Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental lança publicação, Veredas do III SIMGAT: Comunicações 

A Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental acabar de lançar a publicação na forma de E-Book a obra “Veredas do III SIMGAT: Comunicações apresentadas nos Grupos de Trabalho, fruto do III Simpósio Nacional Geografia, Ambiente e Território, (SIMGAT) realizado no Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGEO), da Universidade Estadual de Goiás (UEG), na Cidade de Goiás (GO), em junho de 2025. O evento teve como tema central Geografia e Ecologia Política: Conflitos (socio)ambientais no Brasil e nos territórios do Cerrado e Pantanal – Da pesquisa ao enfrentamento. 

O E-book conta com 33 capítulos que estão organizados em quatro Veredas (eixos temáticos), cujos temas são: Vereda 1 – Riscos e vulnerabilidade, contaminação e desastres; Vereda 2 – Críticas ao neoextrativismo: dimensões geobiofísica e sócio-espacial; Vereda 3 – Da “devolutiva” à cooperação: divulgação de resultados e colaboração com atores sociais; e Vereda 4 – Temas emergentes em Geografia Ambiental e Ecologia Política.

Esta obra se soma a outras publicações que a RP-G(S)A tem realizado no âmbito das discussões sobre Geografia Ambiental e Ecologia Política, como é caso da já consolidada AMBIENTES: Revista de Geografia e Ecologia Política e de seus eventos, como é o caso dos SIMGATS e dos Beiradeandos o SIMGAT.

E muito em breve, uma nova publicação da RP-G(S)A será lançada, e é importante lembrar que todo acesso ao conteúdo da RP-G(S)A é gratuito. Além disso, as publicações e contato podem ser facilmente obtidas por meio de um dos links a seguir.

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O veneno nosso

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Por Ângelo Cavalcante*

Um quinto de todo o agrotóxico consumido no planeta é despejado em cachoeiras nas lavouras do Brasil.

Desnecessário dizer dos efeitos e impactos dessa lógica sobre a saúde e a vida das pessoas, dos bichos e mesmo sobre as sobras de meio ambiente.

Na relação forma/função tem-se preciso diagnóstico do que é o latifúndio brasileiro e sua indissociável relação com a guerra química e que acontece diariamente nas lavras brasileiras.

Aqui em Itumbiara, no extremo sul goiano, a cidade subsome em meio a um dos maiores canaviais de todo centro-oeste.

Este “maior” refere-se bem mais às formas produtivas e relacionais engendradas pelo grande agronegócio canavieiro do que às dimensões das suas lavouras.

É um titã!

A cana extinguiu a agricultura familiar local; em dez anos essa agroindústria expulsou mais de trinta mil moradores do rural local para uma nucleação urbana/suburbana desestruturada, precária e abertamente carente de equipamentos urbanos essenciais como, observem bem, serviços de água e energia.

E toda essa tragédia demográfico-ambiental com o aval cínico e subalterno da prefeitura e da câmara de vereadores ao fim, iria “gerar empregos”.

Tudo mentira!

Conta mal-feita e pessimamente concebida de fio a pavio

Se o discurso do assalariamento é uma fortaleza irremovível no juízo rasteiro da política local, sob o viés das ocupações esse debate cai por terra.

Não é tão complicado!

Quem conhece um pouquinho da agricultura familiar, do cotidiano sócio-produtivo de uma unidade familiar de produção vai identificar que toda a família e mesmo a vizinhança se envolve para realizar as lidas da terra, da criação e da manutenção do trabalho.

A cooperação, a mutualidade e a solidariedade são termos-chave para a compreensão do que  efetivamente, é a agricultura familiar.<

Todos se ocupam, interagem, intercambiam bens, serviços e saberes. É uma vasta e complexa rede cooperativa e colaborativa da hora primeira do dia ao fechamento das labutas

O agronegócio canavieiro de Itumbiara não eliminou apenas a produção física das agro-famílias. Deu fim a teias e processos ancestrais de integração, unidade e vivência em torno do ato de trabalhar o campo.

O prejuízo é bem maior do que se possa imaginar.

Atualmente, parte dessas famílias arrendaram suas terras ao ‘pool canavieiro’ local, por sinal, o maior evento de especulação imobiliária já visto na história econômica rural de Goiás onde o preço do “arrendo” é dado não pelo proprietário da terra mas pelo grande agronegócio.

Tem base?

Outra parte destas famílias garantiu que seus filhos se proletarizassem nestas mesmas agro-empresas por salários infames e arriscados e; outro expressivo segmento lançou-se ao imenso mundo das atividades informais e precárias acontecidas nas ruas, praças e vielas da cidade.<

A síntese do agronegócio canavieiro local?

É tragédia sob qualquer aspecto.

Em bem primeiro, é gritante e explícito atentado ao direito humano de viver sob condições públicas e sanitárias minimamente adequadas; em seguida, tem-se a combinação de latifúndio com destruição ambiental expressa na devastação própria das monoculturas e que se completam, sobretudo, com a imensa bomba química e que temos de “saborear” todos os dias.

Finalmente, a intensificação do empobrecimento e da pauperização dos trabalhadores rurais é outra consequência da “modernização conservadora” dos campos locais

A agricultura familiar, diferentemente do que possa conceber o juízo econômico utilitarista e liberal, é uma forma de integração sócio-ambiental viável, perene e possível.

Afora isso, temos crises respiratórias infernais, o câncer e esse maldito silêncio que não cessa.

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* Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.