A lama da Samarco e o licenciamento “Fast Food”

Abaixo vai o extrato de uma matéria publicada pela Folha de São Paulo sobre o “plano de emergência” da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) para o caso de um incidente na barragem do Fundão, aquela mesma que causou o TsuLama que invadiu o Rio Doce e a costa do Espírito Santo.

Captura de tela 2015-12-15 07

O mais importante dessa matéria é que a Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) não previu a dispersão do TsuLama para além de Bento Rodrigues, ignorando o que a topografia da região de Mariana torna óbvio, qual seja, que o TsuLama alcançaria o Rio Doce e causaria impactos para muito além de seu epicentro.

A segunda informação que eu considero relevante para entender as relações estabelecidas no espectro do que eu chamo de licenciamento ambiental “Fast Food” é que quem previu de forma equivocada as consequências de um rompimento da barragem de rejeitos da Samarco foi uma empresa de consultoria. Tal fato evidencia, ao  menos para mim, os ônus da terceirização (quiça quarteirização) das diferentes fases do processo de licenciamento ambiental.

E tudo isso sob os narizes dos governantes tucanos que comandavam o governo de Minas Gerais!

Parlamento suíço aprova resolução para punir a Vale por acidente em Minas Gerais

Intenção é impedir que a mineradora possa deduzir de seus impostos as reparações que terá de pagar pelos danos causados no rompimento da barragem

bento

A Vale é acionista da Samarco, empresa responsável pela barragem que se rompeu em Mariana, Minas Gerais

O desastre ambiental em Mariana (MG) pode ter um impacto para as contas da Vale, acionista da Samarco. Nesta semana, o Parlamento da região de Vaud, na Suíça, aprovou uma resolução para impedir que a mineradora possa deduzir de seus impostos as reparações que terá de pagar pelo acidente no Brasil.

A Vale tem sua sede financeira internacional na cidade de Saint-Prex, na Suíça, e se beneficia de um acordo fiscal que permite uma forte redução dos impostos cobrados sobre a mineradora.

Proposto pelo deputado ecologista Raphaël Mahaim, a resolução foi aprovada por 67 votos a favor contra 66 contra, com três abstenções.

“A catástrofe é resultado de uma negligência da empresa e não podemos simplesmente aceitar isso”, disse a deputada Claire Richard. “Não queremos dar exoneração fiscal para aceitar qualquer coisa em nosso território”, criticou o deputado Samuel Bendahan.

Para o bloco de deputados de esquerda, a região de Vaud seria “cúmplice” do desastre ambiental se não agir contra a Vale. Apesar da aprovação, a resolução ainda precisa ser levada para um debate no nível federal. Ainda assim, os deputados acreditam que a resolução tem um forte valor simbólico e pode mudar as leis em Berna.

A aprovação gerou a irritação do governo de Vaud, que teme perder investimentos. “Se sempre que houver uma catástrofe no mundo vocês votarem uma resolução, teremos muitas”, disse Pascal Broulis, conselheiro de Estado, espécie de ministro. Para ele, não há como fazer uma distinção sobre o que é deduzido e o que deve ser proibido.

“A Vale está acompanhando o debate e se aprovarmos a resolução, daremos um sinal ruim e é todo o modelo econômico que será fragilizado”, disse. Para ele, Vaud não pode ser responsável pelo comportamento da mineradora. “A Vale vai responder por seu atos no Brasil. Nosso cantão não pode atuar onde não concerne”, apontou o deputado Mathieu Blanc.

“Decisão precipitada”

Procurada, a Vale disse por meio de sua assessoria de imprensa que a moção não causará impacto, pois a Vale International S/A não tem qualquer relação societária com a Samarco.

“Além disso, a Vale não foi responsável pelo acidente ocorrido na Samarco. O Governo suíço é soberano para fazer as suas moções. Entretanto, entendemos precipitada a decisão, já que não há qualquer conclusão sobre as causas do acidente”, diz a nota.

