
A “Folha de São Paulo” publicou hoje um artigo assinado pela jornalista pela Alexa Gusmão que, apesar de ser contraditória em aspectos chaves, mostra que o Brasil tem menos servidores públicos do que outros países considerados mais desenvolvidos (no caso da OCDE a média é de 23,48% contra 12,45% do Brasil na relação trabalhadores/por servidores públicos), mas também do que em países da América do Sul (Argentina e Chile, por exemplo) (ver figura abaixo).

Em primeiro lugar, os dados mostrados na matéria servem para desmentir a fábula neoliberal de que o Brasil tem servidores públicos demais, pois o correto é justamente o contrário. Além disso, há o fato de que se ter quase 3 vezes menos servidores públicos do que um país rico como a Dinamarca implica na precarização da qualidade dos serviços prestados a uma população que depende majoritariamente da ação do Estado para minimizar problemas sociais criados pela profunda desigualdade social existente no Brasil.
O pior é que apesar desses dados concretos, o congresso nacional se prepara para voltar a debater a reforma administrativa preparada pelo governo Bolsonaro que, se aprovada, irá piorar não apenas a condição laboral e salarial dos servidores públicos, mas também representará um enfraquecimento na capacidade das diferentes de governo (i.e., municípios, estados e União) de ofereceram serviços públicos de qualidade.
Será interessante ver como se comportará o presidente Lula e seus ministros diante do seguimento da discussão da reforma administrativa no interior do congresso nacional. Até aqui, no caso de outras heranças malditas deixadas pela dupla Michel Temer/Jair Bolsonaro, o comportamento do governo Lula tem sido deixar intacta a maioria das medidas draconianas que foram impostas contra os trabalhadores e a juventude brasileira (vide o chamado Novo Ensino Médio).