
Das duas uma: ou o prefeito Wladimir Garotinho está mal informado sobre as consequências nefastas da monocultura de eucalipto ou ele não se importa. Mas independente da resposta, eu precisa levar em conta que não para combinar o discurso de que é preciso reclassificar o clima regional para “sem-árido” e ficar apoiando em público a transformação de parte do território campista em um deserto verde. A conta simplesmente não fecha.
Por outro lado, já me chegaram notícias do aumento de casos de intoxicação por contato com agrotóxicos na região próxima do Distrito de Travessão onde estão sendo implantados alguns desses empreendimentos de monoculturas de árvores.
Esse aumento de casos, principalmente de trabalhadores rurais que manejam equipamentos que aplicam agrotóxicos nos plantios de eucalipto, será seguido pelo aumento de casos por ingestão crônica de agrotóxicos, visto que parte dos venenos utilizados nos plantios em grande escala de árvores migra rapidamente para os corpos aquáticos.
Por outro lado, conflitos sociais têm aparecido nas novas fronteiras do deserto verde que estão aparecendo no Brasil, visto que há um deslocamento inevitável de comunidades que ocorre na medida em que os plantios de eucalipto avançam no território.
Assim, se o prefeito Wladimir Garotinho considera uma boa transformar parte de município em um deserto verde e com grande potencial de contaminação, há que se dizer que essa é uma péssima ideia. Assim, nem tudo o que “acontece” é desejável ou necessário.
Finalmente, acho interessante que se prepare melhor as unidades hospitalares existentes no município para que identifique e trate os contaminados pelo trabalho nos eucaliptais.