo as negociações referentes a Tabela salarial do Plano de Cargos e Vencimentos Salariais (PCV).
Profissionais protestaram contra decisão da reitoria
Um dos membro da diretoria da ATNS, Peccelli Sarmet, argumentou que a tabela de reajuste salarial deve ser única para servidores técnicos e administrativos, para evitar brechas que podem prejudicar as diferentes categorias. Sarmet contou que no ano passado foi formada uma comissão com a missão de organizar as propostas de alteração salarial, de forma democrática, por isso o grupo foi composto por dois professores indicados pelo corpo docente, dois profissionais representando os servidores de nível administrativo e dois membros da diretoria. As decisões da comissão são encaminhadas para o Conselho Universitário e, posteriormente, para o governo do Estado. Porém, no início deste ano as atividades do grupo foram paralisadas sem qualquer justificativa, segundo Sarmet. “E logo depois disso, a reitoria encaminhou um pacote de propostas para o Conselho Universitário, sem qualquer participação ou até conhecimento dos membros da comissão”, afirmou o diretor da ATNS.
Segundo Sarmet, uma das propostas encaminhada ao CO, no mês de agosto, defende o adicional de 65% de Dedicação Exclusiva para os professores.O benefício passaria a ser exposto no contra-cheque do profissional, o que não acontece atualmente. Outra alternativa apresentada pela reitoria seria o reajuste de 60% para os servidores de nível médio, 70% para os de nível fundamental e 80% para quem for do nível elementar. Os profissionais de nível superior teriam os seus salários mantidos, ou seja, sem reajuste. Uma última proposta sugere o reajuste geral para todas as categorias, na média de 32,7%. “O fato que muito nos preocupou foi a sugestão de quebra da Dedicação Exclusiva. Esse modelo está dando certo na Uenf e atende aos objetivos da universidade. Os doutores vivem aqui em dedicação total e exclusiva para as pesquisas e desenvolvimento da qualidade de ensino. É uma pena se este modelo for quebrado”, disse Sarmet.
Pelas informações da ATNS, a Uenf conta com 120 técnicos de nível superior e 540 são técnicos administrativos. Sarmet informou ainda que a associação havia encaminhado, no início de setembro, uma proposta para a reitoria, solicitando um reajuste de 30% para os profissionais de nível superior, mas não obteve nenhum retorno.
Em nota, o reitor Silvério de Paiva Freitas informou que tem defendido todas as categorias da comunidade universitária em suas negociações com o governo do estado. A sua administração também tem se pautado pelas diretrizes aprovadas pelo Conselho Universitário, que incluem o reajuste geral de 32,5% para os servidores da Uenf. O comunicado diz ainda que a reitoria “não se nega a receber nenhuma representação da comunidade universitária”.
A diretoria da Associação de Docentes da UENF (ADUENF) conclamou os seus associados para apoiar a manifestação dos técnicos de nível superior da instituição que paralisaram suas atividades nesta 3a. feira (04/12).
Segundo nota distribuída eletronicamente a todos os associados, a diretoria da ADUENF considera que essa luta é de todos, estamos todos juntos em defesa da UENF, e contra a política de sucateamento imposto pelo governo do Rio de Janeiro, que encontra no arrocho salarial sua expressão mais danosa.
Categoria reivindica proposta de reajuste salarial aprovada pelo conselho
Cerca de 30 profissionais da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) realizaram uma paralisação de 24h em frente ao Hospital Veterinário nesta quarta-feira (04/12) por conta da proposta de reajustes salariais aprovada pelo Conselho Universitário.
Segundo a Associação de Técnicos de Nível Superior (ATNS), a proposta não abrange os técnicos de nível superior.
De acordo com a ATNS, a paralisação foi decidida antecipadamente após uma assembleia e o motivo é que se aprovada a proposta, os técnicos de nível superior, não receberão reajustes. Diferente dos docentes que irão receber um adicional de dedicação exclusiva (DE) com percentual de 65% e dos técnicos de nível elementar, reajustes superiores a 60%.
