Relatos de uma breve viagem de 1.000 km ou mais por Minas Gerais

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No Museu Casa de Guimarães Rosa em Cordisburgo, o escritor que amava cachorros e gatos

Em 14 dias de um misto de recesso e férias na Uenf, tive a oportunidade de viajar por mais de 1.000 km apenas dentro do estado de Minas Gerais, em um trajeto que começou em Lima Duarte, passou por Cordisburgo, Felício dos Santos, Diamantina e Serro. Como geógrafo, afora destacar o desafio que é dirigir nas estradas de Minas Gerais, só posso dizer que quem nunca fez uma viagem desse tipo não tem ideia do que está perdendo (ver imagens abaixo).

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A trajetória que eu cumpri é muito legal porque ao longo do caminho sempre pode se deparar com uma paisagem deslumbrante  que se mistura com um mosaico de vegetações (da Mata Atlântica ao Cerrado), distintas formas de relevo, e uma rica cultura que aparece em uma culinária tão saborosa quanto diversa, e, principalmente, no encontro com pessoas que mostram bem porque Minas Gerais pode ser inesquecível.

É verdade que como um turista interno também pude observar os efeitos da seleção de determinados lugares como pontos de atração turística, o que tende a deslocar os segmentos mais pobres de seus locais tradicionais, e a transformação dos lugares em pontos de espetáculo com o consequente aumento do custo de vida.

Mas essa também foi uma viagem para aprender que existe muita resistência cultural e valorização do conhecimento genuinamente brasileiro, o que ficou evidente nas visitas que fiz ao Museu Casa de Guimarães Rosa em Cordisburgo e ao Museu Casa da Chica da Silva em Diamantina. Nos dois locais foi possível não apenas visualizar a história, mas conversar com jovens e idosos sedentos para compartilhar conhecimentos que iam além da versão pasteurizada que nos é entregue sobre esses dois personagens históricos.

Essa também foi uma viagem para rever amigos de outras viagens e lamentar não se ter tempo para poder usufruir mais tempo da acolhida e da hospitalidade generosa com quem aparece de tempos em tempos para bater um papo apressado.

Obviamente falar de uma viagem por um trecho de Minas Gerais é falar sobre uma culinária que é muito mais diversa do que nos acostumamos com os restaurantes de comida que se diz mineira.  Os sabores distintos servem para mostrar uma riqueza que fica cada vez menos evidente sob o peso de uma cultura pasteurizada para atender as demandas do capitalismo global.  O que dizer de um torresmo feito na hora ou de um pastel de angu com seus diferentes recheios?  Não foi à toa que na maioria dos dias dessa viagem nem percebi a presença de uma rede multinacional de comida ultraprocessada, nem sem senti falta para falar a verdade.

Finalmente, depois disso tudo, apenas uma certeza: voltar pelos mesmos caminhos, ou pelo menos parte deles, é algo para futuras viagens, pois ainda há muito o que se ver, conversas para retomar, e aromas e sabores para apreciar.

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