FONTE:http://www.gazetadopovo.com.br/economia/parlamento-suico-aprova-resolucao-para-punir-a-vale-por-acidente-em-minas-gerais-3dt3vc0cw68bdeikb5bqqrmqy?utm_source=taboola&utm_medium=referral

Matéria do Estado de Minas coloca em xeque discurso de responsabilidade social da Mineradora Samarco

Famílias e empresas de municípios banhados pelo Rio Doce lamentam abandono pela Samarco

Indiretamente atingidas pela tragédia em Mariana, pessoas e empresas que tiveram perdas com o rompimento da Barragem do Fundão alegam que foram esquecidas pela Samarco, que ainda não atendeu seus pedidos

Por Pedro Ferreira , Paula Carolina /Estado de Minas

samarco 0

Famílias e empresas de municípios ao longo do Rio Doce em Minas Gerais e no Espírito Santo, que tiveram suas vidas prejudicadas pelo rompimento da Barragem do Fundão, reclamam que não estão recebendo a mesma atenção dada pela Samarco às vítimas dos subdistritos de Mariana, na Região Central do estado, onde a barragem de rejeitos de minério estourou em 5 de novembro. Segundo essas pessoas, passados 37 dias da tragédia elas não receberam nenhum tipo de ajuda financeira da mineradora. Em Galileia, Vale do Rio Doce, muitos pescadores estão de braços cruzados, pois todos os peixes morreram e o rio continua cheio de lama.

Para complicar ainda mais a situação, a Secretaria Municipal de Saúde de Galileia denuncia que a água distribuída pela Samarco está contaminada com coliformes fecais, totais e escherichia coli, que causa diarreia e vômito na população. A análise da água foi feita pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Segundo a secretária de saúde, Meirimarcia Gonçalves Santos, 92 moradores da cidade adoeceram depois que passaram a usar a água fornecida pela mineradora, número considerado elevado para um universo de 7 mil habitantes. Antes, era um caso isolado de diarreia por mês, segundo ela. “Temos um surto da doença”, alerta Mairimarcia.

A secretária explica que água potável é aquela apropriada para o consumo humano. “A água distribuída, de acordo com ela, é captada em Governador Valadares, Ipatinga e Conselheiro Pena. “As análises feitas em diversas amostras comprovam que a água está contaminada.”

Quem depende do rio para sobreviver, como os pescadores, ainda não recebeu nenhum tipo de ajuda financeira da Samarco, segundo a secretária. “A mineradora mandou uma empresa fazer um levantamento de quem realmente foi atingido, mas até hoje ninguém recebeu qualquer quantia da Samarco”, afirmou. Ela acrescentou que foi feito um levantamento da população ribeirinha no município e muitos produtores rurais perderam todo o sistema de irrigação em plantações e pastos. “A gente solicitou da Samarco o ressarcimento do dinheiro perdido e também que ela contribuísse financeiramente com essas vítimas. Temos fazendas com muitas cabeças de gado que só tinham a água do Rio Doce para beber. Nesses casos, a mineradora está mandando caminhões-pipa”, disse.

Na reserva indígena krenak , em Resplendor, também no Vale do Rio Doce, não há mais peixes, segundo o cacique Adalto Krenak. “A única ajuda que temos é de caminhão-pipa trazendo água. Não recebemos nenhum dinheiro. A situação está muito difícil. A gente gosta muito de pescar, caçar, mas isso tudo já era. Estamos na luta pela água agora, mas depois vamos correr atrás de outras coisas, pedir projetos para criação de peixes”, disse o cacique.

PERTO DA TRAGÉDIA

 Também há pessoas e empresas nos arredores de Mariana que também não tiveram suas perdas reconhecidas pela mineradora Samarco, situação que levou a comarca de Mariana, do Ministério Público de Minas Gerais, a ingressar com nova ação, anteontem, contra a empresa, pleiteando ajuda exatamente para quem foi indiretamente atingido pela tragédia. Segundo o promotor Guilherme Meneghim, um levantamento em toda a região ainda está para ser concluído, mas a estimativa é de que cerca de 1 mil pessoas possam ser contempladas nesse pleito.

Ele cita, como caso mais emblemático, uma cooperativa de produtores de leite do distrito de Águas Claras. “Esses produtores dependiam dos produtores de leite de Paracatu, uam das comunidades afetadas. E como lá a produção foi interrompida, a produção de leite, como um todo, reduziu muito. E sozinhos eles não conseguem lucro suficiente para suplantar os prejuízos”, explica o promotor.

