A calma aparente que estava reinando no V Distrito de São João da Barra foi quebrada nos últimos dias a partir de uma nova tática de pressão que está sendo realizada por um empresa de segurança privada que opera no Porto do Açu.
Esta tática implica numa estratégia que é simples, mas muito cruel para centenas de famílias que dependem da renda da pecuária de pequena escala para gerar sua renda. O fato que ninguém que tece loas ao Porto do Açu fala claramente é que ao expropriar terras que eram utilizadas também para a pecuária leiteira e ao não oferecer áreas onde o rebanho bovino dos agricultores, o que se gerou foi um conflito entre as partes envolvidas.
Agora, a tática é despejar o gado nas estradas e chamar o serviço de captura de animais da Prefeitura Municipal de São João da Barra que recolhe e depois cobra taxas caras para os padrões econômicos dos agricultores para que eles possam reaver as cabeças apreendidas.
Essa atuação articulada mostra uma combinação muito peculiar de interesses entre o poder executivo e o fundo privado multinacional que controla o Porto do Açu. Como sempre a parte prejudicada são os que aqueles já perderam quase tudo com esse processo cruel de desapropriações de terras comandado pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin).
Um detalhe que expõe ainda mais a irracionalidade desta tática é que a colocação de animais soltos nas estradas do V Distrito aumenta exponencialmente a chance de acidentes automobilísticos já que o tráfego é intenso em muitas das áreas para onde o gado dos agricultores desapropriados está sendo despejado. E se ocorrerem mortes, teremos que lembrar que isto ocorreu em função de uma tática bem definida e não de algum elemento casual do destino.
Abaixo imagens mostrando a presença de pessoal montado dentro das áreas desapropriadas e de agentes da segurança privada do lado de fora. E essas imagens deixam claro que estamos diante de uma situação bem orquestrada. É a isso que chamam de desenvolvimento econômico causado pelo Porto do Açu?





