Eleições municipais: o avanço da rejeição ao processo eleitoral

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Estou acompanhando o andamento da apuração das eleições municpais em cidades onde ocorreu um segundo turno e o detalhe mais importante para mim não está em que foi eleito já que a maioria dos eleitos, apesar da salada de legendas, defende as mesmas políticas de encurtamento do estado e alargamento das benesses para as corporações privadas.

O detalhe importante está nas porcentagens de brancos, nulos e ausentes. O município do Rio de Janeiro onde o dublê de senador e pastor Marcelo Crivela com 59,37% dos votos válidos, teve uma ausência de impressionantes 26,85% dos eleitores, 4,18% de brancos e 15,90 de nulos.  Em outras palavras, Marcelo Crivella vai comandar a prefeitura da segunda principal cidade do Rio de Janeiro com o sufrágio da minoria de seus habitantes.

Essa situação deve ter ocorrido na maioria da cidades onde as eleições ocorreram hoje, pois este fenômeno já havia ocorrido no primeiro turno.  Ainda que esta matemática pouco interesse aos eleitos e eles vão implementar suas medidas como se a maioria da população os apoiasse. Entretanto, o fato é que diante do contexto que estamos vivendo onde medidas ultraneoliberais são avançadas a cada dia pelo governo “de facto” de Michel Temer, esse distanciamento de grandes porções da população dos governantes eleitos é matéria prima para que tenhamos uma rápida deterioração da pseudo legitimidade que as eleições estão conferindo aos eleitos.

Aos partidos e movimentos sociais que desejem enfrentar as medidas reacionárias do governo Temer esses números também oferecem desafios grandes, pois a rejeição às eleições não se traduz necessariamente em disposição para seguir agendas de oposição. Aliás, essa rejeição pode se traduzir na adoção de ações espontâneas e descontroladas que favoreçam a adoção da medidas repressivas em nome da manutenção da ordem.

Apesar de não ter ilusão de que consciência política se traduz apenas em opções eleitorais de esquerda, especialmente num país como o Brasil onde as eleições são qualquer coisa menos democráticas, penso que as forças interessadas em organizar a reação social ao Neoliberalismo de rapina que ganhou as eleições deste domingo não deveriam tratar essa rejeição ao voto como algo necessariamente positivo. Entretanto, tampouco, podem cair na armadilha ideológica de que as elas refletem o estado de consciência da população acerca da situação política e econômica em que estamos metidos.

De toda forma, só há uma forma de resolver o problema subjacente à indisposição de votar ou de votar nos partidos com agendas Neoliberais. E essa saída passa por sair da apatia e da aceitação do status quo imposto pelo golpe parlamentar que levou Michel Temer ao poder. Uma demonstração disso são as ocupações estudantis que já se espraiaram por todo o território brasileiro.

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