Faço a do Roberto Moraes a minha questão: cadê o DISJB?

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As desapropriações realizadas pelo governo do Rio de Janeiro para criar um distrito industrial que ainda não saiu do papel produziu uma reforma agrária ao contrário na retroárea do Porto do Açu

No último dia 4, o professor Roberto Moraes levantou uma pertinente questão com uma postagem intitulada “Cadê o DISJB?‘ em torno da situação das terras expropriadas pelo governo do Rio de Janeiro para criar um aparentemente natimorto Distrito Industrial no V Distrito do município de São João da Barra. É que passados 10 anos desde que o ciclo de tomadas, algumas vezes violentas, de terras apenas gerou uma reforma agrárias às avessas em uma área que era ocupada há várias gerações de forma altamente produtiva por milhares de famílias de pequenos agricultores.

DISJB RM

De lá para cá, as terras passaram das mãos do ex-bilionário Eike Batista para as do EIG Global Partners, um fundo de private equity sediado em Washington DC que tem preferido fazer seus negócios na chamada zona industrial do Porto do Açu, mas sem dar qualquer sinal de que pretende retornar as terras tornadas improdutivas para os seus legítimos donos.

Ao longo dessa década perdida para os moradores do V Distrito, o que se viu foi a morte de muitos agricultores expropriados, como no caso do meu amigo saudoso amigo Reinaldo Toledo cuja morte completará 4 anos no dia 06 de março, sem que eles ou suas famílias tenham tido qualquer tipo de reparação pela tomada de suas terras (ver vídeo abaixo onde o Sr. Reinaldo narra o seu caso em detalhes).

Já abordei o caso da grilagem de terras cometido pelo governo do Rio de Janeiro contra agricultores pobres em incontáveis postagens neste blog, bem como produzi solo ou acompanhado uma série de trabalhos acadêmicos (aliás, em breve teremos a história do Porto do Açu narrado em uma capítulo de livro que deverá ser publicado por uma grande editora universitária internacional).  Entretanto, tenho que reconhecer que o caso das desapropriações do V Distrito são uma chaga aberta cujos responsáveis estão longe de serem responsabilizados pelo que fizeram, e os atingidos continuam arcando com os prejuízos causados pela perda de suas terras e o desmantelamento de seu sistema de reprodução social.

E tudo isso para quê? Por essas e outras é que a pergunta do professor Roberto Moraes se faz tão pertinente: cadê o DISJB?

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