Lula, um preso político, é impedido de ir no enterro do irmão

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Luiz Inácio Lula da Silva: carregado pelos militantes no dia de sua prisão (Francisco Proer/Reuters)

Deveria ser desnecessário dizer que não pertenço e nem sou simpatizante do Partido dos Trabalhadores (PT), nem acho que isso evitará que me seja (como, aliás, vive sendo) empurrada a pecha de “petralha” nos comentários que me chegam na seção de  comentários deste blog, por eu considerar uma extrema maldadade a proibição de que ex-presidente Lula tenha a permissão de acompanhar o enterro do seu irmão Genival Inácio da Silva que faleceu no dia de ontem vítima de um câncer.

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Imagem: Reprodução/Twitter/Lula

É que essa permissão não se trata de nenhum favor, mas de uma previsão legal. Além disso, todas as razões que estão sendo levantadas para impedir o cumprimento de um dispositivo legal por parte da Polícia Federal e de diferentes instâncias da justiça brasileira são pífias.  A começar pelo argumento da possibilidade da fuga de Lula, já que ele poderia ter fugido antes de ser preso e escolheu o caminho do cárcere.

Ao negar o direito legal que o ex-presidente Lula possui de acompanhar o enterro de um irmão (diferente do que praticou a Ditadura Militar quando permitiu que ele acompanhasse o enterro de sua mãe quando também estava preso),  a decisão ilegal de impedir um ato derradeiro para com um ente falecido demonstra duas coisas: 1) o medo extremo da figura pública Lula, e 2) que Lula é um preso político que está sendo mantido incomunicável e fora dos olhares do público por razões que nada têm a ver com o cumprimento da sua pena.

O que os algozes de Lula parecem não entender é que toda vez que medidas arbitrárias e ilegais são cometidas contra ele, o que acontece é um crescimento da sua imagem de perseguido político. E isso, cedo ou tarde (talvez mais cedo do que tarde) terá graves consequências políticas em um país que já está imerso em graves dificuldades. Mas se isso acontecer, que os que estão ajudando a consolidar a imagem de preso político não reclamem. Afinal de contas, como escreveu Antoine de Saint-Exupéry no “Pequeno Príncipe”, tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.