Como já apontei aqui neste blog, a Vale está sangrando em seus lucros por causa da queda dos preços do minério de ferro e também por causa do TsuLama da Mineradora Samarco (Vale +_BHP Billiton). Agora o que não tinha aparecido claramente é nas mãos de quem a Vale está colocando a parte salgada das contas. Mas a matéria abaixo assinada pelo jornalista Mariana Durão nos mostra algo que não é surpreendente, mas mesmo assim é esclarecedor.
É que colocada contra um momento desfavorável, a Vale não hesita em deixar seus trabalhadores sem um reajuste anual dos salários em face das perdas inflacionárias. Assim, prevalece a lógica de jogar nas costas dos trabalhadores o peso principal do momento ruim, já que certamente as pressões que estão ocorrendo do tipo “ou dá ou desce” são comuns quando se trata da relação capital X trabalho, especialmente em tempos de crise.
O pior é que a matéria anuncia que a ausência de reajustes de salários pode ser apenas uma fase inicial da oneração dos trabalhadores, já que a Vale estaria em um período de “cortes de custos, vendas de ativos e redução do orçamento”. Em outras palavras, depois de congelar salários, a Vale vai começar a demitir. A ver!
Trabalhadores da Vale ficarão sem reajuste
Mina de ferro da Vale: “o trabalhador aprovou não por concordar com a proposta, mas por não ver alternativa”, diz sindicato
Rio – Os trabalhadores da Vale devem ficar sem reajuste salarial em 2015. As negociações travadas desde agosto não avançaram e a proposta da companhia de pagar apenas o abono tende a prevalecer.
Os sindicatos pediam a recomposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mais um ganho real de 5% e aumento do vale alimentação. Para enfrentar o atual cenário de queda do preço do minério de ferro – cotado a US$ 37 por tonelada, piso dos últimos dez anos -, a Vale passa por um período de corte de custos, venda de ativos e redução do orçamento.
O Sindicato Metabase de Itabira e Região, em Minas Gerais, aprovou a proposta da Vale em assembleia anteontem. Ela prevê o pagamento de um abono de R$ 4,6 mil, além de pagamento de R$ 1,2 mil relativos a alterações no plano de assistência médica. Outros sindicatos ainda deverão votar ao longo da próxima semana. A Vale não comenta as negociações em andamento.
“O trabalhador aprovou não por concordar com a proposta, mas por não ver alternativa. Fizemos quatro rodadas de negociações e resistimos ao máximo, mas a Vale diz que chegou ao seu limite”, diz o diretor de comunicação do sindicato, Marcos dos Santos Oliveira.
Resultado
No terceiro trimestre, a mineradora brasileira registrou um prejuízo de R$ 6,6 bilhões – praticamente o dobro do que foi registrado no mesmo período de 2014. No segundo trimestre, a empresa tinha lucrado R$ 5,1 bilhões.
A variação cambial fez com que a receita da Vale crescesse 8,8% do segundo para o terceiro trimestre, alcançando a cifra de R$ 23,7 bilhões.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/trabalhadores-da-vale-ficarao-sem-reajuste
