Quando se diz que a atual marcha do capitalismo é marcada pela destruição de tudo o que se vê pela frente, muitas pessoas não conseguem visualizar essa “démarche” capitalista. Mas há horas em que determinadas ações ajudam a clarificar o que se quer dizer quando se diz que capitalismo é lucro acima de tudo, em que pese a destruição que essa busca possa causar.
Um exemplo disso é a opção de cervejaria holandesa Heineken de obter na justiça o direito de construir uma de suas fábricas nas imediações da região no município de Pedro Leopoldo (MG), onde foi encontrado os restos mortais de Luzia, considerado o fóssil humano mais antigo das Américas. Isso mesmo, em troca de produzir cerveja, a Heineken planeja, com autorização da justiça de Minas Gerais, passar os tratores por cima de um dos mais importantes sítios arqueológicos da América Latina (ver imagem abaixo)

Para piorar, em documento oficial, o ICMBio afirma que “em nenhum momento o empreendedor avalia a compatibilidade do empreendimento com o Decreto de Criação e o seu Plano de Manejo“. Além disso, o documento do ICMBio pontua que “há risco geológico no local, avalia o instituto, o que impossibilitaria instalar a fábrica no local sem fazer mais estudos, sendo que os dois poços que o projeto prevê vão bombear 150m³ de água por hora, o que causaria grande impacto nos lençóis freáticos e nas três cavernas da região.“
Como da justiça brasileira aparentemente nada pode se esperar, o jeito é aguardar que a notícia desse projeto de aniquilação da memória arqueológica brasileira chegue aos ouvidos dos acionistas da Heineken e do público holandês. Sugiro até o lema para a campanha nos Países Baixos: “Luzia ja, Heineken nee”
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