O PT de Campos dos Goytacazes, de volta para o passado

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Por Douglas Barreto da Mata

Não me refiro a estes últimos meses, em que o PT campista correu atrás de uma bolha de sabão, ou melhor, uma miragem no deserto de votos e de ideias do partido, em sua seção local. Falo de anos, décadas. Quem ouviu ou assistiu a fala do ilustre Professor Luciano D’ Ângelo, hoje pela manhã, em um veículo de comunicação da cidade, ficou com a impressão, não incorreta, que o PT campista vai às ruas para tentar atacar o candidato favorito, o Prefeito Wladimir Garotinho.

Nada demais, afinal, uma das táticas possíveis aos que largam atrás é desgastar o capital daquele que tem mais para perder. Outra abordagem seria investir contra os outros concorrentes na disputa, mas aí não há quase nada para ganhar, isto é, juntando o PT, a candidata delegada, o candidato que é deputado estadual, e outros nanicos, não dá meia candidatura.  Não citei os outros, como dizem os institutos de pesquisa, porque estão no traço, quando falamos das intenções de voto.

O problema da tática do PT de Campos é que ela está dissociada de qualquer estratégia de médio e longo prazos, e tem sido assim desde sempre. O PT não vai herdar quase nada dos chamados 100 mil votos de Lula, essa tese é uma lenda.

Quando Lula esteve no ápice de sua carreira, com popularidade presidencial nas alturas, o PT local nunca refletiu esse desempenho em suas votações municipais locais, nem regionais, e quiçá, estaduais.

O PT do Rio, e de Campos são uma lástima, correias de transmissão do PT de SP, um puxadinho, nada mais. As razões já cansei de dizer, a legenda sempre preferiu o adesismo, personificado em figuras como D’ ngelo, a quem nutro profundo respeito, porém com quem sempre tive enormes discordâncias. O PT do Rio e de Campos sempre quiseram ser rabos de elefantes a serem cabeças de mosquitos.

Pois bem, com esse viés adesista, o PT campista sempre se privou de disputar o campo popular, ficando restrito a um nicho de classe média conservador e que torcia o nariz para qualquer política de proteção social, personificada na família Garotinho. Os Garotinhos são uma opção de esquerda? Não. Mas qual foi a opção de esquerda a qual o PT de Campos se aliou desde 1992? Arnaldo Vianna?  Alexandre Mocaiber? Rafael Diniz?

O resultado disso tudo?  O PT campista manteve uma faixa flutuante de eleitores da chamada “pedra”, tão conservador ou mais que os bolsonaristas que criticam, e cujo bolsonarismo Luciano tenta agora colar em Wladimir Garotinho.

A incoerência e o casuísmo saltam aos olhos, quando observamos que a carreira política dos D’ ngelo é um roteiro de costuras e alianças pragmáticas, com personagens muito mais conservadores que o prefeito atual.

Se queremos uma imagem desse adesismo petista mal sucedido, que encurrala o partido e o atual governo em uma coalizão onde Lula parece mais refém que articulador, é o Ministro Alexandre Padilha, para quem, não por coincidência, trabalha a filha do Professor.

Novamente é bom que se diga: aliança é uma coisa, adesismo é outra. Aliança você negocia, cede, ganha, no adesismo, você só adere, como diz o termo.   É o PT  e o governo federal, é o PT do Rio, é o PT de Campos, guardadas as proporções dos desastres que representam hoje.

Só essa inclinação ao adesismo explica, por exemplo, que o Professor Luciano tenha colocado o PT local na rota de colisão com a realidade, quando imaginou a candidatura da deputada Carla Machado, ela mesmo a expoente de um dos piores tipos de conservadorismo político da região, com “feitos” desastrosos para populações desprotegidas, como a do V Distrito de São João da Barra, e associação com tipos como Eike Batista.  O Porto do Açu é um clássico de destruição de gente e do ambiente. Um “case”, por assim dizer.  Também é de Carla Machado a gestão que afundou SJB nos piores índices de pobreza do país, mesmo a cidade contando com uma fortuna orçamentária per capita.

Então, o problema do Professor Luciano D’ Ângelo com Wladimir Garotinho não é o conservadorismo ou o bolsonarismo, senão o PT não estaria perto de gente que é capaz de tomar terra de gente pobre para dar aos ricos, ou atolar 77% de sua população na linha abaixo da faixa de pobreza, ou enfim, de dar espetáculos grotescos de misoginia, homofobia e outras condutas reprováveis, como são os padrinhos políticos da deputada.

A questão do Professor Luciano D’ Ângelo é tentar retomar seu quinhão de votos conservadores, aqueles da classe média e de parcela das elites, que giram entre 7 a 15% do eleitorado campista, e que hoje, por habilidade do prefeito e seu apetite por amplas alianças, acabou migrando, em parte, para o garotismo.

Como vemos, mais uma vez o PT campista na contramão da História, tenta uma volta ao passado para recuperar o que sempre o engessou como um partido antipopular.

Tentar colar no Prefeito Wladimir a pecha de extrema direita, o que ele, definitivamente não é, poderá ter dois efeitos:  aundar o PT local ainda mais, porque o campo eleitoral do antigarotismo está bem reduzido, e pior, encontra-se, aí sim, na mão de extremados, com quem o PT parece querer se igualar e;

Pode empurrar o eixo da política local ainda mais para a direita, o que, óbvio, no médio e longo prazos é a condenação à morte de quem já está, ou sempre esteve, na CTI.

Olhando o Professor Luciano D’ Ângelo hoje fiquei com a imagem do Christopher Loyd, o Professor Brown, da saga De Volta Para O Futuro, sucesso dos anos 80, nos cinemas. O problema é que o PT e o Professor Luciano embarcaram de volta para o passado.

