Comissão da Verdade em Campos e o impactante depoimento de Sérgio Azevedo

 

sergio azevedo

A Jornada “Memória, Verdade e Justiça” que está ocorrendo no campus da UFF em Campos dos Goytacazes teve seu início com um depoimento contundente do professor Sérgio Azevedo, que atua no Laboratório de Gestão e Políticas Públicas da UENF, sobre o processo de tortura que sofreu pelas mãos de agentes do regime militar de 1964 por ser militante de um partido de esquerda.

Conheço o professor Azevedo há quase 15 anos e já tinha conhecimento de parte das coisas que ele compartilhou com uma platéia lotada e atenta. E nisso há um mérito fundamental não apenas da fala, mas da oportunidade (ainda que tardia) de que as novas gerações possam ouvir o que significou para muitos brasileiros cair nas garras de algozes impiedosos e sádicos em nome de uma suposta segurança nacional.  O importante na fala do professor Azevedo não foi, ao menos para mim, tanto as agruras que ele mesmo sofreu, mas da sua preocupação com a persistência dos métodos da ditadura que hoje são usados contra pobres, negros e gays. Essa centralidade da fala é importante, especialmente por causa de episódios como o do pedreiro Amarildo que sumiu num momento em que estava apreendido por agentes do Estado.

Como a jornada continua hoje e amanhã, a minha sugestão é que todos que puderem ir, que o façam. Ignorar a história é quase um convite à sua repetição, não apenas como tragédia, mas principalmente como farsa.

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