Campos dos Goytacazes e os riscos de uma vida em constante “estado de sítio”. É isso mesmo o que queremos?

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Em um encontro casual no local onde faço minhas compras de verduras tive uma daquelas conversas que me deixam certo de que até os mais moderados já estão exasperados com a política de extermínio das políticas sociais herdadas do governo de Rosinha Garotinho que está sendo executada pelo jovem prefeito Rafael Diniz e seus dublês de secretários e menudos neoliberais.

Segundo essa pessoa, que é um  campista da gema e um intelectual que respeito por sua finesse até nos embates mais duros, não parece mais estar restando outra saída senão acorrer às ruas para protestar contra o desmanche do pouco que existia de políticas de mitigação da pobreza em nossa rica/pobre cidade.

Esse tipo de sentimento está me sendo comunicado por muitos eleitores de Rafael Diniz que acreditavam que a mudança de que se falava era uma para melhorar a cidade de Campos dos Goytacazes, e não para piorá-la.  O que ninguém imaginava (ou esperava) era que a “mudança” que viria seria apenas para impor um arrocho duríssimo sobre as camadas mais pobres da população em nome de uma economia extremamente seletiva.  Agora, além de tudo o que já foi extinto, fala-se no fechamento de unidades hospitalares de atendimento básico e na liberação dos preços das passagens de ônibus!

Voltando ao meu interlocutor deste final semana é que há entre os que dão uma cara jovem ao governo de Rafael Diniz, uma verdadeira adoração pelas políticas neoliberais que vocalizam mérito, mas aplicam receitas duras apenas sobre o mais pobres. E ainda segundo o meu interlocutor, a coisa não se dá nem por maldade, mas sim por pura ideologia que despreza os pobres, sem querer entender as raízes da sua pobreza.

Eu que ando pelas ruas, e converso com as pessoas que estão sofrendo o maior ônus da crise econômica que assola o Brasil neste momento, tenho que observar que estamos nos encaminhando para uma vida cercada entre muros, onde os que estão passando minimamente incólumes por este processo de destruição das políticas sociais (até porque nunca dependeram delas) vão se sentir cada vez mais sitiados e amedrontados.

É que nada de bom poderá sair de termos imensas fatias da nossa população sem qualquer tipo de suporte via políticas sociais. A tendência é que haja um grande aumento das taxas de violência, as quais deverão extrapolar as áreas onde historicamente ficavam circunscritas.

A questão que se coloca me parece óbvia: quem quer viver uma vida em ritmo de “estado sítio” em nome da legitimação do discurso de eficiência fiscal (de aplicação seletiva) que o jovem prefeito de Campos dos Goytacazes insiste em fazer para justificar o ataque que está sendo feito aos mais pobres?

E uma dica: quem cala, consente. E quem consente, não pode reclamar se as minhas previsões de agravamento da crise social que estamos vivendo se confirmarem.

Um pensamento sobre “Campos dos Goytacazes e os riscos de uma vida em constante “estado de sítio”. É isso mesmo o que queremos?

  1. JOSÉ LUIS VIANNA DA CRUZ disse:

    Amigo Pedlowski, belo texto, extremamente positivo em demonstrar que você quer contribuir para o que considera prioritário na gestão pública. Eu, particularmente, queria que eles acertassem, que tivessem sensibilidade para compreender que eles estão cobrando a conta de quem não participou da festa nem da destruição das finanças públicas, ou seja, estão cobrando do povo trabalhador, que são os donos da cidade, mas que nunca foram chamados a participar dela. Que eles compreendessem que estão no Governo para priorizar as políticas urbanas, sociais e econômicas voltadas para a maioria da população, que não somos nós e nem são eles, são os trabalhadores e os deserdados pelas exploração, corrupção e desgoverno. É hora de chamar a classe média e os privilegiados, a elite, os empresários, a dar seu sacrifício pela cidade. Nisso ninguém mexe. Outro dia você falou da multidão que passa fome nas ruas, com filas intermináveis para o café da manhã da calçada do ex-restaurante popular, graças a um grupo de campistas que estão provendo esse café; e das outra multidão do Jardim S Benedito que esmola o almoço e o jantar. E a resposta, qual é? Fechamento do restaurante popular, boicote aos catadores de recicláveis, remoção das favelas que atrapalham a especulação imobiliária, a recusa em abastecer a cidade com a produção dos assentamentos, dentre outras penalizações contra os trabalhadores.

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