A seletiva falência do Rio de Janeiro e o projeto de privatização do PMDB

A jornalista Berenice Seara publicou hoje uma daquelas notas que carecem dos nomes das fontes e das implicações objetivas do que é “informado”. A “simpática” nota (Aqui!) trata de uma suposta inevitabilidade da decretação da falência do estado do Rio de Janeiro (ver reprodução parcial abaixo).

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Algo que torna as informações incluídas nesta nota se refere ao local de origem das mesmas: uma reunião no BNDES para discutir o modelo de privatização da CEDAE! É que desse tipo de reunião é que não vão brotar boas novas, já que a intenção clara é privatizar tudo o que for passível de ser passado a preços módicos para a iniciativa privada.

E o local é ainda mais revelador dessas intenções funestas por detrás do movimento de anunciar a inevitável falência do Rio de Janeiro. A nota fala que a reunião ocorreu na Casa das Garças, mas Berenice Seara esquece de nos informar que o local se trata na verdade de “think tank” de defensores da privatização (o Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças, onde se incluem figuras como Armínio Fraga, Pedro Malan, Pérsio Arida, Gustavo Franco, Edmar Bacha e até Ilan Goldfajn, o presidente do Banco Central do Brasil sob a gestão interina de Michel Temer  (Aqui!).

Um aspecto ainda mais questionável da disseminação de informações sobre falência é omitir que essa é uma falência muito seletiva. Até o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro já identificou que a política de desoneração fiscal implementada pelos sucessivos (des) governos do PMDB já causaram perdas superiores a R$ 138 bilhões, e que só vem aumentando.  Assim, para as corporações não há qualquer perspectiva de falência, muito pelo contrário.

O que me parece transparecer dessa nota é que mais privatizações serão feitas pelo mesmo (des) governo responsável por causar o desiquilíbrio financeiro nas contas estaduais, e sob o pretexto de remediar a “falência”.  Nesse cenário, a mídia corporativa cumprirá o papel de legitimar a narrativa da falência para justificar a privatização.

E que não nos enganemos, todos os que se opuserem ao desmonte total dos serviços públicos no Rio de Janeiro terão que se mobilizar para desmanchar a narrativa  da falência para impedir que isto ocorra. 

A falência, como a crise, é seletiva, muito seletiva.

 

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