Em Campos, a aposta no conflito continuado resultou em um tremendo risco de se tornar um “bloco do eu sozinho” à beira do precipício

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Por Douglas Barreto da Mata

O ser humano é um animal gregário, ao mesmo tempo que age com fortes inclinações individualistas.  É esse paradoxo, ou é esse dilema que orienta nossa interação com outros humanos e o ambiente.  Esta contradição nos permitiu alcançar o topo da cadeia evolutiva, dominando outras espécies, desenvolvendo sistemas sociais complexos que, ao mesmo tempo, são diariamente ameaçados por nossa tendência a esquecer o valor dos princípios de vida em coletividade.

Nossa inteligência é nossa salvação e perdição cotidiana.  Na ação política, traço exclusivamente humano em sua natureza e objetivos, o isolamento sempre foi um sinal de iminente derrota.

Vejam o caso de Campos dos Goytacazes. A história recente revela que todas as dinastias políticas locais e regionais chegaram ao auge, quase sempre personificadas em personagens mais relevantes, outros menos, e que conheceram o declínio quando acreditaram que poderiam seguir sozinhos ou fazer com que todos os seus interesses prevalecessem sobre todos os demais.

No plano nacional não foi diferente. Grandes figuras conheceram o ápice, enquanto foram capazes de agregar pessoas e esperanças ao seus redores, e caíram em desgraça quando esqueceram essa lição, e imaginaram que tudo podiam, como Vargas, Jânio Quadros, Collor, etc.

Na planície foi assim com Zezé Barbosa, com o ex-governador Garotinho, com o médico Arnaldo Vianna, e ao que nos parece, em tempo muito precoce, com o Presidente da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, Marquinhos Bacellar, e seu irmão, o Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar.

O alardeado poder imenso conferido ao clã dos Bacellar nos parece grande demais para eles. Hoje, os irmãos se encontram encurralados, sem saída, resumidos a uma agenda que pode ser definida em não ser cassado no plano estadual, para o mais velho, e sobreviver politicamente ao domínio do Prefeito e seu grupo, no caso do mais novo. É muito pouco para quem sonhou ir bem mais longe.

A imagem de um plenário esvaziado, no início dessa semana, na Casa de Leis municipal, quando se discutiu em audiência pública os problemas e soluções orçamentárias da mobilidade urbana da cidade, é um recado importante de que algo está muito mal para o grupo político representado pelos dois.

Todos na planície concordam que a mobilidade urbana é um dos graves problemas a serem resolvidos e debatidos pela comunidade.  Um olhar mais pragmático diria que seria a grande chance de mobilizar forças oposicionistas contra o favoritismo inconteste do atual Prefeito Wladimir Garotinho, de encher galerias, ampliando a ressonância das demandas reprimidas pela gestão do IMTT, porém, o que se ouviu foi um silêncio ensurdecedor.

A Presidência da Mesa Diretora da Câmara Municipal pareceu incapaz de reunir os afetados e interessados no tema.  É flagrante a impossibilidade da Câmara Municipal, na pessoa do seu Presidente, de superar divergências pessoais e estratégias eleitorais que se mostraram inadequadas. A legislatura atual pode ser definida por três momentos, a eleição conturbada para a Presidência da Mesa Diretora, o caso da LOA 2024, e o da CPI da Educação.

Os casos mais graves para a vida municipal foram o risco da não votação do orçamento de 2024, e uma CPI que foi instaurada sem uma justa causa definida, e que acabou morta por inanição, haja vista a absoluta falta de elementos probatórios.

O tom mais elevado do Prefeito, nominando o relatório final de vergonhoso, não está muito distante da realidade, embora alguns possam ter entendido o desabafo com um exagero.

Assim, sem os conflitos citados, nada mais houve que desse foco à atuação desta legislatura, personificada em seu Presidente.  Nenhum tema de interesse coletivo, nada de alcance e profundidade para o debate institucional e para a elaboração de políticas públicas necessárias, nada. Essa postura individualista da Mesa Diretora impôs ao colegiado de vereadores um confinamento político, que se materializa no afastamento daquela Casa dos cidadãos e cidadãs, com prejuízo óbvio para todos.  A fracassada audiência pública sobre mobilidade é a prova cabal dessa circunstância.

Apesar das reclamações do Presidente da Câmara sobre o desinteresse geral, o fato dele não entender, ou pior, desejar desviar a atenção sobre os reais motivos da situação, mostram a inexistência de um espírito público, próprio aos ocupantes das cadeiras de presentação dos poderes, principalmente na atividade parlamentar, que requer, sim, a firmeza na defesa de posições, mas a flexibilidade para buscar e estabelecer consensos possíveis, evitando assim, rupturas institucionais.

Dizem os analistas que o atual Presidente se reelegerá com uma votação grande, talvez seja o mais votado. É bem possível.  Usando a metáfora do futebol, vai ser artilheiro de um campeonato que seu time (a Câmara) foi rebaixado para a quinta divisão. De que adianta? Para a cidade, nada. Talvez seja a hora de aprender com os erros e péssimos resultados recentes, e quem sabem dar um passo atrás para dar dois à frente?

Aos Bacellar, se optarem pelo isolamento no qual se encontram, só restará o precipício político. Ensina a sabedoria dos povos das estepes africanas: Elefante longe da manada vira brinco de marfim.

Tudo indica, porém, que a depender da Presidência da Mesa Diretora, vamos ouvir um samba de uma nota só tocado pelo bloco do eu sozinho.

Dos pampas à planície, a hegemonia da mentira

pinoquio

Por Douglas Barreto da Mata

Uma grande discussão nacional (e internacional) se instalou desde que as redes sociais avançaram do entretenimento para a produção de conteúdo “informativo”.  Esse processo já estava em andamento nas mídias empresariais, com o caso clássico do Canal FOX nos EUA, que, rapidamente, virou padrão neste hemisfério.  No caso das mídias digitais, nem sempre foi possível separar as coisas, e a veiculação de “notícias” pareciam mais com shows de variedades (horrores, para ser exato).

De certa forma, esse fenômeno se acelerou e contaminou todas as mídias chamadas tradicionais que, desesperadas pelo derretimento de sua relevância (audiência), correram atrás de formato de veiculação de notícias e conteúdos chamados “informativos”.

