A semiótica Bolsonarista e sua máquina de propaganda bancada com recursos públicos

Bolsonaro participa de ato com motociclistas em São Paulo - Jornal O GloboSem máscara e com pilotando motocicleta com placa encoberta, o presidente Jair Bolsonaro tenta construir sua semiótica de força e intimidação

O uso do motocicletas para demonstrar adesão e sensação de poder não é algo novo, pois existem imagens do ditador fascista Benito Mussolini realizando “motociatas” para mobilizar sua base política. Essa tática de mobilização visa principalmente gerar imagens de força e coesão, além de resvalar no oferecimento de uma semiótica em prol da liberdade individual, ainda que para isso se tenha de recorrer a câmeras que produzam imagens ângulos fechados que tendem a aumentar o tamanho das manifestações.

mussolini

Qualquer semelhança não será mera coincidência. O ditador Benito Mussoloni em uma motociata com os apoiadores do fascismo italiano em junho de 1933

Assim, não chega a ser nenhuma surpresa que o presidente Jair Bolsonaro, cada vez mais pressionado e abandonado pelo eleitorado, esteja recorrendo a uma estratégia que já foi usada no passado, em uma espécie de ressurreição da imagética fascista. É que a produção de imagens de força e coesão são provavelmente uma necessidade da hora, visto que se a desagregação de sua base continuar, o risco que Bolsonaro corre é de que chegue a 2022 sem chances reais de reeleição.

Mas uma das coisas fundamentais para que o esforço de produzir imagens de força é fazer que os adversários comprem a ideia de que o objetivo foi alcançado, nem que para isso seja necessário difundir números de participantes que extrapolam em várias ordens de grandeza a quantidade real. Se não isso não acontecer, não há como difundir as mensagens de poder e força.

Nesse sentido, é importante observar as imagens abaixo que mostram ângulos abertos para a motociata e o ato pró-Bolsonaro que ocorreram neste sábado (12/06) na capital de São Paulo.

A simples observação dessas imagens apontam que a participação foi baixa, especialmente à luz do esforço empreendido pelo presidente da república e seus apoiadores.  Assim, ainda que seja impressionante que alguns milhares de brasileiros ainda saiam para apoiar um presidente que vem falhando de maneira óbvia no controle da pandemia da COVID-19 (com o país chegando a 500 mil mortos oficiais), o fato é que a adesão foi baixa. Por isso, as imagens desses eventos que serão distribuídas pela máquina de propaganda bolsonarista tenderão a ser em sua totalidade tomadas em ângulo fechado. Qualquer fotógrafo amador sabe que esse é o truque que se usa quando a adesão é baixa e aquém do que os organizadores desejavam.

Mas o fundamental aqui não é saber as razões de quem produz as imagens em ângulo fechado, mas como não cair neste conto do vigário, e nem deixar que elas se tornem uma expressão do que deveria ter sido e não daquilo que realmente foi. Por isso, em vez de de nos impressionarmos com uma adesão que não houve, o fundamental é desmascarar esse truque barato. Se isso acontecer, todo o esforço feito para se construir uma semiótica de força e coesão terá sido em vão.

Por outro lado, o esforço de desmascarar essa construção artificial tem que levar em conta que muito dinheiro público tem sido gasto para difundir e legitimar a versão de realidade que serve aos planos de poder do presidente Jair Bolsonaro e de sua entourage.  Para isso, é útil o mapeamento da rede de disseminadores de fake news (i.e., notícias falsas) em prol do governo Bolsonaro que tem na cabeça na lista o ex-global Alexandre Garcia no quesito valores recebidos e número de vídeos removidos (ver figura abaixo).

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Se entendermos a conexão entre produção de imagens manipuladas e as formas oficiais ou extra-oficiais de disseminação e seus custos para os cofres públicos, poderemo nos preparar melhor para não apenas desmontar a semiótica bolsonarista, mas, principalmente, para impor uma que expressa toda a oposição que existe a ela.  Mas para desconstruir essa semiótica, o primeiro passo é não cair nos truques que ela nos empurra. Simples assim!

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