Mas, segundo o Meneghim, a Samarco entendeu que esse seria um conceito muito amplo de se determinar os atingidos, o que não permitiu a assinatura de um termo de compromisso com o MP, motivando a ação.

RESPOSTA

A Samarco informou que começou quinta-feira a distribuição dos primeiros 120 cartões de débito aos pescadores e ribeirinhos cuja subsistência foi impactada pelo acidente em Mariana. “Este é o primeiro passo de um programa de atenção social aos pescadores e ribeirinhos, que a mineradora está executando em parceria com o Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho, com quem a empresa assinou um Termo de Compromisso Social e Ambiental”, disse a Samarco em nota.

A mineradora anunciou a contrataçaõ da empresa Golder Associates Brasil Consultoria e Projetos para fazer a avaliação socioeconômica dos municípios e grupos sociais afetados e, posteriormente, vai apresentar um plano de mitigação de impactos e compensação social. Esse estudo ainda está em andamento, segundo a mineradora.

O subsídio é uma medida emergencial e contempla o pagamento mensal de um salário mínimo, mais um adicional de 20% do salário mínimo para cada um dos dependentes e o valor referente a uma cesta básica (R$ 338,61)”, informou a Samarco.  A mineradora também divulgou que famílias atingidas em Barra Longa e distritos começaram a receber ontem cartões de auxílio financeiro. Foram entregues cartões de auxílio financeiro a 50 famílias da sede e distritos do município que perderam sua fonte de renda com o acidente da barragem, segundo a nota. “A entrega continuará sendo feita à medida em que os demais cadastros forem validados, até que todos os núcleos familiares elegíveis sejam atendidos”, informou.

Na crise da Vale, os trabalhadores é que pagam a conta

workers

Como já apontei aqui neste blog, a Vale está sangrando em seus lucros por causa da queda dos preços do minério de ferro e também por causa do TsuLama da Mineradora Samarco (Vale +_BHP Billiton). Agora o que não tinha aparecido claramente é nas mãos de quem a Vale está colocando a parte salgada das contas. Mas a matéria abaixo assinada pelo jornalista Mariana Durão nos mostra algo que não é surpreendente, mas mesmo assim é esclarecedor. 

É que colocada contra um momento desfavorável, a Vale não hesita em deixar seus trabalhadores sem um reajuste anual dos salários em face das perdas inflacionárias.  Assim, prevalece a lógica de jogar nas costas dos trabalhadores o peso principal do momento ruim, já que certamente as pressões que estão ocorrendo do tipo “ou dá ou desce” são comuns quando se trata da relação capital X trabalho, especialmente em tempos de crise.

O pior é que a matéria anuncia que a ausência de reajustes de salários pode ser apenas uma fase inicial da oneração dos trabalhadores, já que a Vale estaria em um período de “cortes de custos, vendas de ativos e redução do orçamento”.  Em outras palavras, depois de congelar salários, a Vale vai começar a demitir. A ver!

Trabalhadores da Vale ficarão sem reajuste

Dado Galdieri/Bloomberg
Caminhões da Vale transportando minérios de ferro na Mina de Brucutu, em Barão de Cocais, no Brasil

Mina de ferro da Vale: “o trabalhador aprovou não por concordar com a proposta, mas por não ver alternativa”, diz sindicato

Mariana Durão, do Estadão Conteúdo

Rio – Os trabalhadores da Vale devem ficar sem reajuste salarial em 2015. As negociações travadas desde agosto não avançaram e a proposta da companhia de pagar apenas o abono tende a prevalecer.

Os sindicatos pediam a recomposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mais um ganho real de 5% e aumento do vale alimentação. Para enfrentar o atual cenário de queda do preço do minério de ferro – cotado a US$ 37 por tonelada, piso dos últimos dez anos -, a Vale passa por um período de corte de custos, venda de ativos e redução do orçamento.

