Aos pobres, só resta o caminho dos guetos periféricos?

Em 2012 fui o co-autor de um artigo intitulado “Estado e programas de habitação popular em Campos dos Goytacazes (RJ” e que foi publicado por uma revista científica publicada em Portugal, a Análise. O foco desse artigo foi uma análise do programa municipal impulsionado pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes com recursos oriundos dos royalties do petróleo.

A minha principal contribuição naquele trabalho, além de orientar a dissertação de mestrado do seu autor principal no Programa de Políticas Sociais, foi idealizar o mapa que é mostrado abaixo que já naquele momento mostrava a consolidação de um modelo de urbanização segregada e claramente disposta no espaço urbano campista, de modo a manter os pobres isolados em regiões periféricas da nossa cidade.

maap campos

Acontece que de 2012 para os dias de hoje, as tendências apontadas neste momento foram ainda mais cristalizadas, e hoje temos uma estranha dança entre os chamados conjuntos populares e os condomínios de luxo. E essa tendência já saiu da área mais consolidada para alcançar até a chamada baixada campista, que se tornou uma espécie de nova fronteira da especulação imobiliária em Campos dos Goytacazes.

Pois bem, ainda que partamos da premissa pragmática de que na sociedade capitalista quem comanda a transformação de algo em mercadoria são as forças de mercado, no caso os incorporadores imobiliários e os donos de terras. Entretanto, não há como deixar de notar que a ação do governo municipal de colocar os pobres em regiões cada vez mais distantes serve bem aos interesses privados, visto que ao incorporar novas áreas à infraestrutura urbana, há um acréscimo imediato no valor de troca da terra.

Mas enquanto os especuladores fundiários e incorporadores recebem acréscimo de valor em seus empreendimentos, o que ganham os pobres.  Eu diria que primeiro recebem guetos como se fossem áreas residenciais. É que não há como dar outro nome a locais que ficam distantes e desconectados da malha urbana principal e são desprovidos das condições mínimas de existência, a começar pelo tamanho exíguo das casas e alcançando a completa inexistência de amenidades ambientais (esses locais são entregues sem arborização, por exemplo).

E já que estamos no início de um período eleitoral para decidir o próximo ocupante da cadeira de prefeito, me parece que este é um momento para os diferentes postulantes dizerem o que acham desse modelo dual de cidade.  Certamente o candidato ungido pelo grupo do ex-governador Anthony Garotinho vai tentar vender a imagem de que esses conjuntos são uma materialização do paraíso nas terras campistas. Até aí tudo bem, pois se fizesse o contrário não teria quase mais nada para colocar na vitrine após 8 anos de governo como vice-prefeito que o “Doutor Chicão” foi.  Mas e os candidatos da oposição? O que dizem dessa política de construir conjuntos habitacionais em áreas que, muitas vezes, deveriam estar separadas para a conservação ambiental já que se encontram à beira de corpos aquáticos ou em áreas sujeitas a inundações (ver imagens abaixo).

E a principal pergunta que os candidatos da oposição terão que responder: há algum caminho para os pobres que não seja ocupar, a maioria das vezes de maneira forçada, os limites mais periféricos da cidade de Campos dos Goytacazes? O blog está à disposição para quem desejar responder!

Finalmente, para quem desejar ler o artigo citado no início desta postagem, basta clicar Aqui!

 

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