Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza registram diminuição na carga do coronavírus em seus esgotos nas últimas semanas, mas Rio segue com valores altos

Em comparação ao último boletim da Rede Monitoramento COVID Esgotos, as três capitais tiveram redução da carga viral. Já o Rio de Janeiro permaneceu com cargas consideráveis do novo coronavírus em todos os pontos de monitoramento

carga viral 1

Boletim de Acompanhamento nº 04/2021 da Rede Monitoramento COVID Esgotos, com dados até 24 de julho, semana epidemiológica 29, identificou uma tendência de redução da carga viral do novo coronavírus em três capitais: Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza em relação ao último boletim publicado em 7 de julho. No sentido oposto, o Rio de Janeiro teve a maior carga viral já medida no período abrangido pelo último Boletim, ocorrida na semana de 27 de junho a 3 de julho. Veja as informações por cidade a seguir, sendo que todos os dados constam do Boletim nº 4/2021.

Belo Horizonte (MG)

Em Belo Horizonte, houve uma redução da carga viral nas semanas epidemiológicas 26 (de 27 de junho a 3 de julho), 27 (4 a 10 de julho), 28 (11 a 17 de julho) e 29 (18 a 24 de julho) respectivamente de 37,4 bilhões de cópias por dia do vírus para cada 10 mil habitantes; 36,7 bilhões; 36,4 bilhões; e 13 bilhões. A carga verificada na semana 29 foi a menor registrada em 2021.

Em Belo Horizonte, nas semanas 26 e 27 o ponto de monitoramento do Interceptor Córrego Cardoso registrou uma concentração de novo coronavírus elevada – acima de 25 mil cópias do novo coronavírus por litro das amostras –, indicada em vermelho nos mapas disponíveis no Boletim nº 4/2021. Na semana 27 outro ponto com alta concentração do vírus foi o Interceptor Córrego Gorduras.

Já nas semanas epidemiológicas 28 e 29 houve o surgimento de pontos com baixa concentração, entre 1 e 4 mil cópias por litro, indicados em amarelo. É o caso do Interceptor Córrego Terra Vermelha, que esteve nesse patamar em ambas as semanas. Somente na semana epidemiológica 29 os pontos de monitoramento da Estação de Tratamento de Esgotos Onça (ETE Onça) e do Interceptor Córrego Vilarinho tiveram concentração viral num patamar baixo. Nos demais pontos de monitoramento, a concentração ficou na faixa intermediária entre 4 mil e 25 mil cópias por litro, representada pela cor laranja nos mapas do Boletim.

Já nos pontos especiais de monitoramento na capital mineira, todos eles apresentaram níveis não detectáveis ou baixa concentração viral em algum momento entre as semanas epidemiológicas 26 e 29. Esses pontos incluem o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, lar de idosos, Rodoviária de Belo Horizonte, Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), shopping localizado em área de alta renda (SHC-01) e shopping localizado em área de baixa renda (SHC-02). Veja no Boletim nº 4/2021.

Brasília (DF)

Com um histórico de medições iniciado no fim de março deste ano, Brasília apresentou respectivamente uma carga de 434, 224, 229 e 181 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia para cada 10 mil habitantes nas semanas epidemiológicas 26 (de 27 de junho a 3 de julho), 27 (4 a 10 de julho), 28 (11 a 17 de julho) e 29 (18 a 24 de julho). Essa carga viral é determinada em oito estações de tratamento de esgotos (ETEs), que atendem a cerca de 80% da população do Distrito Federal.

As cargas medidas nas semanas epidemiológicas 27, 28 e 29 são as menores do histórico, que tinha o menor valor registrado para a semana 19 (11 de maio), em 236 bilhões de cópias por dia a cada 10 mil habitantes. Portanto, há uma tendência de redução da carga do novo coronavírus nos esgotos do DF, que ainda segue elevada.

Entre as semanas epidemiológicas 26 e 29, somente a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Brasília Norte permaneceu no patamar intermediário de concentração viral, entre 4 e 25 mil cópias do novo coronavírus por litro das amostras, indicado em laranja nos mapas a seguir. Nesse período todas as ETEs monitoradas ficaram no patamar médio de concentração viral e/ou no patamar elevado, acima de 25 mil cópias, indicado em vermelho nos mapas do Boletim nº 4/2021.

Vale destacar a elevação da concentração viral, e da carga, nas áreas atendidas pelas ETEs Melchior e Samambaia na semana epidemiológica 29 em comparação à 28. Juntas essas duas estações de tratamento atendem a uma população estimada de aproximadamente 1,3 milhão de habitantes.

Fortaleza (CE)

Fortaleza possui um histórico de dados desde 8 de junho, na semana epidemiológica 23, quando foi medida a maior carga viral nos esgotos da capital cearense: 34 bilhões de cópias por dia do novo coronavírus para cada 10 mil habitantes. Nas semanas 26 (de 27 de junho a 3 de julho), 27 (4 a 10 de julho), 28 (11 a 17 de julho) e 29 (18 a 24 de julho) houve uma tendência de redução da carga viral. Nessas semanas, os valores identificados foram respectivamente de 15,2 bilhões de cópias por dia para cada 10 mil habitantes; 12,1 bilhões; 10,1 bilhões; e 2 bilhões.

Nas semanas epidemiológicas 26 a 29, Fortaleza teve pontos onde o vírus não foi detectado (áreas em verde); foi detectado em concentração baixa (em amarelo), entre 1 e 4 mil cópias a cada 10 mil habitantes; e em concentração intermediária (em laranja), acima de 4 mil e até 25 mil cópias. Nas últimas semanas epidemiológicas, as maiores concentrações do novo coronavírus foram detectadas nas regiões da capital cearense que contribuem com esgoto para as estações elevatórias Reversora do Cocó e Praia do Futuro. Porém, nas duas regiões foi observada uma tendência de redução nas concentrações virais nas últimas semanas.