O Sindicato Metabase de Itabira e Região, em Minas Gerais, aprovou a proposta da Vale em assembleia anteontem. Ela prevê o pagamento de um abono de R$ 4,6 mil, além de pagamento de R$ 1,2 mil relativos a alterações no plano de assistência médica. Outros sindicatos ainda deverão votar ao longo da próxima semana. A Vale não comenta as negociações em andamento.

“O trabalhador aprovou não por concordar com a proposta, mas por não ver alternativa. Fizemos quatro rodadas de negociações e resistimos ao máximo, mas a Vale diz que chegou ao seu limite”, diz o diretor de comunicação do sindicato, Marcos dos Santos Oliveira.

Resultado

No terceiro trimestre, a mineradora brasileira registrou um prejuízo de R$ 6,6 bilhões – praticamente o dobro do que foi registrado no mesmo período de 2014. No segundo trimestre, a empresa tinha lucrado R$ 5,1 bilhões.

A variação cambial fez com que a receita da Vale crescesse 8,8% do segundo para o terceiro trimestre, alcançando a cifra de R$ 23,7 bilhões.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/trabalhadores-da-vale-ficarao-sem-reajuste

Matéria da Folha de São Paulo mostra detalhes dos megaproblemas causados pelo incidente da Mineradora Samarco

LAMA 2

A matéria abaixo assinada pelos jornalistas Eduardo Geraque, Estévão Bertoni e José Marques para a Folha de São Paulo lança luz sobre aspectos ainda pouco tocados no rompimento da barragem de rejeitos da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton). A primeira é que havia em curso uma obra para unir as barragens existentes e transformá-las numa megabarragem que seria capaz de estocar estratosféricos 255 bilhões de litros de rejeito de minério. E como em muitos casos, quem realizava a obra era uma empresa terceirizada que operava a fusão das barragens sabe-se-lá sobre quais condições contratuais.

Outro elemento interessante mostrado na matéria é que o incidente de Mariana seria simplesmente o maior causado pela mineração em todo o mundo nos últimos 100 anos! Esta informação deveria ser o bastante para que forças tarefas estivessem sendo formadas para se apurar de forma minuciosa o impacto que esta hecatombe de rejeitos está tendo sobre os ecossistemas do Rio Doce e da região costeira do Espírito Santo, bem como as comunidades humanas que vivem e trabalham ao longo do trajeto do TsuLama.  Lamentavelmente o que tem se visto até agora por parte do Estado brasileiro é algo muito próximo da completa omissão, pois nem as multas iniciais teriam sido entregues à Mineradora Samarco. Que dizer das medidas para integrar todos os grupos de pesquisa que já estão produzindo dados sobre diferentes aspectos desta tragédia socioambiental!

Felizmente, apesar da inércia oficial e das táticas de procrastinação da Samarco e de suas proprietárias, muita informação está sendo gerada e a mobilização nas comunidades mais atingidas parece continuar alta.  Acrescido a isso as contínuas manifestações que estão ocorrendo no exterior contra a Vale e a BHP Billiton, fico na expectativa de que essa lama toda não seja empurrada para debaixo de um megatapete.

Samarco construía megabarragem em reservatório palco da tragédia

EDUARDO GERAQUE e ESTÊVÃO BERTONI, DE SÃO PAULO & JOSÉ MARQUES DE BELO HORIZONTE

A informação consta do auto de fiscalização feito pela Secretaria de Meio Ambiente de Minas após a tragédia que deixou 16 mortos e três desaparecidos, além de um rastro de destruição ambiental por cerca de 600 km até o litoral do Espírito Santo.

megabarragem

Presidida por Ricardo Vescovi, a mineradora é controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton.

Nesse documento, ao qual a Folha teve acesso, funcionários do governo de MG registram que o coordenador de meio ambiente da Samarco, Euzimar Rosado, informou que, “no momento do acidente, uma equipe terceirizada estava realizando obras de unificação de duas barragens (Fundão e Germano)”.

O documento também traz detalhes da obra que estava sendo feita em Fundão –que também recebia rejeitos de uma mina da Vale. A causa de seu rompimento ainda está sendo investigada.