Hoje, é possível dizer que tanto a mídia digital alimenta as redes empresariais, quanto o contrário, e esta simbiose, por sua vez, alimenta uma nova disputa:  a hegemonia da mentira.

Os meios de comunicação tradicionais nunca estiveram a serviço de nenhum interesse público, pelo menos não o interesse da coletividade entendido como a representação das demandas reais (e não as inventadas) da sociedade e dos mais pobres, como por exemplo, a luta contra as desigualdades sociais.

Isso não é surpresa, afinal, a mídia empresarial, como o nome mesmo diz, é constituída de empresas que visam o lucro, mas também têm por como objetivo principal sustentar ideologicamente o sistema que permite e amplia sua existência, o capitalismo.

A mídia sempre mentiu, seja em debate presidencial em 1989, seja no caso Escola Base ou Bar Bodega, seja em tantos outros episódios de “condenações” apressadas, injustas e ilegais, funcionando como um tribunal inquisitório, onde as edições “prendem, processam, julgam e executam sentenças”.

O caso da farsa jato é só o mais recente.

Essa natureza intrínseca da mentira também é comum às mídias digitais, originadas a partir de plataformas gigantescas, que espreitam para engolirem as últimas formas de mídias consideradas tradicionais. Tudo se acentua com o avanço de outra forma de digitalização, neste caso a econômica, através do avanço de fundos de investimentos que movimentam trilhões e trilhões de dólares irresistíveis.

Se antes havia pouca chance de que algum conteúdo fosse de interesse social e público, de verdade, com um ou outro canal de comunicação que ousasse resistir, hoje é quase impossível.  A migração da comunicação do universo dos espaços de concessão para o território da internet é um duro golpe na capacidade estatal de controlar e regulamentar estes meios, e isso parece fácil de identificar, não só nas bravatas no imbecil cretino Elon Musk, como nos efeitos reais do poder e monopólio econômico de sua empresa e de outras do setor, que sequestram e ameaçam bloquear dados e acessos necessários, inclusive, a gestão estatal.

Vale a pena mencionar as graves intervenções em processos eleitorais, como o dos EUA, ou do Brasil, e, de fato, essas intervenções também se deram pelas mídias tradicionais.  A chamada liberdade de imprensa ou de expressão, agora sem controle algum, como sempre advogaram as elites e seus lacaios da mídia, colocam parte dessas elites e os seus jornalistas de coleiras sob um regime de medo. 

Mas não se enganem, não haverá nenhum pobre ou trabalhador beneficiado dessa luta. Nem há uma luta sincera para que haja um controle social capaz de beneficiar a toda sociedade, e não só a parte endinheirada dela. O que se pretende é o controle da fábrica de inverdades.

É uma disputa pela primazia de distorcer, mentir e colocar nas cordas qualquer governo ou representação que, de forma pálida, estabeleça uma agenda um pouco mais progressista.  Alguém disse, e não me recordo ontem, que esse é o “totalitarismo democrático capitalista”, o ápice do controle, onde você escolhe dentre as possibilidades que já determinaram antes.

Lá nos pampas alagados, as redes digitais têm uma tabela forte com as mídias empresariais.

Enquanto as redes digitais fazem o trabalho mais bruto, mas porco de saturar a audiência com boatos e imagens falsas, o sistema de comunicação concedido (TV) e outros geram conteúdos um pouco mais sofisticados, mas que, sem dúvida, são complementares aos boatos grotescos, como o helicóptero da empresa de varejo em salvamento dos atingidos.

Você pergunta:  mas como uma coisa tem a ver com a outra?  Explico: a construção da narrativa dos pampas alagados, o gauchoquistão, é levar a crer que o Estado, ou os poderes constituídos não fazem nada pelos desabrigados.

Junto a esta imagem, um governador impotente, pedinte, chorão, exaltando os voluntários (privados), e ignorando os esforços de centenas e centenas de servidores públicos, de todos os cantos do país, e a montanha de recursos federais que receberá, enquanto pede mais e mais.

Bem, no meio de tudo, a mídia esconde, criminosamente, o debate sobre as causas do desastre, o setor agro, o setor industrial e os fundamentalistas que militam contra as leis ambientais e licenciamentos, enfim, o pessoal do “passa boi, passa a boiada”, que obtiveram do governador chorão a “licença para devastar” o bioma do gauchoquistão, e fazer com que afundasse nos charcos.

Esse discurso casa perfeitamente com a boataria das redes sociais, que distraem a choldra, enquanto incutem as noções mais caras ao jornalismo mais sofisticado, mas igualmente criminoso, e vice-versa, pois, como dissemos, são complementares.

Voando até a planície campista, a indústria midiática também faz das suas.  Com o início das eleições, ou pelo menos, do período pré-eleitoral, as redes digitais e televisivas afiam as garras e o apetite.  É a hora que governantes e postulantes ao governo, parlamentares e candidatos a sê-lo ficam mais frágeis.

Não é novidade que há dois grupos políticos em disputa na cidade, e cada um com seu tratamento de mídia, com suas equipes.  A tarefa dos comunicadores do governo parece ter sido mais bem sucedida, tanto pela gestão que resultou na aprovação do Prefeito Wladimir Garotinho, como pela própria capacidade dele mesmo (o prefeito) em se veicular, a partir de suas redes sociais.

A luta dos oposicionistas parece mais inglória.  Um dos profissionais envolvidos, que já fez parte de um veículo local, pode-se dizer um azarado.  Afinal, ele, Alexandre Bastos, foi Secretário de Comunicação do pior governo da história de Campos dos Goytacazes, e isso logo depois desse governo ter sido eleito com uma votação acachapante, e ter derrubado o candidato da família Garotinho. Do céu ao inferno em quatro anos, podemos dizer.

