Banco Mundial e suas travessuras: manipulação de ranking prejudicou governo de Michelle Bachelet

Em uma reportagem publicada pelo Wall Street Journal  no dia 13 de janeiro, e assinada pelos jornalistas Josh Zumbrun e Ian Talley, o economista chefe do Banco Mundial,  Paul Romer, reconheceu que a instituição modificou um dos seus principais rankings, o de competitividade comercial dos países, para prejudicar a colocação de determinados países. Essa manipulação teve efeitos especialmente na avaliação do Chile que era então governado por Michelle Bachelet e acabou perdendo a sua reeleição para Sebastian Piñera [1].

bm wsj

Mas a coisa não parou por aí e nos anos seguintes o mesmo ranking foi modificado, mas agora para beneficiar determinados, a começar pelo Chile então governado por Piñera que passou a ocupar posições melhores. Estranhamente novas modificações no último mandato de Michelle Bachelet, o Chile voltou a cair no mesmo ranking.

A coisa ficou tão escancarada que Paul Romer levou suas preocupações sobre as potenciais razões políticas por detrás das flutuações observadas no tal ranking para a diretoria do Banco Mundial que concordou em fazer novos ajustes que eliminem os vícios encontrados.

As revelações do economista chefe do Banco Mundial tiveram como uma das primeiras consequências uma manifestação de Michelle Bachelet para que se faça uma investigação completa da possível manipulação deste ranking, visto os graves prejuízos financeiros que podem ter sido causados ao Chile e, convenhamos, a outros países cujos governos não estejam alinhados com a doutrina neoliberal da instituição multilateral.

bachelet

Um dos detalhes, digamos mais picantes desse imbróglio, é que o economista Augusto López-Claros, um dos encarregados de preparar o chamado “Doing Business Report”,  é muito próximo do ex-ministro secretário general da Presidência do Chile durante o primeiro governo de Sebastián Piñera, Cristián Larroulet. 

Diante desta admissão de manipulação política de um ranking do próprio Banco Mundial é que fica ainda mais explícito de que o famigerado relatório contratado pelo governo brasileiro, o “Um Ajuste Justo: Análise da Eficiência e Equidade do Gasto Público no Brasil” [2] tem seu conteúdo ainda mais desacreditado. É que se os técnicos do Banco Mundial manipulam seus próprios rankings, o que dirá de um relatório técnico encomendado por um governo-cliente? Talvez seja por isso que ainda não se viu na mídia corporativa brasileira nada sobre esse caso escandaloso envolvendo o Banco Mundial e um de seus principais rankings.


[1] https://www.wsj.com/articles/world-bank-unfairly-influenced-its-own-competitiveness-rankings-1515797620?mod=e2tw&page=1&pos=1

[2] https://blogdopedlowski.com/2017/12/10/artigo-de-professores-da-ufba-traz-estudo-profundo-e-detalhado-de-documento-do-banco-mundial/

 

Matéria do Wall Street Journal aborda TsuLama e aponta claramente para a culpa das mineradoras

Em uma matéria assinada pelo jornalista Paul Kiernan, o Wall Street Journal tratou de forma bem explícita as descobertas da Polícia Federal sobre as causas do TsuLama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) (Aqui!). E a coisa fica explicita logo no título e subtítulo do artigo  da matéria (ver figura abaixo).

Captura de tela 2016-06-10 13.22.00

É que enquanto o título diz “Polícia brasileira afirma que a joint venture da BHP e Vale é culpada pelo desastre do reservatório”, o subtítulo termina o trabalho dizendo que “Investigadores dizem a Mineradora Samarco sabia dos problemas do reservatório por anos antes de sua ruptura”.  Depois disso, são oferecidos parte dos mesmos detalhes já apresentados na mídia brasileira.

Entretanto, uma fala do delegado Roger Lima de Moura  para mim expressa uma ênfase que difere da cobertura dada no Brasil. É que segundo ele, a barragem de Fundão estava “doente, e que seus constantes problemas, obrigavam a realização continua de reparos“. Em outras palavras, o TsuLama sempre foi uma questão de tempo, e que sua ocorrência em 5 de Novembro era esperada pelas responsáveis das mineradoras que informações suficientes para impedir a sua ocorrência, e optaram por não fazê-lo.

Um efeito desta matéria é complicar a situação das três mineradoras no mercado de ações, já que o Wall Street Journal é um daqueles veículos que são acessados por investidores e por operadores de mercado para determinar quais empresas estão em condições saudáveis o suficiente para que tenham suas ações adquiridas.  E essa é para mim uma ironia, pois todo o esforço feito para diminuir custos e aumentar a lucratividade das ações (o que consequentemente atrai mais compradores) agora vai água abaixo com as revelações contidas na matéria assinada por Paul Kienan.