Ainda de acordo com o relatório, o funcionário Wanderson da Silva, da equipe de geotécnica da mineradora, afirmou que “uma manutenção estava sendo realizada no sistema de drenagem nas ombreiras direita e esquerda [da barragem de Fundão]”.

Os trabalhos em curso, de acordo com Silva, faziam “parte do projeto de alteamento [elevação] da cota da barragem de 920 m para 940 m”.

Em entrevista após a tragédia, os diretores da mineradora confirmaram a elevação da parede da barragem, para aumentar sua capacidade, mas não citaram a unificação.

Em julho deste ano, representantes da mineradora se reuniram com vereadores de Mariana para explicar as obras. Segundo o presidente da Câmara, Tenente Freitas (PHS), a Samarco também não fez referência à unificação. “Em momento algum falaram disso. Só citaram o alteamento da barragem”, diz.

A barragem de Germano, que armazena cerca de 200 bilhões de litros de rejeitos, começou a operar no fim dos anos 1970 e havia esgotado sua cota em 2009, um ano após o início da operação de Fundão, que comportava cerca de 55 bilhões de litros de lama.

Com a fusão, que demoraria dois anos para ficar pronta, a nova estrutura comportaria, ao menos, 255 bilhões de litros de rejeito de minério.

PLANO DE EMERGÊNCIA

A licença para que a mineradora Samarco pudesse começar as obras de unificação da megabarragem foi emitida em julho pelo governo de MG.

A Reta Engenharia, uma das empresas terceirizadas para o serviço, era a responsável pelas obras de terraplanagem, drenagem e montagem das tubulações. O contrato entre ela e a Samarco existe desde maio, dois meses antes da publicação da licença para início das obras.

Tanto o Ministério Público do Estado como a Procuradoria Federal apuram se as empresas já estavam fazendo as obras antes mesmo de a licença ter sido concedida à Samarco, o que é proibido.
Os conselheiros do órgão mineiro que decidem pela emissão das licenças ambientais resolveram empurrar para o DNPM (Departamento Nacional de Proteção Mineral) a responsabilidade pela cobrança, à Samarco, de um novo plano de emergência.

Segundo o promotor que assinou o parecer para as licenças prévia e de instalação da megabarragem, Mauro Ellovitch, o plano de emergência seria cobrado à Samarco antes que a nova estrutura entrasse em operação.

Ainda assim, a empresa deveria ter o documento pronto e enviado ao DNPM.

“Nós não abrimos mão do plano de emergência, até porque ele é uma obrigação da Samarco”, disse o promotor.

OUTRO LADO

A mineradora Samarco, controlada pela brasileira Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton, não quis fazer comentários sobre o projeto de unificação das barragens de Germano e de Fundão.

Por meio de nota, a empresa presidida por Ricardo Vescovi disse apenas que as obras em andamento eram as necessárias para viabilizar o alteamento (elevação) futuro das barragens de Mariana (MG).

Essa fase de preparação, de acordo com a Samarco, estava programada para durar dois anos. Só em 2018, diz a mineradora, começaria de fato o início da operação de alteamento da elevação de 920 metros para 940 metros (em relação ao nível do mar).

Até lá, a lista de ações que deveriam ser feitas inclui a construção de um novo extravasor, sistema de drenagem interna, sistema de adução de rejeitos e relocação de bueiros, por exemplo.

PLANO

A Samarco também não informou sobre o novo plano de emergência, cobrado pelo Ministério Público estadual de MG, durante o processo de pedido da licença.

Na avaliação dos promotores, como a fusão das duas barragens vai formar uma megaestrutura, as consequências socioambientais em caso de ruptura do sistema seriam gigantescas. E, portanto, precisariam ser de conhecimento de todos.

Segundo a Samarco, durante o processo de licenciamento ambiental, ela entregou aos órgãos competentes o Estudo de Impacto Ambiental, o Relatório de Impacto Ambiental, o Plano de Controle Ambiental e o Plano de Utilização Pretendida.