Como prêmio, Bastos, que todos dizem ser uma boa pessoa, simpático e de trato pessoal polido, ganhou um cargo na Assembleia Legistativo do Rio de Janeiro (Alerj), para cuidar da comunicação do atual presidente Rodrigo Bacellar.  Pois bem, novamente, que azar.  O presidente da Alerj está perto da cassação, porém isso não pode ser, totalmente, imputado ao Bastos. 

Já na cidade de Campos dos Goytacazes a coisa aperta mais um pouco.  Mesmo sem vínculo institucional, é pública e notória a liderança do presidente da Alerj, que subordina seu irmão presidente da Câmara local, e escalado para ser o antagonista principal do prefeito Wladimir. 

Por óbvio, a estratégia de comunicação fica a cargo de Bastos, que controla, direta ou indiretamente, alguns canais digitais, e indiretamente, através da influência sobre a TV e outras mídias, manejando as verbas publicitárias generosas que foram colocadas à disposição dele.

É aí que a porca torce o rabo.  O resultado é pífio, hoje o presidente da Câmara está menor que ao assumir a presidência, e o grupo político que representa patina, fazendo leilão de candidaturas ou melhor, um ENEM de candidatos, que insistem em não se mostrarem viáveis.

O  uso dos truques conhecidos, com distorção e manipulação só parecem funcionar em ambientes e conjunturas específicas, e aqui em Campos dos Goytacazes não deram, até o momento, resultado.

Um exemplo:  hoje, dia 18/05/2024, no telejornal da repetidora da Globo, na hora do almoço, os âncoras chamaram uma matéria sobre um veículo aéreo não tripulado, “drone”, que custou a quantia “X”, e deveria ser usado pela Defesa Civil em desastres naturais, e que, embora licitado e contratado, não foi entregue. Sugestão da matéria ao espectador:  a prefeitura pagou e não levou. 

Porém, isso foi desmentido no curso da reportagem, quando soubemos que o material não foi entregue, mas não foi pago, e a empresa só receberá mediante apresentação, enquanto a municipalidade adota medidas jurídicas para a infração contratual.

Funciona? Em alguns casos sim, mas não tem funcionado.

Assim como a desesperada utilização dessa mesma rede de TV, junto com o sítio de um jornal local, para alavancar o interesse da população pelas ações da DEAM, elevando casos diários de violência contra mulher e violência doméstica ao grau de interesse máximo.

São assuntos importantes e necessários?  Óbvio, mas a pergunta é: não foram sempre? Por que o repentino interesse?

Ora, o arranjo aqui é a tal da mensagem subliminar (na certa os comunicadores modernos têm um anglicismo para isso), quando a mídia destaca um assunto, e depois, por milagre, esse assunto é vinculado a um produto, neste caso o produto é a candidatura da ex titular da Delegacia da Mulher (DEAM).

Um olhar rápido, na página do jornal, mostrará que o assunto DEAM/violência doméstica, em certos dias, têm três matérias acumuladas, de cima a baixo na “geografia do site”, desde as chamadas em destaque, para os leitores de manchetes, até o pé da página, onde vão os leitores mais atentos.

Neste caso, da violência contra mulher, há um dado curioso e grotesco. Essas mesmas redes de comunicação, que fazem uma blitz sobre o tema, diariamente, parecem ter um olhar seletivo (como sempre?).

Onde está o acusado de assédio sexual contra as colegas em ambiente de trabalho, que até bem pouco tempo comandava este mesmo telejornal, e não raras vezes se mostrou indignado contra abusadores e agressores?

É este tipo de hipocrisia que parece ter subtraído a legitimidade, “o lugar de fala” dos comunicadores da oposição que, até hoje não se explicaram porque apoiaram o pior governo da História (como se não fosse com eles), e porque insistem em reeditar essa aliança retrógrada para destruir o que foi recuperado.

Como diz a propaganda famosa de uma montadora italiana: “está no hora de (Bastos) rever seus conceitos”.

Wladimir Garotinho: mais para imbatível ou para tigre de papel?

paper tiger

Tenho publicado neste espaço reflexões de Douglas da Mata a quem nutro muito respeito por sua verve crítica e sacadas que vão muito além de que alguns coleguinhas com diploma de doutor jamais conseguirão ir.  Como um leitor ferrenho de obras complexas e dotado de um olhar que oscila entre o sardônico e o contundente, o Douglas tem em muitos anos tirado o sono de muita gente que teme suas análises e sua sinceridade. Eu, pelo contrário, sempre fui um admirador de sua capacidade analítica e, porque não, do seu jeito extremado de confrontar ideias.

Pois bem, as últimas análises do Douglas da Mata sobre a campanha eleitoral ainda não iniciada apontam para um cenário que deixa pouco espaço para dúvidas em relação ao potencial eleitoral do prefeito Wladimir Garotinho, especialmente em face de uma oposição que carece acima de tudo de um projeto político que além do desejo de ter alguém diferente sentado na cadeira de prefeito.  

Mas se falta um projeto de oposição, isso não quer dizer, em minha modesta opinião, que Wladimir Garotinho deveria sentar sobre os louros da vitória antes do tempo. É que como Jânio Quadros já mostrou para Fernando Henrique Cardoso, ninguém deve sentar antes na cadeira de prefeito antes dos votos serem apurados.

O problema para Wladimir é que ser melhor que Rafael Diniz está longe de ser algo que se possa mostrar como grande coisa. Rafael, como Douglas da Mata já mostrou, foi uma espécie de serial killer de políticas sociais que causou horror até na classe média campista, motivo pelo qual ele não conseguiu chegar ao segundo turno em 2019.  Essa derrota acachapante, se deu apesar dele deter um exército de RPAs, fato que deveria ter garantido, pelo menos, a chance de concorrer com Wladimir na segunda rodada eleitoral.

Além do fato de que ser melhor de que Rafael é pouco, um rápido olhar para a cidade de Campos dos Goytacazes indicará situações horrorosas em áreas diversas como a cultura, esportes, mobilidade urbana, educação e saúde.  Quem olha para o eternamente fechado Palácio da Cultura, para a vexaminosa situação da decrepita sede da Fundação Municipal de Esportes, para a degradante condição das duas rodoviárias do município, para a péssima situação de escolas e hospitais municipais, e para o pífio desempenho do IMTT vai achar que vivemos em um rincão abandonado em que não há dinheiro para nada, quando, de fato, vivemos em um município com orçamento bilionário.

