Tudo ou nada: resenha parcial do livro de Malu Gaspar

tudo ou nada

Para quem ainda não comprou, eu não hesito em recomendar o livro da jornalista Malu Gaspar sobre a mirabolante história em que se configura a ascensão e queda de Eike Batista. Após ler quase um terço do livro em menos de dois dias, eu só posso dizer que o livro vale todo o dinheiro que eu gastei nele.  Eu o caracterizaria como uma mistura de um thriller policial com um daqueles filme de realidade fantástica e tudo numa velocidade do filme Velocidade Máxima que foi estrelado por Keanu Reeves.

Apesar de eu achar o detalhado relato de vários episódios que antecederam o derretimento do Império X um tanto difícil de aceitar no tocante à precisão da descrição, o estilo que Malu Gaspar emprega em sua narrativa é bastante convidativo a que se devorem as páginas com avidez, sempre na espera do que acontece em cada um dos capítulos que ela dividiu a sua obra.

Em relação à Eike Batista, eu ainda vou esperar o que Malu Gaspar vai apresentar nos dois terços restantes do livro para decidir como ela efetivamente o pretende retratar. Até o onde eu cheguei, a narrativa mistura traços de completo escárnio com certo grau de reverência. É como se Malu Gaspar quisesse retratar as fraquezas e limitações de Eike sem, no entanto, perder de vista sua capacidade realizadora.

Mas ao contrário de que possa parecer, eu estou quase convencido que este livro não é nem sobre Eike Batista nem sobre seu império de empresas pré-operacionais que um dia apareceram como verdadeiros cometas no céu das bolsas de valores. Acredito que o cenário que Malu Gaspar é muito mais complexo e revela um projeto jornalístico mais ambicioso que seria algo como uma crônica dos tempos áureos do neodesenvolvimentismo lulista e, ao mesmo tempo, uma crítica à forma com que as engrenagens de grandes corporações se movem em busca de lucro em escala planetária.

E, sim, tudo isso é envolto em muita prepotência, egocentrismo, manipulação, viagens luxuosas, bebedeiras homéricas, e comilanças regadas com todo o tipo de vantagens financeiras para quem opera um sistema onde o cidadão comum é simplesmente invisível.

Para os leitores do Norte Fluminense, eu diria que esse livro é fundamental para se ver como os projetos de Eike Batista, começando pelo decantado Porto do Açu, foram tramados e implementados sem a menor consideração com um projeto minimamente preocupado com a superação das históricas dificuldades sociais e econômicas que ali existem.

 

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