A Reta Engenharia, terceirizada contratada pela Samarco para as obras de preparação da fusão das duas barragens, não respondeu aos questionamentos até a conclusão desta edição.

vazamentos

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/12/1718231-samarco-construia-megabarragem-em-reservatorio-palco-da-tragedia.shtml

 

Novo número Poli, revista da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, também traz matéria sobre os efeitos do TsuLama da Samarco

poli

O TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) está dando espaço para uma série de contribuições da comunidade científica, o que me parece ser uma garantia mínima de que este incidente socioambiental causado pelas mineradoras não vai cair tão facilmente no esquecimento como ocorreu em outros eventos anteriores.

Abaixo segue link para quem tiver interesse na matéria de capa do último número da Revista Poli que é publicada pela Escola Politécnica de Saúde Pública Joaquim Venâncio (instituição ligada à Fundação Oswaldo Cruz) basta clicar no link abaixo!

R51

TsuLama da Samarco: INPE e SOS Mata Atlântica calculam perdas da cobertura florestal

A matéria assinada pelas jornalistas Bárbara Ferreira e Juliana Baeta do jornal O TEMPO apresenta uma avaliação conjunta produzida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela organização não governamental SOS Mata Atlântica sobre um aspecto que estava obscuro até agora acerca dos efeitos do TsuLama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) que foi a supressão de áreas florestadas. E esse relatório que eu considero inicial aponta para a perda de pelo menos 324 hectares de mata, o que não é um valor insignificante numa região onde a remoção da floresta nativa foi quase total.
 
Entretanto, considero que a surpressão vegetal é ainda mais grave nesse caso pelo simples fato de que nas áreas de vegetação que foram cobertas pelo TsuLama também havia fauna e flora endêmicas, bem como nascentes que alimentavam o Rio Doce e seus afluentes. Deste modo, a perda não é só de um serviço ambiental, mas de múltiplos.
 
Enquanto isso, a Mineradora Samarco continua procrastinando a entrega de um plano de emergência para as barragens remanescentes na área em que o TsuLama teve origem.  Isso sim é preocupação corporativa com o ambiente!

Lama destruiu 324 ha de mata 

Foram 236 hectares de floresta nativa e 88 de vegetação natural afetadas pela barragem de Fundão

Depois de imensuráveis impactos humanos, sociais e hídricos, a lama despejada pela barragem de Fundão, no início do mês passado em Mariana, na região Central de Minas, também é responsável por uma significativa supressão de vegetação nativa da região afetada. De acordo com análise da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 324 hectares (ha) de mata atlântica foram destruídos pela lama de rejeitos.

O estudo sobre o desmatamento e supressão vegetal é feito anualmente pelas instituições, e a última versão havia sido divulgada poucos dias antes do desastre causado pela barragem da Samarco. Após o rompimento, a fundação e o Inpe decidiram fazer um novo levantamento para detectar o que foi destruído pela lama. Imagens de satélite dos dias 25 de setembro e 12 de novembro foram usadas na última análise.

O estudo constatou que os rejeitos impactaram uma área total de 1.775 hectares (17 km²), equivalente a 2.150 estádios do tamanho do Mineirão. A lama chegou a regiões de vegetação nativa, sendo 236 hectares de florestas nativas e outros 88 hectares de vegetação natural (um total de 324 hectares).

De acordo com a diretora-executiva do SOS Mata Atlântica, Marica Hirota, a destruição deve servir para mobilizar governos e sociedade para aperfeiçoar os mecanismos de controle de atividades de grandes impactos ao meio ambiente.

“Minas Gerais já é um Estado bastante castigado em relação à supressão de vegetação nativa e foi campeão do ranking do desmatamento da Mata Atlântica por cinco anos consecutivos. A tragédia de Mariana, com seu rastro de degradação, se soma a essa realidade e reflete as trágicas consequências do desmonte gradativo da legislação ambiental brasileira e da sua não aplicação”, conclui Marcia Hirota.

Usina

Foram analisados 114 km de cursos d’água e a vegetação em seu entorno, desde a barragem de Mariana, onde ocorreu o rompimento, até a represa da Usina de Candonga (UHE Risoleta Neves), no município de Rio Doce.

