Li na Folha da Manhã uma daquelas matérias/press release com uma grande/pequena novidade sobre o Porto do Açu. O informe diz que “a Prumo Logística, empresa que opera e desenvolve o Porto do Açu, em São João da Barra, assinou nesta segunda-feira (24) um acordo de cooperação com o Porto de Houston (EUA). A parceria visa estabelecer um parâmetro de referência para troca de conhecimentos e boas práticas. De acordo com Prumo, “novas empresas vão resultar desta sinergia a partir de 2019”. [1]

Trocando em miúdos, dois fora, zero é nada. O primeiro problema é que esse não é primeiro “acordo de cooperação” que diferentes gestores do Porto do Açu assinaram desde que a então governadora Rosinha Garotinho lançou a pedra fundamental do empreendimento em 2006. De lá para cá, fosse pelas figura quixotesca do ex-bilionário Eike Batista ou pelos diferentes presidentes da Prumo Logística Global, vários anúncios desse gênero já foram feitos.
Quem não se lembra das duas siderúrgicas e do pólo metal mecânico de Eike Batista? Também não podemos esquecer das mudanças que ocorreriam para transformar o Porto do Açu no maior “hub” de óleo e gás da América Latina?
Mas voltando à mais essa “novidade”, para os que não conhecem o funcionamento do fundo de “private equity” EIG Global Partners, controlador do Porto do Açu, é bom dizer na cidade de Houston fica o seu segundo maior escritório, menor apenas que o da matriz que está localizado na cidade de Washington, DC. Em outras palavras, ao fazer esse “acordo” com o Porto de Houston, a Prumo Logística está fazendo em tese um acordo consigo mesma.
Agora a pergunta que não quer calar: por que utilizar tal estratégia de marketing social se as coisas estão como se anunciam em termos da pujança do Porto do Açu? A minha inferência é que a necessidade de gerar este tipo de nota é diretamente proporcional à busca de investimentos para um negócio que até agora foi mais espuma do que resultados práticos. Que o diga o número de empregados gerados e perdidos pelo município de São João da Barra em 2017 e 2018.
Enquanto isso, os agricultores que tiveram suas terras expropriadas pelo (des) governo Cabral a partir de 2010 continuam esperando pelo ressarcimento a quem têm direito na justiça. E o pior é que para eles não há imprensa “muy amiga” para retratar uma situação que é desesperadora para muitos dos atingidos.
Em imagem de 2013, a família de Das Dores (sentada, de laranja) denunciava que não havia recebido o dinheiro das desapropriações. A espera continua até hoje.