Um pensamento sobre “Black Friday de verdade quem fez foi FHC

  1. Roberta disse:

    Qual o significado do Bradesco ocupar a Fazenda em um momento de esgotamento do “modelo” econômico petista?

    A confirmação nesta quinta (27) do nome de Joaquim Levy para ocupar a pasta da Fazenda suscitou uma série de reações no chamado “mundo” político e financeiro nacional, desde os setores da esquerda do PT que se mostraram absolutamente “indignados” com a escolha, até os rentistas e a mídia corporativa que festejaram a nomeação, todos ressaltaram que a missão do agora ex-diretor de recursos financeiros do Bradesco será o de impor um duro ajuste fiscal nas contas públicas.

    Em primeiro lugar é necessário repetir mais uma vez que Levy já ocupou, no governo Lula, a estratégica secretaria do Tesouro Nacional, portanto sua presença na segunda gerência Dilma não é tão “surpreendente” assim.

    Mas os que pensam que Levy será apenas o “homem da tesoura”, diante de um cenário de relativo descontrole fiscal e monetário do governo Dilma estão bastante enganados. A função “vital” de Levy na quarta gestão estatal consecutiva da Frente Popular irá além de implantar um duro arrocho econômico, seja no campo das metas fiscais ou de cortes nos investimentos diretos da União, o que os rentistas esperam do seu estafeta no governo é o “desmanche” completo dos bancos estatais, incluindo neste nicho o estratégico BNDES.

    Se o cumprimento das esdrúxulas metas de superávit primário, que preveem um “esforço” fiscal de 2% do PIB para 2016 e 2017, são um “generoso” presente para a FEBRABAN, garantido um abatimento recorde em apenas dois anos da dívida interna controlada pelos parasitas do mercado financeiro, a “joia da coroa” é a inação dos bancos oficiais durante os próximos quatro anos.

    A declaração mais importante de Levy que parece passar desapercebida, foi a de que não permitirá mais que o Tesouro Nacional repasse recursos financeiros ao BNDES, sendo que a esmagadora maioria dos fundos do banco são (por exigência legal) captados no exterior pela Secretaria do Tesouro.

    Como hoje o tripé dos bancos estatais (BNDES, BB e Caixa) vem movimentando cerca de 80% dos créditos para aquecer a economia, a determinação de Levy é de transferir este papel para os bancos privados, com taxas de juros é claro bem acima dos praticados pelos bancos públicos.

    O novo “método” adotado pela equipe chefiada Levy não permitirá que se considere o déficit líquido da União, regra adotada hoje e que exclui os repasses aos bancos estatais, daqui para frente o déficit público será considerado bruto não podendo ser “alargado”.

    Com esta manobra “técnica” está decretada a agonia mortal do BNDES e um forte definhamento progressivo do BB e Caixa. Vem à tona da realidade que estas medidas entrarão em vigor no momento do esgotamento do “modelo” econômico petista, baseado justamente no binômio crédito/consumo, somado ao déficit da balança comercial do país.

    Sem as divisas cambiais e sem crédito, a economia do Brasil caminhará novamente para o “paraíso ” do FMI e dos braços dos EUA, parece até mesmo que Levy será muito mais do que um simples ” tecnocrata do ajuste”…

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