Cada coisa no seu tempo. Qual é o impacto dessa mentalidade no ordenamento urbano brasileiro?

Mapa do metrô de Hamburgo na Alemanha: 100,7 km de extensão, 89 estações e 3 linhas para uma população de 1,8 milhões de pessoas. 

Acabo de voltar de uma viagem de trabalho na Alemanha, e confesso que apesar de tantas viagens internacionais, ainda fico chocado com as diferenças brutais que existem no planejamento urbano. Estive em Hamburgo por cinco dias, e não pude deixar de invejar a qualidade dos serviços públicos de transporte que funcionam numa pontualidade alemã. Com uma população de quase 1.8 milhões de pessoas (em torno de 3 vezes mais que a de Campos dos Goytacazes), essa “cidade estado” possui linhas de ônibus, serviços de trem e de metrô que permitem a todo cidadão que quiser evitar o uso de automóveis. E mais, a preços extremamente baratos que, em contrapartida, retornam veículos razoavelmente novos e limpos. Só o metrô possui 100.7 km de rede, 89 estações distribuídas em 3 linhas. 

Ontem, chegando a Campos depois de 4 longas horas na BR-101, eis que ouço um secretário municipal justificando porque na reforma que está sendo feita no centro de Campos, os postes ainda não estão sendo retirados para permitir o trânsito pleno de pessoas portadoras de necessidades especiais. Segundo este secretário, a resposta é simples: cada coisa no seu tempo! E eu me pergunto, como assim, cada coisa no seu tempo? Afinal de contas, não se fazer as obras por completo neste momento, significará manter o centro numa condição de obras permanentes, com novas licitações, maiores custos, novos atrasos e prejuízos para todos os que precisam acessar o centro da cidade!

Por essas e outras que vivemos sempre correndo atrás de melhorias urbanas que em cidades como Hamburgo já foram resolvidas faz tempo. E olha que aqui vivemos numa das cidades mais ricas da América Latina. Assim, não me venham dizer que o problema é financeiro. Fecha o pano!

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