Não posso me esquecer ainda da escandalosa situação dos caríssimos e péssimos serviços prestados pela concessionária Águas do Paraíba que tem sido explicitada pela psicóloga Karoline Barbosa e seus voos de drone por lagoas afogadas em esgoto in natura. Se a oposição usar minimamente a trilha aberta por Karoline e vasculhar os aditivos assinados pela Prefeitura de Campos, sob a batuta de Wladimir ou de sua mãe, a coisa pode ficar, digamos, mal cheirosa para Wladimir, a ponto de contaminar suas chances eleitorais. A situação fica ainda mais problemática quando se observa a dança fingida de resistência aos salgados reajustes anuais de tarifas.

Todo esses detalhes explicitam incompetência e desorganização, algo que já teria corroído completamente as chances de reeleição, tal como ocorreu com Rafael Diniz há quatro anos.  Com isso, o que eu quero dizer que discordo de Douglas da Mata quando ele projeta uma virtual reeleição de Wladimir, mesmo no primeiro turno em outubro.  O problema, e aí eu concordo com Douglas, é que a população de Campos, especialmente a mais pobre, não vai trocar de prefeito sem que haja um projeto claro de melhoria em áreas essenciais como as que eu apontei acima. Então, quanto mais cedo essa discussão for iniciada, melhor para quem quiser seriamente ter uma chance de sair do traço no momento em que os votos forem apurados.

No entanto, o que me parece evidente é que em Campos temos diante de nós uma situação curiosa de um prefeito que tem cara de imbatível, mas pode se revelar um tremendo tigre de papel se um mínimo de esforço organizado for realizado pelos que se dizem de oposição.

Eleições/2024 em Campos com cara que caminham para WO. Mas também com essa oposição….

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Por Douglas Barreto da Mata

O ciclo de poder instalado em 1989, no movimento político denominado Muda Campos parece ter reciclado suas forças e seu apetite por hegemonia, certo? Mais ou menos.Na verdade, aquele grupo político amplo, um arco de alianças de forças anti oligárquicas, naquele momento representado pelo usurpador Zezé Barbosa, não é o mesmo que hoje ocupa a prefeitura da cidade e se candidata a novo mandato.

Primeiro uma explicação para o adjetivo a Zezé Barbosa. Sua chegada ao comando do executivo local se deu como um golpe, uma usurpação promovida graças às mudanças antidemocráticas promulgadas pelos gorilas de 1964, quando o mais votado, José Alves de Azevedo, PTB, não foi empossado.

O resto é  história, banquinhos de praça, Jaqueira, triturador e ruas calçadas apenas  onde só moravam aliados.

Pois bem, voltando ao tema, parece que desde a criação do grupo Muda Campos, depois convertido no garotismo, personificado naquele que foi seu expoente máximo até aqui, não houve na planície grupo político que enfrentasse ou ameaçasse a hegemonia do time da Lapa.

Mesmo os opositores que chegaram a ocupar a prefeitura, por eleição e/ou impedimento dos mandatários, sejam Carlos Alberto Campista, Mocaiber, Arnaldo, Roberto Henriques, etc, todos eles derivam da matriz garotista. Isso é fato.

Não houve movimento político original de enfrentamento, salvo a tragédia Rafael Diniz, por ironia, neto de Zezé Barbosa, ele mesmo, o oligarca usurpador.

No entanto, o quadriênio de Rafael é um momento único da conjuntura: Lava jato reproduzida na planície, turbinada pelos impulsionamentos de redes sociais, até então uma novidade, e a coesão de sempre da mídia comercial anti garotista.Tudo isso junto para criminalizar e explorar ao máximo as intempéries do ex-governador e seus correligionários.

A devassa patrocinada pela inquisição goytacá parecia ter sepultado o grupo garotista, e aberto uma janela histórica para todos os setores do anti garotismo, desde os nanicos do PT até os setores ultra conservadores de sempre, que apesar de terem sido sempre contemplados pelo garotismo, sempre odiaram seu viés popular.

A administração Rafael Diniz foi um desastre, que somado à pandemia, colocou a cidade de joelhos. O desmonte da rede social de apoio aos mais pobres,  destruição dos equipamentos públicos de serviços, em meio ao caos humanitário, e enfim, a diminuição de receitas, criaram a tempestade perfeita.

Resultado?  vO segundo turno da eleição de 2020 teve o embate entre os dois herdeiros do garotismo, mesmo que separados, na época (hoje novamente juntos), por circunstâncias pessoais dos seus líderes.

Rafael e o movimento que ele representava foram colocados no lixo da história, apesar de que o conservadorismo embutido tanto no time de Rafael, quanto de Caio ou Wladimir seja quase comum a todos eles.

A desastrosa administração de Rafael foi a principal força para eleição do atual prefeito.  Mas não é só isso.  A oposição, ou pelo menos, aqueles que reivindicam essa condição, não se desvencilhou dos efeitos desse péssimo governo, e seguem agindo como se estivessem em 2016.  Nenhum deles entendeu o momento histórico e a capacidade de renovação proporcionada pelo atual prefeito, quando estabeleceu uma forma de interlocução diferente de seu pai, o ex governador.

Rafael foi abatido porque governou olhando para o retrovisor, com o objetivo de apagar as marcas do garotismo, sem, no entanto, oferecer algo mais promissor que o arrocho fiscal dedicado a retirar, ainda mais, dos pobres para dar aos ricos.  Austericídio é o que Rafael Diniz cometeu.

A oposição de hoje não sugere que tenha aprendido nada como 2016 e 2020.  Tudo indica que o prefeito Wladimir Garotinho se reeleja com mais de 70 % dos votos válidos e consiga ganhar em todas as seções eleitorais.  E isso não só porque ele tem qualidades, ele tem. É porque a oposição é muito ruim, e não disse até agora a que veio.

