Ato contra a intervenção militar reúne cristãos progressistas em Campos

manifestação

Cristãos de várias denominações religiosas promoveram um ato-aula contra a intervenção militar no Rio de Janeiro, na tarde da última segunda-feira (26/02). Reunindo dezenas de participantes, a manifestação, realizada no Boulevard Francisco de Paula Carneiro no centro de Campos dos Goytacazes, marcou o rechaço de religiosos progressistas contra a intervenção, considerada uma forma de violência contra os pobres.

No evento, leituras bíblicas foram utilizadas para analisar o momento atual do país. O pastor Bruno Rocha lembrou que a Intervenção é uma medida que abre precedentes para  ações arbitrárias e que ampliam a violência estatal: “São medidas promovidas por pessoas que vivem às custas da morte dos brasileiros e brasileiras pobres. Nenhum plano nacional de segurança foi apresentado. A população não foi consultada. A redução de homicídios, o enfrentamento às drogas munido de uma inteligência efetiva, a revisão do sistema prisional, passam longe daqueles que visam a intervenção militar no estado do Rio de Janeiro”, destacou o pastor.

Apresentando uma passagem bíblica a respeito de um recenseamento ordenado por Davi, o teólogo Fábio Py destacou que, muitas vezes, o Estado penaliza os mais pobres como forma de dominação. “A intervenção é um erro. Utilizaram a falácia sobre o aumento da violência no carnaval, o que não ocorreu, para justificar essa ação autoritária, que só vai criar mais muros e mais desigualdades”.

Muitas pessoas que passavam pela rua no momento do ato também puderam se manifestar. Ao final, gritos de “Fora, Temer” foram entoados.

Uma nota de repúdio à intervenção também foi apresentada. O documento destaca que destacou que a intervenção além de não resolver o problema do tráfico, fortalece as próprias facções: “A opção pela repressão e uso das forças militares na segurança pública nunca foi algo positivo, como mostra a presença das forças armadas no Complexo da Maré que não reduziu o tráfico nem a violência”, afirma um trecho da nota.

Cristãos progressistas

De acordo com a organização do evento, a realização do ato-aula foi importante como forma de lembrar que segmentos cristãos nem sempre possuem pautas conservadores. Muitas vertentes, tanto católicas quanto evangélicas, se consideram progressistas e entendem que a intervenção contraria os preceitos do cristianismo. “Jesus foi perseguido, sofreu cerco militar e foi morto pelo Estado. Como cristãos, não podemos aceitar essa forma de violência e de criminalização da pobreza que acontece sob forma de intervenção militar”, destacou o teólogo de tradição protestante, Fábio Py.

 

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