Uma crônica sobre a erosão em Atafona: o caso de um castelo vazio esperando a chegada do mar ameaçador

Imaginemos o caso de uma figura com vida prosaica que consegue a divina intervenção para comprar o imóvel dos seus sonhos.  Após breve preambulação, acha-se um imóvel que por suas características o preço surge como uma verdadeira bagatela. E melhor ainda, com título de propriedade dentro dos conformes!

Após o negócio fechado e a mudança feita, surgem aqueles problemas normais de quem nunca pegou na enxada, a começar pelo cuidado do jardim que não é tão grande, mas grande o suficiente para causar alguns calos em mãos destreinadas. Mas nada disso é problema, pois no pedaço moram amigos de fé e que lhe abrem os caminhos para conversas muito intelectuais, dignas de uma burguesia que pode estar decadente, mas não perde o rebolado.

Entretanto, com o passar do tempo, o castelo se torna assombrado. Não por almas penadas, mas pela contínua, ainda que paulatina, chegada das águas do mar.  Aí o aparente negócio da China se transforma em compra de ouro de tolo, já que não é nada fácil vender um castelo que em um tempo nada distante vai se juntar a outras tantas edificações que jazem sob o peso de águas revoltas.

Moral da história: Atafona não é para principiantes.

Deixe um comentário