Rio de Janeiro (RJ)

As concentrações e cargas virais do novo coronavírus no esgoto do Rio de Janeiro permaneceram muito elevadas nas semanas epidemiológicas 26 (de 27 de junho a 3 de julho), 27 (4 a 10 de julho), 28 (11 a 17 de julho) e 29 (18 a 24 de julho): respectivamente 1,82 trilhão de cópias por dia a cada 10 mil habitantes; 700 bilhões; 748 bilhões; e 926 bilhões de cópias do novo coronavírus. A carga medida na semana 26 foi a maior do histórico iniciado em novembro de 2020, superando os 1,68 trilhão de cópias medidos em 24 de maio na semana epidemiológica 21.

Além disso, as concentrações permanecem bastante elevadas – acima de 25 mil cópias do vírus por litro – em todos os nove pontos monitorados, sendo quatro ETEs na capital fluminense (Alegria, Barra, Penha e Vargem Grande) e uma em São João de Meriti (ETE Sarapuí). Ainda na capital, nas estações elevatórias Leblon e André Azevedo, assim como nas ETEs Pavuna e ETIG, as concentrações estão em níveis bastante elevados, indicados em vermelho nos mapas disponíveis no Boletim nº 4/2021.

Na semana epidemiológica 26, foram observadas as maiores concentrações já registradas em todo o período de monitoramento para as estações elevatórias André Azevedo, ETE Ilha do Governador e ETE Sarapuí. Por outro lado, nas últimas três semanas de monitoramento, houve uma redução significativa das concentrações virais na região atendida pela Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Alegria, que recebe contribuição de aproximadamente 1,2 milhão de habitantes.

Recife (PE)

A amostragem de esgoto em Recife já foi iniciada, mas os resultados das análises ainda não estão disponíveis.

Curitiba (PR)

Os dados de Curitiba das últimas semanas epidemiológicas ainda não estão disponíveis em virtude de questões com os reagentes laboratoriais utilizados no monitoramento do novo coronavírus nos esgotos da capital paranaense.

Sobre a Rede Monitoramento COVID Esgotos

A Rede Monitoramento COVID Esgotos, lançada em webinar realizado em 16 de abril, acompanhará as cargas virais e concentrações do novo coronavírus no esgoto de seis capitais e cidades que integram as regiões metropolitanas de: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. Esse trabalho, uma das maiores iniciativas brasileiras de monitoramento da COVID-19 no esgoto, busca fornecer subsídios para auxiliar a tomada de decisões para o enfrentamento da pandemia atual.

O último Boletim de Acompanhamento se soma aos boletins já publicados da Rede Monitoramento COVID Esgotos e aos 34 Boletins de Acompanhamento produzidos no contexto do projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos, realizado com base em amostras de esgotos em Belo Horizonte e Contagem (MG). As lições aprendidas com o projeto-piloto são a base para os trabalhos da Rede.

A Rede Monitoramento COVID Esgotos tem o objetivo de acompanhar a presença do novo coronavírus nas amostras de esgoto coletadas em diferentes pontos do sistema de esgotamento sanitário de seis capitais e cidades que integram as regiões metropolitanas de: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. A rede busca ampliar as informações para o enfrentamento da pandemia de COVID-19. Nesse sentido, os resultados gerados sobre a ocorrência do novo coronavírus no esgoto das cidades em questão podem auxiliar na tomada de decisões por parte das autoridades locais de saúde.

Com os estudos, o grupo pretende identificar tendências e alterações na ocorrência do vírus no esgoto das diferentes regiões monitoradas, o que pode ajudar a entender a dinâmica de circulação do vírus. Outra linha de atuação é o mapeamento do esgoto para identificar áreas com maior incidência da doença e usar os dados obtidos como uma ferramenta de alerta precoce para novos surtos, por exemplo.

A vigilância do novo coronavírus no esgoto também pode auxiliar nas tomadas de decisão relacionadas à manutenção ou flexibilização das medidas de controle para a disseminação da COVID-19. Também pode fornecer alertas precoces dos riscos de aumento de incidência do vírus de forma regionalizada.

A Rede é coordenada pela ANA e INCT ETEs Sustentáveis com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e conta com os seguintes parceiros: Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, a Rede conta com a parceria de companhias de saneamento locais e secretarias estaduais de Saúde.

Sobre os parceiros do projeto

ANA

Criada pela Lei nº 9.984/2000, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) é a agência reguladora dedicada a implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos, a Lei das Águas, e coordenar o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH). Com a aprovação do novo marco legal do saneamento básico pela Lei nº 14.026/2020, também cabe ao órgão editar normas de referência para a regulação dos serviços públicos de saneamento básico.

Esse trabalho é feito por meio de ações de regulação, monitoramento, gestão e planejamento de recursos hídricos. Além disso, a ANA emite e fiscaliza o cumprimento de normas, em especial as outorgas em corpos d’água de domínio da União – interestaduais, transfronteiriços e reservatórios federais. Também é a responsável pela fiscalização da segurança de barragens de usos múltiplos das águas outorgadas pela instituição.

INCT ETEs Sustentáveis

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis) estuda questões sobre o esgoto sanitário, notadamente para países em desenvolvimento, de forma a contribuir para a promoção de mudanças estruturais e estruturantes nos serviços de esgotamento sanitário, a partir da capacitação profissional, desenvolvimento de soluções tecnológicas apropriadas às diversas realidades nacionais, construção e transmissão de conhecimento para a sociedade, órgãos governamentais e empresariais.

covid esgotos

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