Os problemas do Brasil vão muito além de Jair Bolsonaro

bolsonaro

A votação da chamada PEC do Voto Impresso (eu prefiro chamá-lo de PEC do voto de cabresto) mostrou que os problemas que o Brasil enfrenta para alcançar um nível mínimo de justiça social vão muito além do presidente Jair Bolsonaro. É que, as estas alturas do campeonato, termos 229 deputados a favor do voto impresso sinaliza que há mesmo que Bolsonaro seja despejado da cadeira que ocupa, o “bolsonarismo” continuará forte, com tentáculos em partidos que se dizem pró-democracia como o MDB e o PSDB.

Além disso, um rápido exame das bancadas estaduais me mostrou que em estados como Rondônia e Santa Catarina, a quantidade de votos a favor do voto impresso revela que a disposição de recolocar o eleitor brasileiro em cabrestões eleitorais é grande. Aliás, no caso de Rondônia toda a bancada votou a favor do voto impresso. Como conheci relativamente aquele estado, eu só posso entender que as tendências de controle do eleitorado que sempre estiveram presentes, agora avançaram algumas casas. Assim, não chega a ser surpreendente que Rondônia seja um dos estados campeões em desmatamento e invasões de terras públicas. Com uma bancada dessas, como esperar que haja qualquer esforço para que se cumpra as leis ambientais? 

Há ainda que se lembrar que no mesmo dia em que se derrotou o voto impresso por pequena margem (afinal só faltaram 79 votos para que seja excrescência fosse aprovada, a Câmara de Deputados aprovou por 304 a 133, o texto-base da Medida Provisória 1.045/21, também chamada de minirreforma trabalhista, que criou uma modalidade de emprego em que não há contrato na qual o trabalhador fica desprovido de direitos, no mínimo por dois anos. Além disso, essa mesma legislação irá dificultar o acompanhamento e repressão do trabalho escravo. Tal fato irá com toda certeza aumentar o número de trabalhadores escravos, pois na falta de contrato, como verificar se direitos estão sendo violados. 

A questão aqui é que o atual congresso, eleito na esteira das fake news que mancharam as eleições de 2018, reflete uma tendência de precarizar profundamente as relações de trabalho no Brasil, refletindo um movimento que vai muito além da figura caricata de Jair Bolsonaro. O que temos diante de nós são passados avançados no aprofundamento da reprimarização da economia brasileira, motivo pela qual se aposta em uma precarização das condições de vida dos trabalhadores brasileiros.

Se não entendermos essa situação particular do Brasil em um contexto de crise aguda do sistema capitalista, podemos correr o risco de aceitarmos o rebaixamento da pauta política que deverá nos orientar nas eleições que deverão ocorrer em 2022, em nome de uma suposta frente ampla contra Jair Bolsonaro. A questão aqui é que se essa opção for feita, o foco será centrado apenas no presidente da república, deixando livres as forças reacionárias que se servem dele para regredir direitos e precarizar as condições de vida dos brasileiros.

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