A mídia corporativa e sua agenda de recolonização do Brasil

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Em estudos de comunicação social,   deveria sempre existir espaço para que se estudasse a Agenda-setting theory, que foi formulada por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de 1970.  Em termos gerais a “Agenda-setting theory” (teoria do agendamento)  propõe  que os consumidores de notícias tendem a considerar mais importantes os assuntos que são veiculados com maior destaque na cobertura jornalística (incluindo tanto meios impressos quanto eletrônicos). Assim, no Agenda-setting, as notícias veiculadas na imprensa, se não necessariamente determinam o que as pessoas pensam sobre determinado assunto, são bem-sucedidas em fazer com que o público pense e fale sobre um determinado assunto, e não sobre outros.

Feita essa breve introdução, o que esperar da cobertura dos fatos que estão ocorrendo na atual campanha presidencial, inclusive os comportamentos em momentos de debates e entrevistas? Ora, o que temos visto de forma pura e direta.  E o que tem sido visto vai na direção de se manter a versão da mídia corporativa sobre os acontecimentos que foram disparados pela derrota de Aécio Neves na última corrida presidencial, e agravados pela opção da equipe de Dilma Rousseff de virar as costas para sua própria plataforma eleitoral, adotando as medidas que derrotadas pela maioria da população nas urnas.

Entender o que tem se passado nos últimos 3 anos no Brasil é impossível se não for considerada a adoção de uma agenda jornalística que criou a sensação de que tudo estava errado e por culpa de uma suposta agenda socializante do PT.  No meio desse contexto é que pode compreender a ação unilateral das organizações de mídia para criar a narrativa do caos como pano de fundo para justificar a ampliação da desnacionalização da economia nacional, bem como o profundo ataque a direitos sociais e trabalhistas. 

É importante notar que essa narrativa do caos está agora sendo encaminhada para dar sustentação política à qualquer candidatura que pareça minimamente viável, não importante qual candidato seja, para impedir que a destruição de um projeto de desenvolvimento nacional seja sequer apresentada como algo que deva ser considerado como viável. Para eles o projeto que parece interessar é da recolonização completa do Brasil e sua transformação numa espécie de colônia exportadora de commodities agrícolas e minerais.

Alguém poderia se perguntar como os barões da mídia podem abraçar um projeto que, entre outras coisas, eliminará setores inteiros do mercado interno, inclusive,  dos produtos que eles mesmos produzem? Tudo indica, dada a alta concentração da riqueza que já existe e tenderá a aumentar com a recolonização do Brasil, que os barões da mídia se contentarão a cada vez mais fazerem uma espécie de ligação direta com o mercado financeiro global, para não apenas seguirem aumentando sua riqueza, como para acessarem os produtos que não estarão mais disponíveis no Brasil recolonizado. Em outras palavras, que se exploda a maioria do povo brasileiro se os padrões de concentração da riqueza e consumo de bens estiverem assegurados par eles.

Por isso tudo é que existe a obrigação de desconfiar de tudo o que é vinculado pela mídia corporativa não apenas na atual campanha eleitoral, mas em todo e qualquer assunto.  E lembrar sempre que, por detrás das manchetes, existe uma agenda que não tem nada a ver com a circulação da informação factual, mas muito mais com a versão que mais interessa aos donos da mídia corporativa, propositalmente escondida sobre a insígnia da liberdade de expressão. 

 

 

 

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