Qual é afinal a surpresa com a foto de Washington Quaquá fazendo “joinha” para Eduardo Pazuello?

Encontrei o deputado federal pelo Rio de Janeiro e vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Washington Quaquá em algum momento do já distante ano de 1999 quando ele ainda pertencia à tendência “Articulação de Esquerda” em uma reunião na sede campista da agremiação. Já naquele momento, notei que o então jovem Quaquá teria futuro no PT, pois era um jovem militante de boa conversava. Obviamente não podia prever nem a trajetória que ele tomaria dentro do partido ou, tampouco, o seu contínuo sucesso eleitoral.

Mas, por outro lado, Quaquá tem se notabilizado por posturas não muito ortodoxas, incluindo o apoio a candidaturas bolsonaristas em nome de supostamente ampliar o diálogo com outras forças políticas, mesmo aquelas que estavam e continuam procurando erradicar o PT da face da Terra.

Por isso, não consigo compreender qual é a razão da gritaria que está ocorrendo com a fotografia tirada por Quaquá ao lado do general da reserva e ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Eduardo Pazuello (ver imagem abaixo).

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O fato é que esta foto exprime Quaquá em sua forma mais pura e acabada, e que tem sido repetidamente utilizada por ele na seção fluminense do PT, sem que eu veja qualquer reação por parte da militância (se é que ainda existe isso no PT do Rio de Janeiro), nem da direção nacional da qual ele é membro e componente da executiva. Assim, quem estiver surpreso com a foto e as amizades que Quaquá cultiva, só pode estar tendo um momento daqueles momentos “Retrato de Dorian Gray“. Afinal, Quaquá é, e já faz um tempinho, a face mais pública do PT do Rio de Janeiro, sem tirar nem por.

E agora Quaquá? Sérgio Moro condena Lula a 9,5 anos de prisão

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Após a aprovação da contra-reforma trabalhista, o dia de hoje está sendo marcado pela esperada condenação do ex-presidente Lula pelo juiz Sérgio Moro em um dos vários processos abertos pela chamada operação Lava Jato a 9,5 anos de prisão [Aqui!].  Estes dois acontecimentos simbolizam o enterro definitivo da política de cooperação de classes que levou e manteve Lula no poder, e reforça as perspectivas de um forte acirramento na luta de classes no Brasil.

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É que se Lula for condenado em segunda instância, a sua eventual candidatura será jogada ao mar e o cenário eleitoral para 2018 se tornará um completa incógnita. Além disso, se a inviabilização da candidatura se confirmar, o mais provável é que o PT acabe sendo forçado a apoiar uma candidatura saída de outro partido, provavelmente a de Cyro Gomes pelo PDT.

O interessante é que ao inviabilizar Lula, o que as elites econômicas que deram sustentação a Sérgio Moro estão fazendo é tirar de cena a única figura política capaz de manter em pé um governo de coalizão de classes.  A inexistência de um substituto para Lula sinaliza para a manutenção de uma condição de crise aguda no Brasil, que já sofre com pelo menos dois anos de profunda recessão econômica e caos na sua estrutura política.

Assim, ainda que erradicar Lula da cena política seja um objeto de desejo dos setores mais reacionários da sociedade brasileira, a confirmação desta condenação servirá como um rastilho de pólvora que poderá resultar numa grave crise social, visto que a maioria da população já sente na pele os retrocessos sociais e econômicas que esta crise profunda vem impondo aos pobres. Em outras palavras, condenar Lula pode até alegrar os corações mais reacionários, mas tem o potencial de fazer explodir o sistema político brasileiro, com consequências imprevisíveis para o Brasil.

Por fim, agora vamos ver como se comportarão as lideranças do PT, começando pelo presidente do PT fluminense, Washington Quaquá, que prometerão levar a luta aberta às ruas caso Lula fosse condenado por Sérgio Moro [Aqui!].   Pois bem, agora que a condenação veio está dada a chance para Quaquá cumprir sua ameaça, ou não.