Voltei de férias e encontrei como uma das notícias principais na mídia campista o imbróglio envolvendo a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (PMCG) e moradores da Favela da Margem da Linha que foram preteridos de quaisquer soluções para a remoção forçada das suas moradias. Para mim essa situação era mais do que anunciada desde que presenciei a atuação dos representantes da PMCG na audiência realizada nas dependências do Instituto Federal Fluminense para tratar exatamente do processo de remoção da comunidade para unidades habitacionais construídas pela PMCG na localidade de Ururai. Naquela ocasião presenciei um tratamento agressivo e impositivo dos secretários que hoje sofrem ameaças de prisão pela persistência de graves problemas envolvendo famílias que tinham casas, e hoje estão vivendo em meio a ruínas.
Esse tipo de postura de representantes do poder público não pega bem em qualquer ocasião, pois até quem se beneficiou com a solução acaba enxergando as coisas por um viés pouco propício para quem quer usar a realização de obras para se cacifar eleitoralmente. Agora, quando se trata de impor vontades absolutas sobre os mais necessitados e frágeis socialmente, a coisa ganha contorno de desastre político. É que ninguém deve ter dúvida de que este imbróglio será abordado na campanha eleitoral de 2016 para mostrar que o programa habitacional da PMCG não resolve os problemas da maioria, e ainda pune aqueles que não aceitam ser removidos.
O fato, além da dramática situação social que foi imposta a um grupo de famílias pobres e que tradicionalmente habitavam a Favela da Margem da Linha, é que está faltando quem reúna os secretários que se dizem de governo para mostrar que, na situação política atual do município, quem age de forma truculenta contra os pobres está jogando contra o “time”. E, de quebra, ainda se arrisca a parar em celas quase do tamanho das casas que estão sendo entregues.
