Reações da 350.org ao primeiro dia da Cúpula do Clima

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O primeiro dia da Cúpula do Clima promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, registrou avanços significativos nas promessas de redução das emissões por alguns países, mas também foi marcado por esforços insuficientes e afirmações falsas, como a que fez o presidente Jair Bolsonaro ao dizer que está fortalecendo órgãos ambientais no Brasil.

Enquanto isso, a pressão da sociedade civil em todo o mundo por medidas mais ambiciosas segue crescendo, como demonstram as muitas cartas abertas e campanhas que receberam destaque nos últimos dias.

Durante a Cúpula do Clima, a 350.org, organização global de ações pelo clima, e seus parceiros estão reagindo aos discursos dos líderes políticos de vários países e participando de manifestações com o objetivo de exigir compromissos concretos e urgentes dos chefes de governo. Veja mais informações a seguir.


Ação com figuras de Bolsonaro e outros líderes nacionais

Ativistas da 350.org e da Build Back Free Coalition organizaram na quarta-feira, 21 de abril, um protesto diante da Casa Branca, em Washington, para pedir aos participantes da Cúpula do Clima ações mais ambiciosas pelo planeta.

Figuras de chefes de governo do Brasil, dos Estados Unidos, da China, do Reino Unido, da Argentina e de vários outros países foram posicionadas diante da residência oficial do presidente americano, com mensagens específicas enviadas por representantes do movimento climático de cada país. A frase sobre a foto de Bolsonaro era: “Presidente Bolsonaro: pare de mentir sobre a Amazônia e a pandemia”. Veja as fotos aqui.


Reações aos discursos

Argentina

Ignacio Zavaleta, coordenador de campanhas da 350.org na Argentina:

“O que se destacou no discurso do presidente Fernández foi o fato de ele não ter mencionado nenhuma mudança nas políticas governamentais de investimento na expansão de petróleo e gás na área de Vaca Muerta. O dinheiro dos contribuintes está subsidiando uma exploração altamente ineficiente e prejudicial ao meio ambiente, que beneficia algumas poucas empresas estrangeiras e não traz nenhum desenvolvimento para o país ou mesmo para a região onde está localizado”.

“Os bilhões de dólares desperdiçados anualmente com subsídios aos combustíveis fósseis deveriam ser redirecionados para políticas de transição energética capazes de criar mais empregos, neste momento em que os argentinos precisam desesperadamente de trabalho e renda”.

Brasil

Ilan Zugman, diretor da 350.org na América Latina:

“Bolsonaro mentiu ao dizer que está fortalecendo os órgãos ambientais. O desmonte de instituições como Ibama e Funai, o ataque às políticas públicas de fiscalização do desmatamento e o apoio a projetos de lei que colocam em risco as Terras Indígenas são exemplos de que esse governo está tentando fazer o Brasil andar para trás em termos de políticas climáticas”.

“Nos dias anteriores à Cúpula do Clima, houve um fluxo impressionante de cartas abertas e campanhas nas mídias sociais pedindo ao presidente Biden para não fechar nenhum acordo com o presidente Bolsonaro sem ouvir, primeiro, a sociedade civil brasileira. A questão é que o desempenho do governo na área ambiental é tão ruim que fica difícil acreditar que mesmo promessas pouco ambiciosas serão cumpridas”.

“Por causa da piora no quadro ambiental desde o início do governo Bolsonaro, existe uma desconfiança muito justificada de boa parte das empresas, ONGs e governos de que não importa o que o presidente prometa nessa área, serão apenas palavras ocas”.

Canadá

Amara Possian, diretora de Campanhas da 350.org no Canadá:

“O problema com o novo compromisso climático do presidente Trudeau pode ser resumido em duas palavras: combustíveis fósseis. Tanto o anúncio do governo canadense quanto o orçamento atual do país falham em abranger de fato um plano para enfrentar o aumento das emissões originadas pelas atividades ligadas ao fracking e a outras formas de extração de combustíveis fósseis. O Canadá é o único país do G7 cujas emissões aumentaram desde a assinatura do Acordo de Paris”

“O Canadá precisa reduzir suas emissões em pelo menos 60% até 2030 e aprovar uma Lei de Transição Justa para garantir sua parte no cumprimento do Acordo Paris e não deixar ninguém para trás”.

Estados Unidos

Natalie Mebane, diretora de Políticas Públicas da 350.org nos Estados Unidos:

“No primeiro dia de seu mandato, Biden cancelou o oleoduto de Keystone XL. Agora ele deve fazer o mesmo com a Linha 3, o oleoduto Dakota Access e todos os novos projetos de combustíveis fósseis no país. Isso mostrará ao mundo que os EUA estão seriamente empenhados em enfrentar a crise climática”.

Japão

Eri Watanabe, coordenadora de campanhas da 350.org no Japão

“O objetivo anunciado é altamente insuficiente se quisermos alcançar a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento da Terra a 1,5 grau. O governo japonês precisa estabelecer uma meta mais ambiciosa, com uma redução mínima de 62% em relação às emissões de 2013”.

“Quando o Acordo de Paris foi assinado, concordamos que existiam responsabilidades comuns, mas diferenciadas em todo o mundo. Sendo o quinto país com mais emissões, historicamente, o Japão tem uma dívida de carbono com o mundo. Devemos começar urgentemente a estabelecer metas ousadas e ambiciosas”.

“Uma das políticas urgentemente necessárias no Japão é uma rápida eliminação da infraestrutura do carvão, o que inclui orientar os bancos japoneses a cortar o crédito a projetos combustíveis fósseis, já que o país é o maior financiador da indústria mundial do carvão”.

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