O porta-voz da associação, Peccelli Sarmet, disse não entender o motivo da categoria ter ficado de fora proposta salarial. “Nós ficamos de fora dos reajustes e não entendemos o porquê disso”, protesta o engenheiro agrônomo.
Também faz parte da proposta aprovada pela reitoria um reajuste para todos os servidores da universidade de 32,5%, mas a ATNS não acredita que o governo do estado irá aprovar. A universidade conta com 120 servidores técnicos de nível superior e segundo a ATNS o último reajuste foi feito em 2010.
Para os técnicos, a proposta está apenas servindo os interesses de algumas categorias. “É impossível que uma universidade ao mesmo tempo em que investe na criação de novos cursos de graduação, desqualifica o seu próprio corpo técnico-administrativo de nível superior”, disse o presidente da associação Paulo Roberto Moreira.
Com a paralisação, diversos setores ficaram comprometidos. No hospital, os atendimentos clínicos não funcionaram.
NOTA O reitor da Uenf, Silvério de Paiva Freitas, se pronunciou através de uma nota emitida pela assessoria de imprensa, afirmando que a universidade defende todas as categorias.
O reitor Silvério de Paiva Freitas informa que a Reitoria da UENF tem defendido todas as categorias da comunidade universitária em suas negociações com o governo do estado. Também tem se pautado pelas diretrizes aprovadas pelo Conselho Universitário, que incluem o reajuste geral de 32,5% para os servidores da Universidade. A Reitoria informa ainda que não se nega a receber nenhuma representação da comunidade universitária.
A reivindicação é do grupo de técnicos de nível superior que não aceitam mais o pouco caso com que a categoria é tratada
A Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) sofrerá mais uma paralisação, desta vez a reivindicação é do grupo de técnicos de nível superior (TNS), que não aceitam mais o pouco caso com que a categoria é tratada.
A manifestação teve início às 8h desta quarta-feira, na entrada do Hospital Veterinário, e segundo os manifestantes, outra causa é o não-encaminhamento de uma proposta dos TNS ao Conselho Universitário (CONSUNI). Ainda segundo os manifestantes, o não-encaminhamento causa um dano irreparável ao Plano de Cargos e Vencimentos (PCV).
O que os TNS pleiteiam hoje é o reconhecimento e valorização da carreira de nível superior. A desqualificação da carreira superior é incompreensível para uma universidade que forma pessoal de nível superior. Os TNS esperam que, com este ato público, possam ser ouvidos pela Reitoria.
A sessão da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes teve hoje um daqueles momentos de rara unidade entre situação e oposição. È que hoje foi dada a palavra à Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ADUENF) para que seu presidente, Luis Passoni, pudesse explicar em mínimos detalhes a situação de profunda corrosão salarial que ameaça o projeto acadêmico idealizado por Darcy Ribeiro.
Ao final desta participação, a Câmara Municipal entregou um documento que será remetido ao (des) governador Sérgio Cabral apoiando as reivindicações salariais dos docentes e defendendo a manutenção do regime de Dedicação Exclusiva que todos os membros desta categoria cumprem na UENF.
E como sempre, não havia nenhum representante da reitoria da UENF para se manifestar e defender os interesses da instituição. Apesar disso ser um fato constante chega a ser ultrajante ver que uma Câmara de Vereadores parece compreender mais a importância do regime de Dedicação Exclusiva para a consolidação da UENF do que os que os atuais gestores da instituição.
Como mostra o convite acima, a diretoria da ADUENF está convocando a membros da comunidade universitária da UENF e interessados de todos os segmentos da população campista para participar nesta 3a. feira (03/12) da “Tribuna Livre” que é promovida pela Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes. A participação da ADUENF se dará em torno das 17:00 horas, e a diretoria está preparando uma apresentação que apresente a real situação dos salários pagos na instituição em confronto com outras instituições públicas de ensino superior brasileiras.
O ponto de concentração será na Praça do Liceu a partir das 16:00 horas, momento em que os presentes irão distribuir materiais informativos à população.
A hora de apoiar a luta dos professores da UENF é essa! Participe!