Segundo Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo Inpe, a represa da Usina Candonga absorveu o impacto da onda de lama que afetou a área do entorno dos rios e evitou que a vegetação fosse destruída depois desse ponto. “Após a represa, o impacto foi no leito do rio, na qualidade da água e no deslocamento de sedimentos, não havendo remoção de vegetação nas margens dos rios, ou ao menos na escala do estudo, que considera áreas com no mínimo 1 hectare”, explica.

cobertura florestal

Saiba mais sobre o trabalho

Hidrografia. A lama atingiu 680 km de cursos d’água, entre eles 114 km da barragem até a usina de Candonga, parte já analisada pelo SOS Mata Atlântica e pelo Inpe. Após a Usina de Candonga, são 403 km do rio Doce até a divisa com o Espírito Santo e mais 161 km até o mar. Uma equipe das duas entidades está agora em expedição por esse trecho para analisar o impacto pelo rio Doce.

Vegetação. Além dos 324 hectares de mata, há 1.451 hectares de áreas urbanas, pastagem e agricultura afetados.

Pontos afetados. As áreas atingidas de florestas remanescentes (236 ha) estavam todas em Mariana. Já no caso de vegetação nativa, foram 58 hectares em Mariana e 3 hectares em Barra Longa. Nos outros lugares, o impacto foi em matas, várzeas, áreas urbanas, pastagens e agricultura. Foram 493 hectares em Barra Longa, 163 ha em Rio Doce, 67 ha em Santa Cruz do Escalvado e 40 ha em Ponte Nova.

ImportânciaA área devastada, segundo o estudo, é importante no contexto local, em especial para a proteção do solo e preservação da quantidade e qualidade da água que abastece a região.

FONTE: http://www.otempo.com.br/cidades/lama-destruiu-324-ha-de-mata-1.1188943

 

Grupo de pesquisa da UFJF lança relatório sobre os múltiplos efeitos do TsuLama da Samarco

rastro

O  Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS) ligado À Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) acaba de publicar o relatório de pesquisa Antes fosse mais leve a carga: avaliação dos aspectos econômicos, políticos e sociais do desastre da Samarco/Vale/BHP em Mariana (MG). Mimeo, p. 1-100. 2015.

O documento responde a demandas das organizações e movimentos sociais críticos ao modelo neoextrativista e em favor do controle social da indústria extrativa mineral no Brasil e analisa as dimensões econômica, política e social do comportamento da Samarco e suas controladoras em face do desastre por elas provocado. Este relatório final será lançado na Plenária do Comitê em Defesa dos Territórios Frente à Mineração (CNDTM), em Mariana (MG), entre 13 e 15 de dezembro deste ano. O documento pode ser acessado no link abaixo.

PoEMAS-2015-Antes-fosse-mais-leve-a-carga-versão-final

FONTE: http://www.ufjf.br/poemas/2015/12/10/1055/

Samarco se nega a assinar TAC relativo ao TsuLama de Mariana. MP reage com ação civil pública

Depois de procrastinar a entrega de uma resposta à proposta feita pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para confecção de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) comunicou por ofício sua recusa à proposta que lhe fora apresentada pelo promotor Guilherme Meneghin.

Quais foram os principais pontos de discordância? Os quatros pontos citados na matéria são a colocação dos atingidos pelo TsuLama en casas alugadas até o dia 24 de dezembro, sob pena de multa diária de R$ 200 mil por família.  É que 150 famílias que tiveram suas casas destruídas pelo TsuLama ainda estão vivendo em hotéis. O segundo ponto se refere ao oferecimento de uma renda mensal de R$ 1.500 por mês para cada família, com o acréscimo de 30% por dependente. Além disso, haveria que se garantir reativação das atividades esportivas e o pagamento de indenizações dos veículos dos moradores de Bento Rodrigues e outras localidades que foram destruídos pelo TsuLama.

Em função da negativa da Samarco, o MPMG decidiu acionar a empresa, bem como suas proprietárias de fato, a Vale e a BHP Billiton, o que me parece mais do que justo. Agora, como a justiça é lenta quando se trata de punir as corporações, vamos ver como ficarão os atingidos do TsuLama. Não esquecer deles e do drama em que estão imersos  desde o dia 05 de Novembro será uma tarefa coletiva.