Eleições 2024. Cenários e perspectivas para Campos dos Goytacazes

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Por Douglas Barreto da Mata

Ninguém ousa duvidar de números e da ciência estatística. Guardadas as margens de erro, o fato é que a ciência estatística tem considerável margem de acerto, que se eleva devido a um truque sutil. Usar a prospecção de um momento ou de uma conjuntura, e dar a esse evento um caráter profético.

A chamada previsão auto-realizável, ou, como o nome de um dos institutos de pesquisa sugere: futuro pré-fabricado (Prefab future). A enorme vantagem de Wladimir Garotinho sobre seus concorrentes não é irreal.  Ela existe e reúne em si (esta vantagem) um conjunto de circunstâncias: o enorme carisma do prefeito e sua habilidade em manejar suas redes sociais,  o bom governo, ainda mais se comparado à tragédia anterior de Rafael Diniz,  a capacidade em circular entre forças políticas distintas, desde PT até o Bolsonarismo.  E claro, o bônus de herdar um sobrenome com imenso recall entre as camadas mais pobres.

Porém, não são apenas as qualidades dele que sobressaem. A incapacidade da oposição é um fator crucial. Desde a derrota do governo Wladimir, na desastrada antecipação da votação para presidência da Câmara, em 2021, quando o grupo liderado por Marquinhos Bacellar conseguiu criar um embaraço real ao governo que começava, nunca mais, a partir daí, a oposição conseguiu sequer arranhar o governo.

Não rimaram ré com cré, parecem sem rumo, um bando disperso, sem liderança. Dentre os principais fiascos, o Impasse da LOA, a CPI da Educação, culminando com a perda da maioria, a oposição patina.  Hoje, a Câmara tem uma rejeição ainda maior àquela já normal aos parlamentares. 

Pesquisas não divulgadas indicam que a preferência do eleitor pelo presidente da Câmara, se ele fosse considerado como candidato a prefeito, caiu de 6% para 2%, durante estes embates até aqui.  Se é verdade que a presidência da Alerj elevou Rodrigo Bacellar nas divisões da política nacional, é certo que isso não se repercute em Campos dos Goytacazes.

Tentaram emplacar, ou tentam emplacar uma candidata mulher, orientados por sondagens que indicam que esse flanco seria o único com alguma chance. Nada. A candidata que tem mais intenções está inelegível, e ponto. Colocam-na apenas para tentar fazer a chamada candidatura-cavalo (na tradução da umbanda, cavalo é quem recebe a entidade).

A tática é explorar as intenções de voto da deputada petista, mesmo que o registro seja negado, colocando uma substituta para “incorporar os votos” da deputada. Dizem que será Elaine Leão do sindicato dos servidores. Jefferson foi preterido, dizem, porque não aceitou o jogo. Esta alternativa (Elaine dublê de Carla Machado) não se concretiza só pela questão do prefeito itinerante. 

Mesmo que houvesse entendimento diverso, este não pode fazer efeito para esse próximo pleito, pois há um prazo mínimo para tanto. Ainda que a deputada estivesse apta, seu capital eleitoral é reduzido, olhando os dados, ao centro da cidade e setores da baixada. Apesar de seus correligionários, como era de se esperar, dizerem o contrário. Ela detém o que se chama de voto de vizinhança, como acontece com alguns políticos que orbitam entre a capital do Rio e suas zonas metropolitanas, principalmente, a baixada. Tendo sido prefeita de São João da Barra, cidade-veraneio de boa parte da classe média e classe C de Campos, é normal que ela tenha alguma votação por aqui. Ao mesmo tempo, ela captura uma parte do antigarotismo, hoje já parcelada com a delegada e outros candidatos. É só.

A pulverização pretendida pela oposição parece ter explodido dentro das linhas da oposição. Pulverizou os votos deles, e cristalizou a liderança do prefeito.

Chama atenção que, mesmo muito menos exposta que o prefeito, para o bem e para o mal, tenha ele uma rejeição quase idêntica à dela, ou seja, é claro que isso indica que, sendo muito menos conhecida, sua rejeição é muito maior.

Em outras palavras, quem tem 18% de intenções de voto e 8% de rejeição, tem quase metade de rejeição em relação a intenção de voto. Já o prefeito tem 53% e 9% de rejeição, isto é, um sexto de rejeição aproximados, relativos aos votos declarados.

Alguns correlegionários da deputada falam que o prefeito estaria próximo do teto, mas olhando os dados comparados entre votos e rejeição, a deputada parece bem mais limitada que ele. O mesmo pode se dizer da delegada, pois sua rejeição, aparentemente baixa, chega próxima à metade das suas intenções. Sendo um pouco cruel, podemos concluir que são pouco rejeitadas porque pouco conhecidas.

Outro dado, na espontânea, o prefeito mantém-se acima de 50%, e ela despenca das suas intenções para próximo de 3%.

Existe outro dado que foi avaliado de forma enviesada. Trata-se do percentual de indecisos, algo como 40%. Se considerada a série histórica, os indecisos ficaram entre 25 a 30%. Ou seja, a margem de disputa estará entre 10 a 15% de indecisos, e não 40%, como argumentam os que torcem pela deputada/sindicalista.

Na referida pesquisa, outro truque: colocar o nome da deputada na cabeça do questionário, o que eleva as intenções de voto em 2 a 4%. 

Esses números podem mudar? Sim, mas a pergunta honesta a se fazer é: o prefeito tem mais chance de fazer a previsão virar fato, ou a oposição tem mais chance de transformar o futuro, que parece pré fabricado?

