A pergunta de 1,6 bilhão de reais: Ricardo Barros chamou os professores de vagabundos e depois saiu por aí para comprar vacinas superfaturadas na Índia?

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No dia 20 de abril, o deputado Ricardo Barros (PP/PR), líder do governo Bolsonaro na Câmara de Deputados, resolveu declarar que os professores brasileiros seriam vagabundos por não quererem trabalhar sem que houvesse um processo de vacinação em massa. Aquela declaração bombástica, característica de quem está tentando desviar a atenção de algo nebuloso, acabou passando em brancas nuvens, pois era só mais uma entre tantas.  Em outras palavras, Barros atacou os servidores públicos da educação, mas seguiu sua vida sem muitas pressões ou consequências.

Dois meses depois, eis que o nome de Ricardo Barros é citado na Comissão Parlamentar de Inquérito da COVID-19 como sendo o articulador de uma compra bilionária de vacinas produzidas pela empresa indiana Bharat Biotech, em um “negocinho” de quase dois bilhões de reais (ver abaixo vídeo do momento em que o deputado federal Luís Lima (DEM/DF) finalmente informa o nome de quem teria sido citado pelo presidente Jair Bolsonaro como o mentor de um negócio que tem todo o cheiro de ser uma grande falcatrua).

Ricardo Barros já saiu rapidamente a campo para desmentir o alegado envolvimento em um negócio que mistura   compra superfaturada, empresas localizadas em paraísos fiscais, e vacinas próximas do vencimento. Mas se alguém olhar a página de Ricardo Barros na Wikipedia verá que até essa resposta rápida soa como incongruente para um político que já demonstrou ser longevo e, acima de tudo, muito poderoso, com articulações que ultrapassaram administrações federais que se iniciaram ainda no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A descoberta de que Ricardo Barros era a possível iminência parda de um negócio cabuloso já estava meio evidente por ter sido ele o proponente de uma emenda parlamentar que permitiu a importação, pasmemos todos, da vacina indiana Covaxin! Além disso, Ricardo Barros quando foi ministro da Saúde no governo de Michel Temer, o líder do governo Bolsonaro na Câmara de Deputados teria estabelecido  ligações com o empresário Francisco Emerson Maximiano, sócio-administrador da Precisa, a empresa que intermediou o acordo de compra da Covaxin a um preço 1.000% maior do que o previsto originalmente. 

O fato do deputado Ricardo Barros ser ainda o líder do governo Bolsonaro quase três meses depois do presidente da república ter sido informado desse caso nebuloso certamente cria um ambiente político explosivo, na medida em que um agente público que é informado de algo desse gênero e não age imediatamente para cessar uma atividade potencialmente criminosa incorre em um crime como “improbidade administrativa”.  Lembremos que a presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment por uma ofensa infinitamente menor do que a de ter cometido improbidade administrativa. Em outras palavras, se os fatos narrados pelo deputado Luís Lima forem confirmados, o presidente Jair Bolsonaro ficará em péssimos lençóis.

Por outro lado, também ficarão complicadas quaisquer negociações partidárias em curso para viabilizar alianças para as eleições de 2022 que envolvam o “Progressistas” do qual Ricardo Barros é um dos principais líderes nacionais.  E no tempo mais imediato, a crise aberta com as revelações do deputado Luís Lima podem afetar o grau de aderência do chamado “Centrão” às prioridades legislativas do governo Bolsonaro.  A situação criada pela tentativa de comprar vacinas superfaturadas e próximas do vencimento deverá gerar novos e estrepitosos capítulos nas próximas semanas. A ver!

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