MPMG entrará com ação civil pública contra Samarco

Medida foi resposta à recusa da mineradora em assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)

guilherme m

Lincon Zarbietti / O TEMPO O promotor Guilherme Meneghin anunciou que o MPMG entrará com ação civil conta a Samarco

BERNARDO MIRANDA
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) irá entrar nesta quinta-feira (10) com uma ação civil pública contra a Samarco e suas controladoras Vale e BHP Billiton.

Diante da negativa da empresa em assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o promotor de Direitos Humanos de Mariana, Guilherme Meneghin, decidiu provocar a Justiça para garantir a assistência emergencial para as famílias atingidas e também garantir a completa indenização delas.

A ação tem dois pontos: o primeiro garante o atendimento emergencial das famílias. Nessa a área, o MPMG pede que todas estejam assentadas em casas alugadas até o dia 24 de dezembro, sob pena de multa diária de R$ 200 mil por família. Atualmente, 153 famílias já foram para casas alugadas pela Samarco e outras 150 estão no hotel ainda. O segundo ponto pede na ação que a empresa garanta uma renda mensal de R$ 1.500 por mês para cada família, com o acréscimo de 30% por dependente. Hoje, o auxílio pago é de um salário mínimo mais 20% por dependente.

Outra exigência na ação é a apresentação de um plano de reativação econômica dos atingidos é de um plano de reativação das atividades esportivas no prazo de dez dias. A multa nesses dois casos é de R$ 100 mil por dia.

A ação também requer o pagamento de indenização dos carros perdidos pela tabela Fipe. Outra parte da ação requer a garantia da indenização definitiva, individual e reconstrução das comunidades.

O promotor decidiu incluir a Vale e a BHP na ação, por entender que as duas empresas tem responsabilidade pela tragédia.

A Vale porque utilizava a barragem de Fundão para jogar rejeitos da Mina de Alegria, e a BHP porque usufruía dos lucros gerados pela atividade da Samarco e participava do conselho de administração da empresa.

O promotor Guilherme Meneghin destacou os pontos de divergência que levaram a empresa a não assinar o acordo. O primeiro foi a abrangência dos atingidos que seriam contemplados pelo TAC.

A Samarco não aceitou que produtores rurais que não foram afetados diretamente pela lama, mas que perderam estradas de ligação para escoar a produção fossem contemplados. O outro ponto é que a mineradora queria a liberação dos R$ 300 milhões que foram bloqueados.

“A Samarco nos comunicou que não assassinaria o TAC por meio de um ofício. Nem sequer houve reunião para discutir e haver uma negociação sobre os pontos do TAC. Esse é um direito que a empresa tem, mas avaliamos que essa condição está sendo feita de forma ineficiente”, alegou o promotor.

FONTE: http://www.otempo.com.br/cidades/mpmg-entrar%C3%A1-com-a%C3%A7%C3%A3o-civil-p%C3%BAblica-contra-samarco-1.1188007

O inferno da Vale: queda no preço do minério de ferro e TsuLama geram desvalorização de R$ 247 bilhões

vale castigo 2

 

Como havia notado em minha postagem anterior, enquanto o Estado brasileiro continua livrando a cara da Vale e da BHP Billiton que controlam a Mineradora Samarco de forma salomônica, o mercado de ações continua punindo de forma dolorida. É esta punição que já vinha ocorrendo com a desvalorização do minério de ferro que está sendo brutal em 2015, o incidente em Mariana que gerou o TsuLama da Samarco foi a gota d´água para muitos investidores que resolveram se livrar dos papéis da Vale.

A situação da Vale deverá piorar ainda mais já que os sinais vindo da China são para desaceleração do que para aquecimento na demanda do minério de ferro.  Essa situação é agravada pela presença das jazidas da Austrália, onde coincidentemente a BHP Billiton é sediada e vem quebrando recordes de produção na mina de Jimblebar que está localizada na parte ocidental daquele país. 

Como se vê, seja na vida ou na exploração de minério de ferro: amigos, amigos, negócios a parte. E nessa batida vamos ver como a Vale se vira, sem deixar de responder pelo mega problema gerado pelo TsuLama da Samarco, é óbvio!