As lições de Sérgio Cabral Filho que o prefeito Wladimir Garotinho deveria lembrar

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Por Douglas Barreto da Mata

Líderes políticos, como artistas, esportistas, e porque não dizer, até nós mesmos, temos uma face pública e outra privada. Nós, pobres mortais, temos até uma vida particular bem maior que desejaríamos ter…nossa vida pública se resume a trabalho, escola, e outras obrigações enfadonhas.  Nada de viagens, restaurantes caros, enfim, a mesmice da pobreza se mistura nas duas esferas de convivência, para nos dar aquilo que é, nos dias atuais, quase uma sentença de morte: o anonimato.

Já para as pessoas que vivem ou utilizam sua imagem pública como ferramenta de vida, quase sempre suas personagens públicas são confundidas com aspectos privados de suas vidas, em busca da tão desejada popularidade.

Quando se tratam daqueles que exercem cargos públicos, ou que são figuras “famosas”, há de se ter um certo cuidado, um tipo de decoro, de forma a preservar as instâncias privadas (família, negócios, etc), e afastar a contaminação e confusão entre o que se faz, e principalmente, o que se pode fazer em público, e o que deve ficar restrito às esferas privadas de cada um.

É um exercício doloroso, porque a popularidade é tipo uma droga, e como tal, vicia.  Como tal (como uma droga) ela (a popularidade) traz sentimentos de invencibilidade e de infalibilidade.  Esses sentimentos, se não forem bem dosados, intoxicam a privata persona.

Esta intoxicação se manifesta no exato momento que passamos a imaginar que todos nossos hábitos e atos íntimos, nossas preferências podem ser catapultadas e entendidas pelas esferas públicas às quais nos dirigimos.  Nem sempre os intoxicados percebem, como em todos os outros vícios.

Como resultado, a esfera pública (o público) passa a entender que pode julgar e interferir em nosso comportamento, e isso gera um ruído, porque tais escrutínios (julgamentos) são, geralmente, indesejáveis, quando não violentos e cruéis.

Um exemplo? Sérgio Cabral Filho.  Jornalista, Presidente da ALERJ, eleito Governador, “amigão” do Presidente Lula 2 (mandato 2), classe média alta, herdeiro de um capital social e intelectual invejável, de seu pai, jornalista famoso nos meios “formadores de opinião” da Capital do Rio, leia-se, ricos da Zona Sul.

Pois bem. Ninguém nunca questionou os hábitos de Sérgio Cabral, nem do pai, nem do filho, enquanto gozavam dos privilégios comuns à classe à qual pertenciam, e aos meios onde circulavam. Ou seja:  Cabral filho não precisou fingir ser pobre, ou esconder sua origem, nada disso.

O pacto político que o elegeu (Cabral) Governador não precisou mais do que “popularizar” a imagem dele, é certo, mas não o fez andar de ônibus ou trem da Central, entrar na fila do restaurante popular, ou fazer a mudança dele e da família do Leblon para Bangu.

Qual foi o fim da figura pública de Sérgio Cabral Filho, que inclusive levou junto a figura e o legado do pai?  A República dos Guardanapos.

A prisão, as investigações, até seu alegado envolvimento com as agressões sofridas pelo seu vizinho de cela, o ex Governador Garotinho, nada disso destroçou tanto a imagem de Cabral, quanto a imagem dele e outros apaniguados, em Paris, com guardanapos na cabeça. Vejam bem que ali não havia nenhuma cena pornográfica, nenhuma evidência de desvio de dinheiro público, nenhuma cena de violência ou destempero do ex Governador. 

Então, o que aconteceu?  A afronta, a falta de decoro, o ato público de escárnio. Esta atitude disparou um sentimento comum (e mortal) no restante das pessoas que não podem fazer o mesmo: a hipocrisia, e passamos a criticar o que é, paradoxalmente, desejado no íntimo por cada um de nós.

Afinal, quem não deseja dançar em um restaurante mega chic em Paris com os amigos, fazendo o que bem entender, inclusive papel ridículo?  O problema é que o público não tolera tais comportamentos em seus mandatários.

O público, seja por hipocrisia, seja por inveja, não importa, não permite o excesso.

Todo mundo sabia da vida boa de Cabral, de seus confortos, de jantares, o que, aliás, são próprios da vida de governador.  O público sabia, e nunca toleraria, também, ver um governador maltrapilho, barba por fazer, e morando em um quitinete em Copacabana, justamente porque soaria falso, e igualmente ofensivo. O público, em sua maioria pobre, não aceita que os seus representantes “brinquem de pobre”, mas odeiam ainda mais a opulência ofensiva.

Descer de uma SW HILUX Toyota? Ok.  Descer de uma Ferrari? Nunca.

É isso que o Prefeito de Campos dos Goytacazes parece não ter entendido.  Mesmo fugindo como o diabo foge da cruz das redes sociais, sempre tem alguém a nos mostrar, compartilhar vídeos.

Este fim de semana, as redes sociais dos opositores do Prefeito tentaram emplacar críticas aos seus gostos e preferências de lazer, às suas companhias, e a uma certa opulência.

Talvez para afastar da memória da população o registro de uma autoridade estadual cambaleando pelas ruas de Londres, de madrugada, falando alto, como se estivesse para lá de Bagdá, digamos, alguns coqueiros.

O argumento de que ninguém tem nada a ver com a vida particular deles é correto.  Até certo ponto.

Aqueles que fazem de suas vidas particulares instrumentos de engajamentos para alavancarem suas carreiras, como é muito comum hoje em dia, não podem recorrer ao refúgio da privacidade, toda vez que foram surpreendidos em situações adversas ou forem questionados por seus hábitos privados de consumo, ou outros quaisquer.

Aqueles que demonstram publicamente sua fé (que é algo que deveria ser privado), falam de comportamentos, regras, normas de convivência, e até de caráter alheios, não têm o benefício da privacidade. É o jogo.

Neste sentido, parece que o Prefeito de Campos dos Goytacazes está oferecendo, de bandeja, as armas para que seus desafetos transformem uma bem sucedida carreira, e uma imagem até aqui impecável, de pai, homem público, em uma figura de playboy, perdulário e indiferente.

