Corrupção, o tigre de papel que enfeitiça a classe média

O Brasil e especialmente o estado do Rio de Janeiro vivem assombrados por múltiplos casos de corrupção e pela percepção de que o problema vem aumentando.  Essa percepção tem servido para a implantação de um ambiente de caças às bruxas, onde até agora apenas o judiciário está livre das perseguições e denúncias.

Mas será que a corrupção sozinha explica os problemas que enfrentamos? A primeira coisa é que o mote do combate à percepção tem servido para a derrubada de governos eleitos em diferentes partes do planeta, especialmente naquilo que se convenciona chamar de periferia do Capitalismo. 

Entretanto, se formos levar em conta o ranking produzido pela organização não-governamental “Transparência Internacional” [1], o Brasil não é um dos piores exemplos de corrupção, estando basicamente numa faixa média, sendo colocado na posição de 79a., num ranking que inclui 176 países (ver imagem abaixo).

corrupção

Ainda que se fale pouco, na América do Sul, por exemplo, apenas dois países (Uruguai e Chile) estão em condições melhores do que o Brasil. E se esse olhar for expandido, o Brasil está em condições melhores do que a maioria dos países Africanos e asiáticos.

Desta forma, por que a mídia corporativa brasileira prefere insistir num processo de demonização do sistema partidário sem fazer a devida análise do fato, por exemplo, que o Brasil possui índices estáveis neste quesito. E, mais que a saída da presidente Dilma Rousseff o nível de corrupção aumentou e não diminuiu como demandavam os participantes das hoje sumidas “manifestações contra a corrupção”.

A explicação para esse enigma está sendo dada pela agenda regressiva que o governo “de facto” de Michel Temer vem impondo nos direitos sociais e na desnacionalização da economia brasileira que sendo ocupada por empresas oriundas de países onde os níveis de corrupção são similares ou até piores aos que vivenciamos no Brasil, como é o caso da China.

Outra observação é que se a corrupção é um elemento sistêmico dentro da economia mundial, não vão ser operações localizadas e com resultados seletivos que vão diminuir o grau de corrupção experimentado no Brasil. Os países mais bem colocadas nesse ranking possuem não apenas legislações fortes, mas essencialmente lograram graus de desenvolvimento econômico e social que tornam mais difícil o envolvimento de seus cidadãos e empresas na oferta de vantagens indevidas, especialmente quando se trata da coisa pública. Se isso for omitido, o combate à corrupção será um belo tigre de papel que determinadas frações das classes dominantes acenam sempre que precisam reordenar as relações de poder dentro do estado.


[1] https://www.transparency.org/

Um pensamento sobre “Corrupção, o tigre de papel que enfeitiça a classe média

  1. Sônia Maria disse:

    Perfeito.

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