Ricardo Salles, o improbo trapalhão

salles coletiva

Ricardo Salles, antiministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, na entrevista coletiva em que denunciou “inconsistências” no uso do Fundo Amazônia— Foto: Divulgação

Em uma aparente tentativa de assumir o controle dos bilhões entregues ao Brasil pela Alemanha e pela Noruega para financiar o combate ao desmatamento na Amazônia, o ainda ministro (ou antiministro) do Meio Ambiente, convocou hoje uma coletiva de imprensa para denunciar supostas irregularidades no uso das verbas do chamado Fundo Amazônia.

O problema é que fez isso sem combinar com os russos. Ou melhor, com norugueses e alemães que se disseram surpreendidos com as acusações de mau uso dos recursos por eles entregues para o BNDES gerenciar projetos  sobre redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal. 

Essa ação de Ricardo Salles beira o incidente diplomático, pois sua ação intempestiva que não possui sequer corroboração da Controladoria Geral da União (CGU), teve como primeiro resultado prático uma nota da Embaixada da Noruega em Brasília onde está dito basicamente o oposto do que foi declarado pelo desastrado antiministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro (ver imagem abaixo).

declaração noruega fundo amazonia

Eu sinceramente desconheço qual é a experiência profissional que Ricardo Salles possui fora do Brasil, especialmente com instituições multilaterais e agências governamentais de países desenvolvidos.  Mas como alguém que já prestou consultorias para o Painel de Inspeção do Banco Mundial, posso adiantar que esse tipo de ação destrambelhada, e de interesses difusos, não será bem recebida pelos governos da Noruega e da Alemanha que são extremamente exigentes na entrega de recursos por menores que sejam.

É que ao desconsiderar que os recursos enviados ao Brasil passam por controles estritos naqueles próprios países, Ricardo Salles está colocando em dúvida a probidade não das organizações não governamentais e órgãos de governo brasileiros, mas as ações de fiscalização que ocorrem dentro dos governos da Alemanha e da Noruega. 

Vai ser engraçado se por conta da tentativa de ingerência, maldisfarçada de auditoria interna do MMA, Ricardo Salles conseguir que Alemanha e Noruega suspendam o envio de recursos para o Fundo Amazônia. 

E pensar que esse mesmo Ricardo Salles já foi condenado por improbidade administrativa por ações ilegais que realizou na condição de secretário estadual de Meio Ambiente de São Paulo. Com um passivo do tamanho que carrega nas costas seria de se imaginar que Salles se esquivasse deste tipo de ação.  O problema é que Ricardo Salles aparenta pensar que é o único sujeito esperto na face da Terra, o que, convenhamos, ele já deu provas de não ser. 

Mas agora que ele já colocou sua trapalhada em andamento, vamos esperar calmamente para ver que, me desculpe o trocadilho, bicho vai dar.  Eu me arrisco a dizer que vai dar jacaré.

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