Não se trata de fingir de pobre, como já dissemos, nem ignorar o fato de que é filho de casal de governadores, e de uma bem sucedida família de políticos, e que isso trouxe para ele vantagens em relação à imensa maioria dos cidadãos e cidadãs que o elegeram.

Nada disso. A questão é o decoro, o respeito ao fato de que sua posição privilegiada não pode ferir os sentimentos de quem está  por baixo no grande esquema da vida.

É hipocrisia nossa, da maioria? Sim, claro que é, mas saber disso de nada adianta.  Pois são os hipócritas, que são a maioria, que votam ou não votam em seus representantes.

Os brocados ensinam:  

“Quem fala demais dá bom dia a cavalo”.  “Galinha que muito sassarica quebra o bico”. “À mulher de César, não basta ser honesta, tem que parecer honesta”.

Mas deixe eu ficar quieto, porque “porco metido leva arame no focinho”.

A moral flexível do Bolsonarismo fica bem explícita em Campos dos Goytacazes

wlad flavio

A família do ex-presidente Jair Bolsonaro resolveu perpetuar a adjetivação do presidente Lula como sendo um “descondenado”. A partir dessa adjetivação que não possui base na realidade, todo tipo de chamadas desclassificantes são jogadas contra Lula.

Pois bem, em uma dessas reviravoltas que costumam colocar em xeque as narrativas da política brasileira e da campista em especial, a cabeça da  nova executiva municipal  do PL em Campos dos Goytacazes acaba de ser entregue ao afável e elegante Thiago Ferrugem, cujas atribulações com a justiça não foram poucas desde os tempos em que ocupou a cadeira de vereador. 

Há que se lembrar que em 2017, Ferrugem foi obrigado pela justiça a ostentar uma lustrosa tornezeleira eletrônica em função de sua suposta participação em um esquema que trocava a inclusão no programa social Cheque Cidadão por votos.

Assim, eu diria que quando se trata de atribuir adjetivos para quem tem ou teve problemas com a justiça, os bolsonaristas do PL deveriam olhar primeiro para dentro da própria casa.

Campos dos Goytacazes tem epidemia de dengue decretada… como se chegou a isso?

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As mudanças climáticas estão favorecendo a disseminação das populações de vetores causadores de doenças impactantes, como da COVID-19 e das distintas arboviroses, incluindo principalmente a dengue. Essas mudanças deveriam estar sendo acompanhadas de uma série de ações por parte das autoridades municipais em todo o Brasil, mas não estão.  Continuamos com a mesma postura de ignorar o problema, na esperança de que alguma solução mágica apareça de algum lugar.

Hoje leio que o município de Campos dos Goytacazes chegou, como muitos outros em todo o Brasil, na condição de epidemia em função do alto número de casos da Dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti.

Agora arrebentada a porta, tomo conhecimento que o governo de Wladimir Garotinho publicou  o Decreto Municipal nº 36 ( Aqui! ), qur instituiu o Gabinete de Crise da Dengue e outras Arboviroses no Município de Campos. A finalidade desse tal gabinete será “unificar as ações de combate à epidemia”. 

Lembrando a irreverância campista, eu diria ao prefeito e candidato à reeleição: por que demorou tanto? É que esse decreto só saiu depois que a epidemia está instalada e deixando milhares de pessoas adoecidas e sob risco de morte?

Dias passados, ouvi do médico infectologista e profundo conhecedor do problema, Luiz José de Souza, que um dos problemas por detrás da atual epidemia de dengue no Brasil é que os governos abandonaram medidas básicas de prevenção, deixando de fazer coisas corriqueiras que contribuíram para a proliferação dos mosquitos portadores do vírus da Dengue. E nesse cenário desolador, Campos não foi exceção, mas a regra.

Assim, em vez de lançar mais um decreto que eventualmente sofrerá o destino do esquecimento, o que o governo municipal deveria estar fazendo é agir para ajudar a população a debelar os incontáveis focos de mosquitos que proliferaram em Campos dos Goytacazes.

Final bisonho da disputa da LOA 2024 me faz ter saudades de Ruço Peixeiro

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No dia 08 de janeiro publiquei neste blog um texto escrito por Douglas da Mata analisando  a situação envolvendo as disputas em torno da Lei Orçamentária de 2024 do município de Campos dos Goytacazes. Nesse texto Douglas da Mata apontou para o que seriam perspectivas nada animadoras para o futuro do presidente da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, o honorável Marquinhos Bacellar.

Pois bem, ontem com a aprovação da LOA 2024 com um placar de 16 votos a favor e 8 abstenções, o que salta aos olhos é a solidão política em que os vereadores da “oposição” deixaram o presidente da Câmara, na medida em que a votação havia sido negociada por ele diretamente com o prefeito Wladimir Garotinho. Assim, ao se absterem de votar algo que foi acordado, os vereadores da “oposição” parecem indicar que o acordo foi feito sem sua permissão.

Por outro lado, ao analisar as concessões feitas pelo prefeito Garotinho para viabilizar a votação da LOA 2024, o que se percebe é que elas abrangem itens que até podem ser importantes, mas que deixam intacta a proposta apresentada pela executivo municipal. Se era para ter esse final, convenhamos que era mais eficiente que se tivesse votado o orçamento ainda em 2023.

Mas como Douglas da Mata apontou o objetivo nunca foi obter um melhor uso da dinheirama que compõe o orçamento municipal, mas desgastar a imagem do prefeito. E está claro que tal objetivo ficou longe de ser alcançado, apesar das encenações burlescas que ocorreram no plenário da Câmara de Vereadores.

Ah, sim. O que eu espero dessa situação é que a parte mais organizada da população possa se mobilizar para eleger uma bancada de vereadores que seja mais útil no sentido de resolver os problemas graves que afetam a vida da cidade. 

Finalmente, depois dessa situação toda senti saudade dos tempos em que o ex-vereador Ruço Peixeiro fazia das suas dentro da Cãmara de Vereadores. Pelo menos ele era autêntico e comprometido com causas que, pelo menos, eram óbvias.